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Epifania do Senhor

janeiro 3rd, 2010

Entrando na casa, acharam o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se diante dEle, o adoraram. Depois, abriram seus tesouros, ofereceram-lhe como presentes: ouro, incenso e mirra.” (Mt 2, 11).

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Introdução:

Amanhã é a Epifania, dentro da oitava do Natal. Vamos então nos aproximar do Presépio e junto ao Menino Jesus, Maria Santíssima e S. José, meditarmos sobre um aspecto deste terceiro mistério gozoso. Contemplaremos o trecho do Evangelho que narra a vinda dos três Reis Magos do Oriente, para adorar ao Menino Jesus.

Santo Agostinho comenta que Epifania é uma palavra grega que significa “manifestação”. Na pessoa dos Reis Magos, o Menino-Deus se revelou a todas as nações que, no futuro, seriam iluminadas pela luz da Fé.

Vamos pedir graças especiais a Nossa Senhora. Estamos aqui para reparar seu Sapiencial e Imaculado Coração. Peçamos então que nos obtenha do Menino Jesus, que se encontra em seus braços, graças especialíssimas para bem fazermos esta meditação e que esta seja uma perfeita oração.

Oração Inicial:

Minha Mãe, aqui estamos diante de Vós para meditar sobre esta cena dos Reis Magos adorando o Menino Jesus, e junto com eles fazermos esta adoração, em união convosco.

Vós quisestes oferecer aos santos Reis Magos, o mais belo espetáculo de toda História: apresentar vosso divino Filho para ser adorado. Santa Mãe de Cristo, nós queríamos durante esta meditação entregar todos os nossos pensamentos, todos os nossos movimentos de vontade, nossas virtudes, toda nossa sensibilidade, para que elas sirvam junto com o ouro, incenso e mirra, de louvor a Vós e de adoração ao Vosso divino Menino Jesus. Rogamos que nos obtenha graças superabundantes e eficazes, graças místicas, a fim de que possamos compreender a fundo todo o significado da visita dos Reis Magos à Vossa casa em Belém. Assim seja!

Preparação:

Jesus nasce pobre numa gruta em Belém; os Anjos do Céu, é verdade, reconheceram-No por seu Senhor, mas os homens da terra deixam-No abandonado. Vêm apenas uns poucos pastores para adorá-Lo. O divino Redentor, porém, já quer começar a nos comunicar a graça da Redenção, e por isso, começa a manifestar-Se aos gentios que não O conheciam. Manda uma estrela iluminar os santos Magos, para que venham conhecer e adorar o seu Salvador. Admiremos o chamado que o Menino Jesus, de Sua manjedoura, faz a todas as nações, ao enviar aos Reis Magos a sua Estrela e a sua Graça; uma para lhes iluminar os olhos e a outra para lhes falar aos corações.

I- Significado de Epifania.

A festa da Epifania – também denominada pelos gregos de Teofania, ou seja manifestação de Deus – era celebrada no Oriente já antes do século IV. É uma das mais antigas comemorações cristãs, tal como a Ressurreição de Nosso Senhor.

Não podemos esquecer que a Encarnação do Verbo se tornou efetiva logo após a Anunciação do Anjo; entretanto, apenas Maria, Isabel, José e, provavelmente, Zacarias tiveram conhecimento do grande mistério operado pelo Espírito Santo. O restante da humanidade não se deu conta do que se passou no período de gestação do Filho de Deus humanado.

Por fim, nasce o Redentor, como um simples bebê. Quem, estivesse, porém, tomado por um dom do Espírito Santo, discerniria naquela adorável criança os resplendores dos raios de sua fulgurante divindade. Não se tratava de um ente puramente humano; àquela natureza se unia a própria Divindade : Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. Ali estava o Homem-Deus.

1 – Epifania: público reconhecimento da divindade do Menino Jesus

Se, por assim dizer, no Natal Deus Se manifesta como Homem, na Epifania esse mesmo Homem se revela como Deus. Assim, nestas duas festas, quis Deus que o grande mistério da Encarnação fose revelado com todo o brilho, tanto aos judeus como aos gentios, dado o seu caráter universal.

