Trinta batismos no Sábado Santo

Era impossível não contagiar-se com a alegria dos moçambicanos na Capela. Músicas jubilosas, decorações festivas, batizandos revestidos com as mais belas roupas brancas, padrinhos engalanados ao lado de seus afilhados. E sobretudo uma felicidade irradiante estampada na fisionomia de todos. Tudo concorria para tornar a cerimônia do Sábado Santo solene e cheia de graças.

Não podia ser diferente. Ademais de ser a Vigília de Páscoa, máxima festa para os católicos, trinta jovens estavam para ingressar na fileira para tornarem-se novos filhos  de Deus, membros da Santa Igreja, herdeiros do céu!

E realmente, era sensível o quanto Deus estava comprazido com aquilo. A cada batismo feito pelo Revmo. Pe. Arão Otílio Gabriel Mazive, EP, via-se uma luz resplandecer na face dos que foram batizados. 

Os Arautos do Evangelho estiveram presentes na cerimônia, encarregando-se do canto do precônio pascal e do cerimonial.

Crianças carentes… de fé!

Fala-se muito de crianças carentes, pobres, sem condições. Realmente, quantas existem, e quantos beneméritos esforços se fazem para ampará-las materialmente.

Contudo, pouco ou nada comenta-se sobre as crianças carentes de fé. Quão numerosas são essas! E quantas vezes, são ao mesmo tempo carentes de uma e outra coisa. 

Que devemos nós fazer? Dar a fé e esquecer da matéria? Seríamos taxados de espiritualistas, não solidários, pois o homem não se alimenta de algo espiritual.  E se atendessemos às necessidades corporais, negligenciando o espírito? Seríamos recriminados pelo próprio Deus Nosso Senhor, que diz: “não temais os que matam o corpo e nada podem fazer contra a alma. Temei sim aquele que pode mandar a alma para o inferno” (Lc 12, 4);. E ainda: “De que serve ao homem ganhar o mundo inteiro se ele vier a perder a sua alma?” (Mt 16, 26)  (a fome ou a pobreza podem matar o corpo, mas não mandar ninguém para o inferno).  Excluir uma assistência e dar a outra é uma loucura, o que é necessário é atender ambas as coisas, pois o homem é feito de corpo e alma.

Os Arautos do Evangelho partilham desta idéia, e na África, continente tão necessitado, procuram fazer isso. Por exemplo,o dia 12 último, foi marcado para os Arautos do Evangelho de Moçambique, por uma atividade voltada às crianças carentes de sua circunvizinhança.

Já a campainha da portaria era acionada pelos pequenos, para um programa que teria início as 15:00, quando ainda os ponteiros do relógios indicavam o meio-dia…

Embora o convite tenha sido feito na véspera, por três duplas de Arautos que passavam de casa em casa imformando aos pais do mencionado programa, foi atendido com uma pontualidade pouco frequente em Moçambique, e até algumas das mães das crianças quiseram também participar.

A música foi a pioneira nestas atividades. Depois de ouvir com agrado e atenção algumas melodias de países do além mar, os infantes sentiram-se tomados de entusiasmo ao ouvirem a banda interpretando algumas canções infantis locais, que foram acompanhados com calorosos aplausos.

A oração precedida pela solene entrada da Imagem de Nossa Senhora Auxiliadora e por uma catequese do Pe. Arão Mazive, EP, ocuparam o segundo lugar nas atividades. Fazendo eco às palavras do Divino Mestre “Deixai vir a mim as criancinhas…”  o recém ordenado sacerdote exortava as crianças a sempre em seu dia a dia recorrer a Jesus pela intercessão de Maria, e para a alegria de todos,  deixou um presente muito especial: uma medalha milagrosa para cada um.

Após esse piedoso momento, foi servido um saboroso lanche e por fim, uma generosa distribuição de material escolar: cadernos, canetas, lápis, borrachas, entre outros, para o ano letivo que está prestes a começar…

Quem visse as fisionomias sorridentes das crianças retirando-se da casa dos Arautos nesse dia, e as cumprimentasse nos dias subsequentes, perceberia como é melhor fazer o bem não somente ao corpo, mas também a alma das crianças. Poderão ver ao menos pelas fotos.

 

Ruandeses visitam os Arautos

 
Maputo, tal e qual as cidades capitais dos outros países, é uma cidade cosmopolita, ou seja, acolhe comunidades de outras nacionalidades, principalmente da África Austral.

Ocupando entre estas quase o primeiro lugar, estão  os Ruandeses que acabaram se instalando em Moçambique devido a  várias circunstâncias de seu país.

Sendo aquele de colonização francesa, portanto, com o idioma diferente ao de Moçambique, e o dialeto ainda mais diferente, leva-os a viver em círculos quase fechados.

Entretanto, a linguagem católica suplanta a social. Desse modo, foi realizada  pela comunidade Ruandesa uma visita à residência dos Arautos do Evangelho no Bairro Nkobe, na qual houve uma celebração Eucarística presidida pelo Pe. Arão EP, com o apoio de um tradutor na homilia. Essa Missa, cantada e participada de maneira a deixar notar a pluralidade de costumes na África Subsahariana, foi antecedida por uma apresentação do presépio e seguida de um momento de entretenimento no qual os gestos e a intuição falavam mais que as palavras.