Alegria da virtude, na juventude!

Esta foto com a qual deparam-se os leitores impressiona já à primeira vista: encanta-nos a alegria e a louçania destes jovens, muitos deles revestidos de um belo hábito religioso. Mais ainda ao sabermos que são jovens da longínqua e misteriosa África, e que se preparam para ingressar na vida religiosa, nos Arautos do Evangelho, e estão passando as férias na sede desta Congregação, durante às quais dedicam-se à oração e ao estudo.

Mas também contrasta com uma idéia muito difundida, porém bastante equivocada a respeito da prática da virtude: diz-se que é uma coisa mais própria aos velhos… que o jovem precisa pensar em coisas mais engraçadas, divertir-se, aproveitar a vida. E que fazer o bem, a gente pensa quando estiver mais perto da morte e do encontro com Deus.

Será isso verdade? A Escritura nos ensina algo bem diferente:

Em certas passagens, nos exorta a procurar a Deus na juventude: “lembra-te de teu Criador nos dias de tua juventude, antes que venham os maus dias” (Ecl 12, 1); em outras, o justo se regozija por ter, desde jovem, posto sua esperança em Deus:“vós sois, ó meu Deus, minha esperança. Senhor, desde a juventude vós sois minha confiança” (Sl 70, 5);“Vós me tendes instruído, ó Deus, desde minha juventude, e até hoje canto as vossas maravilhas” (Sl 70, 17).

Fazer o bem não é um fardo; servir a Deus não é um peso, pois estar na sua amizade é ter a consciência limpa e tranquila, e isso é, como diz o adágio “o melhor travesseiro para dormir à noite”.

Não diz Jesus a nós: “Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei. Tomai meu jugo sobre vós e achareis o repouso para as vossas almas. Porque meu jugo é suave e meu peso é leve” (Mt 11, 28-30).

 Se assim é, por que não aceitarmos o leve peso do cumprimento dos mandamentos já na mais tenra idade? Quantas vidas não teriam sido diferentes se tivessem seguido este conselho?

 Loucos são o que pensam o contrário: “Vinde, portanto! Aproveitemo-nos das boas coisas que existem! Vivamente gozemos das criaturas durante nossa juventude!” (Sb 2, 6)

Assim os condena a Escritura: “Eis o o que pensam, mas enganam-se, sua malícia os cega: eles desconhecem os segredos de Deus, ( Sb 2,21)

 Incentivemos a juventude, onde seja e na idade que seja, à pureza de costumes, à oração, ao serviço de Deus, estaremos assim fazendo um enorme bem. Pois “Como achará alguém na velhice aquilo que não tiver acumulado na juventude? (Eclo 25, 4)

 

O rei da selva!

 Não há ninguém que nunca tenha ouvido dizer que o leão é o “rei dos animais”, ou o “rei da selva”. Entretanto, muitos não sabem explicar bem o porque.

Dentre todos os animais criados por Deus, há um que representa a força majestosa, a agilidade no ataque, a ferocidade em defender seus filhos e seu território, aquele que tem um porte imponente e altivo, ao lado de um grande carinho por sua família. Parece com um rei.

O leão é encontrado em três continentes: África, Europa e Ásia. Porém, a grande concentração atual de leão ocorre nas savanas africanas. Carnívoro e caçador, um leão de grande porte pode comer até 35 quilos de carne em apenas um dia. As fêmeas são responsáveis pela caça e cuidado dos filhotes, enquanto os machos são encarregados de proteger o grupo dos animais maiores.

Existem várias espécies de leões, porém as mais conhecidas são: leão-sul- africano, leão-do-atlas, leão-asiático, leão-do-cabo e leão-senegalês.  Podem atingir até 55 km/h, porém conseguem percorrer pequenas distâncias.

