Santa Teresinha: na África?

“Eu pensava que havia nascido para a glória, e procurava um meio de chegar a ela quando o Bom Deus me inspirou os sentimentos que escrevo [na minha biografia].

Ele me fez compreender também que a minha glória, para mim, não apareceria aos olhos dos mortais, que ela consistiria em tornar-me uma grande santa! Esse desejo poderia parecer temerário, considerando quanto eu era [então] fraca e imperfeita, e quanto ainda o sou, após sete anos de vida religiosa.

Apesar disso sinto sempre a mesma confiança audaciosa de tornar-me uma grande santa, pois não conto com meus méritos, já que não os tenho; espero, porém, n’Aquele que é a Virtude, e a própria Santidade”

(Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face, História de uma alma)

Que belas palavras de Santa Teresinha! Que desejos sublimes e ousados! Vemos que Deus não deixou de atendê-los, e mais ainda do que ela esperava, porque não apenas atingiu ela a grande santidade que almejava, mas Deus lha deu em abundância a glória para a qual se sentia chamada.

Nós, missionários em África, nos surpeendemos quanto uma humilde e desconhecida freira de um convento do interior da França possa ser tão venerada em um lugar tão distante, e tão diferente do que ela viveu. Aqui, quantas paróquias e comunidades vemos dedicadas a ela, quantas pessoas lhe rogam graças e favores.

Até mesmo as crianças querem conhecer sua vida e suas virtudes. Mostra disso é que recentemente, os Arautos do Evangelho receberam um pedido de preparar um audiovisual a respeito de sua vida para mostrar a crianças de várias paróquias de Maputo, como a Paróquia da Sagrada Família, na Machava, e a Paróquia de Nossa Senhora do Rosário, no Laulane, onde a catequese está aos cuidados das irmãs Pilarinas, valorosa Congregação que tem obtido muitíssimos frutos para a evangelização em terras africanas.

Vemos nas fotos as inúmeras crianças que, silenciosas e admirativas, prestam atenção no audiovisual. Após este, todas fizeram em conjunto uma oração à Santa carmelita, com um solene propósito de procurar imitá-la em todas as circunstâncias da vida, da escola, na família na Igreja. 

Sim Santa Teresinha. sua glória e sua santidade chegaram até a África!

Novo blog acadêmico dos Arautos do Evangelho

Acaba de ser criado um novo, maior e mais atualizado blog acadêmico dos Arautos do Evangelho, onde pode-se encontrar toda sorte de matérias para aqueles que desejam aprofundar-se na Doutrina Católica.

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Escravo dos africanos para sempre! – II

Damos sequência a impressionante vida de São Pedro Claver, missionário jesuíta que dedicou toda sua vida à evangelização dos negros africanos, trabalhando ardorosamente para retirá-los das trevas do paganismo e introduzir na alma deles a luz da Santa Igreja Católica, elevando-os pelos sacramentos à sublime e inigualável condição de filhos de Deus e templos da Santíssima Trindade.

Esperamos que nossos leitores apreciem esse belo exemplo, mas sobretudo auxiliem, com suas orações e seu apoio, às missões nas terras africanas.

O campo de batalha

A cidade de Cartagena constituía, nessa época, um dos pontos principais de comércio entre a Europa e o novo continente, e juntamente com Veracruz, no México, eram os dois únicos portos autorizados para a introdução de escravos africanos na América Espanhola. Calcula-se que cerca de dez mil escravos chegavam anualmente a esta cidade, trazidos por mercadores, geralmente portugueses e ingleses, que se dedicavam a este vil e cruel comércio.

Esses pobres seres, arrancados das costas da África, onde viviam no paganismo e na barbárie, eram trazidos no fundo dos porões dos navios para serem vendidos como simples objetos e finalmente destinados ao trabalho nas minas e nas fazendas onde, depois de haver vivido sem esperança, morriam miseravelmente sem o auxílio da religião.

Converter esses milhares de infelizes cativos e lhes abrir as portas do Céu, foi a missão à qual Pedro Claver consagrou toda a sua existência.

Assim, quando chegou o grandioso e esperado momento de emitir os votos solenes, pelos quais se comprometia a ser obediente, casto e pobre até a morte, assinou o documento com a fórmula que doravante seria a síntese de sua vida: Petrus Claver, æthiopum semper servus. – “Pedro Claver, escravo dos africanos para sempre”. Tinha 42 anos de idade.

O escravo dos escravos

Quando um navio carregado de escravos chegava ao porto, o Padre Claver acorria imediatamente numa pequena embarcação, levando consigo uma grande provisão de biscoitos, frutas, doces e aguardente.

Aqueles seres embrutecidos por uma vida selvagem e exaustos pela viagem realizada em condições desumanas, olhavam-no com temor e desconfiança. Mas ele os saudava com alegria e por meio de seus auxiliares e intérpretes negros – tinha mais de dez – dizia-lhes: “Não temais! Estou aqui para vos ajudar, para aliviar vossas dores e doenças.” E muitas outras frases consoladoras. Porém, mais que as palavras, falavam suas ações: antes de mais nada, batizava as crianças moribundas; depois recebia em seus braços os enfermos, distribuía a todos bebidas e alimentos e fazia- se servo daqueles desventurados.

