Corpus Christi em Maputo, em Roma e no mundo

Deus é infinitamente poderoso, mas não nos pode dar mais;

é infinitamente sábio,mas não sabe nos dar mais;

é infinitamente rico, mas nada mais tem para nos dar, 

porque, na Sagrada Comunhão, Ele Se tem dado todo a nós.

(Santo Agostinho)

 

Maravilhoso pensamento de Santo Agostinho. Realmente, imaginemos alguém que tivesse convivido com o Divino Mestre, e O visse  ser elevado aos Céus, no dia da Ascensão… bem poderia suplicar-lhe instantemente que não abandonasse os homens.

De fato, ele não nos abandonou: permanece conosco na Sagrada Eucaristia.

O mundo católico celebrou há poucos dias a festa do Santíssimo Corpo de Cristo, a secular procissão de Corpus Christi, ainda conhecida mais popularmente como “festa do Corpo de Deus”. Em Maputo, Moçambique, os Arautos do Evangelho participaram ativamente da procissão arquidiocesana presidida por sua Excia. Revma. Dom Francisco Chimoio, OFM, Arcebispo de Maputo, tocando as músicas em louvor ao Jesus Sacramentado, às quais foram acompanhadas com muito entusiasmo pelo público, religiosos e clero local, etambém organizando o som para toda a longa e concorrida procissão.

Em Roma, como é feito há anos, os Arautos do Evangelho abriram a procissão de Corpus Christi realizada na Cidade Eterna. No fim desta o Papa Francisco esteve presente para a benção.

Não nos deteremos em relembrar aqui as razões históricas e o nascimento desta festa, que deve ser já conhecido por muitos, mas em analisarmos um ponto: em meio à confusão que domina este mundo, não é belo, até diríamos comovedor, saber e constatar que em todas as cidades do mundo, nos quatro continentes da terra, desde a África até a América, houve uma manifestação de fé e entusiasmo religioso como é uma procissão com o Santíssimo Sacramento?

Alguém sem fé tomaria por ridículo tanta pompa para o que ele pensa ser um pedaço de pão branco. Mas ele mesmo deveria inclinar-se e admitir que se, para milhões de pessoas, há tanto respeito, tanta adoração, que pode ser levada até o desejo do sacrifício e do holocausto por amor a isso que ele despreza, é porque essa religião é verdadeira, e a única solução para os males modernos.

Pensemos nisso; ajudará a fé de muitos que podem estar enfraquecidos na sua convicção acerca da santidade e incorruptibilidade da Igreja, e fortalecerá ainda mais os que não se deixam abalar pelas dúvidas.

Crescendo e se multiplicando…

Os leitores devem se recordar do Grupo de oração Santa Bakhita, que foi formado pelos Arautos em Moçambique no próprio bairro em que estão situados. Consta de várias famílias que se reúnem na casa de um de seus membros, rezam o terço diante do oratório do Imaculado Coração de Maria, e preparam sua alma para a missa dominical, lendo em conjunto a liturgia do domingo seguinte.

Em algumas ocasiões esse grupo vem à casa dos Arautos para aprofundar mais sua fé, receber cursos de formação, e quando é possível, assistir uma missa celebrada por um sacerdote dos Arautos, como vemos nas fotos. Tiveram mesmo a graça de estar com o Pe. Arão Mazive, recém ordenado, e de receber dele a primeira benção sacerdotal.

No início o grupo era pequeno, mas como tudo o que nasce da Igreja, foi e está crescendo. Lembremos que Nosso Senhor iniciou sua Igreja com doze, somente doze…

E para todos, Arautos e famílias, esse progresso é uma grande alegria, pois sabemos quanto esse continente necessita do auxílio espiritual e das bençãos da Igreja para florescer e fazer progredir tanto a nação moçambicana como as outras nações da África.

Esperamos que esse grupo seja o início de uma verdadeira avalanche de conversões e de apostolado, e com isso inúmeras almas possam ser atraídas para a Igreja Católica, beneficiadas por sua doutrina e seus sacramentos, e povoem o céu com novos santos africanos.

 

Ruandeses visitam os Arautos

 
Maputo, tal e qual as cidades capitais dos outros países, é uma cidade cosmopolita, ou seja, acolhe comunidades de outras nacionalidades, principalmente da África Austral.

Ocupando entre estas quase o primeiro lugar, estão  os Ruandeses que acabaram se instalando em Moçambique devido a  várias circunstâncias de seu país.

Sendo aquele de colonização francesa, portanto, com o idioma diferente ao de Moçambique, e o dialeto ainda mais diferente, leva-os a viver em círculos quase fechados.

Entretanto, a linguagem católica suplanta a social. Desse modo, foi realizada  pela comunidade Ruandesa uma visita à residência dos Arautos do Evangelho no Bairro Nkobe, na qual houve uma celebração Eucarística presidida pelo Pe. Arão EP, com o apoio de um tradutor na homilia. Essa Missa, cantada e participada de maneira a deixar notar a pluralidade de costumes na África Subsahariana, foi antecedida por uma apresentação do presépio e seguida de um momento de entretenimento no qual os gestos e a intuição falavam mais que as palavras.

 

Ordenado o primeiro sacerdote moçambicano dos Arautos do Evangelho

“As longas esperas prenunciam as grandes graças”, dizem os santos. Realmente, quanto mais tempo Deus demora em atender um pedido, mais será Ele generoso em no-lo conceder. De nossa parte, cabe desejar e rezar com mais fervor, sem desanimar.

Assim foi com o apostolado dos Arautos na África: há quantos anos foi plantada a semente, e quantas foram as orações para que seus frutos, que já não eram escassos, redundassem em um grande fruto, quase diríamos uma flor: um sacerdote arauto, filho de terras africanas.

E esse dia chegou, talvez como um presente de Natal antecipado para Moçambique e  para os Arautos do Evangelho. No último dia 12 de dezembro, solenidade de Nossa Senhora de Guadalupe, padroeira das Américas, foram ordenados 12 novos sacerdotes da Sociedade de Vida Apostólica Virgo Flos Carmeli, e dentre eles estava o Pe. Arão Otílio Gabriel Mazive, o mais antigo membro da comunidade na África.

A cerimônia teve lugar na Basílica Menor de Nossa Senhora do Rosário, situada no Seminário Maior dos Arautos do Evangelho em Caieiras, Brasil, e todos os presentes puderam presenciar o belíssimo rito, repleto de simbolos e significados, em que os Diáconos são configurados a Nosso Senhor Jesus Cristo, tornando-se capazes de operar “in persona Christi” os sacramentos.

O Bispo ordenante, Dom Benedito Beni dos Santos, Bispo emérito da diocese de Lorena, exortou diversas vezes aos neo-sacerdotes a que permanecessem fiéis ao ministério que receberiam, sublime dádiva que Deus lhes concedera para o bem da Igreja e dos fiéis católicos.

Peçamos nesse Natal ao Menino Jesus, a sua Santíssima Mãe e a São José por esse novo sacerdote, a fim de que seja suas mãos, agora ungidas com o santo óleo, possam atrair as benção do céu para nosso continente, celebrando missas, perdoando pecados, atendendo os enfermos, enfim, ateando o fogo do amor de Deus a todas as almas que lhe estão destinadas em sua missão.

 

 

 

Na África, o mais importante é pregar o amor de Deus

50 anos de missão na África: uma glória para um sacerdote. O O Padre Germán Arconada a atingiu, e conta um pouco de suas missões, suas alegrias e dificuldades. E conclui dizendo que neste continente, mais ainda do que construir ou doar, é importante “pregar o amor de Deus”

Madri – Espanha (Segunda-feira, 21-10-2013, Gaudium Press) O Padre Germán Arconada, originário de Carrion de los Condes, já pode ostentar uma grande ‘medalha’ para todos os que consideram a sua vida sacerdotal: 50 anos de missão na África. E como a grande maioria dos missionários nessas terras, teve sua vida em risco por mais de uma ocasião.

Ele era um jovem seminarista diocesano em Palência quando conheceu um missionário Africano, um Padre Branco. “Os Padres Brancos gostaram de mim porque eles estavam em comunidade, em grupos de dois ou três, e eu não queria ser padre sozinho. Além disso, a missão sempre me atraiu”, disse.

Aos 76 anos, ele já é capaz de fazer um balanço de sua vida, o que não significa que não continue em forte missão.