No Ocidente, desde o princípio, celebrava-se o Natal a 25 de dezembro, e no Oriente, a Epifania a 6 de janeiro. Foi a Igreja de Antioquia, na época de São João Crisóstomo, que passou a comemorar as duas datas. Só a partir do século V é que no Ocidente começou a se celebrar a segunda festividade.

Em nossa atual fase histórica, a Liturgia comemora a Adoração dos Reis Magos ao Menino Jesus. Por outro lado, ainda permanecem alguns vestígios da antiga tradição oriental que incluía na Epifania, além da Adoração dos Reis, o milagre das Bodas de Caná e o Batismo do Senhor no Jordão. Hoje, em nossa Liturgia, as Bodas de Caná não são mais celebradas, e o Batismo do Senhor é festejado no domingo entre os dias 7 e 13 de janeiro.

Em síntese, podemos afirmar que a Epifania, ou seja, a manifestação do Verbo Encarnado, não pode ser considerada desligada da adoração que Lhe prestaram os Reis do Oriente. Nesta cena está concernido um público reconhecimento da divindade do Menino Jesus unida à Sua humanidade.

2 – Um convite para sermos gratos ao Senhor

Ora, o que movia o fundo da alma dos Reis Magos era o desejo de prestar culto de adoração Àquele que acabara de nascer. O significado da moção do Espírito Santo, levando-os a Belém, cifra-se no chamado universal de todas as nações à salvação e à participação nos bens da Redenção.

Se aos Reis Magos Deus os chamou por meio da estrela, a nós Ele nos chama através de Sua Igreja, com sua pregação, doutrina, governo e Liturgia. Logo, a Epifania é a festa que nos convida a agradecermos ao Senhor, como também a Lhe implorar a graça de sermos guiados sempre a por toda parte através de Sua luz celeste, bem como de acolhermos com fé e vivermos com amor todos os dons que a Santa Igreja nos dá.

II – Belém, os Magos e Herodes.

“Tendo, pois, Jesus nascido em Belém de Judá, no tempo do rei Herodes, eis que os Magos vieram do Oriente a Jerusalém”. (Mt 2, 1).

Mateus se cala sobre maiores detalhes a respeito dos Magos; daí a divergências entre os autores. Entretanto, podemos REIS MAGOS.JPGafirmar que o nome Magos não pode ser tomado com as conotações próprias aos nossos tempos. Naquela época, significava pessoas de certo poder e muito distintas, em especial pelos conhecimentos científicos, sobretudo de astronomia. Além disso, a tradição no-los apresenta como reis. É também por tradição que consta serem três, terem sido batizados mais tarde por São Tomé Apóstolo e, tempos depois, martirizados. As relíquias dos Reis Magos foram veneradas por Bento XVI, na Catedral de Colônia, em 18 ago.2005, por ocasião da XX Jornada Mundial da Juventude.

O rei Herodes. não pertencia à raça dos judeus, pois era idumeu. Chegou ao trono por apoio dos romanos, era estrangeiro. Foi muito habilidoso, restaurando com esmero o Templo de Jerusalém, no intuito de que se esquecessem de suas origens. Porém, sua fama perpetuou-se pelas grandes máculas de seus costumes dissolutos e de sua crueldade.

1. Os Reis perante Herodes.

“Perguntaram eles: ‘Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a Sua estrela no Oriente e viemos adorá-Lo”.

Os Reis Magos demonstram possuir grande fé, e não pouca intrepidez, ao formularem uma pergunta tão incisiva, tanto mais que poderia ser interpretada por Herodes como sendo uma negação de seu título e de seu poder, conquistados com tantos esforços.

“Ouvindo isto, o rei Herodes ficou perturbado e toda Jerusalém com ele”.

É de fácil compreensão esse temor, dada a irrefreável ambição, inveja e crueldade. Sua esposa e seus três filhos puderam experimentar a violência de seu péssimo e impetuoso temperamento, pois foram mortos por uma determinação tirânica sua, nascida do medo de que o destronassem.

Para um homem com essa moral desregrada e tão mau caráter, o anúncio do surgimento miraculoso de um novo rei só poderia causar perturbação … Herodes. maquina a morte do Messias com dolosa malícia; viu certamente o grande fervor dos Magos em relação a Cristo, e como não podia contar com a cumplicidade deles para matar o futuro rei, ocorreu-lhe enganá-los. Então, começou a tomas ares de devoção enquanto afiava a espada e pintava com cores de humildade a perversidade de seu coração. Assim procedem todos os perversos: quando querem causar ocultamente algum dano muito grave a alguém, mostram-se humildes e amigos em relação a ele.

