Fotosefocos

As festas religiosas são comemoradas com muito fervor,  pelos católicos na capital de Moçambique, Maputo. Hinos, procissões e cerimonias que trazem às ruas relexos de uma fé viva e crescente. Na foto procissão dos ramos.

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As irmãs: alegria e pobreza, unidas pela fé católica

Narram às crônicas que os primeiros portugueses tendo atracado nos litorais do Índico, na costa moçambicana, depararam-se com negros que, longe de quererem usar da violência, ofereciam seus aposentos aos recém chegados.

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“Terra de boa gente”, foi a exclamação que floresceu de seus lábios, vendo-se tratados com tal hospitalidade. Boa terra para o plantio do Evangelho.  Tomando os implementos da fé, foram se adentrando por aquelas selvas, lançando as sementes da Boa Nova, constituindo assim pequenas
comunidades cristãs.

DSC02244 Seguindo os passos dos primeiros missionários, penetrando na mata,  os Padres Carmelitas trazem consigo as alfaias litúrgicas para uma muito especial Celebração. Quanto mais sulcava o areal e a erva dos caminhos; quanto mais se afastava dos bairros, aldeias e residências, próximos estavam a chegar
ao seu destino. Depois de muito penetrar naquela região inóspita, descortinou-se finalmente no horizonte uma pequena Capela. Era ali o ponto terminal.

Chegamos a Comunidade Santo Isidoro de Gumbane. De fato, essa capelinha dista cerca de 30 km da Matriz – Paróquia da Sagrada Família da Machava – sendo no conjunto das 9 capelas, a mais
afastada e em condições mais precárias.

     Hoje será uma dia muito especial na Comunidade.  Na celebração que se iniciará dentro de alguns momentos, serão acolhidos no seio da Igreja 7 novos membros através do Sacramento do Batismo.  Destes, 5 receberão a 1ª. Eucaristia e um casal celebrarão o seu matrimônio.

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     Suspendendo a cruz em um de seus ramos, a massaleira ofereceu uma generosa sombra para os participantes da cerimônia, pois o pequeno edifício não comportaria tanta gente, pois muitos eram os convidados. Aliás, inclusive  a  Banda dos Arautos do Evangelho esteve presente, acompanhando com os seus acordes a comovente celebração. Foi debaixo dessa frondosa árvore que decorreu a Missa e depois o almoço. Para esta importante ocasião, contribuíram muitos dos paroquianos que ofereceram  fraternalmente o seu valioso auxílio para proporcionar àqueles irmãos na fé um momento de alegre e inesquecível convívio. Trouxeram desde mesas e cadeiras, pratos, talheres e tudo o necessáriopara uma improvisada refeição, até as vestimentas que os novos irmãos usariam para receberem os sacramentos.
       

Um dia de muita alegria na longínqua Comunidade Santo Isidoro que sendo tão pobre, entretanto se fez rica por viver sob os ditames da Fé Católica.

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Nosso pequenino e venerável São Pedro!

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A solenidade dos Apóstolos

 

Após a fadiga fracassada, em silêncio limpavam as redes, rompido apenas pelo rumor das águas agitadas pela suave brisa matutina, quando neles pousou uma graça, abrindo-lhes as almas ao Divino Mestre que por ali passava, fazendo-lhes o convite: “Vinde e far-vos-ei pescadores de homens.” A essa voz, deixaram seus apetrechos e com grande enlevo seguiram-no. A partir desse momento, aquele que por profissão se fizera um mero pescador, por vocação foi constituído pescador de homens. Era Simão Pedro.

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Tomando-o como padroeiro e venerando-o com grande fervor, os pescadores da costa moçambicana, oriundos de Goa-India, celebraram a solenidade dos apóstolos com uma Missa, presidida pelos Padres Fransalianos, seguida de uma procissão marítima. A miraculosa imagem de São Pedro (assim chamada por apenas ela haver sido encontrada intacta de um incêndio que reduziu a cinzas a sua antiga capela) com um pouco mais de 15 cm de altura, foi transladada de seu nicho e repousada em um andor artisticamente ornado de belas flores.

 

Portado pelas figuras mais representativas dentre os goeses, foi o andor conduzido em uma pequena procissão ainda em terra firme, até onde estavam atracados os barcos enfeitados de coloridas bandeirinhas. Constituiu-se uma espécie de nau capitânia, unindo três barcos lado a lado. Aí foi instalado o andor. Seguido por vários barcos de tamanha inferior, o bloco singrou até certa distância da margem. A essa altura do mar, foi atirada uma coroa de flores às águas, em memória dos pescadores que sucumbiram tragados pelas ondas do oceano durante o exercício da pesca.

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 Aspergiu-se com água benta todos os barcos e levantou-se ao alto os pedidos de proteção por todos que seguem o mesmo ofício, pela intercessão daquele que também o era, até antes de se tornar o pescador de homens. Consumada a parte mais solene da cerimônia, todos os barcos, dos maiores aos menores, num verdadeiro alvoroço, tornaram-se alvo de observação de uma grande multidão que se encontrava na margem a assistir o suntuoso desfile.

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De volta à Capela, continuou a programação que terminou com o canto da Ladainha, como desfecho a chave de ouro de um dia vivido sob as bênçãos de São Pedro.

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Ha macofo haleno!

africaHa macofo haleeenooo!

Essa expressão que chegava aos meus ouvidos, vinha assim: Ouelelee! Era uma senhora que passava, sempre religiosamente a mesma hora, enfrente à casa dos Arautos, em Maputo, nas tardes ensolaradas.

Como eram quentes aquelas tardes. Chamava-me atenção essa boa senhora. Parecia-me feita de puro ébano: alta, firme, decidida e trazia na cabeça uma enorme cesta.

Envolvida em suas capulanas tingia-se de cor dos pés à cabeça Ouelelee! Era uma espécie de música um tanto triste, que cortava as ruas vazias e enchia as casas com sua melodia.

O que dizia aquilo que eu não entendia!

O segredo era muito fácil de desvendar. A mulher que poderia ser uma estátua pelo seu modo de andar, vendia couve… Sim, na língua xangane, anunciava seu produto.

E o fardo grande que levava como uma coroa eram as hortaliças, tão benéficas em terras que falta tanto. Enquanto me hospedei em nossa casa em Maputo, não me cansava de observa nas quentes tardes de ruas vazias aquele monumento de dignidade, que dentro do seu sofrimento cantava: Ha macofo Haleeenooo!

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Santa Missa

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O Corpo de Deus em Maputo

DSC02036Domingo, 6 de junho, já pela manhã, as Igrejas se encontravam ornadas dos mais belos arranjos, vasos floridos de agradável perfume, os fiéis com um aspecto mais devoto,enfim, tudo parecia encoberto de júbilo. Afinal, é o domingo em que se comemora a solenidade do Corpo de Deus. Conduzido por seus ministros sagrados, Jesus Sacramentado percorreu as ruas em redor das paróquias seguido por multidões festivas. Retornando ao Templo Santo, participaram de pomposas celebrações eucarísticas. Em alguma Igrejas, Jesus se dava pela primeira vez em comunhão.
“Louva Sião O Salvador, louva o  Guia e Pastor com hinos e cânticos, tanto quanto possas, ouses louvá-lo”… Assim começa o hino em honra ao Santíssimo Sacramento, de autoria de Santo Tomás de  Aquino. Querendo fazer jus às palavras do dito hino, a Arquidiocese de Maputo marcou  para a tarde a grande procissão em louvor a “Jesus escondido”.      Pouco à pouco chegavam os automóveis abarrotados de fiéis pertencentes às paróquias da vasta Arquidiocese, à Igreja de Nossa Senhora das Vitórias, de onde partiria a procissão.
Às 14.30 hs com os sacerdotes paramentados, iniciou-se a cerimônia. Primeiro com a adoração ao Santíssimo Sacramento na Presidência de Dom Francisco Chimoio, Arcebispo de Maputo. Quando o relógio marcava 15.00 hs, começou a procissão. Na dianteira o crucifixo, ladeado por dois círios e um enorme séquito de acólitos distribuídos em duas colunas. A estes, alinharam-se as crianças e adolescentes.  As religiosas, os religiosos e Sacerdotes formavam cortejo para Jesus Eucarístico, levado sob um pálio de 6 varas, dentro duma bela custódia, pelas mãos do Sr. Arcebispo. DSC02046Engalanado de sua característica túnica azul, estava o grupo coral logo após o carro de som, que debaixo da batuta de seu maestro, entoava os hinos eucarísticos, acompanhado pelos acordes da Banda os Arautos do Evangelho.  O povo, a tudo acompanhava com os livrinhos organizados para o evento.    Era verdadeiramente comovedor ver a fé e o amor prestados a Jesus Hóstia, com tanta ufania em uma avenida que entrecorta a cidade.
Três vezes parou a procissão onde o presidente da cerimônia e os fiéis endereçaram a Jesus as suas preces.  Alguns de joelhos, outros em pé, outros ainda com as mãos unidas adoravam a Cristo Sacramentado postado numa pequena mesa, preparada para a circunstância. Traçando cruzes nos 4 pontos cardeais, o Arcebispo abençoou a cidade depois de ter pedido especialmente
protecção sobre ela.   Percorridos quase 2 km, chegou a procissão ao seu termo, na Sé Catedral.  Tendo recolhido o Santo Sacramento em seu tabernáculo, o Arcebispo dirigiu palavras de estímulo e agradecimento a todos que participaram da procissão.

Dirson Castigo Machaieie

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Ordenação Episcopal na Sé Catedral de Maputo

Hoje, 30/5, na solenidade da Santíssima Trindade, ocorreu a Ordenação Episcopal de Dom Francisco Lerma Martínez na Sé Catedral de Secretario_da_Nunciatura_faz_a_leitura_da_nomeacaoMaputo. Para este especial acontecimento ficou pequena a Sé Catedral que estava tomada em todos os seus bancos e também nos corredores laterais por numeroso público. A celebração contou com a presença de 13 Arcebispos e Bispos, do cardeal émerito de Maputo, D. Alexandre Maria dos Santos e de dezenas de sacerdotes. O principal celebrante foi D. Lúcio Andrice Muandula,
Presidente da Conferência Episcopal de Moçambique.

Dom Francisco Lerma Martínez nasceu em Múrcia, Espanha, a 4 de maio de 1944. Em março deste ano foi nomeado Bispo de Guruê, em Moçambique, substituindo  D. Manuel Chuanguira Machado, que por razões de saúde deixa a Diocese. Antes da nomeação, D. Francisco Lerma era o Superior Regional dos Missionários da Consolata em Moçambique.

A Diocese de Guruê, situada ao norte de Moçambique,  é a mais nova do país e foi criada em 1994. Com uma superfície de 42.451 km, conta com uma população de quase 2 milhões de habitantes. Destes, 400.000 são católicos.

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São Paulo, 19 de abril de 2010

A Igreja é imaculada e indefectível

 

Aniversário da eleição para a Cátedra de Pedro de

S.S. o Papa Bento XVI

Após cada campanha de ataques contra ela, a Igreja sempre aparece mais forte e esplendorosa do que antes

Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP

A saraivada de notícias que, nas últimas semanas, tenta macular a Igreja Católica, tomando por motivo abusos de crianças cometidos por parte de sacerdotes católicos, atinge um clímax inacreditável. Decididos a não deixar morrer a fogueira que acenderam, vários órgãos de comunicação social têm se dedicado a investigar o passado, à procura de novas alegações que envolvam o Vigário de Cristo na Terra, o Papa Bento XVI, no que, aliás, têm falhado rotundamente.

Que haja padres despreparados e indignos, ninguém o pode negar; que abusos horríveis foram cometidos, e certamente até em número superior ao registrado, é preciso reconhecer. Mas utilizar falhas gravíssimas, mas circunstanciais, relativas a uma minoria de clérigos, para enxovalhar toda a classe sacerdotal é uma injustiça. E usar isso como pretexto para tentar derrubar a Igreja é diabólico.

Aliás, quanto mais o espírito libertário, relativista e neopagão de nossa época se infiltra na Igreja, tanto mais é de temer que aconteçam crimes de pedofilia. Daí mesmo a necessidade de im

A atual campanha publicitária contra a Igreja faz-nos esquecer uma verdade da qual a história nos dá um inequívoco testemunho: foi a Igreja Católica que livrou o mundo da imoralidade, e é porque está rejeitando a Igreja que o mundo tem afundado novamente no lodo do qual foi resgatado.

 

 

plantar nos seminários um sistema rigoroso de seleção, de modo a só admitir como candidato ao sacerdócio quem não tenha a propensão de pactuar com o mundo, mas queira ensinar a prática da doutrina católica em toda a sua pureza e dar o exemplo. O mundo do paganismo era um inferno

A maioria da população do Ocidente dá por certo que o mundo, em grau maior ou menor, sempre cultivou os valores aos quais estamos acostumados. Esses valores, sacrossantos até cerca de 50 anos atrás, em certa medida ainda resistem à decadência acelerada deste início de milênio:

 

família tradicional, proteção da inocência infantil, senso do pudor, modos educados, trajes decentes, honorabilidade, respeito mútuo, espírito de caridade, dignidade humana, solidariedade, etc.

Mas não foi sempre assim. Antes de Nosso Senhor Jesus Cristo pregar entre os homens a Boa Nova do Evangelho, o mundo estava mergulhado numa prolongada e terrível noite, em que reinavam a devassidão moral, o egoísmo, a crueldade, a desumanidade e a opressão, conforme a história nos ensina

Dessa situação não se pode concluir que todos os romanos, gregos e “bárbaros” fossem devassos. Havia minorias inconformes com aquela situação e preparadas para receber a pregação evangélica com a avidez de náufragos que encontram a tábua de salvação. Daí a rápida expansão da

 

 

1. Igreja Católica pelo mundo romano e, finalmente, a conversão do Império no ano 313 da era cristã.

Religiões degradantes

 

Tudo quanto a parte sã da opinião pública do Ocidente ainda olha com horror hoje em dia, era, no mundo dominado pelo paganismo, moeda corrente e normal. Basta-nos recordar o que a mitologia greco-romana diz a respeito dos vários deuses de seu panteão.

Formavam eles um temível bando de depravados: adúlteros, violentos, impudentes, mentirosos, ladrões, opressores, assassinos, parricidas, matricidas, fratricidas, cruéis, egoístas, traidores, preguiçosos, falsos, desonrados, incestuosos, fornicadores, perversos e

Os relatos dessas infâmias estavam nos textos apresentados às crianças nas escolas daquele tempo, para instruí-las na gramática, na retórica, na poesia, como assinalaram em sua época os apologistas cristãos.

 

 

pedófilos. Zeus (o Júpiter dos romanos), a divindade máxima desse covil, era não só um brutamontes, que praticara canibalismo devorando uma de suas filhas e assassinara outros parentes próximos, mas também um adúltero incontrolável, que fizera muitas vítimas entre “deusas” casadas e solteiras, violentara suas irmãs e noras, estuprara sua própria filha e até sua mãe e que, além disso, mantinha como amante um menino que raptara2.

A religião pagã exercia, pois, um maléfico domínio sobre a sociedade, propondo, como exemplos a serem imitados, as iniquidades dos deuses. De outro lado, a sociedade influenciava a religião, de modo que os mitos refletiam os costumes então em voga.

Imoralidade, crueldade, opressão

Naquele ambiente pagão, a situação da mulher era terrível. Em geral quase sem direitos, ela era praticamente considerada como uma escrava do marido, isso quando tinha o privilégio de ser casada.

1 É preciso excetuar o povo judeu. Entretanto, mesmo algumas práticas do Povo Eleito foram, por

 

 

Nosso Senhor Jesus Cristo suavizadas, ou posteriormente modificadas. 2 Cf. por ex. ARISTIDES,

 

 

Apologeticum (escrito entre 123 e 127 d.C.); JUSTINUS, Apologia Prima (entre 153 e155 d.C.); ARNOBIUS, Disputationum Adversus Gentes (entre 304 e 312 d.C.).

 

As próprias religiões, mesmo as mais elevadas, conduziam as mulheres — como, naturalmente, também os homens — a grandes depravações. A dos caldeus, por exemplo, era sinistra e corruptora, com práticas lúbricas nos templos. A religião fenícia também estimulava a degradação da mulher.