No continente negro muitas foram as obras promovidas pelo Padre Germain, escolas, pontes, poços, saneamento. Ele acrescentou que a África é “grata” para o missionário. “O Africano é feliz, as crianças são felizes”, afirmou.

Enquanto isso, aos seus 57 anos, foi até Jerusalém para fazer um retiro espiritual de acordo com o método de Santo Inácio, e ali percebeu que não era nada, que era vaidade. E, em uma confissão aceitou essa verdade “com lágrimas de alegria”.

“Fiquei impressionado com a paciência de Deus comigo, o quanto Ele me amou, me perdoou… então agora eu entendo que ainda preguemos o perdão, ninguém consegue realmente perdoar se não experimentou o perdão de Deus”.

Em outubro do mesmo ano retornou ao Burundi, quando eclodiu a guerra civil. O Padre Germán encontrava-se “em uma zona onde 700 tutsis foram massacrados. O rio trouxe corpos flutuando, decapitados, um após o outro. E eu pensei: que nós fizemos pontes, escolas, poços, mas não mudamos os corações através do amor de Deus. Continuou fazendo projetos, muitos, mas agora para mim o mais importante é a pregação do amor de Deus”.

Este último pensamento tem sido desde então diretriz em sua vida apostólica, e se reflete em sua pregação. No entanto, no meio da guerra foi comprometida a sua vida em várias ocasiões. Mas a Providência o tem preservado do martírio, para o benefício espiritual de muitos.

Ele é Padre ‘Branco’ (nome com o qual são conhecidos os Missionários da África fundados pelo Cardeal Lavigerie no século XIX ), mas com uma ironia inocente diz que os Padres Brancos estão se tornando “muito negros”: de seus 450 noviços, 95% são africanos. É a África “agradecida” que falava acima. Entretanto seu coração continua lembrando as vocações que se podem despertar no Ocidente, e a elas transmite um pensamento: “os africanos necessitam projetos de solidariedade, recursos, etc… mas o que necessitam realmente, o mais importante, é que eles preguem que Deus ama a todos nós”. (GPE/EPC)

Com informações da Religion en Libertad

Conteúdo publicado em gaudiumpress.org, no link http://www.gaudiumpress.org/content/52012#ixzz2iR9eyRvn

 

Evangelizando palmo a palmo as terras de Moçambique

A Igreja Católica tem uma força incrível, irresistível. Os maiores reinos e impérios que contra Ela se lançaram, os sábios mais instruídos que tentaram desmenti-La, as adversidades mais deslindáveis, as fúrias mais implacáveis, nada, absolutamente nada conseguiu vencê-la. Nenhum exército, nenhuma instituição, nenhum empreendimento humano resistiu ao passar dos séculos como a Igreja, pois  tem Ela sua segurança na promessa do próprio Deus: “As portas do inferno não irão derrotá-la” (Mt 16, 18)

Aesse respeito, ensina o Sumo Pontífice Leão XIII “a missão dos apóstolos não era de natureza que pudesse perecer com as pessoas dos apóstolos ou para desaparecer com o tempo, pois era uma missão pública e instituída para a salvacão do gênero humano. Jesus Cristo, com efeito, ordenou aos apóstolos que pregassem  ‘o Evangelho a todos os  povos’, ‘levassem seu nome diante dos povos e dos reis, e que o servissem de ‘testemunhas  até os confins da terra’”.[1]

E, recentemente, o Papa Francisco, no encerramento do 1º Congresso para a Nova Evangelização, organizado pela Arquidioecese de Manila, na Filipinas, exortava a que “jamais se cansem de levar a misericórdia do Pai aos pobres, aos doentes, aos abandonados, aos jovens e às famílias. Anunciem Jesus ao mundo da política, das empresas, da cultura, da ciência, da tecnologia e dos meios de comunicações sociais”.

Vemos assim como a Igreja, mesmo em meio a vicissitudes, tira de si mesmo um imenso dinamismo para levar o Evangelho a todas as partes

Prova disso é a evangelização levada pela Igreja a todos os povos e nações, sejam europeus, asiáticos, americanos, ou africanos. Em qual rincão do planeta o estandarte sacrossanto da Cruz não esteve fincado?

O amor ardente que tem a Igreja a leva a desejar evangelizar o globo terrestre, palmo a palmo, pois “o amor de Cristo a impele” (2 Cor 5, 14). Assim presenciamos na África, em Moçambique. Que nobre e generosa plêiade de missionários que renunciam a sua pátria natal, suas amizades e quantas outras coisas para vir semear a palavra de Deus nesta terra. A diário, vemos sacerdotes, religiosos e religiosas percorrendo a cidade, e pensamos: “eis aí um portador da luz de Cristo para os homens!”

Os Arautos do Evangelho procuram também fazer a sua parte, em tudo o que estiver a seu alcance. Mesmo no bairro em que residem. Formaram ali um Grupo de Oração, que podemos ver nas fotos, a quem deram o nome de Grupo de oração Santa Bakhita, grande santa sudanesa, exemplo para os povos africanos.

Esse grupo reúne-se semanalmente em uma das casas de seus membros, para rezar o terço e ler trechos da Sagrada Escritura, assim como de outras obras de piedade. Ali estão presentes também os irmãos Arautos, para acompanhar as famílias no encontro, e mensalmente elas recebem uma aula de formação ministrada por um dos arautos, na própria casa da Congregação.

Assim, pouco a pouco, mas com aquele ímpeto que conquistou o império romano, singrou mares e oceanos e fez estarrecer os grandes reis do Oriente, o “evangelho é anunciado” (Fl 1,18)

[1] Carta Encíclica Satis Cognitum, n. 15

O que pensam os Papas sobre a África? Pio XII

 “Esta é a vontade daquele que me enviou: que eu não perca nenhum daqueles que me deu,” (Jo 6,39), afirmou Nosso Senhor Jesus Cristo em sua  vida terrena.

Continuadores e Vigários do próprio Cristo, os Sumos pontífices ao longo de toda a história, em sua “solicitude por todas as igrejas” (2 Cor 11, 28) vigiaram, exortaram e mantiveram a fé nos lugares em que a semente do evangelho fora plantada.

E com não menos empenho, preocuparam pelos povos espalhados pela terra que precisavam ser beneficiados pela luz santíssima da Igreja Católica. Não é verdade que vemos São Pedro, o primeiro Papa, preocupar-se com o desenvolvimento da palavra de Deus nas primeiras comunidades cristãs? (Cfr. At 15, 7-28)

Com relação ao continente africano, muitos papas de nossos tempos e de tempos remotos preocuparam-se e ocuparam-se de diversas maneiras. Nosso blog sobre o trabalho dos Arautos em África apresentará, em alguns artigos, mostras dessa paternal solicitude. Hoje veremos a encíclica FIDEI DONUM, promulgada por Pio XII e destinada às missões na África, da qual retiraremos alguns importantes trechos que muito interessarão aos nossos leitores.

Diz ele que “têm os fiéis, na verdade, por que se gloriar e alegrar à vista dos salutares progressos feitos, nestes últimos decênios, pela Igreja na África. Apenas elevado à cátedra de Pedro, assegurávamos: ‘…não pouparemos esforço algum para que… a cruz, na qual está a salvação e a vida, lance sua sombra sobre as mais longínquas plagas do mundo’; por esse motivo, cuidamos com todas as forças em estender também a essa terra a causa do evangelho”. Quanta generosidade vemos nesse Sucessor de São Pedro, e nos enche a alma de alegria pelos belos efeitos produzidos na África pelos seus esforços.

Dá ele concretos exemplos desses efeitos:  “as circunscrições eclesiásticas ali estabelecidas em grande número; o notável aumento de católicos que, dia a dia, se manifesta; e especialmente a hierarquia eclesiástica por nós constituída, em não poucos lugares, e vários sacerdotes africanos já elevados à dignidade episcopal, conforme a ‘mais alta meta’ do trabalho missionário, que requer que ‘a Igreja nos outros povos seja estabelecida com firmeza, e lhes seja concedida sua hierarquia própria, escolhida dentre os indígenas’.

Louva ele os missionários, chamados por ele de “exército dos arautos do evangelho – sacerdotes, religiosos e religiosas, catequistas, auxiliares leigos”, que levando adiante sua meta de levar a esses povos o Sangue infinitamente precioso de Jesus Cristo “não sem infinitos trabalhos suportados e sofrimentos tolerados, cuja violência, desconhecida dos homens, é unicamente conhecida de Deus, conseguiu obter essa profusão de frutos salutares. A todos e a cada um felicitamos vivamente, e manifestamos aqui nossa gratidão, pois a Igreja tem, abundantemente, motivos de gloriar-se santamente de seus missionários que, na África ou noutros lugares, cumprem sua missão”.