Como vimos, o leão está muto ligado a África, continente cheio de encantos e mistérios, e vivendo nestas terras, torna-se um objeto da constante atenção de viajantes do mundo inteiro, que querem observar – não sem extremo cuidado e precaução – como é este “rei da selva africana”. Por isso quisemos colocar algumas fotos inéditas em nosso blog para saciar a curiosidade daqueles que ainda não se aventuraram a vir na África a fim de vê-lo pessoalmente.

Não podemos, contudo, terminar esse artigo sem apresentar uma lição aos nossos leitores: Nosso Senhor Jesus Cristo é muitas vezes comparado com o Cordeiro, é chamado “o Cordeiro de Deus, que tira os pecados do mundo”. Isso é lindíssimo, porém não podemos esquecer que ele também é comparado com o leão, é chamado “o Leão de Judá”. Isso para mostrar o quanto n’Ele concentram-se e harmonizam-se perfeitamente as virtudes mais opostas.

Esse é o estado de espírito que deve animar todo católico, filho De Nosso Senhor: uma bondade e cordura incomensuráveis para com todos, mas a firmeza e a coragem do leão para trabalhar pela Santa Igreja Católica e defendê-la.

A juventude africana foi feita para a santidade!

A juventude não foi feita para o prazer mas sim para o heroísmo!”, afirmou certa feita o escritor francês Paul Claudel.

Frase tão bela e acertada, contudo tão frequentemente olvidada nos nossos dias. Quantos são os jovens que abraçam um ideal de valor? Diríamos melhor, O ideal, único verdadeiro que existe, a Santa Igreja Católica, Apostólica e Romana. 

Porque bem poderíamos adaptar esta frase e dizer que se a juventude não foi feita para o prazer, foi feita para a santidade. Exemplos disso não faltam: São Luis Gonzaga, Santa Teresinha do Menino Jesus, São Domingos Sávio, Santa Maria Goretti… poderíamos trasncrever uma enorme lista de jovens que quiseram abraçar a santidade, e por isso tornaram-se modelos para a juventude.

Bem dizia o grande santo formador da juventude, São João Bosco, acerca do grande amor de Deus para com os jovens:

“É verdade que Ele  (Deus) ama a todos os homens, por serem obras de Suas mãos; sem embargo, professa um afeto especial à juventude, encontrando nela suas delícias. Deus vos ama porque espera de vós muitas boas obras; vos ama porque é própria de vossa idade a simplicidade, humildade e inocência; e em geral porque não haveis chegado ainda a ser presa infeliz do inimigo infernal”.

Se Deus assim estima os jovens, tendo mesmo afirmado que o bem ou mal feito  a um pequenino ses faz a Ele mesmo (Mt 25,40), e lançando severas admoestações contra aqueles que os escandalizam (Lc 17,2), qual não deve ser nosso amor e desvelo para com eles?

Por outro lado, os jovens estão ávidos de receberem o puro alimento da doutrina Católica, de aprenderem o caminho do bem, de abraçar as vias da santidade! Vemo-lo aqui em Moçambique, que número de jovens entusiasmados nas Igrejas, nos coros, nas catequeses, e até mesmo em retiros.

Sim, jovens em retiros. Para quantos pode soar estranho isso, mas aconteceu na semana passada em Moçambique: jovens acólitos de cinco paróquias da Arquidiocese de Maputo se reuniram na Igreja da Sagrada Família da Machava.

E não pensemos que foi para um dia de diversão. Ali se tratou de assuntos sérios, de sua vida espiritual: o céu, o inferno, as boas e más amizades, qual o caminho que deve ser seguido por um jovem que almeja a santidade, e que exemplos de santos jovens a Igreja colocou diante deles.

Tiveram também uma palestra sobre a Santa Missa, e para encerrar o dia, uma Celebração Eucarística. Os Arautos do Evangelho foram convidados pelo Pe. Arcélio Matola para encarregarem-se deste programa, e o fizeram com muita alegria, pois uma de suas principais atividades consiste em formar a juventude católica. Rezemos para que esses jovens possam correponder ao chamado que Deus lhes faz e, onde quer que estejam, levem a luz do evangelho e construam uma sociedade verdadeiramente cristã.