Heródoto é um dos que nos fornece informações sobre a “prostituição sagrada” praticada nos templos da Babilônia, Assíria, Grécia, Síria, Chipre e em outros lugares

O culto de Cibele e Átis, surgido na Frígia, de onde passou para a Grécia e Roma, levava a práticas escabrosas em público. Como Átis se mutilara, perdendo sua masculinidade, seus festejos incluíam a automutilação de muitos homens, realizada em meio de uma multidão que, alucinada,

A Grécia contava com numerosos templos dedicados a Vênus, mas nenhum consagrado ao amor legítimo entre esposos. Em Atenas e outras cidades realizava-se, uma vez por ano, uma procissão na qual era levada uma enorme escultura fálica. Homens e mulheres percorriam as ruas cantando, pulando e dançando em torno desse ídolo.

 

 

3. Com frequência, as “sacerdotisas” ingressavam nos templos quando muito jovens, entregues pelos próprios pais. O famoso “Código de Hamurábi”, promulgado por este rei de Babilônia (cerca de 1793 a 1750 a.C.), reserva alguns tópicos para regulamentar essa prática4. dançava e uivava, enquanto se executava uma música, com o ensurdecedor ruído das flautas, címbalos e tambores5. Opressão da mulher

A honorabilidade feminina era ainda ferida pelo costume da poligamia, generalizado em muitas regiões, embora houvesse locais onde vigorava a poliandria

Na Índia, dentre as cruéis práticas milenares do paganismo, o costume exigia que a viúva fosse queimada junto com o cadáver do marido

O Código de Hamurábi está repleto de normas que espelham o estado de opressão da mulher nas civilizações antigas, a qual muitas vezes era punida com a morte, a escravidão ou o repúdio

Mesmo em Roma e na Grécia, as leis antigas eram iníquas com relação à mulher

 

 

6. Igualmente degradante era o incesto, especialmente comum na Pérsia7, mas também na Grécia8. 9. 10. 11, e até pes3 HERODOTUS. Book 1, “Clio”, n. 181; n. 199. In Kitson, J.,

4

5 MARTINDALE, C. “A religião dos romanos”, in

6 PSEUDO-CLEMENTE.

7

8 COULANGES, Fustel de.

9 PSEUDO-CLEMENTE,

10

11 COULANGES,

 

 

Herodotus Website, www.herodotuswebsite.co.uk, 2003. The Code of Hammurabi, King of Babylon, About 2250 BCE, tradução para o inglês por Robert Francis Harper, Chicago, University of Chicago Press, 1904, nº 181, 182. Christus – História das religiões. São Paulo, Saraiva, 1956, v. II, p. 560-561. The Recognitions, c. 24. Ibid., c. 27. La Cité Antique. Paris: Flammarion, 1984. p. 78, 81, 82. op. cit., c. 25. The Code of Hammurabi, op. cit., n. 110, 132, 141, 143. op. cit., p. 78.soas como o austero Catão favoreciam graves injustiças a esse propósito

Em Roma, na época em que a Boa Nova de Jesus Cristo já estava sendo pregada, a instituição da família encontrava-se em profunda crise. O aborto e o abandono das crianças assumiam proporções espantosas. A natalidade decrescia. Os homens ricos preferiam manter-se solteiros e cercar-se de inúmeras escravas, a se sujeitar aos incômodos do casamento

 

 

12. No caso de Atenas, para obviar de algum modo a parcialidade no tratamento dado às filhas, a lei incorria em uma aberração ainda maior, ao incentivar o incesto para resolver problemas de herança13, chegando a impor a destruição de dois lares já constituídos, se preciso fosse14. 15. A situação das crianças ante o Estado todo-poderoso

Na Grécia e em Roma não havia a liberdade individual que seus admiradores fazem acreditar: o cidadão vivia em função do Estado. Em sua

A família greco-romana também era totalitária sob certos aspectos. Assim, o Direito Romano dava um poder ditatorial ao

Em Esparta, comenta Coulanges, “o Estado tinha o direito de não tolerar que seus cidadãos

Em Cartago e na Fenícia, crianças eram oferecidas em sacrifício aos ídolos; em Roma e na Grécia eram elas utilizadas em ritos de adivinhação

 

 

República, o próprio Platão preconizava um Estado todo-poderoso, e mesmo Aristóteles o considerava como ideal supremo16. pater familias17. Na Grécia vigoravam leis semelhantes. O pai tinha o direito de rejeitar seu filho recém-nascido, ou vendê-lo como escravo18. Também podia condenar à pena de morte a esposa, um filho, uma filha, ou qualquer outro morador de sua casa, executando-se sem demora a sentença; as autoridades do Estado não interferiam19. fossem disformes ou mal constituídos. Por isso ele ordenava ao pai ao qual nascesse um filho nessa situação, que o fizesse morrer” 20. Segundo o mesmo autor, essa lei se encontrava igualmente nos antigos códigos de Roma. Até Aristóteles e Platão incluíram, em suas propostas de legislação, essa prática. 21. Em vários lugares, crianças e adolescentes podiam ser punidos com a morte por um delito cometido pelo pai22. 12

13

14

15 DANIEL-ROPS, [Henri Pétiot].

16 KOLOGRIVOF, Ivan (dir).

17 JOLOWICZ, Herbert Felix; NICHOLAS, Barry.

18 JOLOWICZ, NICHOLAS,

19 JOLOWICZ, NICHOLAS,

20 COULANGES,

21 JUSTINUS,

22 DANIEL-ROPS,

 

 

Ibid., p. 81. Ibid., p. 81-82. Ibid., p. 82. A Igreja dos Apóstolos e dos Mártires. São Paulo, Quadrante, 1988. p. 126-130 Ensaio de suma católica contra os sem-Deus. Rio de Janeiro: José Olympio, 1939. p. 380-381. Historical introduction to the study of Roman Law. London: Syndics of the Cambridge University Press, 1972, p. 119; COULANGES, op. cit. p. 99. op. cit., p. 114; COULANGES, op. cit., p. 100-101. Ver tb. The Code of Hammurabi, op. cit., n. 117. op. cit., p. 119; COULANGES, op. cit., p. 102. op. cit., p. 266. Apologia Prima, c. 18: PG 6, 370. op. cit., p. 162; The Code of Hammurabi, op. cit., n. 210, 230.

 

O Estado, ao mesmo tempo em que dava ao pai um poder ilimitado dentro de casa, cerceava-o

 

 

tiranicamente na educação dos filhos. Entre os gregos, o Estado era o mestre absoluto da educação, e Platão o justifica, pois, diz ele, “os pais não devem ter a liberdade de enviar ou de não enviar seus filhos aos mestres que a cidade escolher, porque as crianças são menos de seus pais do que da cidade23. O Estado considerava como pertencente a si o corpo e a alma de cada cidadão, e assumia a criança quando esta completasse 7 anos de idade24. Impiedosa e difundida escravidão

A escravidão era uma instituição tão corrente no mundo antigo que os escravos costumavam constituir a maioria da população. Em Roma, no tempo de Augusto, mais de um terço da população era constituído por eles

O dono de um escravo tinha sobre ele direito completo. Um escravo não era um homem propriamente dito; era uma coisa,

Na lei romana havia incisos relativos aos escravos que davam ocasião a grandes crueldades. No tempo de Nero, por exemplo, um alto magistrado foi assassinado por um dos seus escravos. “O Senado, após longa discussão, decidiu aplicar a todos os servos da casa a velha lei que condenava ao suplício da cruz todos os escravos que não tivessem sabido proteger seu senhor. Diante dessa sentença terrível, houve tais protestos populares que os 400 condenados tiveram de ser executados sob a guarda do exército”

Sempre houve um ou outro proprietário de escravos que os tratava com humanidade ou — mais raramente — com respeito, mas seria grande ingenuidade pensar ser essa a atitude habitual.

 

 

25. res mancipi26. O dono tinha não só o direito de coabitar com a mulher do escravo sem cometer adultério, mas também de dispor dos filhos dele, e se o ferisse ou matasse, não cometia delito27. 28. Selvageria sangrenta

Na Antiguidade os morticínios eram vistos com indiferença, como um acontecimento natural na vida dos povos. O massacre da população de uma cidade não causava a menor surpresa, nem indignação.

A tendência para sacrifícios sangrentos estava ligada a vários ritos do paganismo. Na Grécia a velha religião considerava conveniente oferecer holocaustos humanos para o apaziguamento dos deuses. Esses sacrifícios, comuns entre os gregos das épocas remotas, abrandaram-se mais tarde,

23 COULANGES,

24 COULANGES,

25 DANIEL-ROPS,

26 JOLOWICZ, NICHOLAS,

27 WEISS, Juan-Bautista.

28 DANIEL-ROPS,

 

 

op. cit., p. 267. Ibid.; MARROU, Henri Irénée. A history of education in antiquity. Madison: University of Wisconsin Press, 1982, p. 20, 23, 31. op. cit., p. 128. op. cit., p. 133-138, 277. Historia Universal. V. 3. Barcelona: Tipografia La Educación, 1928, p. 390-391. op. cit., p. 132.mas não desapareceram completamente. No século II da Era Cristã ainda se sacrificavam vidas

Em Roma, o espetáculo mais apreciado pelo povo era o de homens morrendo, e as lutas de gladiadores constituíam ocasiões para impiedosos morticínios. “Pela manhã, diz Sêneca, jogam-se

 

 

humanas na Arcádia, em honra a Zeus Liceu29. homens aos leões e ursos; depois do meio-dia, são jogados [ao arbítrio] dos espectadores. O fim para todos os lutadores há de ser a morte, e põem-se mãos à obra com ferro e fogo, até que a arena fique vazia”30. Nessas “sessões” iniciadas ao meio-dia, os condenados à morte deviam se executar mutuamente até o último. Tanto esse costume como a refeição das feras com carne humana nos ajudam a “compreender essa volúpia de ferocidade a que os romanos darão vazão nas perseguições anticristãs”, observa Daniel-Rops, e conclui: “Por muito revoltantes que nos pareçam, essas cenas, de que também os cristãos serão vítimas, eram normais em Roma. E raros, muito raros, eram os assistentes que exteriorizavam a sua desaprovação”31.

Panem et circenses

 

ficou conhecida como a fórmula ideal para manter a multidão aquietada, atendendo-se também ao seu crescente gosto pelo sangue. Foi, igualmente, uma das causas da deterioração de Roma. A chaga da pedofilia

Aquilo que a imprensa de hoje denomina de pedofilia era largamente praticado no mundo antigo, ao amparo da lei, por influência das religiões pagãs.

Na Grécia, ocorria como prática legal a corrupção sexual de meninos, mais propriamente chamada de pederastia

Meninos considerados belos, se fossem feitos prisioneiros de guerra, ou raptados, ou vendi

Na Grécia — Atenas, especialmente —, as vítimas da pederastia não eram apenas os

 

 

32. Todo homem adulto que não fosse escravo tinha o direito de praticá-la. Tal era o costume também na Pérsia e em outros lugares, onde se mantém através dos séculos. Roma acabou sendo contaminada pelo mal grego, a ponto de vários imperadores procurarem por amantes adolescentes33. dos pelos pais, eram mutilados a fim de alimentar todo um tráfico de eunucos34. Não escapavam nem mesmo os filhos da nobreza35. prisioneiros de guerra, os raptados e os escravos. Qualquer menino podia se tornar alvo dos desejos infames de homens adultos. E o costume era que cedesse. Se um pai, dotado de um resto de sensibilidade moral, desejasse poupar essa tragédia aos filhos, tinha de agir antes de ela acontecer, 29 HUBY, J., “A religião dos gregos”, in

30 WEISS,

31 DANIEL-ROPS,

32 DEMAUSE, Lloyd.

 

 

Christus – História das Religiões. São Paulo, Saraiva, 1956, vol. II, p. 514. op. cit., p. 658-659. op. cit., p. 162. Foundations of Psychohistory. New York: Creative Roots, 1982, p 50-53. Conforme mostra o autor, Roma não ficou livre desse problema. 33 É o caso por ex. de Adriano, cujo apego doentio por um menino é romanceado por Marguerite Yourcenar em “Mémoires d’Hadrien”.

34 HERODOTUS,

35

 

 

op. cit. Book 3, “Thalia”, n. 92; Book 8, “Urania”, n. 105. Ibid., Book 3, “Thalia”, n. 48; Book 6, “Erato”, n. 32.empregando escravos que, como falcões, vigiassem os meninos

As escolas — as tão elogiadas Academias — eram locais onde os estudantes, de até 12 anos de idade ou mesmo mais jovens

 

 

36. Mas, diz Ésquines, muitos pais desejavam ter belos filhos, sabendo que estes se tornariam alvo de predadores37. 38, ficavam à mercê dos mestres39. As leis atenienses chegavam ao absurdo de proteger e incentivar essa prática, inclusive regulando o flerte e o “namoro” entre homens e meninos40.

Gregos famosos no mundo da literatura, das artes, da filosofia e da política, praticaram e lou

 

 

varam a pederastia, como Sólon, Ésquilo, Sófocles, Xenofonte, Tucídides, Ésquines e Aristófanes41.

A filosofia grega chegou a debater essa prática, sem nunca condená-la por completo. Mesmo Sócrates, Platão e Aristóteles não ficaram isentos desse mal

 

 

42. Em Charmides, Platão se refere ao adolescente que portava esse nome, como se fosse um enamorado louvando sua amada, falando de suas atrações e das emoções que produzia. No Simposium, o personagem Fedro se enche de lirismo ao descrever um exército feliz e exitoso inteiramente composto de homens-amantes e meninos-amados43. Contudo, finalmente atraído por ideias mais elevadas, Platão evoluiu de sua aprovação condicional da pederastia nos seus primeiros diálogos para a condenação formal desse vício no seu trabalho final, Leis. Entretanto, suas tentativas, como as de alguns estoicos, de propor uma pederastia “casta” foram recebidas com sarcasmo pelo povo e ficaram sem resultado. Com efeito, o “amor platônico” é muito difícil de ser praticado, pois em matéria de castidade o homem não consegue ficar permanentemente no meio termo44.

Os gregos chegaram a considerar o relacionamento natural entre homem e mulher como inferior ao relacionamento entre homem e menino

 

. Numa sociedade na qual esse tipo de comportamento influenciava até o ideal do Estado, a mulher tinha de ser desprezada45, relegada ao papel de mera reprodutora.

Uma obra histórico-filosófica como

 

 

Erastos, do século II ou III d.C., por muitos atribuída a Luciano de Samósata, traz um diálogo entre dois gregos que discutem seriamente qual amor seria superior… Igualmente, no décimo Diálogo dos Cortesãos, Luciano aborda esse tema. Plutarco, em Erotikos, analisa, com toda a seriedade, qual a atração — por mulheres ou por meninos — é a mais interessante para um homem adulto. Felizmente, ao contrário de Erastos, conclui que o ideal é realmente o casamento monogâmico. 36 AFARY, Janet; ANDERSON, Kevin B.

37 WOHL, Victoria.

38 DEMAUSE,

39 WOHL,

40 WOHL,

41 WOHL,

42 MARROU,

43 WOHL,

44 MARROU,

45 WOHL,

 

 

Foucault and The Iranian Revolution. Chicago: The University of Chicago Press, 2005. p. 148. Love Among The Ruins: The Erotics of Democracy in Classical Athens. Princeton: Princeton University Press, 2002, p. 6. op. cit., p 51. O autor cita Plutarco, que se refere à existência do mesmo mal também em Roma. op. cit., p. 150; AFARY, ANDERSON, op. cit., p. 148; MARROU, op. cit., p. 26-37. op. cit., p. 226; AFARY, ANDERSON, op. cit., p. 148-149; MARROU, op. cit., p. 31. op. cit., p. 87, 226 et passim; AFARY, ANDERSON, op. cit., p. 4, 148. MARROU (op. cit., p. 366), elogia o silêncio de Homero sobre a pederastia, o que constitui uma exceção honrosa entre os escritores de então. Ao que parece, ele “decidiu ignorar uma bem conhecida instituição de sua época”. op. cit., p. 33. op. cit., p. 4. op. cit., p. 366. op. cit., p. 8, 48; AFARY, ANDERSON, op. cit., p. 144, 145, 150, 151.