Contudo, diz ele que isso não basta. O verdadeiro pastor que arde de zelo pelas almas sempre quer mais:

“Os magníficos resultados dos trabalhos missionários, por nós lembrados, não devem, entretanto, levar ninguém a esquecer-se de que ‘o que ainda resta a fazer nesse domínio pede enorme trabalho e inúmeros operários’. Pois, embora haja quem julgue, erradamente, que a ação missionária, uma vez bem constituída a hierarquia, possa logo ser considerada concluída e quase perfeita, no entanto, a ‘solicitude por todas as igrejas” daquele continente nos preocupa e angustia extremamente’.

Quais eram as preocupações desse venerável Pontífice? Veremos em um próximo artigo…

 

 

O desabrochar da Igreja Católica em Moçambique

       Tudo teve sua gênese de modo tão incipiente, qual um grão de mostarda! E ninguém, naqueles remotos tempos em que a primeira semente do Cristianismo fora lançada no solo moçambicano, poderia suspeitar o seu desenvolvimento e  a sua máxima expansão nos instantes atuais.

         Corria o ano da graça de 1498 em que os intrépidos portugueses: o navegador  Vasco da Gama, acompanhado por alguns frades e capelães, que seguiam nas naus singrando  os mares em busca das terras firmes da Índia, e entre as intempéries e as incertezas que, em diversas ocasiões foram  os seus companheiros, escrevia Deus sem sinuosidade o destino da Igreja de Moçambique nos seus primórdios, tendo como seu marco inaugural a celebração Eucarística, em Latim, no dia 11 de Março do ano acima referido, na Ilha de São Jorge, junto à Ilha de Moçambique. Não consta que a evangelização propriamente dita começasse imediatamente a seguir à celebração da primeira Missa, porém, estava lançada a primeira semente…

      Em Goa, o jesuíta Pe. Gonçalo da Silveira, depois de ouvir falar de contatos feitos com a corte do Monomotapa e com o rei de Tonga, em Inhambane, ofereceu-se para trabalhar em Moçambique. Aos dias 5 de Fevereiro de 1560, juntamente com os companheiros Pe. André Fernandes e Irmão André da Costa, chegaram a Moçambique. Aqui foram batizadas cerca de 300 pessoas.

       Em 1577 chegaram à Ilha de Moçambique, vindos de Goa, os Dominicanos. Construíram na Ilha um convento e, a partir daqui, alargaram a sua ação até Sofala, Sena e Tete. Os Dominicanos iam, também, rezar a Missa à Cabeceira, lugar de terra firme em frente da Ilha de Moçambique, onde ainda hoje se pode apreciar um templo em estilo indo-português. Por seu turno, em 1607, o Monomotapa Gasse Lucere – monarca de Moçambique na época – na sequência de um tratado de amizade, pedia missionários ao rei de Portugal para evangelizarem as suas terras. Desta feita registou-se um tal fluxo de graças que culminou nos dias actuais: com a Igreja alicerçada em todo Moçambique! Como corolário disso, pode-se dizer que, está instaurada a civilização, posto que a Igreja é a detentora do bem, do belo e da verdade, e onde Ela se faz presente, comunica o bom odor de Jesus Cristo que é o real sentido da vida. Como agradecer a Portugal pelo indescritível tesouro que nos deixaram: A Igreja!

 

 

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A Igreja é missionária – I

Sim caro leitor. Queremos mostrar a todos como a Igreja tem um caráter essencialmente missionário, que aliás tem sido muito frisado pelo nosso estimado Pontífice, O Papa Francisco. Vamos, então, em uma série de artigos do nosso blog dos Arautos na África, explicar porque se pode afirmar isso.

Caráter missionário da Igreja Católica


“A Igreja não tem outra razão de existir senão a de fazer partícipes a todos os homens da Redenção salvadora, por meio da dilatação por todo o mundo do Reino de Cristo. ”
[1]. Com estas palavras de Pio XI vemos o essencial caráter missionário da Igreja.

A Igreja é missionária por sua própria natureza, e a missão deflui de sua própria essência. Essa verdade fundamental pode-se encontrar em diversos documentos do Magistério, como na Constituição Dogmática Lumen Gentium, n. 17, ou na Constituição Dogmática Ad Gentes, sobre a ação missionária da Igreja, n. 6 e até mesmo no Código de Direito Canônico, cânon 781.

Tão séria é esta ação para a Igreja, que não podemos esquecer que essa preocupação missionária levou à criação de uma congregação romana para esses cuidados, a Congregação para a Evangelização dos povos, outrora denominada Propaganda Fide, criada com a Bula Inscrutabili Divinae, (22 de Junho 1622) emanada pelo Papa Gregório XV, “à qual está confiada a tarefa de fazer refulgir a verdade e a graça do Evangelho até aos extremos confins da terra”[2], nos dizeres de João XIII.

Não é pois, sem razão. que plêiades de homens e mulheres de todas as nações e idades, como o Bem aventurado José de Anchieta no Brasil, se lançaram nessa bela e aventureira tarefa de levar o evangelho aos povos que ainda não o conheciam.

Características da missão evangelizadora

“Evangelizar, para a Igreja, é levar a Boa Nova a todas as parcelas da humanidade, em qualquer meio e latitude, e pelo seu influxo transformá-las a partir de dentro e tornar nova a própria humanidade”[3]. O inesquecível Papa Paulo VI define as linhas da evangelização da Igreja: com grandes horizontes e uma renovação das almas pela influência da Igreja. Vejamos ainda mais alguns aspectos dela.

Primeiramente, o amor a Deus: assim ensina o Catecismo da Igreja Católica: “É do amor de Deus por todos os homens que a Igreja sempre tirou a obrigação e a força de sua legião missionária: ‘Pois o amor de Cristo nos impele’ (2 Cor5,14)” (CEC 851).

Deve ser universal, ou seja, abranger a todos os povos. Esse era o mandato de seu Fundador: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado” (Mc 16, 12). “Ide, pois, e ensinai a todas as nações”. (Mt 28, 16); “sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria e até os confins do mundo” (At 1, 8).

Essa difusão da fé pelos povos deveria se dar essencialmente pela pregação e pelos sacramentos, como fica claro por estas palavras do Divino Mestre.

A evangelização não poderia se dar sem o auxílio do Espírito Santo. É por isso que vemos um primeiro grande fervor missionário tão logo descrito nos Atos dos Apóstolos, que conta os primeiros fulgores da Santa Igreja após a descida do Espírito Santo:

Os apóstolos, ao serem tomados pelo Espírito Santo, saem do cenáculo e “começam a falar” (At 2, 4). São Pedro e os outros apóstolos pregam a pessoa de Nosso Senhor: “Que toda a casa de Israel saiba, portanto, com a maior certeza de que este Jesus, que vós crucificastes, Deus o constituiu Senhor e Cristo”. (At 2, 36) E em função de Cristo, convida os seus ouvintes à salvação: “Salvai-vos do meio dessa geração perversa!” (At 2, 40). E já naquele mesmo instante converteram-se três mil pessoas. 

Podemos analisar ainda mais uma vez o mandato missionário de Jesus Cristo aos apóstolos, para daí concluirmos outras características da missão. Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi” (Mt 28, 16).

Fica claro que, primeiramente, Nosso Senhor Jesus Cristo dá á sua Igreja o caráter missionário: Ide; Ela deverá expor a verdadeira doutrina: ensinai; E não termina aí. Ele vinculou a salvação à recepção dos sacramentos: batizai; e ainda propõe como necessária a mudança de costumes: observar.

(Continuaremos em próximo artigo…)

[3] “Cui peculiari modo munus demandatum est salutare Evangelii lumen et caelestia dona ad extremos usque proferre terminos terrae” JOÃO XIII. Encíclica Princeps pastorum, 28 nov. 1959 In: AAS 51 (1956) p. 834. (Tradução do autor).

Escravo dos africanos para sempre! – III

Concluimos hoje a descrição da vida de São Pedro Claver, santo dedicado ao apostolado com os africanos que aportavam nas américas.

Queira Deus que essas linhas possam ter inspirado muitos de nossos leitores a rezar por este povo, e mesmo os estimulado a auxiliá-lo materialmente ou, por que não? pessoalmente.