‘E, enviando-os a Belém, disse: ‘Ide e informai-vos bem a respeito do Menino.Quando o tiverdes encontrado, comunicai-me, para que eu também vá adorá-lo”. Hipócrita, se faz de piedoso e suave para enganar a simplicidade, candura e inocência só Magos.

2 – Comovedora confiança dos Reis Magos …”Tendo eles ouvido as palavras do rei, partiram. E eis que a estrela, que tinham visto no Oriente, os foi precedendo até chegar sobre o lugar onde estava o Menino, e ali parou. A aparição daquela estrela os encheu de profunda alegria”.

Assim sempre procede Deus, recompensando aqueles que são fiéis à Sua graça. É comovedora a confiança penetrada de coragem desses Reis Magos, diante de um tirano de tão má fama. Não há dúvida de estarem sustentados por especial moção do Espírito Santo.

III – A Jesus por Maria.

LETRA.JPGEmociona esta descrição de Mateus; …

“Entrando na casa, acharam o Menino com Maria, sua mãe”.

. ..Palavras proféticas, inspiradas pelo Espírito Santo, para deixar constando pelos séculos afora que não se pode encontrar Jesus sem Maria, e menos ainda, Maria sem Jesus. A História comprova – e muito mais o fará – o quanto a devoção à Mãe conduz à adoração ao Filho, e vice-versa.

1 – Os Reis Magos voltaram por outro caminho.

“Avisados em sonho de não tornarem a Herodes, voltaram para sua terra por outro caminho”. (Mt 2, 12)

Deus jamais deixa de proteger aqueles que O servem com amor e fidelidade. Se os Magos tivessem retornado a Herodes, eles mesmos poderiam ter precedido os Inocentes na morte.

A todos nós, Deus nos faz retornar à Pátria “por outro caminho”, segundo nos ensina São Gregório Magno. Infelizmente, deixamos o Paraíso Terrestre pelo pecado de orgulho de nossos primeiros pais; mais ainda, dele nos afastamos pelo apego às coisas deste mundo e devido aos nossos próprios pecados. Deus, como bom Pai, nos oferece o Paraíso Eterno; mas, para nele entrar, o caminho é o oposto ao do orgulho e da sensualidade, ou seja, o do desprendimento, da obediência, da renúncia às nossas paixões. Ele nos oferece um caminho fácil e seguro:”Ad Jesum per Mariam!”.

Maria a Mãe da Igreja

janeiro 2nd, 2010

Santa Maria,
Mãe do Senhor,
permanecestes fiel
quando os discípulos
fugiram. Tal como
acreditastes quando
o anjo Vos anunciou
o que era incrível -
que haverias de ser
Mãe do Altíssimo
- assim também
acreditastes na
hora da sua maior
humilhação.

E foi assim que, na
hora da cruz, na hora
da noite mais escura
do mundo, Vos
tornastes
Mãe dos crentes,
Mãe da Igreja.

(Excerto da Via-
Sacra composta por
Bento XVI para a Sexta-
Feira Santa do ano
2005)

Imagem Peregrina
do Imaculado Coração
de Maria

Revista Arautos do
Evangelho, Maio/2005
p. 52

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Um Natal sob o signo do Rosário

dezembro 10th, 2009

 

A cada ano, no Natal, diferente é o contexto em que se celebra aquela Luz que um dia brilhou nas trevas. Em 2002, nós o comemoramos sob o benéfico influxo da Carta Apostólica de João Paulo II, sobre o Rosário.

Mons. João Clá Dias, EP
O caro leitor já se perguntou alguma vez por que razão Jesus veio ao mundo naquela época? Não poderia Ele ter nascido logo após o pecado de Adão e Eva? Ou, pelo contrário, por que não adiou sua vinda para cerca do fim do mundo, pouco antes da volta de Henoc e Elias? No primeiro caso, pareceria haver várias vantagens. Por exemplo, a efusão das graças da Redenção já no início da humanidade poderia evitar muito morticínio, muitas crueldades, crimes e calamidades comuns no tempo do paganismo. Teria evitado mesmo? É muito de se duvidar. Basta analisar a Hvitral presépio_1istória do Ocidente cristão, especialmente nos últimos três séculos, para verificar que a vinda de Nosso Senhor . embora tenha suavizado notavelmente o relacionamento entre os homens . não evitou esses males.

