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Aprovação pontifícia: 9 anos.

fevereiro 24th, 2010

Momento histórico …

Excertos das palavras de agradecimento de Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP

Ao agradecer a honrosa condecoração recebida do Papa Bento XVI, bem como as palavras e a paternal dedicação do Cardeal Franc Rodé, Mons. João Scognamiglio Clá Dias mostra quanto esses acontecimentos marcarão a fundo a história dos Arautos do Evangelho.

A medalha Pro Ecclesia et Pontifice vem para mim, e para as Sociedades de Vida Apostólica que temos a honra de conduzir, num momento muito oportuno. Ela nos enche de alegria porque no sermão de Vossa Eminência ficou patente um ponto muito ressaltado do nosso carisma, que é a devoção a Nossa Senhora.

“As palavras de Vossa Eminência e todo o carinho manifestado nesta ocasião marcarão a fundo a história dos Arautos do Evangelho" “As palavras de Vossa Eminência e todo o carinho manifestado nesta ocasião marcarão a fundo a história dos Arautos do Evangelho” 

Temos um empenho total de uma entrega completa em relação a Ela. E o sermão de Vossa Eminência não poderia ser mais lógico e cheio de sabedoria, no referente a esse dado fundamental.

Um Arcebispo heróico

O Cardeal acaba de falar do heroísmo de outros que aqui se encontram no dia de hoje. Porém, ele mesmo foi um grande herói porque nasceu e se desenvolveu sob regime comunista, na Eslovênia, sofrendo perseguições. Tem um irmão, Andrej Rodé, que foi mártir do comunismo.

Ele próprio, Cardeal, teve de sair do país. Quando regressou, o fez como Arcebispo de Liubliana. Ali, ele enfrentou todas as dificuldades, deixando a bandeira da Igreja Católica Apostólica Romana, não só elevada, mas sobretudo com um brilho que ela não tinha antes de nosso Eminentíssimo Cardeal ter governado essa Arquidiocese.

Carisma para conhecer e conduzir as almas

Ele tem um carisma para conhecer e conduzir as almas, ou seja, o discernimento dos espíritos. O carisma é uma dádiva gratis data por Deus com vistas a beneficiar terceiros. E tenho observado o quanto o nosso Cardeal é assistido pelo Espírito Santo, na sua função de Prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, o quanto ele analisa e sabe pesar as coisas.

Ele tem as fórmulas perfeitas. É um homem de passos firmes, mas macios, de mãos também muito enérgicas, mas cheias de suavidade, e sabe resolver situações com uma categoria única.

Uma palavra sobre a nossa devoção ao Papa

Além do dito a respeito do Cardeal, é indispensável dedicar umas palavras à Cátedra de Pedro, da qual me vem esta honrosa medalha.

Eu fui formado por um líder católico do Brasil, Plinio Corrêa de Oliveira, que, entre muitas outras virtudes, ensinou-me a amar o Papa. Em um artigo no Legionário, na época órgão oficioso da Arquidiocese de São Paulo, ele externa de forma belíssima o que está no meu coração e no de todos os Arautos a respeito do Papa:

“Tudo quanto na Igreja há de santidade, de autoridade, de virtude sobrenatural, tudo isto – mas absolutamente tudo sem exceção, nem condição, nem restrição – está subordinado, condicionado, dependente da união à Cátedra de Pedro. As instituições mais sagradas, as obras mais veneráveis, as tradições mais santas, as pessoas mais conspícuas, tudo enfim que mais genuína e altamente possa exprimir o Catolicismo e ornar a Igreja de Deus, tudo isto se torna nulo, estéril, digno do fogo eterno e da ira de Deus, se separado do Sumo Pontífice. Conhecemos a parábola da videira e dos sarmentos. Nessa parábola, a videira é Nosso Senhor Jesus Cristo, os sarmentos são os fiéis. Mas como Nosso Senhor Se ligou de modo indissolúvel à Cátedra Romana, pode-se dizer com toda segurança que a parábola seria verdadeira entendendo-se a videira como a Santa Sé, e os sarmentos como as várias dioceses, paróquias, Ordens Religiosas, instituições particulares, famílias, povos e pessoas que constituem a Igreja e a Cristandade. Isto tudo só será verdadeiramente fecundo na medida em que estiver em íntima, calorosa, incondicional união com a Cátedra de São Pedro”.1

O amor a Cristo e ao Papa se confundem

Continua ele:

“‘Incondicional’, dissemos, e com razão. Em moral, não há condicionalismos legítimos. Tudo está subordinado à grande e essencial condição de servir a Deus. Mas, uma vez que o Santo Padre é infalível, a união a seu infalível magistério só pode ser incondicional.
“Por isto, é sinal de condição de vigor espiritual, uma extrema susceptibilidade, uma vibratilidade delicadíssima e vivaz dos fiéis por tudo quanto diga respeito à segurança, glória e tranquilidade do Romano Pontífice. Depois do amor a Deus, é este o mais alto dos amores que a Religião nos ensina. Um e outro amor se confundem até. Quando Santa Joana d’Arc foi interrogada por seus perseguidores que queriam matá-la, e que para isto procuravam fazê-la cair em algum erro teológico, por meio de perguntas capciosas, ela respondeu: ‘Quanto a Cristo e à Igreja, para mim são uma só coisa’. E nós podemos dizer: ‘Para nós, entre o Papa e Jesus Cristo não há diferença’. Tudo o que diga respeito ao Papa diz respeito direta, íntima, indissoluvelmente, a Jesus Cristo”.2  

“Tudo quanto na Igreja há de santidade, de autoridade, de virtude sobrenatural está subordinado, condicionado, dependente da união à Cátedra de Pedro” “Tudo quanto na Igreja há de santidade, de autoridade, de virtude sobrenatural está subordinado, condicionado, dependente da união à Cátedra de Pedro” 

 

 

A presença do Cardeal nos une mais ao Papa

De fato, estamos inteiramente unidos ao Papa. Esta medalha é símbolo dessa união, e para mim tem um grande valor.

Porém, mais do que esta condecoração, faz-me sentir a união com o Santo Padre a pessoa deste Cardeal posto pela Providência em nosso caminho. Cardeal, nós sabemos, vem do latim de cardo, cardinis, que significa gonzo, dobradiça. A porta gira, abre e fecha em dobradiças e o termo “cardeal” tem origem nesta imagem: os cardeais são as “dobradiças” que ligam o mundo ao Papa.

Por isso, as palavras de Vossa Eminência e todo o carinho manifestado nesta ocasião, esta cerimônia, a medalha Pro Ecclesia et Pontifice, marcarão a fundo a história dos Arautos do Evangelho, da Sociedade Virgo Flos Carmeli, da Sociedade Regina Virginum e de outras instituições que surgirem no futuro.

Na base de tudo isso está a figura de nosso queridíssimo Cardeal. O nosso coração tem gravado por dentro, indelevelmente, o nome de Franc Rodé!

1 CORRÊA DE OLIVEIRA, Plinio. A Guerra e o Corpo Místico. In: O Legionário, 16/4/1944.
2 Ibidem.

(Revista Arautos do Evangelho, Set/2009, n. 93, p. 22-23)

Fotos&Focos: pequenos estudantes

fevereiro 19th, 2010

 

escola3

Nas belas tardes em Maputo encontra-se pelas ruas afastadas do centro da cidade, alunos que voltam para suas casas, após estudos…

Epifania do Senhor

janeiro 3rd, 2010

Entrando na casa, acharam o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se diante dEle, o adoraram. Depois, abriram seus tesouros, ofereceram-lhe como presentes: ouro, incenso e mirra.” (Mt 2, 11).

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Introdução:

Amanhã é a Epifania, dentro da oitava do Natal. Vamos então nos aproximar do Presépio e junto ao Menino Jesus, Maria Santíssima e S. José, meditarmos sobre um aspecto deste terceiro mistério gozoso. Contemplaremos o trecho do Evangelho que narra a vinda dos três Reis Magos do Oriente, para adorar ao Menino Jesus.

Santo Agostinho comenta que Epifania é uma palavra grega que significa “manifestação”. Na pessoa dos Reis Magos, o Menino-Deus se revelou a todas as nações que, no futuro, seriam iluminadas pela luz da Fé.

Vamos pedir graças especiais a Nossa Senhora. Estamos aqui para reparar seu Sapiencial e Imaculado Coração. Peçamos então que nos obtenha do Menino Jesus, que se encontra em seus braços, graças especialíssimas para bem fazermos esta meditação e que esta seja uma perfeita oração.

Oração Inicial:

Minha Mãe, aqui estamos diante de Vós para meditar sobre esta cena dos Reis Magos adorando o Menino Jesus, e junto com eles fazermos esta adoração, em união convosco.

Vós quisestes oferecer aos santos Reis Magos, o mais belo espetáculo de toda História: apresentar vosso divino Filho para ser adorado. Santa Mãe de Cristo, nós queríamos durante esta meditação entregar todos os nossos pensamentos, todos os nossos movimentos de vontade, nossas virtudes, toda nossa sensibilidade, para que elas sirvam junto com o ouro, incenso e mirra, de louvor a Vós e de adoração ao Vosso divino Menino Jesus. Rogamos que nos obtenha graças superabundantes e eficazes, graças místicas, a fim de que possamos compreender a fundo todo o significado da visita dos Reis Magos à Vossa casa em Belém. Assim seja!