Reflexos de um imenso amor

Sua ardente e inextinguível sede de almas era apenas o transbordamento visível das labaredas interiores que consumiam a alma deste discípulo de Cristo. Significativos indícios levantam um tanto o véu que cobriu durante sua vida o altíssimo grau de união com Deus que ele havia atingido.

“Todo o tempo livre de confessar, catequizar e instruir os negros, dedicava- o à oração”, narra uma testemunha. Repousava diariamente apenas três horas, e passava o resto da noite de joelhos em sua cela ou diante do Santíssimo Sacramento, em profunda oração, muitas vezes acompanhada de místicos arroubos. Grande adorador de Jesus-Hóstia, preparava-se todos os dias durante uma hora antes de celebrar o Sacrifício do Altar, e permanecia em ação de graças meia hora após a Missa, não permitindo que ninguém o interrompesse nesses períodos.

Ilimitada também era sua devoção a Nossa Senhora. Rezava o Rosário completo todos os dias, ajoelhado ou andando pelas ruas da cidade, e não deixava passar nenhuma festa d’Ela sem organizar solenes celebrações, com música instrumental e coral.

Longo calvário

Aquele varão, que tinha passado a vida fazendo o bem, que tantas dores havia aliviado e tantas angústias consolado, teve de padecer, como seu Divino Modelo, indizíveis tormentos físicos e morais antes de ser acolhido na glória celeste.

Após 35 anos de intensíssimo labor apostólico e 70 de idade, caiu gravemente enfermo. Pouco a pouco foram-se paralisando as extremidades de seus membros, e um forte tremor agitava continuamente seu corpo extenuado. Tornou-se “uma espécie de estátua da penitência com as honras de pessoa”, relata uma testemunha.

Os últimos quatros anos de existência terrena, ele os passou imobilizado na enfermaria do convento. E, por incrível que pareça, este homem que havia sido a alma da cidade, o pai dos pobres e o consolador de todas as desventuras, foi completamente olvidado por todos e submergido no esquecimento e no abandono.

Passava os dias, os meses e os anos em silenciosa meditação, contemplando da janela da enfermaria a imensidade do mar e escutando a São Pedro Claver - Igreja de São Nicolau - Estrasburgo.jpgmelodia das ondas que se rompiam contra as muralhas da cidade. A sós com a dor e com Deus, aguardava o momento do supremo encontro.

Um jovem escravo fora designado pelo superior da casa para cuidar do doente. Entretanto, esse que deveria ser enfermeiro não passava de bruto algoz. Comia a melhor parte dos alimentos destinados ao paralítico e “um dia o deixava sem bebida, outro sem pão, muitos sem comida”, segundo conta uma testemunha da época. Também “o martirizava quando o vestia, governando-o com brutalidade, torcendo-lhe os braços, batendo nele e tratando-o com tanta crueldade como desprezo”. Porém, nunca seus lábios proferiram a menor queixa. “Mais merecem minhas culpas”, exclamava às vezes.

Glória já nesta terra: “Morreu o santo!”

Certo dia de agosto de 1654, disse Claver a um irmão de hábito: “Isto se acaba. Deverei morrer num dia dedicado à Virgem”. Na manhã de 6 de setembro, à custa de um imenso esforço, fez- se conduzir até a igreja do convento e quis comungar pela última vez. Quase se arrastando, aproximou-se da imagem de Nossa Senhora dos Milagres, diante da qual havia celebrado a sua primeira Missa. Ao passar pela sacristia, disse a um irmão: “Morro. Vou morrer. Posso fazer algo por vossa reverência na outra vida?” No dia seguinte, perdeu a fala e recebeu a Unção dos Enfermos.

Sucedeu, então, algo de extraordinário e sobrenatural. A cidade de Cartagena pareceu acordar de uma longa letargia e por todos os lados corria a voz: “Morreu o santo!” E uma multidão incontenível dirigiu-se para o colégio dos jesuítas, onde agonizava Pedro Claver. Todos queriam oscular suas mãos e seus pés, tocar nele rosários e medalhas. Distintas senhoras e pobres negras, nobres, capitães, meninos e escravos desfilaram nesse dia diante do santo, que jazia sem sentidos em seu leito de dor. Só às 9 horas da noite os padres conseguiram fechar as portas e assim conter aquela piedosa avalanche.

E assim, entre 1h e 2h da madrugada de 8 de setembro, festa da Natividade de Maria, com grande suavidade e paz, o escravo dos escravos adormeceu no Senhor. 

(Revista Arautos do Evangelho, Set/2005, n. 45, p. 20 à 23) Por Pe. Pedro Morazzani Arráiz, EP

Escravo dos africanos para sempre! – II

Damos sequência a impressionante vida de São Pedro Claver, missionário jesuíta que dedicou toda sua vida à evangelização dos negros africanos, trabalhando ardorosamente para retirá-los das trevas do paganismo e introduzir na alma deles a luz da Santa Igreja Católica, elevando-os pelos sacramentos à sublime e inigualável condição de filhos de Deus e templos da Santíssima Trindade.

Esperamos que nossos leitores apreciem esse belo exemplo, mas sobretudo auxiliem, com suas orações e seu apoio, às missões nas terras africanas.

O campo de batalha

A cidade de Cartagena constituía, nessa época, um dos pontos principais de comércio entre a Europa e o novo continente, e juntamente com Veracruz, no México, eram os dois únicos portos autorizados para a introdução de escravos africanos na América Espanhola. Calcula-se que cerca de dez mil escravos chegavam anualmente a esta cidade, trazidos por mercadores, geralmente portugueses e ingleses, que se dedicavam a este vil e cruel comércio.

Esses pobres seres, arrancados das costas da África, onde viviam no paganismo e na barbárie, eram trazidos no fundo dos porões dos navios para serem vendidos como simples objetos e finalmente destinados ao trabalho nas minas e nas fazendas onde, depois de haver vivido sem esperança, morriam miseravelmente sem o auxílio da religião.

Converter esses milhares de infelizes cativos e lhes abrir as portas do Céu, foi a missão à qual Pedro Claver consagrou toda a sua existência.

Assim, quando chegou o grandioso e esperado momento de emitir os votos solenes, pelos quais se comprometia a ser obediente, casto e pobre até a morte, assinou o documento com a fórmula que doravante seria a síntese de sua vida: Petrus Claver, æthiopum semper servus. – “Pedro Claver, escravo dos africanos para sempre”. Tinha 42 anos de idade.

O escravo dos escravos

Quando um navio carregado de escravos chegava ao porto, o Padre Claver acorria imediatamente numa pequena embarcação, levando consigo uma grande provisão de biscoitos, frutas, doces e aguardente.

Aqueles seres embrutecidos por uma vida selvagem e exaustos pela viagem realizada em condições desumanas, olhavam-no com temor e desconfiança. Mas ele os saudava com alegria e por meio de seus auxiliares e intérpretes negros – tinha mais de dez – dizia-lhes: “Não temais! Estou aqui para vos ajudar, para aliviar vossas dores e doenças.” E muitas outras frases consoladoras. Porém, mais que as palavras, falavam suas ações: antes de mais nada, batizava as crianças moribundas; depois recebia em seus braços os enfermos, distribuía a todos bebidas e alimentos e fazia- se servo daqueles desventurados.

Árdua catequese

Levando em sua mão direita um bastão encimado por uma cruz e um belo crucifixo de bronze pendurado no pescoço, saía Pedro Claver todos os dias para catequizar os escravos. Calores extenuantes, chuvas torrenciais, críticas e incompreensões até dos próprios irmãos de vocação, nada arrefecia sua caridade.

Com freqüência batia nos pórticos senhoriais da cidade pedindo doces, presentes, roupas, dinheiro e almas decididas que o auxiliassem em seu duro apostolado. E não poucas vezes nobres capitães, cavaleiros e senhoras ricas e piedosas o seguiam até as míseras moradias dos escravos.

Entrando nesses lugares, seu primeiro cuidado dirigia-se sempre aos doentes. Lavava-lhes o rosto, curava suas feridas e chagas e repartia comida aos mais necessitados. Apaziguadas as penalidades do corpo, reunia então a todos em torno de um improvisado altar, os homens de um lado e as mulheres de outro, e iniciava a catequese que ele sabia colocar maravilhosamente ao alcance da curta inteligência dos escravos. Pendurava à vista de todos uma tela pintada com a figura de Nosso Senhor crucificado, com uma grande fonte de sangue correndo de seu lado ferido; aos pés da Cruz, um sacerdote batizava com o Sangue Divino vários negros, os quais apareciam belos e brilhantes; mais abaixo, um demônio tentava devorar alguns negros que ainda não haviam sido batizados.