 

A espiritualidade de Santa Bakhita

 Foi com sumo agrado que relatamos em diversos artigos a biografia da Irmã Bakhita, e por ser um verdadeiro caleidoscópio, em que a cada movimento vemos figuras mais belas e diferentes das outras, não foi possível deixar desconhecido do nosso caro leitor a integridade da sua vida, dividindo-a por fases, sendo esta uma parte da espiritualidade da Irmã Bakhita.

      Os primeiros albores espirituais da irmã Bakhita, se manifestaram no encontro dela com Checchini – organizador de associações católicas – que a ofereceu um singelo Crucifixo. Eis como Santa Josefina nos descreve o episódio tão recamado de unção: “ao me dar o Crucifixo, ele o beijou com muita devoção, e em seguida me explicou que Jesus Cristo, o filho de Deus, tinha morrido por nós. Eu não sabia isso significava, mas levada por uma força misteriosa, escondi o Crucifixo, com medo de que a minha patroa o tirasse de mim. Lembro-me de que O olhava escondido e sentia dentro de mim uma coisa que não sabia explicar”.

      A referência a Cristo Crucificado é uma constante no pensamento de Madalena de Canossa – a Fundadora das Irmãs de Caridade, canossianas: a Congregação na qual Bakhita ingressou – que faz do “não buscar senão a Deus só e Cristo Crucificado” o centro em redor do qual faz volver a regra. E é justamente no grande Crucifixo existente no parlatório do Instituto dos Catecúmenos que Bakhita encontra a força para insubordinar-se contra Maria Turina, que, de volta à Itália depois de quase um ano de ausência, quer que a criada (Bakhita) – abandone o curso de catequese de preparação para o Batismo para ir fixar-se definitivamente na África com ela. A ação de insubordinar-se não era por espírito de revolta, mas tornara-se imperioso para dar continuidade a adesão a Cristo crucificado e tomar o rumo que conduz à eternidade feliz!

      Embora Josefina tivesse galgado grandes passos na sua vida espiritual, só a consolidou no ato batismal como ela mesma relata: “depois que entrei no Catecumenato, passado o tempo da preparação, recebi o santo batismo, com uma alegria que só os Anjos poderiam descrever.

      Deram-me os nomes de Josefina, Margarida e Fortunata, que em árabe se diz Bakhita. No mesmo dia recebi a Crisma e a primeira Comunhão. Ah que data inesquecível!”.

      Estimado leitor, como pode vislumbrar, a história da espiritualidade da Santa Josefina Bakhita fundamenta-se no que foi acima referido. Esperamos, com a intercessão dela, darmos continuidade a narração das maravilhas que encerram a sua vida que, por conseguinte, nutre a nossa alma! A ideia de luta estará sempre vincada na vida espiritual dela, com na de todos os santos, e isso é de suma importância para cada um de nós nesta terra de exílio, na qual  peregrinamos rumo à eternidade. 

Crianças carentes… de fé!

Fala-se muito de crianças carentes, pobres, sem condições. Realmente, quantas existem, e quantos beneméritos esforços se fazem para ampará-las materialmente.

Contudo, pouco ou nada comenta-se sobre as crianças carentes de fé. Quão numerosas são essas! E quantas vezes, são ao mesmo tempo carentes de uma e outra coisa. 

Que devemos nós fazer? Dar a fé e esquecer da matéria? Seríamos taxados de espiritualistas, não solidários, pois o homem não se alimenta de algo espiritual.  E se atendessemos às necessidades corporais, negligenciando o espírito? Seríamos recriminados pelo próprio Deus Nosso Senhor, que diz: “não temais os que matam o corpo e nada podem fazer contra a alma. Temei sim aquele que pode mandar a alma para o inferno” (Lc 12, 4);. E ainda: “De que serve ao homem ganhar o mundo inteiro se ele vier a perder a sua alma?” (Mt 16, 26)  (a fome ou a pobreza podem matar o corpo, mas não mandar ninguém para o inferno).  Excluir uma assistência e dar a outra é uma loucura, o que é necessário é atender ambas as coisas, pois o homem é feito de corpo e alma.