Preparação:

Jesus nasce pobre numa gruta em Belém; os Anjos do Céu, é verdade, reconheceram-No por seu Senhor, mas os homens da terra deixam-No abandonado. Vêm apenas uns poucos pastores para adorá-Lo. O divino Redentor, porém, já quer começar a nos comunicar a graça da Redenção, e por isso, começa a manifestar-Se aos gentios que não O conheciam. Manda uma estrela iluminar os santos Magos, para que venham conhecer e adorar o seu Salvador. Admiremos o chamado que o Menino Jesus, de Sua manjedoura, faz a todas as nações, ao enviar aos Reis Magos a sua Estrela e a sua Graça; uma para lhes iluminar os olhos e a outra para lhes falar aos corações.

I- Significado de Epifania.

A festa da Epifania – também denominada pelos gregos de Teofania, ou seja manifestação de Deus – era celebrada no Oriente já antes do século IV. É uma das mais antigas comemorações cristãs, tal como a Ressurreição de Nosso Senhor.

Não podemos esquecer que a Encarnação do Verbo se tornou efetiva logo após a Anunciação do Anjo; entretanto, apenas Maria, Isabel, José e, provavelmente, Zacarias tiveram conhecimento do grande mistério operado pelo Espírito Santo. O restante da humanidade não se deu conta do que se passou no período de gestação do Filho de Deus humanado.

Por fim, nasce o Redentor, como um simples bebê. Quem, estivesse, porém, tomado por um dom do Espírito Santo, discerniria naquela adorável criança os resplendores dos raios de sua fulgurante divindade. Não se tratava de um ente puramente humano; àquela natureza se unia a própria Divindade : Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. Ali estava o Homem-Deus.

1 – Epifania: público reconhecimento da divindade do Menino Jesus

Se, por assim dizer, no Natal Deus Se manifesta como Homem, na Epifania esse mesmo Homem se revela como Deus. Assim, nestas duas festas, quis Deus que o grande mistério da Encarnação fose revelado com todo o brilho, tanto aos judeus como aos gentios, dado o seu caráter universal.

No Ocidente, desde o princípio, celebrava-se o Natal a 25 de dezembro, e no Oriente, a Epifania a 6 de janeiro. Foi a Igreja de Antioquia, na época de São João Crisóstomo, que passou a comemorar as duas datas. Só a partir do século V é que no Ocidente começou a se celebrar a segunda festividade.

Em nossa atual fase histórica, a Liturgia comemora a Adoração dos Reis Magos ao Menino Jesus. Por outro lado, ainda permanecem alguns vestígios da antiga tradição oriental que incluía na Epifania, além da Adoração dos Reis, o milagre das Bodas de Caná e o Batismo do Senhor no Jordão. Hoje, em nossa Liturgia, as Bodas de Caná não são mais celebradas, e o Batismo do Senhor é festejado no domingo entre os dias 7 e 13 de janeiro.

Em síntese, podemos afirmar que a Epifania, ou seja, a manifestação do Verbo Encarnado, não pode ser considerada desligada da adoração que Lhe prestaram os Reis do Oriente. Nesta cena está concernido um público reconhecimento da divindade do Menino Jesus unida à Sua humanidade.

2 – Um convite para sermos gratos ao Senhor

Ora, o que movia o fundo da alma dos Reis Magos era o desejo de prestar culto de adoração Àquele que acabara de nascer. O significado da moção do Espírito Santo, levando-os a Belém, cifra-se no chamado universal de todas as nações à salvação e à participação nos bens da Redenção.

Se aos Reis Magos Deus os chamou por meio da estrela, a nós Ele nos chama através de Sua Igreja, com sua pregação, doutrina, governo e Liturgia. Logo, a Epifania é a festa que nos convida a agradecermos ao Senhor, como também a Lhe implorar a graça de sermos guiados sempre a por toda parte através de Sua luz celeste, bem como de acolhermos com fé e vivermos com amor todos os dons que a Santa Igreja nos dá.

II – Belém, os Magos e Herodes.

“Tendo, pois, Jesus nascido em Belém de Judá, no tempo do rei Herodes, eis que os Magos vieram do Oriente a Jerusalém”. (Mt 2, 1).