Dizia-lhes, então, que deveriam esquecer todas as superstições e ritos que praticavam nas tribos e lugares de origem, e lhes repetia isso muitas vezes.

Depois lhes ensinava a fazer o sinal -da- cruz e lhes explicava paulatinamente os principais mistérios da nossa Fé: Unidade e Trindade de Deus, Encarnação do Verbo, Paixão de Jesus, mediação de Maria, Céu e inferno.

Pedro Claver compreendia bem que aquelas mentalidades rudes não podiam assimilar idéias abstratas sem a ajuda de muitas imagens e figuras. Por isso lhes mostrava estampas nas quais estavam pintadas cenas da vida de Nosso Senhor e de Nossa Senhora, representações do Paraíso e do inferno.

Batizou mais de 300 mil escravos

Após inúmeras jornadas de árdua evangelização, batizava-os finalmente. Para celebrar este Sacramento utilizava uma jarra e uma bacia de fina porcelana chinesa, e queria que os escravos estivessem limpos. Introduzia seu crucifixo de bronze na água, abençoava-a e dizia que agora aquele líquido era santo, e que após serem lavadas nessa água suas almas se tornariam mais refulgentes que o sol. Calcula-se que ao longo de sua vida São Pedro Claver batizou mais de 300 mil escravos. Aos domingos, percorria ruas e estradas da região chamando-os à santa Missa e ao sacramento da Penitência. Dias havia que passava a noite inteira confessando os pobres escravos. (Continua em próximo artigo…)

Por Pe. Pedro Morazzani Arráiz, EP (Revista Arautos do Evangelho, Set/2005, n. 45, p. 20 à 23). 

Escravo dos africanos para sempre!

“Escravo dos africanos para sempre”, foi o programa de vida desse jovem missionário jesuíta que batizou mais de 300 mil negros escravos ao longo de 35 anos de labor apostólico: São Pedro Claver.

Daremos início a uma série de artigos sobre a admirável vida de um homem de Deus que decidiu fazer-se missionário especialmente para levar até Deus a raça africana, o jesuíta São Pedro Claver. Vemo-lo sempre representado em suas imagens com um jovem negro junto a si, mostrando-lhe um crucifixo para ser osculado, como símbolo de seu trabalho apostólico: levar os negros a abraçar a cruz de Cristo, e através Dele, receber todos os benefícios da fé católica, os melhores que possam existir.

Certo dia da segunda metade do ano do Senhor de 1610, as grandes e amareladas velas do galeão “São Pedro” eram recolhidas e suas âncoras tocavam o fundo de uma bela baía. A tripulação inteira abeirava-se do parapeito e contemplava com curiosidade e admiração acidade de Cartagena, na província da Nova Granada (atual Colômbia), que se apresentava deslumbrante diante dos seus olhos, com suas enormes muralhas de pedra branca brilhando sob o causticante sol tropical. O azul profundo do céu refletiase nas águas mansas e cálidas do porto, onde se balançava graciosamente um sem-número de embarcações de todo tipo e tamanho.

Dentre a pitoresca multidão de marinheiros e passageiros que se apressavam em desembarcar do galeão recém-chegado, destacavam- se singularmente as negras batinas de quatro religiosos: três sacerdotes e um noviço da ordem fundada, não havia muito tempo, por Inácio de Loyola: a Companhia de Jesus. Dos três presbíteros, a História não perpetuou os nomes. Religiosos desconhecidos, como centenas de milhares que imolaram suas vidas seguindo os passos do Mestre Divino, anônimos para os homens e filhos prediletos de Deus. O noviço, porém, de fisionomia austera, silencioso, um tanto retraído e quase passando despercebido, marcou com sua vida a história da América do Sul e brilhará para sempre no firmamento da Igreja: São Pedro Claver.

A aurora de uma vocação

Nascido em Verdú, pequena cidade espanhola da Catalunha, em 1580, Pedro Claver sentiu- se chamado para a vida religiosa desde tenra infância. Aos 22 anos de idade, bateu às portas do noviciado da Companhia de Jesus.

Dois anos mais tarde, a fim de completar os estudos de Filosofia, foi enviado por seus superiores ao Colégio de Montesion, na ilha de Maiorca. Deuse, então, um providencial encontro que marcaria de modo indelével a vida de Pedro e firmaria definitivamente sua vocação.

Nesse colégio habitava um venerável ancião, simples irmão coadjutor e porteiro da casa, que séculos depois seria canonizado e viria a ser uma das glórias da Ordem: Santo Alonso Rodríguez.

Desde o primeiro instante em que os límpidos olhos do santo porteiro penetraram o coração do noviço, discerniu o ancião a vocação do jovem e um profundo e sobrenatural relacionamento uniu então aquelas duas almas.

“O que devo fazer para amar verdadeiramente a Nosso Senhor Jesus Cristo?” – perguntava o estudante. E Santo Alonso não se contentava em dar um simples conselho, mas descortinava os ilimitados horizontes da generosidade e do holocausto: “Quantos que vivem ociosos na Europa, poderiam ser apóstolos na América! Não poderá o amor de Deus sulcar esses mares que a cobiça humana soube cruzar? Não valem também aquelas almas a vida de um Deus? Por que tu não recolhes o Sangue de Jesus Cristo?” As ardentes palavras do velho porteiro acenderam labaredas de zelo que acabariam por consumir o coração de Pedro Claver.

Nessa época, o irmão Alonso foi favorecido por Deus com uma mística visão: sentiu-se arrebatado até o Céu onde contemplou incontáveis tronos ocupados pelos bem-aventurados e, no meio deles, um trono vazio. Escutou uma voz que lhe dizia: “É este o lugar preparado para teu discípulo Pedro, como prêmio de suas muitas virtudes e pelas inúmeras almas que converterá nas Índias, com seus trabalhos e sofrimentos”. 

Missionário e sacerdote

No dia 23 de janeiro de 1610, o superior provincial, atendendo a seus pedidos, enviou-o como missionário à tão anelada América do Sul. E no final desse mesmo ano, após longa travessia, aportou na cidade de Cartagena, uma das mais importantes do Império Espanhol do além-mar.

Terminada sua formação teológica na casa de formação dos jesuítas na província da Nova Granada, recebeu finalmente o Sacramento da Ordem no dia 19 de março de 1616 e celebrou sua primeira Missa diante da imagem da Virgem dos Milagres a quem professaria sempre uma ardorosa e filial devoção. (Continua em próximo artigo…)

 (Revista Arautos do Evangelho, Set/2005, n. 45, p. 20 à 23)

 

A formação de um arauto em Moçambique

“Vinde após mim. Farei de vós pescadores de homens” (Mc 1, 17), disse Nosso Senhor Jesus Cristo a alguns pescadores à margem do mar da Galiléia. Tal foi a força dessas palavras que esses homens, na plenitude de sua idade e com suas carreiras profissionais bem estabelecidas, não duvidaram um segundo sequer: “no mesmo instante, deixaram as redes e seguiram-no”. (Mc 1, 18)

Assim se põe Nosso Senhor Jesus Cristo diante de cada religioso ou religiosa no momento de chamá-los a abandonar tudo “por amor do Reino dos céus” (Mt 19, 12).

Porém, não basta o chamado, e nem mesmo caminhar junto com Jesus Cristo; dos apóstolos, Ele quis mais: “Ele ensinava aos seus discípulos” (Mc 9, 31); “estes são os Doze que Jesus enviou em missão, após lhes ter dado instruções (Mt 10,3). Ou seja, a par da dedicação que ele pediu dos apóstolos, o Divino Mestre quis doutriná-los, transmitir-lhes a sua doutrina nova dotada de potência e autoridade, que maravilhava a todos que o escutavam (Cfr. Lc 4, 32).

Dessa forma Ele, Divino Fundador da Igreja, edificava no convívio e na formação dos apóstolos, essa instituição que atravessaria os séculos e milênios, até o fim do mundo.