 

Em Roma, também as meninas podiam ser vítimas de abuso sexual. É o que se deduz das palavras de São Justino, em sua

*

Esse é o mundo quando nele não está presente a santa Igreja de Deus. O quadro aqui apresen

 

 

Apologia, nas quais vitupera o costume de crianças rejeitadas — meninos e meninas — serem criadas para a prostituição: “E assim como os antigos criavam rebanhos de bois, bodes, carneiros ou cavalos, assim vós agora criais crianças destinadas a esse vergonhoso uso; e para esse uso impuro, uma multidão de mulheres e hermafroditas, e aqueles que cometem iniquidades que nem podem ser mencionadas, se espalham por toda a nação. […] E há aqueles que prostituem até mesmo seus próprios filhos e mulheres; alguns são abertamente mutilados para serem usados na sodomia”46. tado, embora não esteja completo, é suficientemente trágico para expor as mazelas da Antiguidade pagã e nos dar uma ideia do choque ocorrido no tempo em que a mensagem do Evangelho começou a exaltar valores opostos, ordenados e santos. O choque dos valores do Evangelho com os contravalores mundanos

A mensagem de Jesus Cristo veio desequilibrar o carcomido mundo antigo. Ela censurava a libertinagem e a crueldade, e exaltava a liberdade para praticar o bem, a castidade, a virgindade, a

 

 

inocência, a fidelidade conjugal, o amor aos inimigos, a caridade, a abnegação, a bondade para com os mais fracos, a dignidade de todos os seres humanos, criados à imagem e semelhança de Deus.

Um horror especial ao pecado da pedofilia foi instilado nas almas por nosso Divino Mestre, com palavras de uma extrema severidade: “Se alguém fizer cair em pecado um destes pequenos

 

 

que creem em mim, melhor fora que lhe atassem ao pescoço a mó de um moinho e o lançassem no fundo do mar” (Mt 18,6).

Ante a sublimidade do Evangelho, o paganismo não conseguiria ficar indiferente. Só lhe res

Todavia, o sangue dos mártires começou a ser semente de novos cristãos, segundo a célebre

O paganismo necessitou, pois, lançar mão de outra arma, para tentar reverter o jogo: a difamação e a calúnia. Como observam os Apologistas cristãos daqueles primeiros séculos, os pagãos passaram a acusar os cristãos exatamente dos delitos que o paganismo cometia.

 

 

tavam duas reações: ou encantar-se e submeter-se ao suave jugo de Deus, ou odiar e perseguir. Não poucos se converteram. Muitos, porém, aferraram-se ao lodo, e seu ódio levou ao martírio milhões de cristãos. afirmação de Tertuliano47. O espetáculo de homens e mulheres, idosos e idosas, adultos no auge da saúde, jovens vigorosos, virgens, crianças — todos confessando a fé em Jesus Cristo e caminhando resolutos em direção à morte —, arrancava admiração de muitos espectadores, acarretando conversões cada vez mais numerosas. 46 JUSTINUS,

47

 

 

op. cit, 27: PG 6, 370. Ver tb. DEMAUSE, op. cit., p. 52-53. Apologia, 50,13.

 

É digno de nota que uma das acusações

Ou seja, aqueles pagãos faziam como o ladrão que, ao roubar, grita: “Pega ladrão!”

 

 

era a da pedofilia, agravada com incesto48. São Justino comenta: “As coisas que vós fazeis abertamente e com aplauso, […] dessas mesmas coisas vós nos acusais”49. E Arnóbio lança ao rosto dos pagãos: “Quão vergonhoso, quão petulante é censurar, em outro, aquilo que o acusador vê que ele mesmo pratica — aproveitar a ocasião para ultrajar e acusar outros de coisas que podem ser retorquidas contra ele mesmo!”50. Uma civilização governada pelo Evangelho

A Igreja Católica acabou por vencer, em virtude da força intrínseca do bem. E aos poucos, auxiliada pela graça divina que nunca falha, ela tomou os greco-latinos decadentes e os bárbaros

 

 

germanos, converteu-os, educou-os e inspirou a edificação de uma brilhante civilização cujo ápice, nunca antes alcançado, ocorreu nos séculos XII e XIII.

Nessa época, segundo diz o Papa Leão XIII, “a filosofia do Evangelho governava os Estados”. Então, “a influência da sabedoria cristã e a sua virtude divina penetravam as leis, as instituições,

 

 

os costumes dos povos, todas as categorias e todas as relações da sociedade civil”. Da relação harmoniosa entre o poder religioso e o temporal, “a sociedade civil deu frutos superiores a toda a expectativa, cuja memória subsiste e subsistirá, consignada como está em inúmeros documentos que artifício algum dos adversários poderá corromper ou obscurecer”51.

Foi nesse tempo que a Igreja desenvolveu a escolástica, edificou as catedrais góticas (com

Conforme ressalta um estudioso do progresso técnico medieval, naquela época, “pela primeira vez na história se construiu uma civilização complexa que não mais se sustentava nas costas suarentas de escravos ou de servos, mas principalmente na energia não humana”

 

 

seus vitrais e monumentos), criou as universidades e os hospitais, impulsionou as ciências e o progresso técnico, aperfeiçoou as relações internacionais entre os estados, aboliu a escravidão, fez avançar o progresso social, elevou a condição da mulher, de tal modo que, no século XIV, a Europa havia ultrapassado de muito todos os outros continentes. 52.

Quanto mais avançam os estudos históricos e científicos sobre esta matéria, tanto mais vai ficando demonstrada esta verdade, jogando por terra o mito de que a Idade Média foi uma era de

 

 

atraso e de opressão. A literatura especializada a tal respeito vai se multiplicando53. 48 MINUCIUS FELIX,

49 JUSTINUS,

50 ARNOBIUS,

51 LEÃO XIII. Encíclica

52 WHITE, Lynn.

53 Ver, p.exe., WOODS, Thomas E.

 

 

Octavius, c. 9; LECLERCQ, Henri, P. Verbete: “Accusation Contre les Chrétiens”, in Dictionnaire d’Archéologie Chrétienne et de Liturgie. V. 1, 1e partie. Paris: Letouzey et Ané, 1924. Cols. 274, 275. op.cit., c. 27. op. cit., l. 2., n. 70. Immortale Dei. 1/11/1885, n. 28. Medieval Religion and Technology. Berkeley and Los Angeles: University of Los Angeles Press, 1978, p. 22. How The Catholic Church Built Western Civilization. Washington, DC: Regnery, 2005; STARK, Rodney. The Victory of Reason. How Christianity Led to Freedom, Capitalism, and Western Sciences. New York: Random House, 2005; PERNOUD, Régine. Pour en finir avec le Moyen Âge. Paris: Seuil, 1977; SWEENEY, Jon M. Beauty Awakening Belief. London: Society for

 

Por que acusar só a Igreja?

Entretanto, sempre houve minorias inconformes com o domínio da virtude, da verdade e do bem, de modo que, periodicamente, a Igreja se vê vítima de novas investidas.

Um dos procedimentos preferidos continua a ser o de acusar a Igreja precisamente dos delitos que o próprio mundo não se envergonha de cometer. Quais são os maiores destruidores da

 

 

inocência infantil hoje em dia? Quem promove uma pornografia irrefreável, que não respeita nem idade, nem dignidade, e que incita a todo tipo de crime sexual? Quais os que, de todos os modos, pressionam as escolas para iniciarem as crianças em práticas imorais? Quem impulsiona as mudanças das leis de maneira a abolir a influência cristã e a substituí-la pela do velho paganismo? Eis questões que pedem respostas; eis um tema muito apropriado para um futuro estudo.

Consideremos a acusação de pedofilia. Como afirmam os especialistas, baseados nas pes

54 A literatura a esse respeito é abundante. Ver, por ex., CARROLL, Janell L.; WOLPE, Paul Root.

 

 

quisas até agora realizadas, a maior parte desses crimes são cometidos especialmente na própria casa da família, e os abusadores são principalmente os padrastos, seguidos — ó tristeza! — pelos pais, por outros parentes e pelos namorados das parentas das vítimas54. Curiosamente, nunca se Promoting Christian Knowledge, 2009; JAKI, Stanley L. Patterns or Principles and Other Essays. Wilmington: Intercollegiate Studies Institute, 1995; JONES, Terry. Medieval Lives. London: BBC Books, 2004; GRANT, Edward. God and Reason in The Middle Ages. Cambridge: Cambridge University Press, 2001; LINDBERG, David C. (editor). Science in the Middle Ages. Chicago: University of Chicago Press, 1980. Sexuality and Gender in Society. New York: HarperCollins College Publishers, 1996: “Com efeito, ter um padrasto é um dos mais potentes prognósticos de abuso sexual” (p. 553). FINKELHOR, David. “Child Sexual Abuse”, in ROSENBERG, Mark L.; FENLEY, Mary Ann (editors). Violence in America. A Public Health Approach. Oxford, New York: Oxford University Press, 1991: “Diversos fatores têm se revelado consistentemente associados com um maior risco de abuso: (1) quando a criança vive sem um dos parentes biológicos, (2) quando a mãe não está sempre ao alcance da criança, em virtude de emprego fora de casa, ou por causa de invalidez ou doença, (3) quando a criança relata que o casamento de seus pais é infeliz ou marcado por conflito, (4) quando a criança informa que tem um relacionamento pobre com seus pais ou é sujeita a castigos ou abuso infantil, (5) quando a criança diz ter um padrasto” (p. 85). Segundo vários estudos, as meninas que vivem com padrasto compõem o grupo de mais alto risco. Por tal razão, Finkelhor, uma conceituada autoridade nesta matéria, pensa que as famílias nas quais há padrasto deveriam ser foco de políticas para prevenir abusos (FINKELHOR, David; and associates. A Sourcebook on Child Sexual Abuse. Newbury Park, CA: Sage Publications, 1986, p. 77-79). No mesmo sentido, a Rádio Vaticano, na edição de 5/4/2010 do Radiogiornale, expressando estranheza pela campanha paradoxal contra a Igreja, lembra que, segundo os dados oficiais, os principais culpados do abuso sexual de crianças não são padres. É o que demonstra um relatório do governo americano, de 2008, segundo o qual “mais de 64% dos abusos são perpetrados por pais, parentes ou outras pessoas que vivem na mesma casa, portanto, no âmbito das relações familiares. Nas escolas do país, quase 10% dos jovens sofrem abusos. No que toca aos sacerdotes católicos envolvidos, estima-se que sejam menos de 0,03%”. Estudos recentes realizados em outros países indicam que os dados referentes aos Estados Unidos se repetem, com ligeiras variações, em todo o Ocidente. Uma estatística publicada no “Portal da Criança”, da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Humano (SEDH/PB) do Estado da Paraíba, mostra que 90% dos casos de pedofilia ocorrem dentro de casa, sendo que as maiores incidências ocorrem na seguinte ordem: pai, padrasto, irmão, tio, avós, padrinhos e vizinhos (http://crianca.pb.gov.br/contador/?p=479). A revista Veja (18/3/2010, p. 112) informa que, na classe média brasileira, em 37% dos casos de pedofilia, o abusador é o padrasto, e em 34% é o próprio pai. Além disso, nas classes C e D, 74% das vítimas são filhos de pais separados.viu algum adversário da Igreja pedir um estudo sério sobre a relação entre a desagregação da fa

 

 

mília, causa principal da existência de milhões de padrastos, e os crimes de pedofilia, nem exigir uma investigação sobre os perigos de se levar, para dentro de casa, namorados, quando ali residem menores.

Apenas de passagem, note-se que a massa dos pedófilos é constituída por homens casados. Também é de notar que todas as religiões têm membros seus envolvidos em casos de pedofilia, e

Por que, então, levantar uma campanha internacional somente contra a Igreja Católica?

 

 

algumas em proporções gigantescas. Prova inequívoca da santidade da Igreja

Ressaltemos mais uma vez: foi a Igreja Católica que, sempre fiel aos ensinamentos de seu Fundador, fez cessar no Ocidente a prática da pedofilia e inspirou horror a ela.

Portanto, quem ataca a Igreja a esse propósito está utilizando, contra ela, um valor a ela pertencente, e está implicitamente reconhecendo que ela é inatacável a partir dos contravalores do mundo.

Ou seja, os próprios adversários estão fornecendo a prova de que a Igreja Católica Apostólica Romana é substancialmente santa.

A Igreja Católica censura o mundo, porque este é corrompido. Ela requer um alto padrão de comportamento, casto e puro. E a feroz e cerrada investida dos inimigos injustamente consiste em procurar acusá-la de não praticar a moral que ela mesma implantou na sociedade. A isto se reduz

 

 

a atual campanha publicitária, no tocante à pedofilia.

Mas como fazer para atingir a Igreja pelas faltas de uma minoria de seus membros? Um dos

 

 

estudos mais autorizados sobre o problema da pedofilia, de Philip Jenkins, analisa as técnicas jornalísticas usadas para enfatizar, não os delitos de indivíduos que por acaso são padres, mas o contexto institucional como dando origem ao comportamento deles55. Utilizam-se títulos sugestivos, jogos de palavras, termos bem estudados, como, por exemplo, dar a um livro o chamativo nome de: “E não nos deixeis cair em tentação”. Por sua vez, programas de televisão sobre os casos de pedofilia colocam, como fundo de quadro, cerimônias litúrgicas, música gregoriana, sacerdotes de batina, de modo a ficar estigmatizada a Igreja como um todo e a se fazer uma associação visual entre aquilo que é distintamente católico com o estereótipo de padres lascivos e cínicos56.

Ora, médicos, professores, enfermeiros e outros profissionais aparecem em alto número entre os perpetradores de crimes de pedofilia

No entanto, assim se procede no caso dos sacerdotes católicos. O choque que o delito sexual

 

 

57, mas quem vai chegar ao absurdo de acusar todos os membros dessas categorias e a denegrir uma classe inteira pelos crimes de uma minoria? de um padre causa na opinião pública — choque justificado, porque a Igreja Católica é a única insti55 JENKINS, Philip.

56

57

 

 

Pedophiles and Priests: Anatomy of a Contemporary Crisis. Oxford, New York: Oxford University Press, 1996, p. 55. Ibid., p. 56. Ibid., p. 126-128.tuição da qual se espera que seus membros sejam de uma pureza sem mancha, bem como que seus sacerdotes sejam santos — os adversários sabem explorar.

A santidade substancial da Igreja

Resta perguntar como pode a Igreja manter-se santa ante as evidências de que alguns padres cometem esses graves delitos.

Na realidade, o argumento mais forte contra a Igreja Católica sempre foi a vida dos maus católicos. Contudo, não nos pode surpreender que na Igreja de Cristo haja membros indignos. O

Não obstante, a Igreja será sempre sem mancha, como ressalta São Paulo: “Cristo amou a

Não acontece o mesmo com as outras instituições terrenas. Sendo meramente humanas, as falhas de seus integrantes podem desdourá-las. A Igreja é a única que tem uma dimensão divina. Por isso, apesar das faltas de sua dimensão humana, sua substância permanece sempre pura. Ela é santa, porque santo é seu Fundador: é a imaculada Esposa de Cristo. Só os homens da Igreja são pecadores, mas a Santa Madre Igreja não pode pecar.

Ela “é santa”, ressalta Paulo VI, “não obstante compreender no seu seio pecadores, porque ela não possui em si outra vida senão a da graça: é vivendo da sua vida que os seus membros se

 

 

próprio Jesus comparou sua Igreja à rede que apanha maus e bons peixes (cf Mt 13, 47-50); ao campo onde o joio cresce entre o trigo (cf Mt 13, 24-30); à festa de casamento, para a qual um dos convivas se apresenta sem a veste nupcial (cf Mt 22, 11-14)58. Igreja e se entregou por ela, para santificá-la, purificando-a pela água do batismo com a palavra, para apresentá-la a si mesmo toda gloriosa, sem mácula, sem ruga, sem qualquer outro defeito semelhante, mas santa e irrepreensível” (Ef 5, 25-27). santificam; e é subtraindo-se à sua vida que eles caem em pecado e nas desordens que impedem a irradiação da sua santidade”59. Portanto, para qualquer membro da Igreja, incluindo os pertencentes ao clero, aplica-se esta regra: eles somente caem quando diminuem seu amor à Igreja e relaxam em seu compromisso para com ela.