 

Quanto à hipótese da vinda de Cristo no fim do mundo, os benefícios seriam menos claros, mas uma análise meticulosa não deixará de encontrá-los. Uma coisa, porém, é certa. Deus faz tudo perfeito. Logo, Jesus só pode ter nascido no momento mais adequado, em todos os sentidos.

Comentando esta questão, o renomado teólogo espanhol, Pe. Antonio Royo Marín, OP, confirma a tese acima, baseando-se no ensinamento de São Paulo, de que Deus enviou seu Filho ao mundo .quando chegou a plenitude dos tempos. (Gl 4, 4).

O que significa .plenitude dos tempos.? Na homilia de abertura da Quaresma de 2001, o Papa João Paulo II explicou que significa .tempo favor ável (…) isto é, o tempo em que Deus, através de Jesus, .satisfez. e .socorreu.

o seu povo, realizando plenamente as promessas dos profetas.. Do ponto de vista histórico . continuou o Santo Padre . aquele era o momento favor ável para se anunciar o Evangelho a todos os povos.

Realmente o mundo antigo se sentia decrépito e esgotado, afundado numa corrupção de costumes nunca vista, desgastado por escândalos, corroído pela idolatria, dureza de coração, ganância, crueldade, trato impiedoso entre os homens, tirania, etc. Caminhava, pois, inexoravelmente para a ruína. Segundo os comentadores, essas eram as .trevas . nas quais brilhou a luz do Salvador (segundo o Evangelho de São João). 

Recordações da Luz que brilhou nas trevas 

 De cada vez a comemoração é feita com características próprias, com graças particulares, quase sempre relacionadas com a situação da Igreja e da Cristandade na respectiva época. Todo Natal recorda essa Luz que brilhou nas trevas há dois mil anos. 

As graças de Natal no tempo das catacumbas, por exemplo, deviam ter aspectos especiais que a diferenciavam muito daquelas da época de Carlos Magno. E as da Idade Média . tempo assinalado por um auge de fervor católico . foram diferentes das do século XX, um século .caracterizado de maneira particular pelo mistério da iniqüidade., conforme as palavras do Papa João Paulo II na homilia de 18/8/2002.

Neste segundo ano do Terceiro Milênio, a comemoração do Natal se dá numa conjuntura muito feliz. Est á ele aureolado pela Carta Apost ólica de João Paulo II, O Rosário da Virgem Maria.

Estreita relação com o Natal 

nós os acompanhaSIGNO DA CRUZ_2_Bmos através dos olhos da Virgem Maria, recitando o Rosário.

Ele é propriamente uma .oração evangélica, centrada sobre o mistério da Encarnação redentora. . diz o Papa ., segundo a experiência vivida pela Santíssima Virgem, que trouxe em seu seio, nutriu, criou e acompanhou os passos de seu Divino Filho.

Em sua oportuna Carta Apostólica, o Santo Padre mostra ainda que Maria é para nós a Mestra que melhor conhece seu Filho Jesus e pode levar-nos ao conhecimento d.Ele: Percorrer com Ela as cenas do Rosário é como freqüentar a “escola” de Maria para ler Cristo, penetrar nos seus segredos, compreender a sua mensagem. 

Uma escola, a de Maria, ainda mais eficaz, quando se pensa que Ela a dá obtendo-nos os dons do Espírito Santo com abundância e, ao mesmo tempo, propondo-nos o exemplo daquela .peregrinação da fé., na qual é mestra inigualável..
 
Nas situações aflitivas da Igreja 

Também no nível dos povos e da nações, ele ganha um brilho especial nos momentos em que a Igreja está em aflitiva situação. Foi assim já no seu nascedouro, quando Nossa Senhora o recomendou a São Domingos de Gusmão. No ano de 1214, a heresia dos maniqueus, ou albigenses, estava se espalhando por todo o Languedoc, região meridional da França, arrancando à Igreja Cat ólica multidões de fiéis.

