O rei da selva!

 Não há ninguém que nunca tenha ouvido dizer que o leão é o “rei dos animais”, ou o “rei da selva”. Entretanto, muitos não sabem explicar bem o porque.

Dentre todos os animais criados por Deus, há um que representa a força majestosa, a agilidade no ataque, a ferocidade em defender seus filhos e seu território, aquele que tem um porte imponente e altivo, ao lado de um grande carinho por sua família. Parece com um rei.

O leão é encontrado em três continentes: África, Europa e Ásia. Porém, a grande concentração atual de leão ocorre nas savanas africanas. Carnívoro e caçador, um leão de grande porte pode comer até 35 quilos de carne em apenas um dia. As fêmeas são responsáveis pela caça e cuidado dos filhotes, enquanto os machos são encarregados de proteger o grupo dos animais maiores.

Existem várias espécies de leões, porém as mais conhecidas são: leão-sul- africano, leão-do-atlas, leão-asiático, leão-do-cabo e leão-senegalês.  Podem atingir até 55 km/h, porém conseguem percorrer pequenas distâncias.

Como vimos, o leão está muto ligado a África, continente cheio de encantos e mistérios, e vivendo nestas terras, torna-se um objeto da constante atenção de viajantes do mundo inteiro, que querem observar – não sem extremo cuidado e precaução – como é este “rei da selva africana”. Por isso quisemos colocar algumas fotos inéditas em nosso blog para saciar a curiosidade daqueles que ainda não se aventuraram a vir na África a fim de vê-lo pessoalmente.

Não podemos, contudo, terminar esse artigo sem apresentar uma lição aos nossos leitores: Nosso Senhor Jesus Cristo é muitas vezes comparado com o Cordeiro, é chamado “o Cordeiro de Deus, que tira os pecados do mundo”. Isso é lindíssimo, porém não podemos esquecer que ele também é comparado com o leão, é chamado “o Leão de Judá”. Isso para mostrar o quanto n’Ele concentram-se e harmonizam-se perfeitamente as virtudes mais opostas.

Esse é o estado de espírito que deve animar todo católico, filho De Nosso Senhor: uma bondade e cordura incomensuráveis para com todos, mas a firmeza e a coragem do leão para trabalhar pela Santa Igreja Católica e defendê-la.

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São José, o único homem à altura de Jesus e de Maria

Sabemos que entre esposo e esposa deve haver certa proporcionalidade: não pode um ser por demais superior ao outro. Era necessário, portanto, surgir um homem que, por seu amor a Deus, por sua justiça, pureza, sabedoria, enfim, por todas as suas qualidades, estivesse à altura daquela augusta Esposa.

Mais ainda. É também conveniente que o pai seja proporcionado ao filho. Por isso, era preciso que esse mesmo varão, com toda a dignidade, arcasse com a honra de ser o pai adotivo do Verbo feito carne.

E houve um único homem criado para essa sublime missão, um homem cuja alma recebeu do Pai Eterno todos os adornos e predicados que o colocassem inteiramente à altura de seu chamado.

Esse homem, entre todos escolhido por estar na proporção de Nossa Senhora e de Nosso Senhor Jesus Cristo, foi São José. Por essa e outras razões, não podíamos deixar de dedicar em nosso blog um artigo sobre o glorioso Patriarca da Santa Igreja, por cuja intercessão os Arautos do Evangelho tanto tem se expandido em terras africanas.

Os principais traços da vida do santo esposo da Virgem Maria chegaram até nós nos primeiros capítulos do primeiro e terceiro evangelhos. Segundo vários autores, entre os quais São Justino, São José era originário de Belém, a cidade de Davi, seu antepassado, situada dez quilômetros ao sul de Jerusalém. Mais tarde, passou a morar em Nazaré, cidade na qual, em obediência à voz do anjo, estabeleceu-se novamente ao voltar do Egito, cumprindo-se assim o que de Jesus diziam os profetas: “Será chamado Nazareno” (Mt 2, 23).

Poucos são, em conseqüência, os dados diretos que nos referem os Evangelhos sobre São José. No entanto, ao ter sido ele escolhido por Deus para esposo de Maria, a “cheia de graça”, e digno custódio do Verbo Encarnado, não podemos duvidar de ter sido ele provido de dons e virtudes extraordinários, que vão muito além do conciso relato de Marcos e Mateus.

Nesse sentido, Santo Alberto Magno o exalta dizendo: “Fez de seu coração e de seu corpo um templo ao Espírito Santo, no qual ofereceu a si mesmo a Deus e, em si mesmo, a mais perfeita castidade de corpo e alma, no mais aceitável e agradável sacrifício a Deus” (Mariale, q. 51. Apud LLAMERA, Bonifacio. Teología de San José; BAC, Madrid, 1953, p. 160).