“Nessa perspectiva”, diz-nos o Cardeal Biffi, Arcebispo emérito de Bologna, “torna-se claro que toda nossa culpa — pequena ou grande — não constitui apenas infidelidade ao amor que nos liga ao Pai, menoscabo pela obra redentora de Cristo, resistência à ação santificante do Espírito Santo; é ademais ultraje e sofrimento infligidos à Igreja. Toda incoerência com nosso batismo é

Os pecadores não pertencem à Igreja por seus pecados, diz o Cardeal Journet, “mas por aqui

 

 

sempre ingratidão para com aquela que, no batismo, nos gerou, é atentado contra sua beleza de Esposa do Senhor; beleza que, aos olhos humanos, fica ofuscada por nosso ato reprovável. […] Mas nós, pelo menos, embora pequemos quase como eles, habituamo-nos a pedir perdão diariamente a essa nossa Mãe caríssima por tudo o que nos ocorre de pensar, dizer e fazer com ânimo não integralmente ‘eclesial’”60. 58 TRESE, Leo J.

59 PAULO VI.

60 BIFFI, Cardinale Giacomo. Meditazione

 

 

A fé explicada. São Paulo: Quadrante, 2007. p. 147-148. Sollemnis Professio Fidei, 19: AAS 60 (1968) 440. Gesú di Nazareth, la fortuna di appartenergli. Giubileo Diocesano dei Catechisti, Cattedrale di San Pietro, Bologna, 29/10/2000.lo que ainda há neles de dons de Deus, pelos caracteres sacramentais, a fé, a esperança teologal, suas orações, seus remorsos. Eles estão como que vinculados aos justos. Encontram-se na Igreja

Claro está que a Igreja “não expele os pecadores de seu próprio seio, mas só seu pecado; continua a mantê-los em si na esperança de poder convertê-los. Luta neles contra o pecado que cometeram”

 

 

provisoriamente para serem um dia, ou definitivamente reintegrados, ou separados dela. Estão na Igreja não de uma maneira salvífica, mas como paralisados naquilo que diz respeito às suas atividades mais altas e decisivas”61. 62.

Ressaltando a santidade da Igreja, que não se mancha nunca pelos pecados de seus filhos, o

A relação da Mãe de Deus com a Santa Igreja é outro fator de santidade. O conhecimento da verdadeira doutrina sobre Maria será sempre uma chave para compreender o mistério de Cristo

 

 

Cardeal Journet chama a atenção para sua íntima relação com cada uma das três Pessoas da Santíssima Trindade: desde toda eternidade, a Igreja Católica é conhecida e querida pelo Pai. É fundada por seu Filho, que veio para nos remir pela cruz. E é vivificada pelo Espírito Santo, que veio para estabelecer, nela, sua morada. “A Igreja inteira aparece, assim, como o povo reunido à imagem da unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo, de unitate Patris et Filii et Spiritus Sancti plebs adunata63. e o da Igreja. A santidade de Nossa Senhora se reflete na Igreja, sua virgindade, sua pureza, sua disponibilidade em relação à vontade de Deus. Também os anjos do céu e os bem-aventurados conservam a Igreja na santidade, enobrecendo o culto que ela presta a Deus64.

Todas as obras da Igreja têm por finalidade a santificação dos homens em Cristo e a glorifica

 

 

ção de Deus65. Entretanto, ela não poderia realizar essa finalidade se não fosse santa. Assim, mesmo que nesta terra seja governada e composta por pecadores, ela é indefectivelmente santa, conforme provam os frutos abundantes de santificação que tem produzido66. Um possante sinal dessa santidade é a observância voluntária dos conselhos evangélicos, pelo qual centenas de milhares de homens e mulheres renunciam a tudo o que poderiam ter de legítimo nesta vida — família, posses, liberdade de decidir o que fazer — para imitar totalmente a Cristo Jesus67.

A Igreja tem a coragem de exigir de todos os seus filhos o combate contra o pecado. Muitas almas dizem “sim” a esse apelo, porém, em geral, o bem que praticam fica escondido. O mal, neste

 

 

mundo, conta com uma publicidade bastante maior, pois sua petulância solicita a atenção de todos. Seja como for, homens e mulheres de extraordinária santidade nunca faltaram à Igreja68, e é como instrumento de santificação que ela passa por uma contínua renovação69. 61 JOURNET, Charles.

62

63

64 JOURNET,

65 CONCÍLIO VATICANO II.

66

67 JOURNET,

68 KEMPF, Constantino.

69 CONCÍLIO VATICANO II.

 

 

Il mistero della Chiesa secondo il Concilio Vaticano II. Brescia: Queriniana, 1967, p. 84-85. Ibid., p. 85. Ibid., p. 31. Ver tb. CONCILIO VATICANO II, Lumen Gentium, n.4. op. cit., p. 91-95. Sacrossantum Concilium, n. 10. ARANGÜENA, José Ramón Pérez. A Igreja. Iniciação à eclesiologia. Lisboa: Diel, 2002. p. 110. op. cit., p. 89. A santidade da Igreja no século XIX. Porto Alegre: Barcellos, Bertaso & Cia., 1936. p. 11-12. Lumen Gentium, n. 15.

 

Constitui, pois, um grande equívoco propor modificações na estrutura eclesial. “Quando o

 

 

valor do compromisso sacerdotal é questionado como entrega total a Deus através do celibato apostólico e como disponibilidade total para servir às almas”, assinalava Bento XVI em sua vinda ao Brasil, “dando-se preferência às questões ideológicas e políticas, inclusive partidárias, a estrutura da consagração total a Deus começa a perder o seu significado mais profundo. Como não sentir tristeza em nossa alma?”70 Um pastor solícito para com seu rebanho

Alguns jornais têm tentado implicar o Papa Bento XVI na ocultação de crimes, no tempo em que ele era prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, e certas vozes estridentes chegam ao ponto de propor sua prisão.

A nosso ver, esse é o maior erro do adversário na atual campanha contra a Igreja. Sua insolência é o que mais tem causado geral indignação, contribuindo até mesmo para despertar e afervorar os católicos adormecidos.

A injustiça dos acusadores ainda se mostra mais flagrante quando, indo-se aos fatos, cons

É emblemática a Carta Pastoral que, pouco antes da Páscoa, ele enviou aos católicos irlandeses, para ser lida em todos os púlpitos do país. Num gesto sem precedentes, o Santo Padre pedia perdão diretamente às vítimas e às suas famílias, expressando sua profunda desolação pelos “atos pecaminosos e criminosos” dos abusadores. Dirigindo-se aos bispos, ressaltava os “graves erros

 

 

tata-se que foi Bento XVI, já quando era Cardeal, quem mais agiu para erradicar o problema, zelo esse que se acentuou ao ocupar a Cátedra de Pedro. de juízo” e a “falta de governo” por parte da Hierarquia. Por fim, sublinhava que a Igreja se pôs a trabalhar com afinco para corrigir e remediar o mal que foi feito.

Ressalte-se igualmente que, em maio de 2001, o então Cardeal Ratzinger enviou uma carta aos bispos, ordenando que lhe encaminhassem todas as acusações, contra clérigos, fossem velhas ou novas. Com essa iniciativa, a Santa Sé chamava a si a investigação dos abusos e a punição dos culpados. A partir daí, vários acusados tiveram de enfrentar um processo canônico completo, muitos foram demitidos do estado clerical, ou então demitiram-se voluntariamente, enquanto outros sofreram punições administrativas e disciplinares, incluindo a proibição de celebrar missa.

Contrariamente ao que certas fontes têm propalado, a referida carta não proibia a ninguém de comunicar-se com a polícia para denunciar eventuais abusos. Na verdade, os Bispos pelo mundo afora — como nos Estados Unidos, Inglaterra e Canadá — já vinham adotando o procedimento

 

 

de comunicar-se com as autoridades policiais, tão logo houvesse a confirmação de algum caso.

De outro lado, o Vaticano tem editado normas que tornam rigorosa a seleção dos candidatos ao seminário. Ademais, vem levando a cabo iniciativas como o Ano Sacerdotal, ainda em curso, e o Congresso Teológico Internacional, realizado em Roma no último mês de março, visando à renovação do clero e à remoção de conceitos errôneos sobre o sacerdócio, causados por uma “hermenêutica da descontinuidade e da ruptura”

 

 

71 em face do Concílio Vaticano II. 70 BENTO XVI.

71 BENTO XVI,

 

 

Discurso. Encontro com os Bispos do Brasil, Catedral da Sé, São Paulo, 11/5/2007. Discurso à Cúria Romana, 22/12/2005.

 

Esperamos que essas brisas de renovação tragam um pouco de consolo para as vítimas dos horríveis delitos cometidos por homens que, como representantes de Deus, deveriam ser os primeiros protetores das crianças e dos jovens. Delas nos condoemos e compartilhamos seus sofrimentos e suas desilusões, oferecendo por eles nossas orações. Aliás, a tragédia que os envolveu nos leva, uma vez mais, a recordar com dor aquelas incontáveis crianças que, na Antiguidade, foram vítimas do cruel paganismo.

De cada perseguição, a Igreja sai fortalecida

Haja o que houver, contemplando a sua própria história, a Igreja Católica pode dizer com Cícero: “

Como das investidas anteriores, ela sairá ainda mais forte da atual refrega. Incontáveis reações pelo mundo afora já antecipam tal desfecho. Na Irlanda e na Espanha, as igrejas se encheram, durante a Semana Santa, como há muitos anos não ocorria. Nos Estados Unidos, na Inglaterra e em outros países do Ocidente, o número de conversões aumentou. Vários jornalistas, muitos dos quais não católicos, tomaram a defesa da Igreja. Será preciso lembrar que as perseguições são indispensáveis para o alcandoramento da Esposa de Cristo? E também para a sua renovação? Com

Para destacar a perenidade da Igreja Católica Apostólica Romana, Santo Agostinho nos dei

Lembremo-nos de que “Deus é o Senhor do mundo e da história”

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Alios vidi ventos, alias prospexi animo procellas”72. efeito diz São Paulo: “Nam oportet et hereses esse ut et qui probati sunt manifesti fiant in vobis” (“É necessário que entre vós haja heresias para que possam manifestar-se os que são realmente virtuosos”. 1 Cor 11,19). xou esta sábia reflexão: “A Igreja vacilará, se vacilar seu fundamento. Mas pode Cristo vacilar? Visto que Cristo não vacila, a Igreja permanecerá intacta até o fim dos tempos”73. 74. Foi Ele mesmo quem decretou que “as portas do Inferno” não prevaleceriam contra a sua Igreja (Mt 16,18).

Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP, é Cônego Honorário da Basílica Papal de Santa Maria Maior, de Roma, Protonotário Apostólico Supranumerário, Doutor em Direito Canônico pelo Angelicum, Mestre em Psicologia da Educação pela Universidade Católica da Colômbia, Doutor

 

 

Honoris Causa pelo Centro Universitário Ítalo-Brasileiro, Membro da Sociedade Internacional São Tomás de Aquino (SITA) e da Pontifícia Academia da Imaculada, Fundador e Superior Geral de três entidades de Direito Pontifício: Associação Internacional de Fiéis Arautos do Evangelho, Sociedade Clerical de Vida Apostólica Virgo Flos Carmeli e Sociedade de Vida Apostólica Regina Virginum. 72

73

74

 

Vi outros ventos e enfrentei sem temor outras tempestades” (In L. Calpurnium Pisonem, oratio, 9). Enarrationes in Psalmos, 103,2,5; PL, 37, 1353. Catecismo da Igreja Católica, n. 314. 

Vi outros ventos e enfrentei sem temor outras tempestades” (In L. Calpurnium Pisonem, oratio, 9). Enarrationes in Psalmos, 103,2,5; PL, 37, 1353. Catecismo da Igreja Católica, n. 314.

Vi outros ventos e enfrentei sem temor outras tempestades” (In L. Calpurnium Pisonem, oratio, 9). Enarrationes in Psalmos, 103,2,5; PL, 37, 1353. Catecismo da Igreja Católica, n. 314.

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A Igreja é imaculada e indefectível

A Igreja é imaculada e indefectível

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Após cada campanha de ataques contra ela, a Igreja sempre aparece mais forte e esplendorosa do que antes 

Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP

A saraivada de notícias que, nas últimas semanas, tenta macular a Igreja Católica, tomando por motivo abusos de crianças cometidos por parte de sacerdotes católicos, atinge um clímax inacreditável.

Decididos a não deixar morrer a fogueira que acenderam, vários órgãos de comunicação social têm se dedicado a investigar o passado, à procura de novas alegações que envolvam o Vigário de Cristo na Terra, o Papa Bento XVI, no que, aliás, têm falhado rotundamente.

Que haja padres despreparados e indignos, ninguém o pode negar; que abusos horríveis foram cometidos, e certamente até em número superior ao registrado, é preciso reconhecer. Mas utilizar falhas gravíssimas, mas circunstanciais, relativas a uma minoria de clérigos, para enxovalhar toda a classe sacerdotal é uma injustiça. E usar isso como pretexto para tentar derrubar a Igreja é diabólico.

Aliás, quanto mais o espírito libertário, relativista e neopagão de nossa época se infiltra na Igreja, tanto mais é de temer que aconteçam crimes de pedofilia. Daí mesmo a necessidade de implantar nos seminários um sistema rigoroso de seleção, de modo a só admitir como candidato ao sacerdócio quem não tenha a propensão de pactuar com o mundo, mas queira ensinar a prática da doutrina católica em toda a sua pureza e dar o exemplo.

A atual campanha publicitária contra a Igreja faz-nos esquecer uma verdade da qual a história nos dá um inequívoco testemunho: foi a Igreja Católica que livrou o mundo da imoralidade, e é porque está rejeitando a Igreja que o mundo tem afundado novamente no lodo do qual foi resgatado.

Baixe o Pdf completo do documento

 http://www.arautos.org/desagravo/documento.pdf

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Domingos de Ramos em Maputo

Domingo de Ramos

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Aprovação pontifícia: 9 anos.

Momento histórico …

Excertos das palavras de agradecimento de Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP

Ao agradecer a honrosa condecoração recebida do Papa Bento XVI, bem como as palavras e a paternal dedicação do Cardeal Franc Rodé, Mons. João Scognamiglio Clá Dias mostra quanto esses acontecimentos marcarão a fundo a história dos Arautos do Evangelho.

A medalha Pro Ecclesia et Pontifice vem para mim, e para as Sociedades de Vida Apostólica que temos a honra de conduzir, num momento muito oportuno. Ela nos enche de alegria porque no sermão de Vossa Eminência ficou patente um ponto muito ressaltado do nosso carisma, que é a devoção a Nossa Senhora.

“As palavras de Vossa Eminência e todo o carinho manifestado nesta ocasião marcarão a fundo a história dos Arautos do Evangelho" “As palavras de Vossa Eminência e todo o carinho manifestado nesta ocasião marcarão a fundo a história dos Arautos do Evangelho” 

Temos um empenho total de uma entrega completa em relação a Ela. E o sermão de Vossa Eminência não poderia ser mais lógico e cheio de sabedoria, no referente a esse dado fundamental.

Um Arcebispo heróico

O Cardeal acaba de falar do heroísmo de outros que aqui se encontram no dia de hoje. Porém, ele mesmo foi um grande herói porque nasceu e se desenvolveu sob regime comunista, na Eslovênia, sofrendo perseguições. Tem um irmão, Andrej Rodé, que foi mártir do comunismo.

Ele próprio, Cardeal, teve de sair do país. Quando regressou, o fez como Arcebispo de Liubliana. Ali, ele enfrentou todas as dificuldades, deixando a bandeira da Igreja Católica Apostólica Romana, não só elevada, mas sobretudo com um brilho que ela não tinha antes de nosso Eminentíssimo Cardeal ter governado essa Arquidiocese.

Carisma para conhecer e conduzir as almas

Ele tem um carisma para conhecer e conduzir as almas, ou seja, o discernimento dos espíritos. O carisma é uma dádiva gratis data por Deus com vistas a beneficiar terceiros. E tenho observado o quanto o nosso Cardeal é assistido pelo Espírito Santo, na sua função de Prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, o quanto ele analisa e sabe pesar as coisas.