A doutrina maniquéia não causava dano apenas no campo espiritual, mas estendia seus malefícios também a toda a sociedade temporal.

Uma cruzada da qual participaram cavaleiros de toda a Europa, não foi suficiente para estancar o mal. Como obter de Deus o fim dessa grave situação e a conversão daquele pobre povo? O grande São Domingos . fundador da Ordem dos Irmãos Pregadores (os frades dominicanos) . mediu toda a extensão da tragédia e sentiu-se inspirado a intervir. Retirou- se para um local ermo, próximo de Tolosa (capital do Languedoc), onde passou três dias e três noites em oração e penitência, implorando ao Senhor que interviesse para salvar aquelas populações. Em conseqüência de seu esforço, acabou por cair desfalecido. E eis que então apareceu- lhe Maria Santíssima, resplandecente de glória, dizendo-lhe que, pelo Rosário, ele poderia ganhar para Deus aqueles .corações endurecidos .. E assim foi. Pregando essa devoção, São Domingos não só obteve numerosas conversões, como também uma grande mudança nos costumes religiosos e morais dos habitantes da região.

São Domingos mereceu passar para a História como o primeiro grande pregador do santo Rosário e, praticamente, seu instituidor. 

Na batalha de Lepanto 

Era urgente formar uma aliança dos príncipes católicos e armar uma esquadra capaz de fazer frente ao inimigo da Fé cristã. Com este objetivo, o Papa São Pio V fez o que pô- de nos terrenos diplomático, logístico e militar. Mas pôs sua confiança sobretudo na intervenção da Auxiliadora dos Cristãos, à qual recorria por meio do Rosário, levando os outros a imitá-lo.

 No dia 7 de outubro daquele ano, ao largo do Estreito de Lepanto, no litoral grego, travou-se a maior batalha naval da História até então. A esquadra católica, composta de pouco mais de 200 navios e 80 mil combatentes, colocada sob a proteção de Nossa Senhora do Rosário, derrotou de modo fragoroso a frota maometana, entretanto mais poderosa que a cristã. Graças a essa vitória, ficou afastada de uma vez por todas a ameaça turca.SIGNO DA CRUZ_5_D

Desejoso de reconhecer e agradecer o decisivo auxílio de Maria nessa batalha, o senado veneziano mandou colocar no Palácio dos Doges um quadro comemorativo, com a inscrição: .Non virtus, non arma, non duces, sed Maria Rosarii, victores nos fecit. . .Não foi o valor, nem as armas, nem os chefes, mas sim a Senhora do Rosário que nos tornou vitoriosos .. 

Na França do século XVIII 

A sociedade francesa achava-se minada em suas bases pelo iluminismo, pelo indiferentismo religioso e por um lamentável afrouxamento dos costumes, sobretudo nas classes superiores. Para agravar o quadro, espalhava-se pela França o jansenismo, astuta heresia que apresentava de maneira deformada a doutrina católica, evitando atacá-la de frente, com o que tornava difícil sua refuta ção.

Pregando uma ardente devoção a Nossa Senhora e incentivando a oração diária do Rosário, São Luís Grignion conseguiu transformar a Bretanha e a Vandéia (províncias do oeste da França), em regiões ardorosamente católicas, a tal ponto que, dois séculos após, foram essas duas províncias as que maior resistência opuseram ao assalto das tropas anticlericais da Revolução Francesa. 

Em Fátima 

Na primeira aparição, a 13 de maio de 1917, aconselhou aos três videntes que rezassem diariamente o Terço para pedir o fim da guerra e a paz do mundo. Renovou com insistência, na segunda e na terceira aparições, a recomendação de rezar o Terço todos os dias.

E no dia 13 de setembro, a Virgem Santíssima insistiu mais uma vez na necessidade da recitação diária do Terço, como meio de alcançar o fim da guerra mundial que ensangüentava o mundo.

Foi somente na última aparição, em 13 de outubro, que Nossa Senhora consentiu em revelar sua identidade às três crianças, utilizando estas simples palavras: Eu sou a Senhora do Rosário.. Não poderia haver maior prova de apreço da Mãe de Deus por essa devoção. 