Vemos então que para todo aquele que se entrega à vida religiosa, não será suficiente trabalhar muito, desdobrar-se em serviço ao próximo, mas o consagrado a Deus tem a obrigação de esmerar-se no estudo da doutrina Católica, pois como diz São Tomás de Aquino, o estudo é próprio ao estado religioso por três razões: a primeira delas, por favorecer, diretamente à contemplação, iluminando o entendimento. A segunda, porque aparta os obstáculos à contemplação, ou seja, os erros que são frequentes por parte daqueles que desconhecem as Escrituras. Em terceiro lugar, porque o estudo nos afasta da concupiscência da carne, e além do mais, é útil para adquirir a virtude da obediência (Suma Teológica, II-II, q. 188, a.5). Além do mais, afirma o Doutor Angélico que o estudo deve servir como via de santificação, nunca para adquirir a ciência com intuito de gloriar-se junto ao próximo, conforme suas palavras: “quando se almeja a ciência sem a caridade, esta incha e produz dissensões” (Suma Teológica, II-II, q. 188, a.5, ad. 2).

Esse é o método aplicado pelos Arautos do Evangelho em sua formação: dedicação, oração, serviço, mas muito estudo. Mesmo nas terras de missão. Em Moçambique, todos os Arautos, aspirantes ou consagrados, recebem diariamente intensos ensinamentos da doutrina da Igreja, bem como aulas de Filosofia, Teologia, Sagradas Escrituras entre outras matérias, para prepararem-se com perfeição ao serviço de Deus.

Nas fotos podemos presenciar uma dessas aulas. Um dos missionários vindo do Brasil após concluir seus estudos de Filosofia e Teologia, ministra aos membros da Congregação em Maputo uma aula sobre a Teologia da graça.

 

 

Apelo às missões!

Hoje escrevemos aos estimados visitantes de nosso blog para chamar-lhes a atenção acerca de algo muito importante: quantas vezes o senhor, a senhora ou você, jovem ou moça que lêem estes artigos, preocuparam-se pelas missões na África? Já rezaram ao menos uma Ave-Maria por aqueles homens e mulheres, sacerdotes, religiosos e religiosas que abandonaram sua pátria e sua famílias para levar os benefícios da Santa Igreja Católica, Apostólica e Romana a esses povos que ainda iniciam seu caminho rumo à conversão e à edificação de uma civilização Católica?

Bem, se já rezaram, agradecemos-lhe de coração e damos os nossos parabéns; se ainda não pensaram, ou não rezaram, terão hoje uma bela oportunidade, lendo o que se segue:

Um dos missionários dos Arautos do evangelho em Moçambique, proveniente do Brasil sempre teve muito apreço a um ensinamento teológico que afirma que Nosso Senhor Jesus Cristo teria padecido tudo quanto padeceu na Paixaõ para salvar uma alma somente, que necessitasse desse resgate. Por outro lado, Mons. João S. Clá Dias,EP, seu Fundador, na formação de seus filhos espirituais, em suas homilias e conversas, constantemente inculca a compenetração de como devem ter o máximo empenho pela salvação das almas, como vemos nesses seus comentários à parábola do bom pastor:

“É um aspecto fundamental a ser tratado na liturgia de hoje: as noventa e nove que perseveram; as nove que restaram. E isto para nós é fundamental uma vez que nossa vocação é de salvar tudo e o todo, tudo e todos. E, portanto, noventa e nove mais um. Nós queremos cem. Nove mais uma. Queremos dez. Queremos tudo! Nada de deixando as noventa e nove e as nove por si; quando nós voltamos tem sete, ou tem setenta. Não, nós queremos a que saiu, e mais todas que ficaram”.[1]

Talvez esse jovem arauto nunca tivesse compreendido bem esta oração, nem estas palavras de seu fundador, se não tivesse acontecido com ele o que aconteceu: após um longo período de auxílio pastoral em diversos lugares do Brasil, foi chamado pela voz da obediência a ir evangelizar, desta vez mais longe:na África!

Portanto, esse artigo tem como escopo levar àqueles que o lerem a voltarem seus olhos para esse continente para o qual Deus reserva um desígnio, promete um futuro promissor, cheio de bençãos, se almas houverem que rezem por ele, preocupem-se com ele, e por que não? Se lançem na gloriosa tarefa de evangelizá-lo. Assim como desejava São Francisco Xavier, conforme escrevia a seu pai espiritual, Santo Inácio, estando a evangelizar na Índia:

“Veio-me muitas vezes ao pensamento ir pela academias da Europa, paricularmente a de Paris, e por toda parte gritar como louco e sacudir aqueles que têm mais ciência do que caridade, clamando: ‘oh! Como é enorme o número dos que, excluídos do céu, por vossa culpa se precipitan nos infernos!’Quem dera que se dedicassem a essa obra com o mesmo interesse com que se dedicam às letras”[2].

Tão ardoroso foi o desejo do santo, tão convincente essa verdade por ele proclamada, que de fato, sua missiva chegou a ser reproduzida em diversas universidades da Europa, e com isso floresceram inúmeros evangelizadores para o auxílio do padroeiro das missões[3].

Se Nosso Senhor disse que “haverá maior júbilo no céu por um só pecador que se converte do que por noventa e nove justos que perseveram” (Lc 15, 7), qual não deve ser o empenho de todos os católicos em converter esses milhares de belas almas africanas, que esperam e anseiam a que venham pastores e mestres que as auxiliem e instruam?

As respostas para todas essas perguntas, deixaremos para o coração de cada leitor, que se julgar oportuno, poderá nos fazer partícipes delas…


 

[1]CLÁ DIAS, João Scognamiglio. Deus como que se inebria em salvar-nos. Não lhe ponhamos obstáculos. Homilia 5 Nov. 2009 (Arquivo ITTA-IFAT).

[2] XAVIER, Francisco. Carta a Santo Inácio de Loyola .In: Liturgia da Horas. São Paulo: Vozes, 1999. Vol. I, p. 1028.

[3] Cfr. DUFOUR, Xavier Léon. San Francisco Xavier- Itinerário místico del apóstol. Burgos: Mensajero, 1998. p. 44-45.

 

A música: instrumento de evangelização na África

A música conhecida basicamente como sendo a expressão de sentimentos através de sons, é das artes mais praticadas em todo o orbe.

Seu início se perde na antiguidade mas actualmente alcançou tal importância no quotidiano humano que bem pode se afirmar ser a vida do homen ritimada por ela. Adaptada a cada campo em que é aplicada dá o devido esplendor a todo tipo de evento.

A santa Igreja valeu-se também da música nas suas liturgias e cerimónias. De grande utilidade tem ela também sido para os Arautos do Evangelho, em África, nas suas atividades apostólicas.

 Atualmente com um contigente de vinte menbros, a Sede dos Arautos do Evangelho – no bairro Nkobe, Matola – tem acolhido vários jovens e adolescentes aspirantes para os quais não falta o ensino da música. Até mesmo seus familiares têm de lá se aproximado para participar duma Missa animada pelo grupo coral da mesma instituição.

Ora, o apostolado dos Arautos do Evangelho através da música não se circunscreve apenas em seus muros, mas tem atendido a várias solicitações pastorais como procissões, celebrações Eucarísticas, em eventos socias e até em colégios com o projeto Futuro e Vida.

O apreço pela música sacra para os Arautos do Evangelho não brota apenas do desejo de se habilitar numa arte de renome internacional, mas para atender o que o Salmista diz: “ louvai o Senhor com a cítara, na harpa de dez cordas salmodiai! Cantai-lhe um cântico novo!”(sl 32, 2.3).  Embora seja a música um dos veículos para o Apostolado dos Arautos, seu fim é algo que transcede a pura harmonia de sons. Tanto a banda quanto o coral visam levar a mensagem do Evangelho, o modo de viver segundo Nosso Senhor Jesus Cristo. Aliás, o grande Santo Agostinho comentando o trecho do salmo acima mencionado dizia: Cante o cântico novo não a língua mas a vida”.

 

Por Tiago Machaieie

Um vicentino na casa dos Arautos

Espalhados pelo mundo inteiro desde o século XVI, em que foram fundados, os filhos de São Vicente de Paulo têm como carisma atender aos mais necessitados da sociedade, levando-lhes ao mesmo tempo o conforto material e espiritual, aliviando assim os sofrimentos dos irmãos que sofrem, e dispondo suas almas para que bem atravessem as dificuldades, através dos sacramentos e da pregação.

Em Moçambique, possuem diversas comunidades localizadas em variadas províncias, nas quais fazem visitas semanais a hospitais e a presídios. Em Maputo, têm duas casas de formação em que os futuros vicentinos estudam filosofia e teologia, preparando-se dessa forma para o sacerdócio.