Ele tem as fórmulas perfeitas. É um homem de passos firmes, mas macios, de mãos também muito enérgicas, mas cheias de suavidade, e sabe resolver situações com uma categoria única.

Uma palavra sobre a nossa devoção ao Papa

Além do dito a respeito do Cardeal, é indispensável dedicar umas palavras à Cátedra de Pedro, da qual me vem esta honrosa medalha.

Eu fui formado por um líder católico do Brasil, Plinio Corrêa de Oliveira, que, entre muitas outras virtudes, ensinou-me a amar o Papa. Em um artigo no Legionário, na época órgão oficioso da Arquidiocese de São Paulo, ele externa de forma belíssima o que está no meu coração e no de todos os Arautos a respeito do Papa:

“Tudo quanto na Igreja há de santidade, de autoridade, de virtude sobrenatural, tudo isto – mas absolutamente tudo sem exceção, nem condição, nem restrição – está subordinado, condicionado, dependente da união à Cátedra de Pedro. As instituições mais sagradas, as obras mais veneráveis, as tradições mais santas, as pessoas mais conspícuas, tudo enfim que mais genuína e altamente possa exprimir o Catolicismo e ornar a Igreja de Deus, tudo isto se torna nulo, estéril, digno do fogo eterno e da ira de Deus, se separado do Sumo Pontífice. Conhecemos a parábola da videira e dos sarmentos. Nessa parábola, a videira é Nosso Senhor Jesus Cristo, os sarmentos são os fiéis. Mas como Nosso Senhor Se ligou de modo indissolúvel à Cátedra Romana, pode-se dizer com toda segurança que a parábola seria verdadeira entendendo-se a videira como a Santa Sé, e os sarmentos como as várias dioceses, paróquias, Ordens Religiosas, instituições particulares, famílias, povos e pessoas que constituem a Igreja e a Cristandade. Isto tudo só será verdadeiramente fecundo na medida em que estiver em íntima, calorosa, incondicional união com a Cátedra de São Pedro”.1

O amor a Cristo e ao Papa se confundem

Continua ele:

“‘Incondicional’, dissemos, e com razão. Em moral, não há condicionalismos legítimos. Tudo está subordinado à grande e essencial condição de servir a Deus. Mas, uma vez que o Santo Padre é infalível, a união a seu infalível magistério só pode ser incondicional.
“Por isto, é sinal de condição de vigor espiritual, uma extrema susceptibilidade, uma vibratilidade delicadíssima e vivaz dos fiéis por tudo quanto diga respeito à segurança, glória e tranquilidade do Romano Pontífice. Depois do amor a Deus, é este o mais alto dos amores que a Religião nos ensina. Um e outro amor se confundem até. Quando Santa Joana d’Arc foi interrogada por seus perseguidores que queriam matá-la, e que para isto procuravam fazê-la cair em algum erro teológico, por meio de perguntas capciosas, ela respondeu: ‘Quanto a Cristo e à Igreja, para mim são uma só coisa’. E nós podemos dizer: ‘Para nós, entre o Papa e Jesus Cristo não há diferença’. Tudo o que diga respeito ao Papa diz respeito direta, íntima, indissoluvelmente, a Jesus Cristo”.2  

“Tudo quanto na Igreja há de santidade, de autoridade, de virtude sobrenatural está subordinado, condicionado, dependente da união à Cátedra de Pedro” “Tudo quanto na Igreja há de santidade, de autoridade, de virtude sobrenatural está subordinado, condicionado, dependente da união à Cátedra de Pedro” 

 

 

A presença do Cardeal nos une mais ao Papa

De fato, estamos inteiramente unidos ao Papa. Esta medalha é símbolo dessa união, e para mim tem um grande valor.

Porém, mais do que esta condecoração, faz-me sentir a união com o Santo Padre a pessoa deste Cardeal posto pela Providência em nosso caminho. Cardeal, nós sabemos, vem do latim de cardo, cardinis, que significa gonzo, dobradiça. A porta gira, abre e fecha em dobradiças e o termo “cardeal” tem origem nesta imagem: os cardeais são as “dobradiças” que ligam o mundo ao Papa.

Por isso, as palavras de Vossa Eminência e todo o carinho manifestado nesta ocasião, esta cerimônia, a medalha Pro Ecclesia et Pontifice, marcarão a fundo a história dos Arautos do Evangelho, da Sociedade Virgo Flos Carmeli, da Sociedade Regina Virginum e de outras instituições que surgirem no futuro.

Na base de tudo isso está a figura de nosso queridíssimo Cardeal. O nosso coração tem gravado por dentro, indelevelmente, o nome de Franc Rodé!

1 CORRÊA DE OLIVEIRA, Plinio. A Guerra e o Corpo Místico. In: O Legionário, 16/4/1944.
2 Ibidem.

(Revista Arautos do Evangelho, Set/2009, n. 93, p. 22-23)

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Fotos&Focos: pequenos estudantes

 

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Nas belas tardes em Maputo encontra-se pelas ruas afastadas do centro da cidade, alunos que voltam para suas casas, após estudos…

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Os Arautos do Evangelho e o relativismo

Publicado em 11/02/2010 por Luiz Eduardo de Souza Pinto

( Publicado na Arquidiocese de Montes Claros: http://www.arquimoc.org.br/artigos.php?id=910)

 

Os Arautos do Evangelho são uma Associação Internacional de Direito Pontifício, sendo parte da estrutura hierárquica da Igreja Católica Apostólica Romana e foi a primeira associação erigida pela Santa Sé, neste terceiro milênio.

A vivência na fé, na castidade e na obediência são elementos que distinguem os integrantes deste grupo, cujos membros se espalham por 78 países. Fundado pelo Monsenhor João Scognamiglio Clá Dias, a história dos Arautos e arautosde seu fundador são inseparáveis. Líder carismático, o religioso foi o maior responsável pelo crescimento da associação que apresenta notável expansão – hoje os seguidores e simpatizantes são milhares nas mais diversas línguas, mas comungam de uma mesma realidade.

Pelo modo como percebem o catolicismo e pela forma como conduzem suas vidas pessoais, os Arautos se destacam, observam uma regularidade no comportamento social, no respeito ao próximo e aos preceitos cristãos. Torna-se, ainda, necessário observar como este grupo católico projeta uma referência para um padrão de comportamento no qual se busca criar um modo de vida baseado na solidariedade. A solidez pregada e enaltecida por esta associação contrasta com a inconstância notada na contemporaneidade. Cabe considerar como o relativismo cultural representa uma ameaça à sociedade, uma vez que a ausência de referências concretas impossibilita que os seres humanos cultivem valores e laços sociais considerados sólidos. Para o teórico cultural Stuart Hall, o relativismo é um traço marcante da sociedade atual, denominada por ele de pós-moderna. De acordo com Hall, as referências que davam aos indivíduos uma ancoragem estável no mundo social se dissolveram.

A incerteza provocada pela escassez de referências cria um descontrole em cada indivíduo. Giddens sugere que nenhum grupo ou pessoa no mundo atual está no comando das ações e das consequências. Assim, as situações vivenciadas pelos seres humanos estão fora do alcance de qualquer entidade ou instituição, individual ou coletiva. Este destacado sociólogo inglês comete equívoco ao não considerar que grupos, entidades e associações, especialmente quando ligados a estruturas sólidas, ainda oferecem um porto seguro.

A fraternidade em conjunto com a devoção ao sagrado coloca os integrantes dos Arautos como profundos seguidores da lógica cristã, e os identifica com os primeiros cristãos. O Papa Bento XVI em sua encíclica “Deus Caritas est”, ao analisar estes personagens, cita que o amor ao próximo e a solidariedade fraterna são os principais elementos que orientavam suas ações. Na encíclica, o Sumo Pontífice também recorda a solidariedade que os primeiros cristãos manifestaram com sua preocupação social, sua honradez profissional e seu sentido de amizade e lealdade.

Outra questão a ser analisada para a melhor compreensão dos Arautos do Evangelho é a necessidade que a associação apregoa de cultivar a oração constante. Para os integrantes dos Arautos, o cristão não deve levar uma vida dupla: a vida interior, a vida de relação com Deus, de um lado, e do outro, distinta e separada, a vida familiar, e social. Bajzek/Milanesi cita que, na era pós-industrial, a racionalização econômica se tornou o valor supremo dos seres humanos. A ideia de desenvolvimento ficou restrita à esfera econômica. Desta forma, a vida é observada basicamente em uma única dimensão.

Autores como Giddens, Hall e Pace observam que o mundo moderno, a visão economicista da sociedade, em geral, entram em choque com a dimensão espiritual que, para os religiosos, é apontada como a maior de todas as dimensões humanas, suplantando todas as outras.

Os Arautos do Evangelho, através de uma rigorosa disciplina metodologicamente pensada e guiada pelo amor a Deus, representam uma luz positiva no terceiro milênio em que o ser humano é retratado com um desencantado. Libânio considera que muitos utopistas que antes acreditavam que a política seria um instrumento de mudanças positivas, não mais apostam neste mecanismo como solução para as questões que afligem a população. Para este teólogo, hoje parece que os utopistas abandonaram o mundo da política e migraram para as causas humanitárias e religiosas. Assim, essa nova geração de utopistas visita as áreas religiosas à cata de material que lhes encha o coração de coragem, de ânimo.

A associação fundada pelo Monsenhor João Clá representa uma referência para a sociedade. Através dela, muitos jovens e leigos aprenderam e aprendem a rejeitar aquilo que, para o mundo consumista-hedonista do século XXI, parece agradável. Os participantes dos Arautos, em todas as ordens, apresentam uma identidade de amor ao próximo, pautada em referências cristãs. Da Matta observa que a construção da identidade é feita de negativas e afirmativas diante de certas questões e, para compreender a cultura de determinado grupo social, torna-se necessário descobrir como cada grupo se comporta diante de determinadas situações.

Os Arautos ensinam que a beleza, como a verdade, é a que traz alegria ao coração dos seres humanos. É este fruto precioso que resiste ao passar do tempo, que une as gerações e as faz comungar na admiração e cooperação. Esta é, sem dúvidas, uma mensagem positiva para o terceiro milênio.

 

Luiz Eduardo de Souza Pinto

É bacharel em Administração e Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes). Pós-autorgraduado em Pedagogia Empresarial, Sociologia e Política. Foi um dos produtores do “Revista Católica”, primeiro programa de televisão da Arquidiocese de Montes Claros, veiculado na TV Geraes (pertencente à Fundação Genival Tourinho, de Montes Claros) de 25 de abril de 2005 a 25 de janeiro de 2006. Foi também um dos mentores do jornal “Clarão do Norte”, informativo impresso arquidiocesano lançado em Missa Solene na Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida de MOC em 08 de dezembro de 2007, além de já ter participado como missionário da Pastoral da Comunicação Arquidiocesana com colaborações para o site desta Igreja Particular e para o jornal “Far-ELO de Vida”, informativo impresso arquidiocesano do Governo de Dom Geraldo Majela de Castro e que circulou de 1996 a 2006.

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aniversário da primeira dama

A primeira dama moçambicana Maria da Luz Guebuza comemorou o seu aniversário, 5 de fevereiro, na Casa das filhas da Madre Tereza de Caucutá: A casa da Alegria. A cada ano, Da. Maria da Luz, escolhe uma casa de Caridade para essa comemoração. Os Arautos do Evangelho em Maputo estiveram presentes com sua banda para animar o evento.

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Epifania do Senhor

Entrando na casa, acharam o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se diante dEle, o adoraram. Depois, abriram seus tesouros, ofereceram-lhe como presentes: ouro, incenso e mirra.” (Mt 2, 11).

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Introdução:

Amanhã é a Epifania, dentro da oitava do Natal. Vamos então nos aproximar do Presépio e junto ao Menino Jesus, Maria Santíssima e S. José, meditarmos sobre um aspecto deste terceiro mistério gozoso. Contemplaremos o trecho do Evangelho que narra a vinda dos três Reis Magos do Oriente, para adorar ao Menino Jesus.

Santo Agostinho comenta que Epifania é uma palavra grega que significa “manifestação”. Na pessoa dos Reis Magos, o Menino-Deus se revelou a todas as nações que, no futuro, seriam iluminadas pela luz da Fé.

Vamos pedir graças especiais a Nossa Senhora. Estamos aqui para reparar seu Sapiencial e Imaculado Coração. Peçamos então que nos obtenha do Menino Jesus, que se encontra em seus braços, graças especialíssimas para bem fazermos esta meditação e que esta seja uma perfeita oração.

Oração Inicial:

Minha Mãe, aqui estamos diante de Vós para meditar sobre esta cena dos Reis Magos adorando o Menino Jesus, e junto com eles fazermos esta adoração, em união convosco.

Vós quisestes oferecer aos santos Reis Magos, o mais belo espetáculo de toda História: apresentar vosso divino Filho para ser adorado. Santa Mãe de Cristo, nós queríamos durante esta meditação entregar todos os nossos pensamentos, todos os nossos movimentos de vontade, nossas virtudes, toda nossa sensibilidade, para que elas sirvam junto com o ouro, incenso e mirra, de louvor a Vós e de adoração ao Vosso divino Menino Jesus. Rogamos que nos obtenha graças superabundantes e eficazes, graças místicas, a fim de que possamos compreender a fundo todo o significado da visita dos Reis Magos à Vossa casa em Belém. Assim seja!

Preparação:

Jesus nasce pobre numa gruta em Belém; os Anjos do Céu, é verdade, reconheceram-No por seu Senhor, mas os homens da terra deixam-No abandonado. Vêm apenas uns poucos pastores para adorá-Lo. O divino Redentor, porém, já quer começar a nos comunicar a graça da Redenção, e por isso, começa a manifestar-Se aos gentios que não O conheciam. Manda uma estrela iluminar os santos Magos, para que venham conhecer e adorar o seu Salvador. Admiremos o chamado que o Menino Jesus, de Sua manjedoura, faz a todas as nações, ao enviar aos Reis Magos a sua Estrela e a sua Graça; uma para lhes iluminar os olhos e a outra para lhes falar aos corações.

I- Significado de Epifania.

A festa da Epifania – também denominada pelos gregos de Teofania, ou seja manifestação de Deus – era celebrada no Oriente já antes do século IV. É uma das mais antigas comemorações cristãs, tal como a Ressurreição de Nosso Senhor.

Não podemos esquecer que a Encarnação do Verbo se tornou efetiva logo após a Anunciação do Anjo; entretanto, apenas Maria, Isabel, José e, provavelmente, Zacarias tiveram conhecimento do grande mistério operado pelo Espírito Santo. O restante da humanidade não se deu conta do que se passou no período de gestação do Filho de Deus humanado.

Por fim, nasce o Redentor, como um simples bebê. Quem, estivesse, porém, tomado por um dom do Espírito Santo, discerniria naquela adorável criança os resplendores dos raios de sua fulgurante divindade. Não se tratava de um ente puramente humano; àquela natureza se unia a própria Divindade : Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. Ali estava o Homem-Deus.

1 – Epifania: público reconhecimento da divindade do Menino Jesus

Se, por assim dizer, no Natal Deus Se manifesta como Homem, na Epifania esse mesmo Homem se revela como Deus. Assim, nestas duas festas, quis Deus que o grande mistério da Encarnação fose revelado com todo o brilho, tanto aos judeus como aos gentios, dado o seu caráter universal.

No Ocidente, desde o princípio, celebrava-se o Natal a 25 de dezembro, e no Oriente, a Epifania a 6 de janeiro. Foi a Igreja de Antioquia, na época de São João Crisóstomo, que passou a comemorar as duas datas. Só a partir do século V é que no Ocidente começou a se celebrar a segunda festividade.

Em nossa atual fase histórica, a Liturgia comemora a Adoração dos Reis Magos ao Menino Jesus. Por outro lado, ainda permanecem alguns vestígios da antiga tradição oriental que incluía na Epifania, além da Adoração dos Reis, o milagre das Bodas de Caná e o Batismo do Senhor no Jordão. Hoje, em nossa Liturgia, as Bodas de Caná não são mais celebradas, e o Batismo do Senhor é festejado no domingo entre os dias 7 e 13 de janeiro.

Em síntese, podemos afirmar que a Epifania, ou seja, a manifestação do Verbo Encarnado, não pode ser considerada desligada da adoração que Lhe prestaram os Reis do Oriente. Nesta cena está concernido um público reconhecimento da divindade do Menino Jesus unida à Sua humanidade.