Os Arautos do Evangelho partilham desta idéia, e na África, continente tão necessitado, procuram fazer isso. Por exemplo,o dia 12 último, foi marcado para os Arautos do Evangelho de Moçambique, por uma atividade voltada às crianças carentes de sua circunvizinhança.

Já a campainha da portaria era acionada pelos pequenos, para um programa que teria início as 15:00, quando ainda os ponteiros do relógios indicavam o meio-dia…

Embora o convite tenha sido feito na véspera, por três duplas de Arautos que passavam de casa em casa imformando aos pais do mencionado programa, foi atendido com uma pontualidade pouco frequente em Moçambique, e até algumas das mães das crianças quiseram também participar.

A música foi a pioneira nestas atividades. Depois de ouvir com agrado e atenção algumas melodias de países do além mar, os infantes sentiram-se tomados de entusiasmo ao ouvirem a banda interpretando algumas canções infantis locais, que foram acompanhados com calorosos aplausos.

A oração precedida pela solene entrada da Imagem de Nossa Senhora Auxiliadora e por uma catequese do Pe. Arão Mazive, EP, ocuparam o segundo lugar nas atividades. Fazendo eco às palavras do Divino Mestre “Deixai vir a mim as criancinhas…”  o recém ordenado sacerdote exortava as crianças a sempre em seu dia a dia recorrer a Jesus pela intercessão de Maria, e para a alegria de todos,  deixou um presente muito especial: uma medalha milagrosa para cada um.

Após esse piedoso momento, foi servido um saboroso lanche e por fim, uma generosa distribuição de material escolar: cadernos, canetas, lápis, borrachas, entre outros, para o ano letivo que está prestes a começar…

Quem visse as fisionomias sorridentes das crianças retirando-se da casa dos Arautos nesse dia, e as cumprimentasse nos dias subsequentes, perceberia como é melhor fazer o bem não somente ao corpo, mas também a alma das crianças. Poderão ver ao menos pelas fotos.

 

Ordenado o primeiro sacerdote moçambicano dos Arautos do Evangelho

“As longas esperas prenunciam as grandes graças”, dizem os santos. Realmente, quanto mais tempo Deus demora em atender um pedido, mais será Ele generoso em no-lo conceder. De nossa parte, cabe desejar e rezar com mais fervor, sem desanimar.

Assim foi com o apostolado dos Arautos na África: há quantos anos foi plantada a semente, e quantas foram as orações para que seus frutos, que já não eram escassos, redundassem em um grande fruto, quase diríamos uma flor: um sacerdote arauto, filho de terras africanas.

E esse dia chegou, talvez como um presente de Natal antecipado para Moçambique e  para os Arautos do Evangelho. No último dia 12 de dezembro, solenidade de Nossa Senhora de Guadalupe, padroeira das Américas, foram ordenados 12 novos sacerdotes da Sociedade de Vida Apostólica Virgo Flos Carmeli, e dentre eles estava o Pe. Arão Otílio Gabriel Mazive, o mais antigo membro da comunidade na África.

A cerimônia teve lugar na Basílica Menor de Nossa Senhora do Rosário, situada no Seminário Maior dos Arautos do Evangelho em Caieiras, Brasil, e todos os presentes puderam presenciar o belíssimo rito, repleto de simbolos e significados, em que os Diáconos são configurados a Nosso Senhor Jesus Cristo, tornando-se capazes de operar “in persona Christi” os sacramentos.

O Bispo ordenante, Dom Benedito Beni dos Santos, Bispo emérito da diocese de Lorena, exortou diversas vezes aos neo-sacerdotes a que permanecessem fiéis ao ministério que receberiam, sublime dádiva que Deus lhes concedera para o bem da Igreja e dos fiéis católicos.