Porém não deixam de atender também aos seus amigos, visitando-os para levar a palavra de Deus. No Domingo dia 08 de setembro, o Revmo. Pe. Amine visitou a casa dos Arautos do Evangelho em Maputo, e ao celebrar a Eucaristia, fez um agradável e atraente sermão, no qual, com termos acessíveis aos jovens aspirantes dos Arautos, mostrava a enorme diferença que existe entre a sabedoria humana, que fia-se nos prazeres, na riqueza e na volúpia, e a sabedoria divina, que põe toda a sua segurança em Deus e na cruz de Cristo.

Originário da Eritréia, país vizinho da misteriosa e legendária Etiópia, que nos evoca a Rainha de Sabá, a qual empreendeu longa e penosa viagem para conhecer e admirar a sabedoria do Rei Salomão, o Revmo. Pe. Amine demonstrou que,  a par de um grande zelo pelas almas, sabe adaptar-se aos ouvintes que deve beneficiar, contentando-os e plantando em seus corações a semente do Evangelho.

Em Moçambique, levando o evangelho através da rádio

Um verdadeiro católico não pode poupar meios e ocasiões para levar a mensagem de Nosso Senhor à humanidade; para isso deve utilizar inclusive dos meios de comunicação, transmitindo, de forma criativa e substanciosa, os ensinamentos da fé aos que os queiram receber.

Insere-se nesse contexto, o apostolado através da rádio, instrumento de notícas espalhado por todo o mundo e inclusive nas regiões mais afastadas e pobres. Tal é a sua importância que o grande Pontífice e Beato João Paulo II louvava, em sua homilia pelo cinquentenário da Rádio Vaticano, chamada “a Rádio do Papa”, os benefícios de uma rádio católica, dizendo-lhes:“vós bem sabeis que as ondas portadoras das vossas mensagens superam distâncias geográficas e fronteiras de toda a natureza, mas estais também conscientes que, além da mesma informação tão preciosa para aqueles que não tem outras fontes, e juntamente com a catequese, indispensável para tantos que não possuem outros recursos, existe a comunhão eclesial, à qual prestais serviço levando algo que não é vosso mas que vos é continuamente dado”. (Homilia na Capela Sistina, 12 de fevereiro de 1981)

Os Arautos do Evangelho, espalhados em todo o mundo, compreendem o valor dessas ondas evangelizadoras, e procuram transmiti-las. Em Moçambique, diariamente os missionários desta congregação proporcionam ao público de todo o país, pela mundialmente conhecida Rádio Maria um programa sobre Nossa Senhora, onde contam fatos da intercessão da Mãe de Deus aos homens, tratam sobre a doutrina e os dogmas referentes a Ela, e propagam, dessa forma, a devoção a Maria, tão querida do povo moçambicano.

Santa Bakhita, o anjo africano (Parte II)

A seguir, continuaremos com a narração da sacrificada e admirável vida de Santa Josefina Bakhita:

No ano de 1882, o general turco vendeu Bakhita ao agente consular Calisto Legnani que seria, para ela, seu anjo bom. Na casa do cônsul, Bakhita conheceu a serenidade, o afeto e os momentos de alegria, lembranças dos momentos felizes na casa dos pais. Em 1885 o sr. Calisto é obrigado a retornar à Itália; Bakhita pede para acompanhá-lo e obtêm consentimento. E assim partiram em companhia de um amigo, o sr. Augusto Michieli, a quem o cônsul presentearia em Gênova com a jovem africana.

Chegando na Itália com seu 7º “patrão”, o rico comerciante Michieli, foi para vila Zianino de Mirano Veneto onde Bakhita se tornou babá de Mimina, a filhinha do casal. Apesar de serem pessoas boas e honestas, não eram praticantes de religião. Como sempre, Deus tem seus caminhos e acabou colocando no caminho de Bakhita, o administrador dos Michieli, Iluminato Chechini. Iluminato era um homem muito religioso e logo se preocupou com a formação religiosa de Bakhita; e ao dar um crucifixo a ela, disse em seu coração: “Jesus, eu a confio a Ti”. Quando os Michieli tiveram de voltar para Suakin, na África, por motivos de negócios, Bakhita e a pequena Mimina ficaram aos cuidados das Irmãs Canossianas, em Veneza, e isto graças ao sr. Iluminato.

        Bakhita iniciou o catecumenato (catequese para receber os sacramentos iniciais), no Instituto das Irmãs. Ao final de nove meses, a sra. Maria Turina voltou à Itália para buscar sua filhinha Mimina e aquela que considerava sua escrava, pois retornariam à África. Naquele instante, Bakhita já toda apaixonada por Jesus, prestes a receber os sacramentos, recusa-se a voltar para a África, apesar do afeto que nutria pela família Michieli e principalmente pela pequena. Sentia em seu coração um desejo inexplicável de abraçar a fé e vivê-la para sempre. Apesar dos apelos e até ameaças da sra. Michieli, nossa jovem africana não cedeu em sua resolução. Bakhita estava livre, na Itália não havia escravidão. Sua patroa retornou à África com sua filha e Bakhita prosseguiu com sua catequese, feliz mesmo sabendo que seria a última chance de rever seus familiares na África. 

 No dia 09 de janeiro de 1890, Bakhita é batizada, crismada e recebe a Primeira Comunhão das mãos do Patriarca de Veneza. No batismo recebe o nome de Josefina Margarida Bakhita. Ela descreverá este dia como mais feliz de sua vida: sentir-se filha de Deus era-lhe uma emoção inigualável, assim como receber Jesus na Eucaristia. Bakhita nutria em seu coração o sublime desejo de se tornar religiosa: “uma Irmã Canossiana”. (continua no próximo artigo…)

 

Santa Bakhita, o anjo africano (parte I)

Continente querido e abençoado por Deus, a África tem em si maravilhas e riquezas de toda ordem, tanto materiais -admiremos suas encantadoras e misteriosas paisagens, suas magníficas águas, as pedras preciosas e não preciosas, que aqui abundam, enfim, quantas coisas- quanto espirituais:  alma admirativa, respeitosa, doce e afável, aguerrida e impetuosa, senso religioso inigualável, e poderíamos ainda acrescentar longos e variados elogios a esse esperançoso continente. 

Como um raríssimo e magnífico brilhante, reluz nesse povo uma mulher que levou ao zênite todos esses predicados morais, a quem poderíamos, sem exageros, conceder o epíteto de “anjo africano”: Santa Josefina Bakhita. Tão linda é a narração de sua vida, que decidimos publicar em nosso blog alguns artigos que a transcrevam. Esse será o primeiro, em que acompanharemos seu nascimento, sua infância e os cruéis padecimentos pelos quais teve que passar antes de encontrar a luz de sua vida: a Igreja Católica.

Nela podemos encontrar uma verdadeira estrela que despontou, resplandecendo no meio das trevas do paganismo e da escravidão!   Bakhita nasceu no Sudão, região de Darfur na África, no ano de 1869 e através de suas poucas informações sabemos que sua aldeia natal é Olgossa, cuja pronúncia é “algoz”, que em árabe significa “Dunas de Areia”. De família abastada, seu pai possuía terras, plantações e gado; ele era irmão do chefe da aldeia. Sua família era composta pelos pais e sete filhos, sendo muito unidos e afeiçoados. Muito embora a descrição dessa aurora de Bakhita deixa entrever um céu límpido, não tardará em ser coberto por nuvens de tribulações, como veremos adiante.

Embora a família da Bakhita tivesse uma conduta moralmente irrepreensível, de acordo com a lei natural, infelizmente os seus contemporâneos ainda não tinham sido beneficiados pelas benção da Igreja e da fé.

Vejamos o contexto histórico da época: em 1821 Mohamed Ali envia dois exércitos para conquistarem o Sudão. O objetivo político era de instaurar uma dinastia própria na região, e os obectivos práticos eram de saquear riquezas e capturar escravos a serem vendidos no mercado.

No ano de 1874, a irmã mais velha de Bakhita foi raptada. A dor dilacerou o coração daquela família tão unida e feliz. Não seria porém a última punhalada no coração de seus pais. “Bakhita,” (não foi o nome que recebera dos pais quando nasceu, no ano de 1876),aos 7 anos de idade, foi raptada e arrancada do seio de sua família. A pequena menina tomada de pavor, foi levada brutalmente por dois árabes e foram eles que impuseram o nome de “Bakhita”, que significa: “afortunada”.