2 – Um convite para sermos gratos ao Senhor

Ora, o que movia o fundo da alma dos Reis Magos era o desejo de prestar culto de adoração Àquele que acabara de nascer. O significado da moção do Espírito Santo, levando-os a Belém, cifra-se no chamado universal de todas as nações à salvação e à participação nos bens da Redenção.

Se aos Reis Magos Deus os chamou por meio da estrela, a nós Ele nos chama através de Sua Igreja, com sua pregação, doutrina, governo e Liturgia. Logo, a Epifania é a festa que nos convida a agradecermos ao Senhor, como também a Lhe implorar a graça de sermos guiados sempre a por toda parte através de Sua luz celeste, bem como de acolhermos com fé e vivermos com amor todos os dons que a Santa Igreja nos dá.

II – Belém, os Magos e Herodes.

“Tendo, pois, Jesus nascido em Belém de Judá, no tempo do rei Herodes, eis que os Magos vieram do Oriente a Jerusalém”. (Mt 2, 1).

Mateus se cala sobre maiores detalhes a respeito dos Magos; daí a divergências entre os autores. Entretanto, podemos REIS MAGOS.JPGafirmar que o nome Magos não pode ser tomado com as conotações próprias aos nossos tempos. Naquela época, significava pessoas de certo poder e muito distintas, em especial pelos conhecimentos científicos, sobretudo de astronomia. Além disso, a tradição no-los apresenta como reis. É também por tradição que consta serem três, terem sido batizados mais tarde por São Tomé Apóstolo e, tempos depois, martirizados. As relíquias dos Reis Magos foram veneradas por Bento XVI, na Catedral de Colônia, em 18 ago.2005, por ocasião da XX Jornada Mundial da Juventude.

O rei Herodes. não pertencia à raça dos judeus, pois era idumeu. Chegou ao trono por apoio dos romanos, era estrangeiro. Foi muito habilidoso, restaurando com esmero o Templo de Jerusalém, no intuito de que se esquecessem de suas origens. Porém, sua fama perpetuou-se pelas grandes máculas de seus costumes dissolutos e de sua crueldade.

1. Os Reis perante Herodes.

“Perguntaram eles: ‘Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a Sua estrela no Oriente e viemos adorá-Lo”.

Os Reis Magos demonstram possuir grande fé, e não pouca intrepidez, ao formularem uma pergunta tão incisiva, tanto mais que poderia ser interpretada por Herodes como sendo uma negação de seu título e de seu poder, conquistados com tantos esforços.

“Ouvindo isto, o rei Herodes ficou perturbado e toda Jerusalém com ele”.

É de fácil compreensão esse temor, dada a irrefreável ambição, inveja e crueldade. Sua esposa e seus três filhos puderam experimentar a violência de seu péssimo e impetuoso temperamento, pois foram mortos por uma determinação tirânica sua, nascida do medo de que o destronassem.

Para um homem com essa moral desregrada e tão mau caráter, o anúncio do surgimento miraculoso de um novo rei só poderia causar perturbação … Herodes. maquina a morte do Messias com dolosa malícia; viu certamente o grande fervor dos Magos em relação a Cristo, e como não podia contar com a cumplicidade deles para matar o futuro rei, ocorreu-lhe enganá-los. Então, começou a tomas ares de devoção enquanto afiava a espada e pintava com cores de humildade a perversidade de seu coração. Assim procedem todos os perversos: quando querem causar ocultamente algum dano muito grave a alguém, mostram-se humildes e amigos em relação a ele.

‘E, enviando-os a Belém, disse: ‘Ide e informai-vos bem a respeito do Menino.Quando o tiverdes encontrado, comunicai-me, para que eu também vá adorá-lo”. Hipócrita, se faz de piedoso e suave para enganar a simplicidade, candura e inocência só Magos.

2 – Comovedora confiança dos Reis Magos …”Tendo eles ouvido as palavras do rei, partiram. E eis que a estrela, que tinham visto no Oriente, os foi precedendo até chegar sobre o lugar onde estava o Menino, e ali parou. A aparição daquela estrela os encheu de profunda alegria”.

Assim sempre procede Deus, recompensando aqueles que são fiéis à Sua graça. É comovedora a confiança penetrada de coragem desses Reis Magos, diante de um tirano de tão má fama. Não há dúvida de estarem sustentados por especial moção do Espírito Santo.

III – A Jesus por Maria.

LETRA.JPGEmociona esta descrição de Mateus; …

“Entrando na casa, acharam o Menino com Maria, sua mãe”.

. ..Palavras proféticas, inspiradas pelo Espírito Santo, para deixar constando pelos séculos afora que não se pode encontrar Jesus sem Maria, e menos ainda, Maria sem Jesus. A História comprova – e muito mais o fará – o quanto a devoção à Mãe conduz à adoração ao Filho, e vice-versa.

1 – Os Reis Magos voltaram por outro caminho.

“Avisados em sonho de não tornarem a Herodes, voltaram para sua terra por outro caminho”. (Mt 2, 12)

Deus jamais deixa de proteger aqueles que O servem com amor e fidelidade. Se os Magos tivessem retornado a Herodes, eles mesmos poderiam ter precedido os Inocentes na morte.

A todos nós, Deus nos faz retornar à Pátria “por outro caminho”, segundo nos ensina São Gregório Magno. Infelizmente, deixamos o Paraíso Terrestre pelo pecado de orgulho de nossos primeiros pais; mais ainda, dele nos afastamos pelo apego às coisas deste mundo e devido aos nossos próprios pecados. Deus, como bom Pai, nos oferece o Paraíso Eterno; mas, para nele entrar, o caminho é o oposto ao do orgulho e da sensualidade, ou seja, o do desprendimento, da obediência, da renúncia às nossas paixões. Ele nos oferece um caminho fácil e seguro:”Ad Jesum per Mariam!”.

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Maria a Mãe da Igreja

Santa Maria,
Mãe do Senhor,
permanecestes fiel
quando os discípulos
fugiram. Tal como
acreditastes quando
o anjo Vos anunciou
o que era incrível –
que haverias de ser
Mãe do Altíssimo
– assim também
acreditastes na
hora da sua maior
humilhação.

E foi assim que, na
hora da cruz, na hora
da noite mais escura
do mundo, Vos
tornastes
Mãe dos crentes,
Mãe da Igreja.

(Excerto da Via-
Sacra composta por
Bento XVI para a Sexta-
Feira Santa do ano
2005)

Imagem Peregrina
do Imaculado Coração
de Maria

Revista Arautos do
Evangelho, Maio/2005
p. 52

  Virgem de F?tima_1.jpg
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Paz! Onde estás?

Evangelho 
Quando os anjos se retiraram deles para o Céu, os pastores diziam entre si: “Vamos até Belém e vejamos o que é que lá aconteceu e o que é que o Senhor nos manifestou”. 16 Foram a toda pressa, e encontraram Maria, José e o Menino deitado na manjedoura. 17 Vendo isto, contaram o que lhes tinha sido dito acerca deste Menino.  E todos os que ouviram, se admiraram das coisas que os pastores lhes diziam. 19 Maria conservava todas estas coisas, conferindo-as no seu coração. 20 Os pastores voltaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, conforme lhes tinha sido dito.” (Lc 2, 15-20).

Nascendo numa época corroída por misérias morais e sociais, Jesus veio renovar o mundo. E os primeiros anunciadores da boa nova foram os humildes pastores de Belém.

MONS JOAO CLA_3.jpgMons. João Clá Dias, E.P.

I – As conseqüências do pecado original

Ao lermos o Gênesis, entristecenos a história do primeiro pecado do homem, sobretudo ao nos darmos conta de que ali surgiu a fonte da progressiva brutalidade que se espalhou sobre a Terra.

No início, o equilíbrio moral de nossos primeiros pais, Adão e Eva, era vigorosamente forte e robusto, pois eles “foram constituídos em um estado ‘de santidade original’ […] O homem estava intacto e ordenado em todo seu ser, porque livre da tríplice concupiscência que o submete aos prazeres dos sentidos, à cobiça dos bens terrenos e à auto-afirmação contra os imperativos da razão” 1.

Para romper essa barreira e ser lançada a humanidade num maremagno de desordens, de fato, bastou um só pecado: o original.

O pecado leva à idolatria

“A partir do primeiro pecado, uma verdadeira ‘invasão’ do pecado inunda o mundo: o fratricídio cometido por Caim contra Abel; a corrupção universal em decorrência do pecado” 2. Daí o mal ter se difundido por toda parte numa crescente voracidade, a ponto de conferir realidade à afirmação do poeta Plautus, quando este fez uma descrição do relacionamento entre os seres humanos, na sociedade de seus dias: “Homo homini lupus” 3.

Não tardou muito o homem em substituir o verdadeiro Deus – seu companheiro de conversa e passeio das tardes no Paraíso – por deuses falsos, ídolos materiais e sem vida.

Foi com fundamento que Horácio, pela voz de um desses deuses, Príapo (deus dPresepio 12.....jpga masculinidade e da fertilidade), ridicularizou essa apostasia: “Tempos atrás, eu era o tronco de uma figueira selvagem, madeira imprestável, quando o marceneiro, hesitando sobre o que fazer de mim, se um banco ou um Príapo, preferiu que eu me tornasse o deus” 4.

Os homens querem se fazer adorar

A idolatria não exigiu para si somente figuras materiais, mas esse delírio se estendeu ao endeusamento de certas personalidades. Governantes inúmeros fizeram-se adorar por seus súditos. O título de Augusto, conferido pelo Senado Romano ao Imperador Otávio, tornou-se uma amostra do desequilíbrio de espírito daqueles tempos.

Digna é de nota a proskynesis (o ósculo da poeira do chão pelos súditos, diante do soberano). Um exemplo clamoroso nessa linha deu-se com Alexandre Magno que “com a ‘proskynesis’ […] exigia o reconhecimento de que oficialmente, em sua qualidade de rei […], ele não era mais um homem, mas sim, um deus. Em outras palavras, quando Alexandre exigiu que gregos e macedônios se prostrassem a seus pés e osculassem a poeira diante dele, queria que o reconhecessem como deus” 5.

Por trás dessas práticas encontrava- se, evidentemente, a idolatria ao próprio Satanás, denunciada por São Paulo em sua primeira Epístola aos Coríntios: “Considerai Israel segundo a carne: não entram em comunhão com o altar os que comem as vítimas? Que quero afirmar com isto? Que a carne sacrificada aos ídolos ou o próprio ídolo são alguma coisa? Não! As coisas que os pagãos sacrificam, sacrificam-nas a demônios e não a Deus. E eu não quero que tenhais comunhão com os demônios.

Não podeis beber ao mesmo tempo o cálice do Senhor e o cálice dos demônios.

Não podeis participar ao mesmo tempo da mesa do Senhor e da mesa dos demônios” (1 Cor 10, 18-21).

Infame humilhação das mulheres

E como não poderia deixar de ser, todo esse culto era acompanhado de abjetas depravações, como por exemplo a “prostituição sagrada”, perpetrada no interior dos templos babilônicos e assírios, conforme nos relata o próprio Heródoto 6. Esse mesmo costume era comum e corrente nos templos de Afrodite e de Vênus, na Grécia, como também nos de Astarte, na Síria.

E qual a fonte “vocacional” dessas “sacerdotisas”? Basta percorrer os números 181 e 182 do conhecido “Código de Hamurábi” (aproximadamente 1793 a 1750 a.C.), tão exaltado por certos historiadores, para conhecermos a regulamentação de como deviam os paiADORA?AO REIS MAGOS..............jpgs proceder para doarem suas filhas aos templos. Ademais, relata Heródoto que, em Babilônia, todas as mulheres nativas, sem qualquer exceção, pelo menos uma vez na vida deviam passar por essa infame humilhação no templo de Melita 7.

Esse horroroso costume era rigorosamente observado também na ilha de Chipre. O mesmo se dava na Fenícia, entre os adoradores de Baal; idem na Frígia, no culto a Cibele e Átis. E não nos esqueçamos de que se atribuíam, aos deuses do Olimpo, não poucos roubos, parricídios, raptos, incestos, infanticídios, etc.

Horrores no trato dispensado às crianças

Se injusto e brutal era o trato dispensado às mulheres, melhor não era o dado às crianças. Heródoto nos faz chegar ao conhecimento os horrores nessa matéria, como por exemplo ter sido prática legal na Grécia, permitida aos tutores das crianças, a pedofilia, que posteriormente foi copiada pela Pérsia 8.

Um famoso historiador francês assim nos narra como deveriam ser consideradas as crianças que nascessem defeituosas: “O Estado tinha o direito de não tolerar que seus cidadãos fossem disformes ou mal constituídos. Por isso ele ordenava ao pai, ao qual nascesse um filho nessa situação, que o fizesse morrer. Essa lei se encontrava nos antigos códigos de Esparta e de Roma” 9.

Falta de amor na família

E quanto à constituição familiar “os adultérios e divórcios estavam na ordem do dia; havia mulheres que tinham se casado vinte vezes” 10. O que evidentemente conduzia a um trato social despótico e injusto. “A falta de amor na família levou à desumanidade para com os escravos, os pobres e os trabalhadores” 11.

As trevas do pecado invadiam todos os povos

Seria um não mais terminar se procurássemos nos aprofundar na recordação do ambiente social e moral dos últimos tempos da Antiguidade.

Para formarmos uma idéia de síntese desse período histórico, basta correr os olhos sobre o primeiro capítulo da Epístola aos Romanos: “Deus os entregou a paixões degradantes […] E é assim que fazem o que não devem. Estão repletos de toda espécie de injustiça, perversidade, ambição, maldade; cheios de inveja, homicídios, discórdia, falsidade, malícia; são difamadores, maldizentes, orgulhosos, arrogantes, engenhosos para o mal, rebeldadora?ao dos pastores.jpges para com os pais, estúpidos, desleais, inclementes, impiedosos” (Rm 1, 26.28-31).

Essa era a terrível noite que, como um negro manto de drama, sofrimento e dor, envolvia a humanidade daqueles tempos como um dos frutos do pecado original. Entre o próprio povo eleito, raros escapavam das influências da ambição dos fariseus hipócritas, que iam ao Templo por pura vanglória e exibicionismo, em busca de honras. As trevas do pecado envolviam todos os povos, e o domínio de Satanás se estendia por toda a Terra.

Como reparar tanto horror? Como de certa forma restabelecer a antiga ordem e reabrirem-se as portas do Céu? Nesse caos tão generalizado, onde encontrar, na face da Terra, criaturas humanas que dessem a Deus um louvor puro e inocente?

II – O Menino que reverteu a História

Entremos numa certa gruta e ali veremos um Menino adorado por sua Mãe Santíssima e São José, reunidos em família, oferecendo mais glória a Deus do que toda a humanidade idólatra, e até mesmo mais do que os próprios anjos do Céu em sua totalidade.

Já em seu nascimento, numa singela manjedoura, aquele Divino Infante reparava os delírios de glória egoísta sofregamente procurada pelos pecadores.

Ele se encarnava para fazer a vontade do Pai e, assim, dar-nos o perfeitíssimo exemplo de vida.

Nenhum pensamento, desejo, palavra ou ação surgida de sua alma divinamente santa terá outro fim que não seja o de glorificar o Pai, a quem tudo consagrou desde o primeiro instante.

Não tardarão muitos séculos, depois daquele natal, para os altares dos falsos deuses serem arrasados, os ídolos quebrados, os templos pagãos destruídos – ou convertidos em santuários – e os próprios demônios se calarem. Sim, aquele Menino nascido numa gruta reverterá o trabalho realizado por Satanás durante milênios, e a Roma pagã será a sede do Cristianismo; transformada na Cidade Eterna, dentro de suas muralhas, sobre uma pedra inabalável, se estabelecerá até o fim dos tempos uma infalível cátedra da moral e da verdade.