E o Papa Leão XIII, numa encíclica dedicada a São José, mostra como seu matrimônio com a Santíssima Virgem o fazia partícipe da grandeza dEla:

Ensina que São José “é o esposo de Maria e pai legal de Jesus. Dessa fonte mana sua dignidade, sua santidade, sua glória. Certo é que a dignidade de Mãe de Deus chega tão alto que nada pode existir de mais sublime. Mas, uma vez que entre a Santíssima Virgem e José estreitou-se um laço conjugal, não há dúvida de que ele, mais do que qualquer outro, se aproximou daquela altíssima dignidade pela qual a Mãe de Deus supera de muito todas as criaturas. Já que o matrimônio é o máximo consórcio e amizade — ao qual está unida a comunhão de bens — segue-se que, se Deus deu José como esposo à Virgem, não o deu apenas como companheiro de vida, testemunho da virgindade e tutor da honestidade, mas também para que ele participasse, por meio do pacto conjugal, na excelsa grandeza dEla”  (LEÃO XIII Encíclica Quamquam pluries, 18 agosto de 1889, n. 3.)

 (Extraído da Revista Arautos do Evangelho Número 75 Março 2008, p. 18)

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A juventude africana foi feita para a santidade!

A juventude não foi feita para o prazer mas sim para o heroísmo!”, afirmou certa feita o escritor francês Paul Claudel.

Frase tão bela e acertada, contudo tão frequentemente olvidada nos nossos dias. Quantos são os jovens que abraçam um ideal de valor? Diríamos melhor, O ideal, único verdadeiro que existe, a Santa Igreja Católica, Apostólica e Romana. 

Porque bem poderíamos adaptar esta frase e dizer que se a juventude não foi feita para o prazer, foi feita para a santidade. Exemplos disso não faltam: São Luis Gonzaga, Santa Teresinha do Menino Jesus, São Domingos Sávio, Santa Maria Goretti… poderíamos trasncrever uma enorme lista de jovens que quiseram abraçar a santidade, e por isso tornaram-se modelos para a juventude.

Bem dizia o grande santo formador da juventude, São João Bosco, acerca do grande amor de Deus para com os jovens:

“É verdade que Ele  (Deus) ama a todos os homens, por serem obras de Suas mãos; sem embargo, professa um afeto especial à juventude, encontrando nela suas delícias. Deus vos ama porque espera de vós muitas boas obras; vos ama porque é própria de vossa idade a simplicidade, humildade e inocência; e em geral porque não haveis chegado ainda a ser presa infeliz do inimigo infernal”.

Se Deus assim estima os jovens, tendo mesmo afirmado que o bem ou mal feito  a um pequenino ses faz a Ele mesmo (Mt 25,40), e lançando severas admoestações contra aqueles que os escandalizam (Lc 17,2), qual não deve ser nosso amor e desvelo para com eles?

Por outro lado, os jovens estão ávidos de receberem o puro alimento da doutrina Católica, de aprenderem o caminho do bem, de abraçar as vias da santidade! Vemo-lo aqui em Moçambique, que número de jovens entusiasmados nas Igrejas, nos coros, nas catequeses, e até mesmo em retiros.

Sim, jovens em retiros. Para quantos pode soar estranho isso, mas aconteceu na semana passada em Moçambique: jovens acólitos de cinco paróquias da Arquidiocese de Maputo se reuniram na Igreja da Sagrada Família da Machava.

E não pensemos que foi para um dia de diversão. Ali se tratou de assuntos sérios, de sua vida espiritual: o céu, o inferno, as boas e más amizades, qual o caminho que deve ser seguido por um jovem que almeja a santidade, e que exemplos de santos jovens a Igreja colocou diante deles.

Tiveram também uma palestra sobre a Santa Missa, e para encerrar o dia, uma Celebração Eucarística. Os Arautos do Evangelho foram convidados pelo Pe. Arcélio Matola para encarregarem-se deste programa, e o fizeram com muita alegria, pois uma de suas principais atividades consiste em formar a juventude católica. Rezemos para que esses jovens possam correponder ao chamado que Deus lhes faz e, onde quer que estejam, levem a luz do evangelho e construam uma sociedade verdadeiramente cristã.

 

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Tudo começa na escola…

“A juventude é o futuro do nosso país!”. Quantas vezes ouvimos essa afirmação. E é real. Depende daqueles que são jovens hoje o amanhã de uma nação.