Mateus se cala sobre maiores detalhes a respeito dos Magos; daí a divergências entre os autores. Entretanto, podemos REIS MAGOS.JPGafirmar que o nome Magos não pode ser tomado com as conotações próprias aos nossos tempos. Naquela época, significava pessoas de certo poder e muito distintas, em especial pelos conhecimentos científicos, sobretudo de astronomia. Além disso, a tradição no-los apresenta como reis. É também por tradição que consta serem três, terem sido batizados mais tarde por São Tomé Apóstolo e, tempos depois, martirizados. As relíquias dos Reis Magos foram veneradas por Bento XVI, na Catedral de Colônia, em 18 ago.2005, por ocasião da XX Jornada Mundial da Juventude.

O rei Herodes. não pertencia à raça dos judeus, pois era idumeu. Chegou ao trono por apoio dos romanos, era estrangeiro. Foi muito habilidoso, restaurando com esmero o Templo de Jerusalém, no intuito de que se esquecessem de suas origens. Porém, sua fama perpetuou-se pelas grandes máculas de seus costumes dissolutos e de sua crueldade.

1. Os Reis perante Herodes.

“Perguntaram eles: ‘Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a Sua estrela no Oriente e viemos adorá-Lo”.

Os Reis Magos demonstram possuir grande fé, e não pouca intrepidez, ao formularem uma pergunta tão incisiva, tanto mais que poderia ser interpretada por Herodes como sendo uma negação de seu título e de seu poder, conquistados com tantos esforços.

“Ouvindo isto, o rei Herodes ficou perturbado e toda Jerusalém com ele”.

É de fácil compreensão esse temor, dada a irrefreável ambição, inveja e crueldade. Sua esposa e seus três filhos puderam experimentar a violência de seu péssimo e impetuoso temperamento, pois foram mortos por uma determinação tirânica sua, nascida do medo de que o destronassem.

Para um homem com essa moral desregrada e tão mau caráter, o anúncio do surgimento miraculoso de um novo rei só poderia causar perturbação … Herodes. maquina a morte do Messias com dolosa malícia; viu certamente o grande fervor dos Magos em relação a Cristo, e como não podia contar com a cumplicidade deles para matar o futuro rei, ocorreu-lhe enganá-los. Então, começou a tomas ares de devoção enquanto afiava a espada e pintava com cores de humildade a perversidade de seu coração. Assim procedem todos os perversos: quando querem causar ocultamente algum dano muito grave a alguém, mostram-se humildes e amigos em relação a ele.

‘E, enviando-os a Belém, disse: ‘Ide e informai-vos bem a respeito do Menino.Quando o tiverdes encontrado, comunicai-me, para que eu também vá adorá-lo”. Hipócrita, se faz de piedoso e suave para enganar a simplicidade, candura e inocência só Magos.

2 – Comovedora confiança dos Reis Magos …”Tendo eles ouvido as palavras do rei, partiram. E eis que a estrela, que tinham visto no Oriente, os foi precedendo até chegar sobre o lugar onde estava o Menino, e ali parou. A aparição daquela estrela os encheu de profunda alegria”.

Assim sempre procede Deus, recompensando aqueles que são fiéis à Sua graça. É comovedora a confiança penetrada de coragem desses Reis Magos, diante de um tirano de tão má fama. Não há dúvida de estarem sustentados por especial moção do Espírito Santo.

III – A Jesus por Maria.

LETRA.JPGEmociona esta descrição de Mateus; …

“Entrando na casa, acharam o Menino com Maria, sua mãe”.

. ..Palavras proféticas, inspiradas pelo Espírito Santo, para deixar constando pelos séculos afora que não se pode encontrar Jesus sem Maria, e menos ainda, Maria sem Jesus. A História comprova – e muito mais o fará – o quanto a devoção à Mãe conduz à adoração ao Filho, e vice-versa.

1 – Os Reis Magos voltaram por outro caminho.

“Avisados em sonho de não tornarem a Herodes, voltaram para sua terra por outro caminho”. (Mt 2, 12)

Deus jamais deixa de proteger aqueles que O servem com amor e fidelidade. Se os Magos tivessem retornado a Herodes, eles mesmos poderiam ter precedido os Inocentes na morte.

A todos nós, Deus nos faz retornar à Pátria “por outro caminho”, segundo nos ensina São Gregório Magno. Infelizmente, deixamos o Paraíso Terrestre pelo pecado de orgulho de nossos primeiros pais; mais ainda, dele nos afastamos pelo apego às coisas deste mundo e devido aos nossos próprios pecados. Deus, como bom Pai, nos oferece o Paraíso Eterno; mas, para nele entrar, o caminho é o oposto ao do orgulho e da sensualidade, ou seja, o do desprendimento, da obediência, da renúncia às nossas paixões. Ele nos oferece um caminho fácil e seguro:”Ad Jesum per Mariam!”.