Peçamos nesse Natal ao Menino Jesus, a sua Santíssima Mãe e a São José por esse novo sacerdote, a fim de que seja suas mãos, agora ungidas com o santo óleo, possam atrair as benção do céu para nosso continente, celebrando missas, perdoando pecados, atendendo os enfermos, enfim, ateando o fogo do amor de Deus a todas as almas que lhe estão destinadas em sua missão.

 

 

 

A África, o mar e Deus

Aspecto tranquilo, suave, sereno, até mesmo tranquilizador; movimentos alegres e descontraídos, que atraem nossa atenção e distendem das preocupações; vagalhões intensos, ondas impetuosas, que se lançam sobre rochedos inamovíveis com uma violência tal que pensamos os desfarão.

Tudo isso vemos no mar, em qualquer parte em que estejamos. E contemplando-o, podemos sem dificuldade fazer analogias com os temperamentos de alguns conhecidos, os diversos estados de espírito da alma humana ou as várias situações da nossa vida. Mais ainda, nos elevamos a um patamar superior: admirar as qualidades eternas e infinitas de nosso Criador, refletidas nas águas, serenas ou violentas, do mar.

Há, contudo, peculiaridades do mar em cada região no qual este se apresenta. Vemos que o mar da África possui belezas próprias, por vezes difíceis de serem expressas; fáceis, porém, de serem admiradas: há nele um mistério no qual mescla-se a grandeza de um continente com um promissor futuro e os encantos da atraente e radiante África.

Quando pudermos, detenhamo-nos um pouco diante da baía de Maputo, ou da praia de Bilene, esqueçamos de nossos problemas diários e do corre-corre no qual vivemos, e contemplemos esse belo mar que Deus nos outorgou para admirarmos. Poderemos tirar daí numerosas lições, que encherão nossa alma de paz e de elevação.

Que alegria proclamar a nossa fé!

 

Um dom mais precioso que o ouro ou qualquer riqueza: a fé. Para aqueles que a possuem, e reconhecem seu inestimável valor, sentem em si a alegria e a serenidade de que, pussuindo-a, nada lhes poderá fazer mal, pois esse é “seu repouso, sua rocha, seu refúgio, sua proteção e segurança”,como cantam tão belamente as Escrituras Sagradas.

Por ela,  milhares de pessoas chegaram ao absurdo –para os olhos humanos- de entregar a própria vida, para não perdê-la. E por ela, o que ainda existe de verdadeira alegria em nosso mundo, no qual grassam tantos males, ainda vive.

É por isso que ao vermos nas ruas uma procissão que passa, ou quando participamos de uma, nosso coração enche-se de contentamento. Estamos proclamando o maior tesouro que Deus nos deu, com o nosso batismo.

Vimos aqui em Moçambique, no dia 27 de outubro, uma dessas manifestações de fé e alegria: centenas de pessoas encheram as ruas da cidade de Maputo para comemorar o encerramento do ano da fé.Sua Excia. Revma. Dom João Carlos Hatoa Nunes, presidiu a procissão e a Missa. Muitas paróquias estiveram reunidas: Sagrada Família da Machava, Nossa Senhora do Livramento de T3, Nossa Senhora da Assunção da Liberdade, Santa Teresinha de Liqueleva, entre outras. E os Arautos do Evangelho, que animaram com sua banda a solenidade, puderam também participar desse júbilo.

Eles querem. Basta ajudá-los…

“Meu filho é desobediente”; “minha filha não gosta de estudar e vive fora de casa!”;”meus filhos nunca gostam de ir à Igreja nem ao catecismo…”; “como é difícil cuidar de criança…”; “meu filho, padre? minha filha, freira? Nunca vou ter essa alegria na família…”.

Essas são algumas das reclamações  que inúmeras vezes escutamos aqui, lá e acolá a respeito das crianças. 