Entretanto, se podemos dizer que a juventude é o nosso futuro, infelizmente em nossos dias já não podemos dizer qual será esse futuro… Será bom? Será péssimo? Se os jovens forem bem preparados e muito bem acompanhados, nos será possível morrer tranquilos. Se isso não acontecer, que desgraças se preparam?

Assim dizia João Paulo II em uma missa para jovens: “A riqueza maior deste Pais, são vocês. O futuro real deste País se encerra no presente de vocês. Por isso este País, e com ele a Igreja, olham para vocês com um olhar de expectativa e de esperança”.

“Olhar de expectativa e esperança”. Essa deve ser a atitude de todos para com os jovens. 

Sabemos que a grande maioria da população africana compõe-se de jovens. Basta sair às ruas para comprovar isso. Não é então verdade que devemos nos preocupar com eles? Claro está que tudo começa na escola. Cada um de nós pode, analisando um pouco sua infância, corroborar essa afirmação.

Por isso os Arautos do Evangelho tem como uma de suas primordiais missões auxiliar a juventude a tomar bons caminhos. E um dos meios escolhidos por eles é a visita às escolas públicas de Moçambique.

Ali, vendo os irmão de hábito religiosos, tocando belas músicas, dizendo palavras de ânimo aos jovens, e sendo convidados para aulas de formação musical e esportiva, os jovens tem um apoio para escolher um bom caminho.

Os resultados já se fazem sentir: um menino, após terminar o curso de música com os Arautos, resolveu colocá-lo em prática para fazer bem à Igreja e a seus amigos, formando um conjunto instrumental de quinze flautas na sua paróquia. Este e muitos outros fatos demonstram quanto é proveitoso a preocupação que possuem os Arautos do Evangelho com os jovens.

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Crescendo e se multiplicando…

Os leitores devem se recordar do Grupo de oração Santa Bakhita, que foi formado pelos Arautos em Moçambique no próprio bairro em que estão situados. Consta de várias famílias que se reúnem na casa de um de seus membros, rezam o terço diante do oratório do Imaculado Coração de Maria, e preparam sua alma para a missa dominical, lendo em conjunto a liturgia do domingo seguinte.

Em algumas ocasiões esse grupo vem à casa dos Arautos para aprofundar mais sua fé, receber cursos de formação, e quando é possível, assistir uma missa celebrada por um sacerdote dos Arautos, como vemos nas fotos. Tiveram mesmo a graça de estar com o Pe. Arão Mazive, recém ordenado, e de receber dele a primeira benção sacerdotal.

No início o grupo era pequeno, mas como tudo o que nasce da Igreja, foi e está crescendo. Lembremos que Nosso Senhor iniciou sua Igreja com doze, somente doze…

E para todos, Arautos e famílias, esse progresso é uma grande alegria, pois sabemos quanto esse continente necessita do auxílio espiritual e das bençãos da Igreja para florescer e fazer progredir tanto a nação moçambicana como as outras nações da África.

Esperamos que esse grupo seja o início de uma verdadeira avalanche de conversões e de apostolado, e com isso inúmeras almas possam ser atraídas para a Igreja Católica, beneficiadas por sua doutrina e seus sacramentos, e povoem o céu com novos santos africanos.

 

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A espiritualidade de Santa Bakhita

 Foi com sumo agrado que relatamos em diversos artigos a biografia da Irmã Bakhita, e por ser um verdadeiro caleidoscópio, em que a cada movimento vemos figuras mais belas e diferentes das outras, não foi possível deixar desconhecido do nosso caro leitor a integridade da sua vida, dividindo-a por fases, sendo esta uma parte da espiritualidade da Irmã Bakhita.

      Os primeiros albores espirituais da irmã Bakhita, se manifestaram no encontro dela com Checchini – organizador de associações católicas – que a ofereceu um singelo Crucifixo. Eis como Santa Josefina nos descreve o episódio tão recamado de unção: “ao me dar o Crucifixo, ele o beijou com muita devoção, e em seguida me explicou que Jesus Cristo, o filho de Deus, tinha morrido por nós. Eu não sabia isso significava, mas levada por uma força misteriosa, escondi o Crucifixo, com medo de que a minha patroa o tirasse de mim. Lembro-me de que O olhava escondido e sentia dentro de mim uma coisa que não sabia explicar”.