Árdua catequese

Levando em sua mão direita um bastão encimado por uma cruz e um belo crucifixo de bronze pendurado no pescoço, saía Pedro Claver todos os dias para catequizar os escravos. Calores extenuantes, chuvas torrenciais, críticas e incompreensões até dos próprios irmãos de vocação, nada arrefecia sua caridade.

Com freqüência batia nos pórticos senhoriais da cidade pedindo doces, presentes, roupas, dinheiro e almas decididas que o auxiliassem em seu duro apostolado. E não poucas vezes nobres capitães, cavaleiros e senhoras ricas e piedosas o seguiam até as míseras moradias dos escravos.

Entrando nesses lugares, seu primeiro cuidado dirigia-se sempre aos doentes. Lavava-lhes o rosto, curava suas feridas e chagas e repartia comida aos mais necessitados. Apaziguadas as penalidades do corpo, reunia então a todos em torno de um improvisado altar, os homens de um lado e as mulheres de outro, e iniciava a catequese que ele sabia colocar maravilhosamente ao alcance da curta inteligência dos escravos. Pendurava à vista de todos uma tela pintada com a figura de Nosso Senhor crucificado, com uma grande fonte de sangue correndo de seu lado ferido; aos pés da Cruz, um sacerdote batizava com o Sangue Divino vários negros, os quais apareciam belos e brilhantes; mais abaixo, um demônio tentava devorar alguns negros que ainda não haviam sido batizados.

Dizia-lhes, então, que deveriam esquecer todas as superstições e ritos que praticavam nas tribos e lugares de origem, e lhes repetia isso muitas vezes.

Depois lhes ensinava a fazer o sinal -da- cruz e lhes explicava paulatinamente os principais mistérios da nossa Fé: Unidade e Trindade de Deus, Encarnação do Verbo, Paixão de Jesus, mediação de Maria, Céu e inferno.

Pedro Claver compreendia bem que aquelas mentalidades rudes não podiam assimilar idéias abstratas sem a ajuda de muitas imagens e figuras. Por isso lhes mostrava estampas nas quais estavam pintadas cenas da vida de Nosso Senhor e de Nossa Senhora, representações do Paraíso e do inferno.

Batizou mais de 300 mil escravos

Após inúmeras jornadas de árdua evangelização, batizava-os finalmente. Para celebrar este Sacramento utilizava uma jarra e uma bacia de fina porcelana chinesa, e queria que os escravos estivessem limpos. Introduzia seu crucifixo de bronze na água, abençoava-a e dizia que agora aquele líquido era santo, e que após serem lavadas nessa água suas almas se tornariam mais refulgentes que o sol. Calcula-se que ao longo de sua vida São Pedro Claver batizou mais de 300 mil escravos. Aos domingos, percorria ruas e estradas da região chamando-os à santa Missa e ao sacramento da Penitência. Dias havia que passava a noite inteira confessando os pobres escravos. (Continua em próximo artigo…)

Por Pe. Pedro Morazzani Arráiz, EP (Revista Arautos do Evangelho, Set/2005, n. 45, p. 20 à 23). 

A música: instrumento de evangelização na África

A música conhecida basicamente como sendo a expressão de sentimentos através de sons, é das artes mais praticadas em todo o orbe.

Seu início se perde na antiguidade mas actualmente alcançou tal importância no quotidiano humano que bem pode se afirmar ser a vida do homen ritimada por ela. Adaptada a cada campo em que é aplicada dá o devido esplendor a todo tipo de evento.

A santa Igreja valeu-se também da música nas suas liturgias e cerimónias. De grande utilidade tem ela também sido para os Arautos do Evangelho, em África, nas suas atividades apostólicas.

 Atualmente com um contigente de vinte menbros, a Sede dos Arautos do Evangelho – no bairro Nkobe, Matola – tem acolhido vários jovens e adolescentes aspirantes para os quais não falta o ensino da música. Até mesmo seus familiares têm de lá se aproximado para participar duma Missa animada pelo grupo coral da mesma instituição.

Ora, o apostolado dos Arautos do Evangelho através da música não se circunscreve apenas em seus muros, mas tem atendido a várias solicitações pastorais como procissões, celebrações Eucarísticas, em eventos socias e até em colégios com o projeto Futuro e Vida.

O apreço pela música sacra para os Arautos do Evangelho não brota apenas do desejo de se habilitar numa arte de renome internacional, mas para atender o que o Salmista diz: “ louvai o Senhor com a cítara, na harpa de dez cordas salmodiai! Cantai-lhe um cântico novo!”(sl 32, 2.3).  Embora seja a música um dos veículos para o Apostolado dos Arautos, seu fim é algo que transcede a pura harmonia de sons. Tanto a banda quanto o coral visam levar a mensagem do Evangelho, o modo de viver segundo Nosso Senhor Jesus Cristo. Aliás, o grande Santo Agostinho comentando o trecho do salmo acima mencionado dizia: Cante o cântico novo não a língua mas a vida”.