Os pastores são convidados pelos Anjos

Mas, por outro lado, onde encontrariam os anjos, homens dignos de serem convidados para adorar o Menino? Na própria Belém, o berço de Isaí (1 Sm 16, 1) e de seu filho Davi, o humilde e jovem pastor “louro e de formosos olhos” (1 Sm 16, ADORA?AO PASTORES.............jpg12). Nos campos daquelas regiões, escolheram os anjos os destinatários do grande anúncio, pessoas pertencentes à mesma condição social do Rei e Profeta: os pastores de ovelhas. Assim, dois cortesãos do mais nobre sangue – Maria e José -, junto com os pastores de condição humilde e a própria Corte Celeste constituiriam os adoradores do Menino- Deus recém-nascido. Do Templo, nenhum representante.

Os escribas e fariseus desprezavam aquela classe de homens que, dia e noite, no verão ou no inverno, guardavam os rebanhos naquelas pastagens de Belém. Pelo seu teor de vida, os pastores não se enquadravam nas minuciosas práticas e abluções religiosas dos cerimoniais farisaicos.

Os terrenos por eles ocupados não eram suficientemente irrigados e, por isso, não lhes assistia um escrupuloso asseio. Ademais, a instrução era por eles acolhida diretamente na própria natureza que não lhes ensinava o uso de vasilhas, a escolha dos alimentos puros etc. Formavam eles uma comunidade à margem da sociedade, que vivia do pasto e no pasto, portanto um povo da terra, totalmente desprezado pelos fariseus. Além disso, eram excluídos do normal procedimento dos tribunais, sendo considerados inválidos seus testemunhos em juízo. Paradoxalmente, os excluídos dos pleitos farisaicos são agora convidados, pelos anjos do Supremo Juiz, a penetrar na corte de um príncipe herdeiro do trono de Davi.

 

III – A adoração dos pastores
 
15 Quando os anjos se retiraram deles para o Céu, os pastores diziam entre si: ‘Vamos até Belém e vejamos o que é que lá aconteceu e o que é que o Senhor nos manifestou’.

A flexibilidade de alma daqueles pastores era plena, submissa e toda feita de prontidão. O anjo lhes dissera para não temerem (cf. Lc 2, 10) e não consta nesse relato de Lucas que tenham passado por algum espanto ao longo do contato pastores.jpgcom aqueles puros espíritos.

Ora, sabemos pela História o quanto os judeus se amedrontavam com as aparições angélicas, julgando que a morte com certeza se lhes seguiria (cf. Jz 6, 22-23; Jz 13, 20-22; Tb 12, 16-17). Mas esses pastores, apesar de homens de pouquíssimo conhecimento, intuíram rapidamente que, por fim, nascera o Messias.

Sem conhecer as amplas e profundas explicações doutrinárias dos fariseus, eles como todo e qualquer judeu, sabiam da promessa feita por Deus e anunciada pelos profetas aos antigos sobre o futuro aparecimento de um Salvador. Não seria quiçá esse o tema de suas conversas durante as noites de pastoreio? Restou-nos apenas uma síntese das palavras do anjo a eles. Entretanto não será exagerado crer que ele lhes tenha esclarecido qual deveria ser o lugar e o caminho de acesso à gruta, tanto mais que lhes indicou os sinais distintivos: “Encontrareis um Menino envolto em panos e posto no Presépio” (Lc 2, 12).

As grutas da região lhes deviam ser muito familiares, pois eram os locais de refúgio onde buscavam proteção contra as intempéries. Tampouco se pode descartar a hipótese de ter havido antecedentes de partos ocorridos em circunstâncias análogas às do Natal. O certo é que em nenhum momento lhes passa pela alma a menor dúvida e, por isso, comentam entre si, em meio a muita alegria, o fato narrado pelo anjo, e convictamente concluem e decidem empreender a caminhada rumo ao “que o Senhor nos manifestou” (v. 15). 

Receberam com fervor a boa nova
 
16 Foram a toda pressa, e encontraram Maria, José e o Menino deitado na manjedoura.

O amor não admite lentidão. A pressa dos pastores comprova o grande fervor com que receberam a boa nova. Como não conheciam o emaranhado conceitual dos fariseus, não se levantou em suas almas a menor objeção sobre a realidade do Messias que se lhes manifestava diante de todos e de cada um. Trinta e poucos anos mais tarde, a cega doutrina dos escribas e fariseus se uniria aos conceitos dos saduceus e herodianos – sem excluir os do próprio Sinédrio – para se opor ao senso comum e sobrenatural dos humildes de espírito e assim, com entranhado ódio, empregar todos os recursos com vistas à condenação do “Salvador, que é Cristo e Senhor, [nascido] na cidade de Davi” (v. 11).

Ali na gruta, naquele momento, estavam presentes o Pai Eterno e o Divino Espírito Santo, que viam naquele tenro, delicado e ao mesmo tempo grandioso Menino, a realização de um plano idealizado desde todo o sempre: “Tu és meu filho muito amado, em quem coloco todas as minhas complacências” (cf. Lc 4, 22 e Mc 1, 11). Como também Maria Santíssima, que através de seus altíssimos dons, de maneira inigualável penetrava os mistérios daquele Nascimento. José a acompanhava muito de perto. Abismados ambos pela incomensurável humildade de Deus em fazer- se homem –  à diferença da soberba dos demônios -, concentravam-se para adorar o Divino Infante.

Foi-lhes concedido um dom de fé flexível e obediente

Lá chegam agora também os pastores, em simplicidade e pobreza, atraídos e amados por Deus devido a seu espírito de obediência, e por serem contemplativos. Não era a pobreza material que os tornava diletos de Deus, pois pobres os havia em situação ainda mais deficiente e em maior número. Ademais, não podemos nos esquecer de que essa não era a condição social dos Reis Magos, que paralelamente estavam se pondo a caminho para adorar o Divino Infante.

Por outro lado, seria outro erro querer atribuir ao portentoso milagre da aparição dos anjos, durante a noite, o fator decisivo para a crença daqueles homens toscos e talvez iletrados.

Quão maiores e incontáveis seriam os milagres operados por aquele Menino em sua vida pública! Entretanto, muitos judeus não creram.

O fator decisivo foi um especial dom de fé que lhes foi concedido.

A Teologia nos ensina que há uma fé que se poderia denominar puramente intelectual: a pessoa crê em Deus, mas chega a odiá-Lo e temê- Lo como fazem os demônios e os precitos. Há, ainda, os que crêem, mas não traduzem em obras sua fé.

Os fatos, como nos são narrados por Lucas, fazem-nos concluir que os pastores possuíam uma fé flexível e obediente, colocando em prática tudo aquilo em que acreditaram. Sem perda de tempo, submeteram todo o seu entendimento e vontade ao que lhes anunciou o sobrenatural.

É naquela noite que, diante do Presépio, encontramos os primeiros cristãos adorando a Cristo, o Absoluto abnegado, despido das manifestações da glória que Lhe é devida. Os pastores, ao serem capazes de adorá-Lo na manjedoura, não teriam dificuldade de fazê-lo no Calvário, tal como Maria o fez de modo tão sublime.

Nós também, nos dias atuais, temos o nosso presépio. O mesmo Unigênito Filho de Deus, reclinado sobre as palhas no interior da gruta em Belém, estNacimiento San Gin?s 007..............jpgá presente debaixo das Espécies Eucarísticas. Será que igualmente nos movemos “apressadamente” em busca do Salvador, como o fizeram os pastores?

 

Proclamaram maravilhas de que tinham sido testemunhas
 
17 Vendo isto, contaram o que lhes tinha sido dito acerca deste Menino.

O bem é de si eminentemente difusivo, e por isso, os pastores, de adoradores transformam-se em arautos das maravilhas contempladas por eles, antecedendo de muito os apóstolos e até mesmo o Precursor, João Batista, em suas missões.

Esse inesquecível Natal, pela mesma razão, fará cantar o coração dos pregadores, santos e Doutores: “Nós nos reunimos para admirar o aniquilamento do Verbo e gozarmos do piedoso espetáculo de ver como Deus desce para nos levantar, se rebaixa para fazer-nos crescer, e se empobrece para repartir-nos seus tesouros” 12 – afirma Bossuet.

Também São Boaventura proclama as maravilhas da graça operadas no Natal: “Para curar, Deus teve de unir-se à natureza humana, sem exceção de nenhuma parte, pois ela toda estava enferma. Diz-se que se ‘encarnou’ por ser a carne o que é mais enfermo e para indicar melhor a humilhação de Deus” 13.

E São Tomás assim explica o nascimento d’Aquele que é eterno: “Podese afirmar que Cristo nasceu duas vezes, segundo seus dois nascimentos; porque assim como se diz que corre duas vezes o que corre em dois momentos, assim também se pode dizer que nasce duas vezes o que nasce uma vez na eternidade e outra no tempo; porque a eternidade e o tempo diferem muito mais que dois momentos, ainda que um e outro designem una medida de duração” 14.

18 E todos os que ouviram, se admiraram das coisas que os pastores lhes diziam.

Após ter sido a própria Virgem Santíssima a primeira anunciadora da Boa Nova junto à sua prima Santa Isabel, agora os pastores movem-se para proclamar as maravilhas das quais tinham sido testemunhas.

A aparição do anjo e sua mensagem, a multidão de outros puros espíritos entoando cânticos celestiais, a constatação da realidade dos fatos na própria gruta, ao encontrarem Maria, José e o Menino, devem ter sido acontecimentos que arrebatavam a todos quantos deles tomavam conhecimento.

Tanto mais que provavelmente os pastores deviam estar tomados pelo sopro do Espírito Santo e iluminados em sua Nacimiento San Ginés 019_Cmissão. 

Maria conferia tudo o que acontecia no seu coração
 
19 Maria conservava todas estas coisas, conferindo-as no seu coração.

A propósito da afirmação feita por Lucas nesse versículo, ouçamos o que nos comenta Maldonado: “Observava, sim, como creio, todas as coisas, não como se desconhecesse o mistério delas, mas vendo com gozo como se confirmava com novos prodígios e pelo testemunho daqueles pastores, o que ela tinha conhecido antes, pelo anjo Gabriel. Este é o significado das palavras do evangelista, quando ele diz: Ela as conferia em seu coração; ou seja, comparava estas coisas com as que haviam precedido, via a coincidência de todas elas, para confirmar a fé neste mistério, como diz Eutímio. […] Segundo São Beda, Maria comparava as coisas que aconteciam com as palavras das antigas profecias:

‘Como lia as Sagradas Escrituras e conhecia muito bem os profetas, comparava consigo o que ia acontecendo acerca do Senhor, com o que d’Ele mesmo via escrito pelos profetas; e conferindo ambas as coisas, via que coincidiam admiravelmente, com uma luz comparável à dos próprios Querubins.

Havia dito Gabriel: Eis que conceberás e darás à luz um filho. E antes Isaías havia predito: Eis que uma virgem conceberá e dará à luz um filho. Havia profetizado Miquéias (4-8) que viria o Senhor à filha de Sion, na Torre do Rebanho, e então voltaria o antigo império. E dizem agora os pastores que lhes apareceram milícias da cidade celestial, na Torre do Rebanho, cantando a vinda do Messias. Maria havia lido (Is 1, 3) que o boi conheceu seu dono e o asno, o presépio de seu senhor; e via o Filho de Deus dar vagidos no presépio, vindo para salvar os homens e animais. E em todas e em cada uma dessas coisas comparava o que havia lido, com o que ouvia e via’.

Diz em seu coração para indicar que guardou tudo em seu interior, sem revelar a ninguém. Exemplo admirável de humildade e modéstia virginal, como nota Santo Ambrósio: ‘Aprendamos a castidade da Virgem em todas as coisas, a qual, não menos recatada em seus lábios que em sua carne, conferia em seu coração esses mistérios divinos’.
A mesma coisa comentou São Bernardo.” 15. 

Maternal acolhida
 
20 Os pastores voltaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, conforme lhes tinha sido dito.

Não pode deixar de ser que a Santíssima Virgem os tivesse acolhido com maternal afeto e bondade.

Se os anjos condescenderam em lhes aparecer, tal seria que Maria não completasse, com sua nota de Rainha e Mãe, a missão de seus celestiais súditos, acentuando nas almas daqueles homens simples, mas cheios de fé, as graças que Deus lhes concedera.

Deveriam eles retomar os cuidados dos respectivos rebanhos, mas tudo leva a crer que não lhes foi fácil cumprir, de imediato, com seus deveres de ofício. Percebe-se, pela manifestação piedosa de sua alegria, o quanto estavam tomados por graças superabundantes e místicas.

IV – Considerações finais

Os anjos cantam e proclamam a instituição do Reino de Cristo que nasce na gruta em Belém. A manifestação desse Reino constitui a glória reparadora, e os que o dão a conhecer glorificam-no, assim como ao próprio Deus e Sumo Bem.
O adorável Menino nasceu para tornar conhecido o Pai entre os homens e, assim, poder d’Ele receber a devida glória: “Glorifiquei-Te sobre a terra; acabei a obra que me deste a fazer” (Jo 17, 4).

Ali também, sob certo ponto de vista, com o nascimento de seu Fundador, nasce a Santa Igreja, como afirma Santo Ambrósio: “Vede as origens da Igreja nascente” 16. Uma nova luz brilhou sobre a terra: “Este povo, que jazia nas trevas, viu uma grande luz, e uma luz levantou-se para os que jaziam na sombra da morte” (Mt 4, 16).

Viverá o mundo de hoje sob os influxos dessas graças, ou terá dado as costas a esse incomensurável benefício obtido pela maternal mediação de Maria? A segunda hipótese parece ser a mais provável, infelizmente.

Neste caso encontrará a humanidade a tão desejada, necessária e propalada paz? Jamais, se não a procurar onde realmente ela se encontra: “Deixemos, pois, as obras das trevas, e revistamo-nos das armas da luz” (Rm 13, 12).

1) CIC, nº 375-377.
2) Idem, nº 401.
3) PLAUTUS. Titus Macci, Asinaria, II. iv, 495.
4) QUINTUS, Horatius Flaccus. Satyrarum libri, livro 1, poema 8.
5) FERGUSON, William Scott. Greec Imperialism. Kitchener (Canadá): Batoche Books, 2001, pp. 68 e 69.
6) Cf. HERODOTUS. Book 1, Clio, nº 181. In Kitson, J., Herodotus Website, www.herodotuswebsite.co.uk, 2003.
7) Cf. Idem, 199.
8- Ibidem.
9) COULANGES, Fustel de. La Cité Antique, l. 3, c. 17. Paris: Flammarion, 1984, p. 78.
10) WEISS, Juan Bautista, Historia Universal.
Barcelona: La Educación, 1928, v. III, p. 653.
11) Idem, p. 654.
12) BOSSUET, Sermão de Natal ed.
Lebarq, t. 2 p. 274, Paris, Desclée, 1929.
13) SAN BUENAVENTURA. Breviloquio, p. 4ª: BAC, Obras de San Buenaventura, t. 1 p. 335.
14) AQUINO, São Tomás de. S.T. III q.35 a. 2 ad 4.
15) MALDONADO, P. Juan de, S. J.
Comentarios a los Cuatro Evangelios.
Madrid: BAC, 1951, v. II, p. 393-394.
16) Lib. 2, in c. 2 Lc. (Exposição do Evangelho segundo Lucas)

Mons. João Clá Dias, EP

(Revista Arautos do Evangelho, Dez/2007, n. 72, p. 10 à 17)

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A realidade supera a lenda

 

Existe mesmo Papai Noel? Um pouco mais cedo ou um pouco mais tarde, toda criança faz esta pergunta. E os pais podem responder facilmente a seus filhos, contando-lhes a bela vida de São Nicolau.

Ricardo Basso

Aproxima-se o Natal! Nos centros comerciais vê-se freqüentemente um personagem com trajes de cores vivas, despertando a curiosidade geral e, nas crianças, a alegre expectativa dos presentes e das guloseimas.

É o Papai Noel. Como surgiu essa tradição? Na realidade, existiu uma pessoa muito mais importante do que o lendário Papai Noel. Foi São Nicolau, Bispo de Mira, na Turquia, falecido em 324.

Este grande Santo é apresentado indo de casa em casa, levando presentes para as crianças piedosas e bem comportadas. Narrando aos filhos sua bela vida, os pais despertam nas almas infantis o senso do maravilhoso e SAO NICOLAU_1estimulam a prática da virtude. Com a vantagem de que, neste caso, a realidade supera a lenda.