      A referência a Cristo Crucificado é uma constante no pensamento de Madalena de Canossa – a Fundadora das Irmãs de Caridade, canossianas: a Congregação na qual Bakhita ingressou – que faz do “não buscar senão a Deus só e Cristo Crucificado” o centro em redor do qual faz volver a regra. E é justamente no grande Crucifixo existente no parlatório do Instituto dos Catecúmenos que Bakhita encontra a força para insubordinar-se contra Maria Turina, que, de volta à Itália depois de quase um ano de ausência, quer que a criada (Bakhita) – abandone o curso de catequese de preparação para o Batismo para ir fixar-se definitivamente na África com ela. A ação de insubordinar-se não era por espírito de revolta, mas tornara-se imperioso para dar continuidade a adesão a Cristo crucificado e tomar o rumo que conduz à eternidade feliz!

      Embora Josefina tivesse galgado grandes passos na sua vida espiritual, só a consolidou no ato batismal como ela mesma relata: “depois que entrei no Catecumenato, passado o tempo da preparação, recebi o santo batismo, com uma alegria que só os Anjos poderiam descrever.

      Deram-me os nomes de Josefina, Margarida e Fortunata, que em árabe se diz Bakhita. No mesmo dia recebi a Crisma e a primeira Comunhão. Ah que data inesquecível!”.

      Estimado leitor, como pode vislumbrar, a história da espiritualidade da Santa Josefina Bakhita fundamenta-se no que foi acima referido. Esperamos, com a intercessão dela, darmos continuidade a narração das maravilhas que encerram a sua vida que, por conseguinte, nutre a nossa alma! A ideia de luta estará sempre vincada na vida espiritual dela, com na de todos os santos, e isso é de suma importância para cada um de nós nesta terra de exílio, na qual  peregrinamos rumo à eternidade. 

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Encontro dos religiosos da Arquidiocese de Maputo

No dia 03 de fevereiro os religiosos e religiosas da Arquidiocese de Maputo celebraram o dia dos Consagrados na Paróquia São João Evangelista, no bairro de Malhangalene.

A jornada foi iniciada pela celebração Eucarística presidida por sua Excia. Revma. Dom Francisco Chimoio. OFM, e concelebrada pelo Bispo Auxiliar, Dom João Carlos Hatia Nunes e por todos os sacerdotes pertencentes à diversas Congregações presentes na Arquidiocese.

Em sua homilia, o Arcebispo exortava às Congregações a cultivarem o espírito de união fraterna, com um elevado relacionamento entre seus membros, em que os mais experientes ensinassem àqueles que estavam iniciando seu percurso de vida consagrada, e estes soubessem admirar e seguir os conselhos dos mais antigos. 

Frisava também a importância das Congregações estarem todas unidas trabalhando por um mesmo ideal de evangelização, evitando quaisquer individualismos ou preconceitos para com outras Congregações e seus carismas, pois todas são inspiradas pelo Espiríto Santo. “Nada de ficar cada um em sua gaveta”, gracejava.

Após a Santa Missa, todos participaram da exposição feita pelo Pe. Conrad, da Congregação do Verbo Divino, sobre a Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, e logo em seguida uma confraternização, onde todos puderam conviver durante um almoço preparado pelos próprio religiosos.

Os Arautos do Evangelho estiveram presentes com o Pe. Arão Mazive, EP, e vários irmãos da Congregação.

Foi um dia de muita benção e fraternal convívio, onde se cumpria uma máxima dita por uma virtuosa senhora brasileira, Dona Lucilia Corrêa de Oliveira: “viver é estar juntos, olhar-se e querer-se bem”. Relembra-nos o salmo: “Vinde ver como é bom e suave os irmãos viverem juntos, bem unidos!” (Sl 132)

 

 

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8 de fevereiro – Festa de Santa Bakhita

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 (Quinta-feira, 06-02-2014, Gaudium Press) – Muitas vezes as vias de Deus são incompreensíveis aos olhos humanos. Mas Ele sabe como conduzir as almas e os acontecimentos para realizar Seu plano de amor e salvação. A história de Bakhita encaixa-se dentro desta perspectiva. A Igreja comemora sua festa no dia 8 de fevereiro. Por isso transcrevemos este artigo, hoje:
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“Dotada de um caráter fácil e submisso, com uma marcada propensão para fazer o bem aos outros, a pequena descendente da tribo dos Dagiu dava, desde a mais tenra infância, mostras de ser uma predileta de Deus.

Certa vez, estando com uma amiga nas proximidades de sua aldeia, situada na região de Darfur, no oeste do Sudão, Bakhita deparou-se com dois homens que surgiram de improviso de trás de uma cerca. Um deles pediu-lhe que fosse pegar um pacote que esquecera no bosque vizinho e disse à sua companheira que podia continuar o caminho, pois ela logo a alcançaria. “Eu não duvidava de nada, obedeci imediatamente, como sempre fazia com a minha mãe” – narrou ela.1

Protegidos pela floresta e longe de qualquer testemunha importuna, os dois estrangeiros agarraram a menina e levaram-na à força com eles, ameaçando-a com um punhal. Sua ingenuidade, bem compreensível em seus oito anos, custara-lhe caro.