Entretanto, precisaríamos nos fazer uma pergunta, franca e objetiva: o que fazemos para ajudá-las? Queremos obrigá-las a frequentar a Igreja, ou nos esforçamos para atrai-las e incutir nelas o gosto pela religião? “Uma gota de mel atrai mais abelhas que um barril de fel”, dizia São Francisco de Sales. As crianças são especiais, tem uma candura e um desinteresse que as tornam dignas de um trato diferente e mais cuidadoso que os pobres homens grandes, que muitas vezes mais pensam na terra que nas estrelas, mais no dinheiro que no céu…

Relatamos aqui uma feliz experiência que tiveram os Arautos em Moçambique: a pedido das Irmãs da Apresentação de Maria, expuseram a vida dos padroeiros das missões e da Infância Missionária, São Francisco Xavier e Santa Teresinha do Menino Jesus, para as crianças da Comunidade do Espírito Santo e de outras comunidades vizinhas, da Paróquia Nossa Senhora de Fátima do Laulane. 

Poderiam pensar, pelos preconceitos que já vimos acima, que seria difícil, mais ainda por ser uma terra em que a Igreja Católica não possui raízes tão profundas; que elas não prestariam atenção, fugiriam, dormiriam… mas foi bem o contrário. Uma outra qualidade das crianças é de possuirem  muito senso religioso e muita admiração pelo que lhes é superior. Antes mesmo de iniciar a exposição, o arauto foi instado fortemente por elas a explicar ponto por ponto, até os pormenores do seu hábito e de sua Congregação, até então desconhecidas por elas.

Ao discorrer sobre a vida do santo missionário jesuíta, foram projetadas diversas fotos, e os pequenos olhos brilhavam ao ouvir as façanhas do “gigante do oriente”: batismos incontáveis, viagens perigosas, povos e mais povos convertidos por ele, a generosidade de abandonar um lindo castelo e uma luxuosa vida para seguir a Jesus… 

Ao chegarmos na tocante e admirável vida da santa carmelita de Lisieux, que marcou o mundo com a sua santidade, tão marcadamente acentuada pelos grandes desejos e pela caridade, o entusiasmo não foi menor. Viram passar diante de si, em um audiovisual preparado pelos Arautos, a casa da santa, seus pais, a réplica em pedra e a narração do marcante encontro dela com Leão XIII, para rogar ao Papa permissão de entrar no Carmelo aos quinze anos, sua exemplar vida religiosa, sua bela morte. Foi-lhes inesquecível.

Prova disso é o testemunho dado por uma menina de doze anos que, ao ser chamada pelo expositor para dizer a todos qual fora a parte do audiovisual que mais gostara,  sem titubear, disse: “o dia em que ela afinal conseguiu entrar no convento”. Quem sabe se não foi o chamado pela vida religiosa despontando na jovem alma dela, ao ver o exemplo da santa?

Após encerrar esse programa, a avidez foi ainda maior pelas lembranças distribuídas pelos Arautos: um grande e bonito calendário de Nossa Senhora de Fátima.

Os arautos saíram de lá com uma lição aprendida: as crianças –mesmo as africanas, e elas até mais do que outros povos-, querem a santidade, querem a Deus, querem a Igreja. Basta ajudá-las…

 

 

Na África, o mais importante é pregar o amor de Deus

50 anos de missão na África: uma glória para um sacerdote. O O Padre Germán Arconada a atingiu, e conta um pouco de suas missões, suas alegrias e dificuldades. E conclui dizendo que neste continente, mais ainda do que construir ou doar, é importante “pregar o amor de Deus”

Madri – Espanha (Segunda-feira, 21-10-2013, Gaudium Press) O Padre Germán Arconada, originário de Carrion de los Condes, já pode ostentar uma grande ‘medalha’ para todos os que consideram a sua vida sacerdotal: 50 anos de missão na África. E como a grande maioria dos missionários nessas terras, teve sua vida em risco por mais de uma ocasião.