Poucos santos gozam de tanta popularidade, e a poucos são atribuídos tantos milagres. Dele, São João Damasceno fez o seguinte elogio: “Todo o universo tem em ti um pronto auxílio nas aflições, um encorajamento nas tristezas, uma consolação nas calamidades, um defensor nas tentações, um remédio salutaríssimo nas enfermidades”.

Nicolau era bastante jovem quando perdeu seus pais, herdando deles uma imensa fortuna que lhe possibilitou praticar a caridade em grande escala.

Um dia, soube de três moças que, por serem pobres, não encontravam pretendentes para casamento, e o pai pretendia encaminhá- las para uma má vida. Nicolau foi, então, de noite, e atirou para dentro do quarto do homem uma bolsa com moedas de ouro. Poucos dias depois, casava-se a filha mais velha. Repetiu Nicolau o gesto e, logo após, casava-se a segunda filha.

No momento em que ele se preparava para atirar pela terceira vez o dinheiro, foi descoberto. Saindo das sombras onde estava escondido, o pai lançou-se aos pés de seu benfeitor, chorando de arrependimento e gratidão. Desde então, não se cansou de apregoar por toda parte os favores recebidos.

Em outra ocasião, ao embarcar em um navio, avisou ao comandante que teriam violenta tempestade pelo caminho. O velho lobo-do mar recebeu com irônico sorriso essa previsão de um simples passageiro.

A tempestade, porém, não tardou.

E tão terrível que todos acreditaram ter chegado o seu fim. Ao saberem que um passageiro havia previsto o que estava acontecendo, correram para ele, pedindo socorro.

Nicolau rogou a Deus, e logo cessou a tempestade, acalmou-se o mar e o sol apareceu resplandecente…

PAPAI NOELTornou-se, assim, o patrono dos marinheiros, que o invocam nos momentos de perigo.

São Boaventura narra que em uma estalagem o dono havia assassinado dois estudantes para se apoderar de seu dinheiro. Horrorizado por esse hediondo crime, São Nicolau ressuscitou os jovens e converteu o assassino.

No dia em que foi sagrado Bispo de Mira, mal acabara a cerimônia, uma mulher atirou-se a seus pés, com um menino nos braços, suplicando: “Dai vida a meu filhinho! Ele caiu no fogo e teve morte horrível. Tende pena de mim. Dai-lhe a vida!” Emocionado e compadecido das dores daquela mãe, fez o sinal-da-cruz sobre o menino que ressuscitou na presença de todos os fiéis presentes à cerimônia de sagração.

Em alguns países da Europa, é costume as pessoas trocarem presentes no dia de sua festa, 6 de dezembro.

A nós, também, São Nicolau não deixará de atender em nossas necessidades.

Peçamos-lhe, pois, não apenas os bens materiais, mas, sobretudo, grandes dons espirituais. Que ele obtenha da Santíssima Virgem e de São José a graça de, neste Natal, nascer em nossas almas o Menino Jesus — o maior presente dado aos homens —, a fim de chegarmos à Pátria celeste, para a qual fomos criados.

(Revista Arautos do Evangelho, Dez/2003, n. 24, p. 36-37)

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Um Natal sob o signo do Rosário

 

A cada ano, no Natal, diferente é o contexto em que se celebra aquela Luz que um dia brilhou nas trevas. Em 2002, nós o comemoramos sob o benéfico influxo da Carta Apostólica de João Paulo II, sobre o Rosário.

Mons. João Clá Dias, EP
O caro leitor já se perguntou alguma vez por que razão Jesus veio ao mundo naquela época? Não poderia Ele ter nascido logo após o pecado de Adão e Eva? Ou, pelo contrário, por que não adiou sua vinda para cerca do fim do mundo, pouco antes da volta de Henoc e Elias? No primeiro caso, pareceria haver várias vantagens. Por exemplo, a efusão das graças da Redenção já no início da humanidade poderia evitar muito morticínio, muitas crueldades, crimes e calamidades comuns no tempo do paganismo. Teria evitado mesmo? É muito de se duvidar. Basta analisar a Hvitral presépio_1istória do Ocidente cristão, especialmente nos últimos três séculos, para verificar que a vinda de Nosso Senhor . embora tenha suavizado notavelmente o relacionamento entre os homens . não evitou esses males.

 

Quanto à hipótese da vinda de Cristo no fim do mundo, os benefícios seriam menos claros, mas uma análise meticulosa não deixará de encontrá-los. Uma coisa, porém, é certa. Deus faz tudo perfeito. Logo, Jesus só pode ter nascido no momento mais adequado, em todos os sentidos.

Comentando esta questão, o renomado teólogo espanhol, Pe. Antonio Royo Marín, OP, confirma a tese acima, baseando-se no ensinamento de São Paulo, de que Deus enviou seu Filho ao mundo .quando chegou a plenitude dos tempos. (Gl 4, 4).

O que significa .plenitude dos tempos.? Na homilia de abertura da Quaresma de 2001, o Papa João Paulo II explicou que significa .tempo favor ável (…) isto é, o tempo em que Deus, através de Jesus, .satisfez. e .socorreu.

o seu povo, realizando plenamente as promessas dos profetas.. Do ponto de vista histórico . continuou o Santo Padre . aquele era o momento favor ável para se anunciar o Evangelho a todos os povos.

Realmente o mundo antigo se sentia decrépito e esgotado, afundado numa corrupção de costumes nunca vista, desgastado por escândalos, corroído pela idolatria, dureza de coração, ganância, crueldade, trato impiedoso entre os homens, tirania, etc. Caminhava, pois, inexoravelmente para a ruína. Segundo os comentadores, essas eram as .trevas . nas quais brilhou a luz do Salvador (segundo o Evangelho de São João). 

Recordações da Luz que brilhou nas trevas 

 De cada vez a comemoração é feita com características próprias, com graças particulares, quase sempre relacionadas com a situação da Igreja e da Cristandade na respectiva época. Todo Natal recorda essa Luz que brilhou nas trevas há dois mil anos. 

As graças de Natal no tempo das catacumbas, por exemplo, deviam ter aspectos especiais que a diferenciavam muito daquelas da época de Carlos Magno. E as da Idade Média . tempo assinalado por um auge de fervor católico . foram diferentes das do século XX, um século .caracterizado de maneira particular pelo mistério da iniqüidade., conforme as palavras do Papa João Paulo II na homilia de 18/8/2002.

Neste segundo ano do Terceiro Milênio, a comemoração do Natal se dá numa conjuntura muito feliz. Est á ele aureolado pela Carta Apost ólica de João Paulo II, O Rosário da Virgem Maria.

Estreita relação com o Natal 

nós os acompanhaSIGNO DA CRUZ_2_Bmos através dos olhos da Virgem Maria, recitando o Rosário.

Ele é propriamente uma .oração evangélica, centrada sobre o mistério da Encarnação redentora. . diz o Papa ., segundo a experiência vivida pela Santíssima Virgem, que trouxe em seu seio, nutriu, criou e acompanhou os passos de seu Divino Filho.

Em sua oportuna Carta Apostólica, o Santo Padre mostra ainda que Maria é para nós a Mestra que melhor conhece seu Filho Jesus e pode levar-nos ao conhecimento d.Ele: Percorrer com Ela as cenas do Rosário é como freqüentar a “escola” de Maria para ler Cristo, penetrar nos seus segredos, compreender a sua mensagem. 

Uma escola, a de Maria, ainda mais eficaz, quando se pensa que Ela a dá obtendo-nos os dons do Espírito Santo com abundância e, ao mesmo tempo, propondo-nos o exemplo daquela .peregrinação da fé., na qual é mestra inigualável..
 
Nas situações aflitivas da Igreja 

Também no nível dos povos e da nações, ele ganha um brilho especial nos momentos em que a Igreja está em aflitiva situação. Foi assim já no seu nascedouro, quando Nossa Senhora o recomendou a São Domingos de Gusmão. No ano de 1214, a heresia dos maniqueus, ou albigenses, estava se espalhando por todo o Languedoc, região meridional da França, arrancando à Igreja Cat ólica multidões de fiéis.

A doutrina maniquéia não causava dano apenas no campo espiritual, mas estendia seus malefícios também a toda a sociedade temporal.

Uma cruzada da qual participaram cavaleiros de toda a Europa, não foi suficiente para estancar o mal. Como obter de Deus o fim dessa grave situação e a conversão daquele pobre povo? O grande São Domingos . fundador da Ordem dos Irmãos Pregadores (os frades dominicanos) . mediu toda a extensão da tragédia e sentiu-se inspirado a intervir. Retirou- se para um local ermo, próximo de Tolosa (capital do Languedoc), onde passou três dias e três noites em oração e penitência, implorando ao Senhor que interviesse para salvar aquelas populações. Em conseqüência de seu esforço, acabou por cair desfalecido. E eis que então apareceu- lhe Maria Santíssima, resplandecente de glória, dizendo-lhe que, pelo Rosário, ele poderia ganhar para Deus aqueles .corações endurecidos .. E assim foi. Pregando essa devoção, São Domingos não só obteve numerosas conversões, como também uma grande mudança nos costumes religiosos e morais dos habitantes da região.

São Domingos mereceu passar para a História como o primeiro grande pregador do santo Rosário e, praticamente, seu instituidor. 

Na batalha de Lepanto 

Era urgente formar uma aliança dos príncipes católicos e armar uma esquadra capaz de fazer frente ao inimigo da Fé cristã. Com este objetivo, o Papa São Pio V fez o que pô- de nos terrenos diplomático, logístico e militar. Mas pôs sua confiança sobretudo na intervenção da Auxiliadora dos Cristãos, à qual recorria por meio do Rosário, levando os outros a imitá-lo.

 No dia 7 de outubro daquele ano, ao largo do Estreito de Lepanto, no litoral grego, travou-se a maior batalha naval da História até então. A esquadra católica, composta de pouco mais de 200 navios e 80 mil combatentes, colocada sob a proteção de Nossa Senhora do Rosário, derrotou de modo fragoroso a frota maometana, entretanto mais poderosa que a cristã. Graças a essa vitória, ficou afastada de uma vez por todas a ameaça turca.SIGNO DA CRUZ_5_D

Desejoso de reconhecer e agradecer o decisivo auxílio de Maria nessa batalha, o senado veneziano mandou colocar no Palácio dos Doges um quadro comemorativo, com a inscrição: .Non virtus, non arma, non duces, sed Maria Rosarii, victores nos fecit. . .Não foi o valor, nem as armas, nem os chefes, mas sim a Senhora do Rosário que nos tornou vitoriosos .. 

Na França do século XVIII 

A sociedade francesa achava-se minada em suas bases pelo iluminismo, pelo indiferentismo religioso e por um lamentável afrouxamento dos costumes, sobretudo nas classes superiores. Para agravar o quadro, espalhava-se pela França o jansenismo, astuta heresia que apresentava de maneira deformada a doutrina católica, evitando atacá-la de frente, com o que tornava difícil sua refuta ção.

Pregando uma ardente devoção a Nossa Senhora e incentivando a oração diária do Rosário, São Luís Grignion conseguiu transformar a Bretanha e a Vandéia (províncias do oeste da França), em regiões ardorosamente católicas, a tal ponto que, dois séculos após, foram essas duas províncias as que maior resistência opuseram ao assalto das tropas anticlericais da Revolução Francesa. 

Em Fátima 

Na primeira aparição, a 13 de maio de 1917, aconselhou aos três videntes que rezassem diariamente o Terço para pedir o fim da guerra e a paz do mundo. Renovou com insistência, na segunda e na terceira aparições, a recomendação de rezar o Terço todos os dias.

E no dia 13 de setembro, a Virgem Santíssima insistiu mais uma vez na necessidade da recitação diária do Terço, como meio de alcançar o fim da guerra mundial que ensangüentava o mundo.

Foi somente na última aparição, em 13 de outubro, que Nossa Senhora consentiu em revelar sua identidade às três crianças, utilizando estas simples palavras: Eu sou a Senhora do Rosário.. Não poderia haver maior prova de apreço da Mãe de Deus por essa devoção. 

Em pleno século XX 

Assim como o restante da Europa centro-oriental, também a Áustria fora ocupada pelas tropas soviéticas, ao término da 2ª Guerra Mundial. Angustiados pela probabilidade de perderem sua independência no dom ínio comunista, os austríacos se voltaram filialmente para Nossa Senhora.

Um franciscano, frei Petrus Pavlicek, formou a .Cruzada Reparadora do Rosário pela Paz no Mundo. e passou a organizar grandes procissões anuais em honra do Nome de Maria. Sempre com a participação de milhares de pessoas, cada uma dessas procissões seguia pelas ruas do centro de Viena, rogando pela libertação do país. Um movimento geral de entusiasmo pelo Rosário percorreu toda a nação, e uma torrente de preces jorrou sobre as portas do Céu. E então aconteceu o milagre: pouco após a Páscoa de 1955, o governo moscovita retirou suas tropas da Áustria.

O país inteiro acorreu para agradecer a maternal proteção da Santíssima Virgem, destacando-se a grande solenidade no dia 10 de setembro, festa do Nome de Maria, ocasião em que o Ministro das Relações Exteriores declarou: .Todos nós que aqui estamos hoje reunidos e que com humildade, mas também com ufania, nos declaramos católicos, pudemos conhecer o poder da oração. (…) Nossas orações foram nossas armas e nossa fortaleza. (…) Ganhamos a liberdade! Oh! Maria! nós vos agradecemos.Paz no mundo e nas famílias 

 

Daí o empenho do Papa João Paulo II em incentivar essa devoção. No início de um Milênio que começou com as cenas assustadoras do atentado de 11 de setembro de 2001 – diz o Santo Padre na Carta Apostólica – e que registra, cada dia, em tantas partes do mundo, novas situações de sangue e violência, descobrir novamente o Rosário significa mergulhar na contemplação do mistério d.Aquele que .é a nossa paz., tendo feito .de dois povos um só, destruindo o muro da inimizade que os separava. (Ef 2, 14)..

Se o mundo de hoje está submerso num oceano de males e exposto a perigos que o rondam de todos os lados, isto não se deve tão-só às disputas econômicas e políticas, mas principalmente a uma grave crise moral e religiosa. É dela que SIGNO DA CRUZ_6_Esurgem as angústias, as incertezas, a desorientação generalizada. Contudo, assim como nas situações críticas anteriores, a solução está ao alcance de nossas mãos… e de nossos corações: a devoção do Santo Rosário. 

 

Depois de ressaltar que deseja confiar a causa da paz à oração do Rosário, o Papa exprime sua paternal aflição: .Pouco valem as tentativas da política, se as almas continuam exacerbadas e não são capazes de um novo olhar do coração.. E indaga: .Quem pode, porém, infundir tais sentimentos, senão o próprio Deus? ….

Exatamente nessa perspectiva, o Rosário se revela uma oração particularmente indicada..

Falta a paz, hoje em dia, não somente entre as nações, mas, muitas vezes, até no recinto do lar. .Quanta paz estaria assegurada nas relações familiares, se fosse retomada a recitação do Santo Rosário em família!. . exclamou o Papa na audiência de 29 de setembro passado, quando anunciou o Ano do Rosário. E na citada Carta Apostólica ele alerta: .A família, célula da sociedade, está cada vez mais ameaçada por forças desagregadoras a nível ideológico e prático, que fazem temer pelo futuro dessa instituição fundamental e imprescindível e, conseqüentemente, pela sorte da sociedade inteira..

Para sanar esse mal, que remédio aconselha o Vigário de Cristo?

O relançamento do Rosário nas famílias cristãs, no âmbito de uma pastoral mais ampla da família, propõe-se como ajuda eficaz para conter os efeitos devastadores desta crise da nossa época.. 

Uma prece diante do presépio 

Diante do presépio, dirijamos nossas ardentes súplicas ao adorável Menino Jesus, por intermédio da imaculada Virgem Maria e do puríssimo São José, pedindo que as exortações do Santo Padre na Carta Apostólica O Rosário da Virgem Maria tenham amplo desenvolvimento por todo o mundo católico. E que aquela Luz que brilhou nas trevas há cerca de dois mil anos resplandeça não só neste Natal, mas ilumine toda a nossa vida.

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Fatos&focos: O Rei dos Reis

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Todos, na Sede de Maputo, vão agradecer Nosso  Senhor Sacramentado pelas atividades do dia.

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