Em pleno século XX 

Assim como o restante da Europa centro-oriental, também a Áustria fora ocupada pelas tropas soviéticas, ao término da 2ª Guerra Mundial. Angustiados pela probabilidade de perderem sua independência no dom ínio comunista, os austríacos se voltaram filialmente para Nossa Senhora.

Um franciscano, frei Petrus Pavlicek, formou a .Cruzada Reparadora do Rosário pela Paz no Mundo. e passou a organizar grandes procissões anuais em honra do Nome de Maria. Sempre com a participação de milhares de pessoas, cada uma dessas procissões seguia pelas ruas do centro de Viena, rogando pela libertação do país. Um movimento geral de entusiasmo pelo Rosário percorreu toda a nação, e uma torrente de preces jorrou sobre as portas do Céu. E então aconteceu o milagre: pouco após a Páscoa de 1955, o governo moscovita retirou suas tropas da Áustria.

O país inteiro acorreu para agradecer a maternal proteção da Santíssima Virgem, destacando-se a grande solenidade no dia 10 de setembro, festa do Nome de Maria, ocasião em que o Ministro das Relações Exteriores declarou: .Todos nós que aqui estamos hoje reunidos e que com humildade, mas também com ufania, nos declaramos católicos, pudemos conhecer o poder da oração. (…) Nossas orações foram nossas armas e nossa fortaleza. (…) Ganhamos a liberdade! Oh! Maria! nós vos agradecemos.Paz no mundo e nas famílias 

 

Daí o empenho do Papa João Paulo II em incentivar essa devoção. No início de um Milênio que começou com as cenas assustadoras do atentado de 11 de setembro de 2001 - diz o Santo Padre na Carta Apostólica - e que registra, cada dia, em tantas partes do mundo, novas situações de sangue e violência, descobrir novamente o Rosário significa mergulhar na contemplação do mistério d.Aquele que .é a nossa paz., tendo feito .de dois povos um só, destruindo o muro da inimizade que os separava. (Ef 2, 14)..

Se o mundo de hoje está submerso num oceano de males e exposto a perigos que o rondam de todos os lados, isto não se deve tão-só às disputas econômicas e políticas, mas principalmente a uma grave crise moral e religiosa. É dela que SIGNO DA CRUZ_6_Esurgem as angústias, as incertezas, a desorientação generalizada. Contudo, assim como nas situações críticas anteriores, a solução está ao alcance de nossas mãos… e de nossos corações: a devoção do Santo Rosário. 

 

Depois de ressaltar que deseja confiar a causa da paz à oração do Rosário, o Papa exprime sua paternal aflição: .Pouco valem as tentativas da política, se as almas continuam exacerbadas e não são capazes de um novo olhar do coração.. E indaga: .Quem pode, porém, infundir tais sentimentos, senão o próprio Deus? ….

Exatamente nessa perspectiva, o Rosário se revela uma oração particularmente indicada..

Falta a paz, hoje em dia, não somente entre as nações, mas, muitas vezes, até no recinto do lar. .Quanta paz estaria assegurada nas relações familiares, se fosse retomada a recitação do Santo Rosário em família!. . exclamou o Papa na audiência de 29 de setembro passado, quando anunciou o Ano do Rosário. E na citada Carta Apostólica ele alerta: .A família, célula da sociedade, está cada vez mais ameaçada por forças desagregadoras a nível ideológico e prático, que fazem temer pelo futuro dessa instituição fundamental e imprescindível e, conseqüentemente, pela sorte da sociedade inteira..

Para sanar esse mal, que remédio aconselha o Vigário de Cristo?

O relançamento do Rosário nas famílias cristãs, no âmbito de uma pastoral mais ampla da família, propõe-se como ajuda eficaz para conter os efeitos devastadores desta crise da nossa época.. 

Uma prece diante do presépio 

Diante do presépio, dirijamos nossas ardentes súplicas ao adorável Menino Jesus, por intermédio da imaculada Virgem Maria e do puríssimo São José, pedindo que as exortações do Santo Padre na Carta Apostólica O Rosário da Virgem Maria tenham amplo desenvolvimento por todo o mundo católico. E que aquela Luz que brilhou nas trevas há cerca de dois mil anos resplandeça não só neste Natal, mas ilumine toda a nossa vida.