Ele era um jovem seminarista diocesano em Palência quando conheceu um missionário Africano, um Padre Branco. “Os Padres Brancos gostaram de mim porque eles estavam em comunidade, em grupos de dois ou três, e eu não queria ser padre sozinho. Além disso, a missão sempre me atraiu”, disse.

Aos 76 anos, ele já é capaz de fazer um balanço de sua vida, o que não significa que não continue em forte missão.

No continente negro muitas foram as obras promovidas pelo Padre Germain, escolas, pontes, poços, saneamento. Ele acrescentou que a África é “grata” para o missionário. “O Africano é feliz, as crianças são felizes”, afirmou.

Enquanto isso, aos seus 57 anos, foi até Jerusalém para fazer um retiro espiritual de acordo com o método de Santo Inácio, e ali percebeu que não era nada, que era vaidade. E, em uma confissão aceitou essa verdade “com lágrimas de alegria”.

“Fiquei impressionado com a paciência de Deus comigo, o quanto Ele me amou, me perdoou… então agora eu entendo que ainda preguemos o perdão, ninguém consegue realmente perdoar se não experimentou o perdão de Deus”.

Em outubro do mesmo ano retornou ao Burundi, quando eclodiu a guerra civil. O Padre Germán encontrava-se “em uma zona onde 700 tutsis foram massacrados. O rio trouxe corpos flutuando, decapitados, um após o outro. E eu pensei: que nós fizemos pontes, escolas, poços, mas não mudamos os corações através do amor de Deus. Continuou fazendo projetos, muitos, mas agora para mim o mais importante é a pregação do amor de Deus”.

Este último pensamento tem sido desde então diretriz em sua vida apostólica, e se reflete em sua pregação. No entanto, no meio da guerra foi comprometida a sua vida em várias ocasiões. Mas a Providência o tem preservado do martírio, para o benefício espiritual de muitos.

Ele é Padre ‘Branco’ (nome com o qual são conhecidos os Missionários da África fundados pelo Cardeal Lavigerie no século XIX ), mas com uma ironia inocente diz que os Padres Brancos estão se tornando “muito negros”: de seus 450 noviços, 95% são africanos. É a África “agradecida” que falava acima. Entretanto seu coração continua lembrando as vocações que se podem despertar no Ocidente, e a elas transmite um pensamento: “os africanos necessitam projetos de solidariedade, recursos, etc… mas o que necessitam realmente, o mais importante, é que eles preguem que Deus ama a todos nós”. (GPE/EPC)

Com informações da Religion en Libertad

Conteúdo publicado em gaudiumpress.org, no link http://www.gaudiumpress.org/content/52012#ixzz2iR9eyRvn

 

Um vicentino na casa dos Arautos

Espalhados pelo mundo inteiro desde o século XVI, em que foram fundados, os filhos de São Vicente de Paulo têm como carisma atender aos mais necessitados da sociedade, levando-lhes ao mesmo tempo o conforto material e espiritual, aliviando assim os sofrimentos dos irmãos que sofrem, e dispondo suas almas para que bem atravessem as dificuldades, através dos sacramentos e da pregação.

Em Moçambique, possuem diversas comunidades localizadas em variadas províncias, nas quais fazem visitas semanais a hospitais e a presídios. Em Maputo, têm duas casas de formação em que os futuros vicentinos estudam filosofia e teologia, preparando-se dessa forma para o sacerdócio.

Porém não deixam de atender também aos seus amigos, visitando-os para levar a palavra de Deus. No Domingo dia 08 de setembro, o Revmo. Pe. Amine visitou a casa dos Arautos do Evangelho em Maputo, e ao celebrar a Eucaristia, fez um agradável e atraente sermão, no qual, com termos acessíveis aos jovens aspirantes dos Arautos, mostrava a enorme diferença que existe entre a sabedoria humana, que fia-se nos prazeres, na riqueza e na volúpia, e a sabedoria divina, que põe toda a sua segurança em Deus e na cruz de Cristo.