A pequena escrava, depois de um mês de prisão, foi vendida a um mercador de escravos. Na ânsia de voltar para casa, Bakhita se arma de coragem e tenta fugir. Porém, foi capturada por um pastor e revendida a outro árabe, homem feroz e cruel, que, por sua vez, revendeu-a a outro mercador de escravos. Novamente ela é vendida a um general turco, cuja esposa era uma mulher terrivelmente má. Desejou marcar suas escravas e Bakhita estava entre elas. Chamou então um tatuador que, com uma navalha, ia marcando os corpos das meninas que se contorciam de dores. Bakhita recebeu no peito, no ventre e nos braços 114 cortes de navalha que eram esfregados com sal para que as marcas ficassem bem abertas. As jovens escravas foram jogadas sem tratamento e nenhum cuidado, durante um mês.  (Continua no próximo artigo…)

Um africano que quis ser santo: Pierre Toussaint

As recordações  de pessoas preeminentes  são múltiplas a nossa volta: os relatos de um herói que lutou e obteve a vitória em prol da sua pátria;  um intelectual que devota sua vida para instruir os seus contemporâneos, um poeta, ou um  historiógrafo que, gradualmente, edificam  seus próprios monumentos. Entretanto, há pessoas que, na suave e silenciosa acumulação de bons e grandiosos feitos, não calculados aos olhos dos homens, mas aos de Deus, a cada dia, somam de forma crescente as verdadeiras alegrias e  a  influência de tais homens é como um rio de águas cristalinas, que serpenteia  pelas bordas dos prados e campinas, fertilizando-os e assim, proporcionando-lhes  flores e mais flores! Desses  ocultos benfeitores, falaremos brevemente de um: Pierre Tousssaint.

Pierre Toussaint nasceu em 1766 em São Marcos na Ilha de São Domingos, ou Haiti.

Entre os prósperos nobres da Ilha de São Domingos, figurava Jean Bérard du Pithon. Pierre Toussaint – um negro – era um dos escravos dessa família. Toussaint contava 21 anos de idade, quando os distúrbios da Revolução Francesa conduziram a família Bérard, na companhia de  Toussaint, a refugiar-se em Nova York (Estados Unidos).     A família Bérad conseguiu, primeiramente, viver dentro da sua dignidade, ou seja, no regime nobiliárquico, com a economia que trouxera consigo. Porém, no decorrer do tempo faltou-lhe o recurso de fonte rendária e caiu numa considerável perda de fortuna. Com isso, a família ficou reduzida a uma condição social muito abaixo da sua nobreza, e na ameaça de recorrer a serviços incompatíveis com sua nobre categoria para garantir a sua sobrevivência!

Foi nesse triste transe em que  Monsieur Bérard veio a falecer  – em 1791 – deixando a aristocrática Marie Elisabeth Roudanes, sua esposa, na viuvez. Ela teve que enfrentar, então, a penosa situação, ademais, em estado precário de sua saúde. Mas a providência divina a olhava misericordiosamente e estendeu-lhe a sua “Mão auxiliadora” – sensivelmente visível – na pessoa de seu querido e fiel escravo, o futuro Bem-aventurado Pierre Toussaint.

Toussaint tornou-se um cabeleireiro de renome, entre as senhoras da alta sociedade novayorquina, e com essa profissão, arrecadava significante fundo monetário, com o qual, poderia viver emancipado. Porém, quis continuar escravo e proteger a sua senhora. Muitas vezes Pierre retornava da sua actividade laboral e fazia os trabalhos inerentes a condição dum escravo. Patrocinava, ele mesmo, as despesas necessárias para uma boa festa de aniversário de sua senhora e punha-se a servir, de modo que, os presentes o reputavam como escravo, e imaginavam que dona Marie continuava nas boas condições econômicas de outrora!

Temos aqui um singular exemplo de alegria em servir aos que são superiores, como ensinou-nos Nosso Senhor Jesus Cristo no Evangelho: “Se alguém quer ser o primeiro, seja o último de todos e o servo de todos” (Mc 9,35). Contudo, nada disso seria possível se essa alma pequena mas tão grande não tivesse uma ardorosa vida de piedade, grande espírito sobrenatural e assiduidade à mesa da comunhão Eucarística -ele começava todos os seus dias com a a participação na Santa Missa-, características que podem notar-se em suas fotos, apesar de antigas e sem os atuais recursos fotográficos. Na primeira, o vemos já em sua ancianidade, após essas lutas descritas mas pronto a enfrentar as que ainda pudessem apresentar-se-lhe, sobretudo para alcançar a perfeição e a santidade; na segunda, ainda jovem, muito preservado do mal e brilhando de pureza e inocência, preparando-se para as batalhas que viriam. Assim, Pierre Toussaint, o africano que se fez santo, nas agruras da escravidão, auferiu as delícias da bem-aventurança!

Pierre Toussaint foi declarado Venerável pelo Sumo Pontífice João Paulo II no ano de 1996, e seu  processo de beatificação já está em andamento.

Extraído do livro Memoir of pierre Toussaint, escrito por Hannah Sawyer Lee

 

A imagem peregrina na África do Sul

Nossa senhora, em seu inspirado cântico do Magnificat (Lc  1, 46) predisse que todas as geraçãos a proclamariam Bem Aventurada, tantas foram as maravilhas realizadas por Deus em sua pessoa.

Para aqueles que são chamados a servir a Igreja nas missões, é verdadeiramente tocante presenciar o cumprimento dessas palavras da Santíssima Virgem. Não há país, rincão, cidade, casa, poderíamos até mesmo dizer pessoa em que a Virgem Maria passe e não deixe seu suave perfume de bondade e paz. Isso presenciam os Arautos diariamente.

Uma das formas através das quais os Arautos do Evangelho promovem a evangelização tão insistentemente pedida pelos Papas para o mundo de hoje, é a propagação da devoção a Maria. E seus resultados sempre são excelentes, pois certo é que dito trabalho muito  agrada a Deus, que quis fazer-Se filho Dela.

No domingo 25 de agosto, estiveram os missionários na paróquia São Hulberto, em Alexandria, bairro de Johannesburg, na África do Sul. A pedido do pároco, o Revmo. Pe. Ronald Cairns, O.M.I., levaram eles a imagem peregrina do Imaculado Coração de Maria, a fim de ali realizarem a cerimônia de coroação de Nossa Senhora em duas missas dominicais, das 8:00 hs e das 10:30 hs.

Assim foi feito, com toda a pompa: orquestra, incenso,inúmeros coroinhas que circundavam o altar, e a assistência do Revdo. Diác. Arão Mazive, EP, à missa. Não deixou de impressionar aos missionários que viajaram 8 hs de Moçambique a Johannesburg a devoção e a piedade dos fiéis em ambas as missas, igualmente repletas de tal forma que muitas pessoas estavam fora da Igreja.

O padre celebrante consagrou toda a sua paróquia, jovens, famílias e atividades, ao Sapiencial e Imaculado Coração de Maria, e no sermão exortou a seus fiéis que buscassem crescer na devoção à Mãe de Deus, e pela intercessão Dela, procurassem, conforme as palavras do evangelho do dia, a “entrar pela porta estreita dos sofrimentos, do cumprimento à Lei de Deus e dos deveres, que nos leva ao céu”, e a“fugir da porta larga que nos conduz ao inferno: os prazeres ilícitos, a imoralidade, o esquecimento e relaxamento na prática da religião e dos mandamentos”.

Após a Santa Missa, todos os fiéis aproximaram-se da imagem para venerá-la e fazer seus pedidos Àquela que é a Medianeira Universal de todas as graças. Têm eles a certeza de que, se Deus quis servir-se de Maria para a Encarnação de seu Filho, e, por conseguinte, para a salvação do mundo pela sua Paixão, é também através Dela que impetrarão dos céus aquilo de que precisam para a salvação de suas almas.

Afinal, “quem honra a Mãe, honra o Filho”, diz o ditado. E se alguém tiver dúvida disso, abra o evangelho e ali encontrará a resposta para suas interrogações: “Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo… encontraste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-se-á Filho do Altíssimo,” (Lc 1, 28) Ou ainda: “Isabel ficou cheia do Espírito Santo e exclamou em alta voz: Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor?”(Lc 1, 41)

Sejamos devotos de Maria, e não estaremos nos afastando de Jesus, mas muito pelo contrário, unindo-nos mais a Ele e honrando-O com mais perfeição.