 

Por Tiago Machaieie

Em Moçambique, levando o evangelho através da rádio

Um verdadeiro católico não pode poupar meios e ocasiões para levar a mensagem de Nosso Senhor à humanidade; para isso deve utilizar inclusive dos meios de comunicação, transmitindo, de forma criativa e substanciosa, os ensinamentos da fé aos que os queiram receber.

Insere-se nesse contexto, o apostolado através da rádio, instrumento de notícas espalhado por todo o mundo e inclusive nas regiões mais afastadas e pobres. Tal é a sua importância que o grande Pontífice e Beato João Paulo II louvava, em sua homilia pelo cinquentenário da Rádio Vaticano, chamada “a Rádio do Papa”, os benefícios de uma rádio católica, dizendo-lhes:“vós bem sabeis que as ondas portadoras das vossas mensagens superam distâncias geográficas e fronteiras de toda a natureza, mas estais também conscientes que, além da mesma informação tão preciosa para aqueles que não tem outras fontes, e juntamente com a catequese, indispensável para tantos que não possuem outros recursos, existe a comunhão eclesial, à qual prestais serviço levando algo que não é vosso mas que vos é continuamente dado”. (Homilia na Capela Sistina, 12 de fevereiro de 1981)

Os Arautos do Evangelho, espalhados em todo o mundo, compreendem o valor dessas ondas evangelizadoras, e procuram transmiti-las. Em Moçambique, diariamente os missionários desta congregação proporcionam ao público de todo o país, pela mundialmente conhecida Rádio Maria um programa sobre Nossa Senhora, onde contam fatos da intercessão da Mãe de Deus aos homens, tratam sobre a doutrina e os dogmas referentes a Ela, e propagam, dessa forma, a devoção a Maria, tão querida do povo moçambicano.

Santa Bakhita, o anjo africano (Parte II)

A seguir, continuaremos com a narração da sacrificada e admirável vida de Santa Josefina Bakhita:

No ano de 1882, o general turco vendeu Bakhita ao agente consular Calisto Legnani que seria, para ela, seu anjo bom. Na casa do cônsul, Bakhita conheceu a serenidade, o afeto e os momentos de alegria, lembranças dos momentos felizes na casa dos pais. Em 1885 o sr. Calisto é obrigado a retornar à Itália; Bakhita pede para acompanhá-lo e obtêm consentimento. E assim partiram em companhia de um amigo, o sr. Augusto Michieli, a quem o cônsul presentearia em Gênova com a jovem africana.

Chegando na Itália com seu 7º “patrão”, o rico comerciante Michieli, foi para vila Zianino de Mirano Veneto onde Bakhita se tornou babá de Mimina, a filhinha do casal. Apesar de serem pessoas boas e honestas, não eram praticantes de religião. Como sempre, Deus tem seus caminhos e acabou colocando no caminho de Bakhita, o administrador dos Michieli, Iluminato Chechini. Iluminato era um homem muito religioso e logo se preocupou com a formação religiosa de Bakhita; e ao dar um crucifixo a ela, disse em seu coração: “Jesus, eu a confio a Ti”. Quando os Michieli tiveram de voltar para Suakin, na África, por motivos de negócios, Bakhita e a pequena Mimina ficaram aos cuidados das Irmãs Canossianas, em Veneza, e isto graças ao sr. Iluminato.

        Bakhita iniciou o catecumenato (catequese para receber os sacramentos iniciais), no Instituto das Irmãs. Ao final de nove meses, a sra. Maria Turina voltou à Itália para buscar sua filhinha Mimina e aquela que considerava sua escrava, pois retornariam à África. Naquele instante, Bakhita já toda apaixonada por Jesus, prestes a receber os sacramentos, recusa-se a voltar para a África, apesar do afeto que nutria pela família Michieli e principalmente pela pequena. Sentia em seu coração um desejo inexplicável de abraçar a fé e vivê-la para sempre. Apesar dos apelos e até ameaças da sra. Michieli, nossa jovem africana não cedeu em sua resolução. Bakhita estava livre, na Itália não havia escravidão. Sua patroa retornou à África com sua filha e Bakhita prosseguiu com sua catequese, feliz mesmo sabendo que seria a última chance de rever seus familiares na África. 

 No dia 09 de janeiro de 1890, Bakhita é batizada, crismada e recebe a Primeira Comunhão das mãos do Patriarca de Veneza. No batismo recebe o nome de Josefina Margarida Bakhita. Ela descreverá este dia como mais feliz de sua vida: sentir-se filha de Deus era-lhe uma emoção inigualável, assim como receber Jesus na Eucaristia. Bakhita nutria em seu coração o sublime desejo de se tornar religiosa: “uma Irmã Canossiana”. (continua no próximo artigo…)