Originário da Eritréia, país vizinho da misteriosa e legendária Etiópia, que nos evoca a Rainha de Sabá, a qual empreendeu longa e penosa viagem para conhecer e admirar a sabedoria do Rei Salomão, o Revmo. Pe. Amine demonstrou que,  a par de um grande zelo pelas almas, sabe adaptar-se aos ouvintes que deve beneficiar, contentando-os e plantando em seus corações a semente do Evangelho.

Santa Bakhita, o anjo africano (Fim)

Então convertida ao Catolicismo, e desejosa de abraçar o estado religioso, Bakhita foi então aceita na congregação das Filhas da Caridade Canossianas, servas dos pobres e, depois de três anos de noviciado, no dia 08 de dezembro de 1896 pronunciou os votos de castidade pobreza e obediência. Depois da profissão religiosa, nossa Irmã Bakhita foi transferida para a cidade de Schio, em outra obra da Congregação, e lá permaneceu por 45 anos, onde passou a ser conhecida como a “Madre Morena”. Irmã Bakhita era atenciosa com todos, sem distinção, desde as crianças do colégio, seus pais, sacerdotes, com suas irmãs religiosas, etc., sempre levando a todos palavras de conforto, consolo e amor incondicional a Deus Pai. Em todas as funções que exerceu, sempre colocou seu coração doce e sincero: na Igreja, na Sacristia, na portaria ou na cozinha, era tudo para todos, com seu sorriso de anjo.

        Irmã Bakhita, em sua infância na África, mesmo sem saber nada de Deus, pensava em seu coração inocente e puro, quando olhava a lua e as estrelas: “Quem será o patrão de todas estas coisas?”. Oh! Bakhita, Deus já estava te preparando para Ele! Bakhita sonhava com a conversão do povo africano e, no dia de sua profissão religiosa, rezou: “Ó Senhor, se eu pudesse voar lá longe, entre a minha gente e proclamar a todos, em voz alta, a tua bondade. Oh! Quantas almas eu poderia conquistar para Ti! Entre os primeiros, a minha mãe e o meu pai, os meus irmãos, a minha irmã ainda escrava… e todos, todos os pobres negros da África. Faça,  ó Jesus, que também eles te conheçam e te amem!”.

No ano de 1947 Bakhita adoeceu, já quase sem forças, em cadeira de rodas, passava horas em oração, em adoração e contemplação. Era o dia 08 de fevereiro de 1947, nossa Irmã Morena balbuciava: “Como estou contente! Nossa Senhora! Nossa Senhora!”. Depois de algum tempo, em seus últimos momentos, disse: “Vou devagarinho para a eternidade… Vou com duas malas: uma contém os meus pecados; a outra, bem mais pesada, contém os méritos infinitos de Jesus Cristo. Quando eu comparecer diante do Tribunal de Deus, cobrirei a minha mala feia com os méritos de Nossa Senhora. Depois abrirei a outra e apresentarei os méritos de Jesus Cristo. Direi ao Pai: ‘Agora julgai o que vedes’. Estou segura de que não serei rejeitada! Então me voltarei para São Pedro e lhe direi: ‘Pode fechar a porta porque eu fico!” Às 20 horas, irmã Bakhita entrega sua alma a Deus. O povo em grande multidão quer dar o último adeus à Madre Morena, sua fama de santidade se espalhou rapidamente e todos recorriam ao seu túmulo pedindo sua intercessão. Em 17 de maio de 1992 foi beatificada e, no dia 1 de outubro de 2000, foi elevada à honra dos altares, declarada “Santa” pelo Santo Padre, o Papa João Paulo II, sendo que o milagre que a levou a ser reconhecida como Santa, aconteceu em Santos, no Brasil. Santa Bakhita deve sempre inspirar sentimentos de confiança na Providência, doçura para com todos e alegria em servir.