Semana Santa em Moçambique

 

Na Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo e sua Ressurreição estão centradas a fé da Igreja Católica, Apostólica e Romana. Foi ao morrer na cruz que Ele “morreu uma vez pelos nossos pecados – o Justo pelos injustos – para nos conduzir a Deus” (1 Pe 3, 18), destruiu o império de Satanás sobre as almas e, de seu lado aberto na cruz, fez surgir a Santa Igreja.

Com a sua Ressurreição, ele comprou a nossa vitória sobre a morte, como afirma tão belamente São Paulo: “Assim como em Adão todos morrem, assim em Cristo todos reviverão. Cada qual, porém, em sua ordem: como primícias, Cristo; em seguida, os que forem de Cristo, na ocasião de sua vinda” (1 Cor 15, 23).

É natural e mesmo louvável que o ambiente e o tempo que antecede as cerimônia do Tríduo Pascal, por onde a liturgia católica atualiza as graças dispensadas nestes fatos históricos, seja preparada com todo o esmero, para assim predispor melhor as almas a receber tais benefícios espirituais, únicos no ano.

 Isso, vemos com alegria ser efetuado em todo o orbe terrestre. Em todas as igrejas do mundo o Tríduo Pascal é anelado com expectativa amorosa, com um santo afã pelos fiéis, que se empenham em realizar atos que ajudem a piedade dos que dele participarão.

 Em Moçambique, os Arautos do Evangelho deitaram seus esforços para atender ao desejo dos moçambicanos, ávidos de tais celebrações. Como preparação ao Tríduo Pascal, realizaram uma encenação da Paixão de Jesus Cristo para os fiéis da comunidade São Pedro e São Paulo, da Paróquia Sagrada Família da Machava, que lotaram o pátio da Capela a fim de poder presenciar as cenas que relembravam as dores de Cristo, desde a sua agonia no horto até a crucifixão.

 Os leitores ainda poderão acompanhar mais uma vez as graças concedidas por Nossa Senhora nas cerimônias subsequentes, vendo os próximos artigos…

O Domingo de Ramos – Mons. João Clá Dias

A seguir transcrevemos alguns pensamentos de Mons. João Scognamiglio Clá Dias, em sua obra “O inédito sobre os Evangelhos”, sobre o Domingo de Ramos, que celebraremos no fim desta semana.

Triunfo prenunciativo da glória da Ressurreição

“Jesus quis que sua Paixão, cujo ápice se deu no Calvário, fosse marcada pelo triunfo já na abertura, antecipando a glória da Ressurreição que viria depois.

À vista deste contraste, podemos ficar surpresos: como a Igreja combina ambos aspectos nesta circunstância?

O primeiro aspecto desta celebração nos ensina o quanto é uma falha conceber a Redenção operada por Nosso Senhor centrando-se só na dor. Também, e talvez principalmente, ela comporta o gáudio da Ressurreição, pois, se os padecimentos de Jesus se estenderam da noite de Quinta- Feira até a hora nona de Sexta- Feira,(…) o período de glória prolongou-se por quarenta dias, aqui na Terra,  e permanece por toda a eternidade no céu.

[Por isso], Nossa Senhora, embora cheia de dor e com o coração transpassado por uma espada (cf. Lc 2, 35) não desfaleceu, porque guardava no fundo da alma a certeza de que seu Filho ressuscitaria.

A maldade humana vinga-se do bem recebido

“Vemos o povo contente e reconhecendo autêntica e sinceramente estar ali, de fato, o Messias. Contudo, não de forma profunda, mas superficial e carente de raízes… Se hoje Jesus foi recebido com honras, dentro de alguns dias essa mesma multidão estará na praça, diante do Pretório, preferindo Barrabás Àquele que antes acolhera com regozijo, e gritando ‘seja crucificado!’.

Por quê? Pelo ódio dos que não querem aceitar o convite para uma mudança de vida (…) Quantos milagres! Quantos benefícios! Paralíticos que andam, surdos que ouvem, cegos que veem, mortos que ressuscitam… tudo realizado por aquelas mãos adorabilíssmas que logo iriam ser atravessadas por cravos horríveis! Eis a lei da natureza humana concebida no pecado, quando recusa a graça de Deus!

Não devemos colocar nossa esperança no mundo

Assim, a Paixão de nosso Divino Redentor deixa uma lição para nós: aqueles que, por princípios mundanos, têm como ideal obter o aplauso, colocando sua esperança na aprovação dos homens, erram, porque comentem a loucura de escolher para si uma situação instável (…) A Paixão do Senhor nos mostra, de maneira eloquente, o quanto é preciso pôr nosso empenho em servi-Lo, pouco nos importando se nos atacam ou nos elogiam, mas, isto sim, se Lhe agradamos com a nossa forma de proceder.

 Per crucem ad lucem! Pela cruz, chega-se à luz!

 Contrariamente à quimera sugerida por certa mentalidade muito alastrada, não é possível abolir a cruz da face da Terra, pois, em geral, todo ser humando sofre. (…)

A dor é nossa companheira e só deixara de existir no Paraíso Celeste. É imprescindível ao homem, portanto, compreender o verdadeiro valor do sofrimento, pois uma impostação equivocada perante ele leva alguns a caírem no abatimento; outros, a revoltar-se contra a Providência; outros – quiça a maioria- a querer se esquivar de carregar a própria cruz. (…) Compenetremo-nos que a dor encerra inúmeros benefícios para nossa salvação.

O combate do católico é a sua glória

A lição da Liturgia neste início de Semana Santa deve ser guardada na lembrança até o nosso último suspiro: somos combatentes! Não fomos feitos para apoiar aqueles que põem sua esperança no mundo, mas para defender Nosso Senhor Jesus Cristo (…).

Nesta Semana Santa, unamo-nos a Nosso Senhor Jesus Cristo e façamos companhia a Nossa Senhora nas dores que ao longo dos próximos dias vão se descortinar diante de nossos olhos, com a certeza da glória que atrás delas espera para se manifestar.