Contudo, eram essas as misteriosas vias da Providência, por meio das quais se realizariam os desígnios de Deus a seu respeito . Se tal fato não tivesse ocorrido talvez sua vida teria continuado na normalidade do convívio familiar, em meio aos afazeres domésticos e às práticas rituais do culto animista que professavam seus parentes. Provavelmente ela jamais conheceria a Fé Católica, e permaneceria submersa nas trevas do paganismo.santa_bakhita_3.jpg

Uma escravidão providencial

Empurrada violentamente por seus raptores, foi levada para uma cruel e penosa escravidão .E embora ela o ignorasse, estava dando os primeiros passos que a conduziriam, à custa de sofrimentos atrozes, rumo à verdadeira liberdade de espírito e ao encontro com o grande Senhor a Quem já amava antes de conhecer.

Sim, desde muito pequena, Bakhita deleitava-se em contemplar o Sol, a Lua, as estrelas e as belezas da natureza, perguntando-se maravilhada:

“Quem é o patrão destas coisas tão bonitas? E sentia uma grande vontade de vê-lo, de conhecê-lo, de prestar-lhe homenagem”.

Ensina São Tomás de Aquino que “uma pessoa pode conseguir o efeito do Batismo pela força do Espírito Santo, sem Batismo de água e até sem Batismo de sangue, quando seu coração é movido pelo Espírito Santo a crer e amar a Deus e a arrepender-se de seus pecados”.2 É o que se chama Batismo “de desejo”, ou “de penitência” . Apoiando-nos nessa doutrina, podemos supor que na alma admirativa da escrava sudanesa brilhava a luz da graça santificante, muito antes de ela receber o Batismo sacramental.

Para Bakhita, porém, apenas começara a terrível série de padecimentos que se prolongaria durante 10 anos. Tal foi o choque produzido em seu espírito pela violência do sequestro, que ela esqueceu-se até do próprio nome. Assim, quando foi interrogada pelos bandidos, não pôde pronunciar sequer uma palavra. Então um deles disse-lhe: “Muito bem . Chamar-te-emos Bakhita”. Em sua voz havia um acento irônico, uma vez que este nome, em árabe, significa “afortunada”.

Padecimentos no cativeiro

Chegando a um povoado, Bakhita foi introduzida numa cabana miserável e trancada num quarto estreito e escuro, onde permaneceu durante um mês. “Quanto eu tenha sofrido naquele lugar, não se pode dizer com as palavras”, escreveria ela mais tarde. Por fim, depois desses dias nos quais a porta não se abria senão para deixar passar um parco alimento, a prisioneira pôde sair, não para ser posta em liberdade, mas para ser entregue a um traficante de escravos que acabava de adquiri-la.

Bakhita haveria de ser vendida cinco vezes sucessivas, aos mais variados patrões, exposta nos mercados, presa pelos pés a pesadas correntes e obrigada a trabalhar sem descanso para satisfazer os caprichos de seus amos. Colocada a serviço da mãe e da esposa de um general, a jovem escrava ali enfrentou os piores anos de sua existência, como ela mesma descreve: “As chicotadas caíam em cima de nós sem misericórdia; de modo que nos três anos que estive a serviço deles, não me lembro de ter passado um só dia sem feridas, porque não havia ainda sarado dos golpes recebidos e recebia outros ainda, sem saber a causa. […] Quantos maus tratos os escravos recebem sem nenhum motivo! […] Quantas companheiras minhas de desventura morreram pelos golpes sofridos!”.

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Além desses e de outros tormentos, fizeram-lhe uma tatuagem que a obrigou a permanecer imóvel sobre sua esteira por mais de um mês . Bakhita conservou até o fim da vida 144 cicatrizes sobre o corpo, além de um leve defeito ao caminhar.

Certa vez, interrogada sobre a veracidade de tudo quanto fora contado a seu respeito, ela afirmou ter omitido em suas narrativas detalhes verdadeiramente espantosos, vistos apenas por Deus e impossíveis de serem ditos ou escritos. Entretanto, a mão do Senhor não a abandonou sequer um instante. Mesmo nos piores momentos, Bakhita sentia dentro de si uma força misteriosa que a sustentava, impelindo- a a comportar-se com docilidade e obediência, sem nunca se desesperar.

Proteção amorosa de Deus

Anos mais tarde, lançando um olhar sobre seu passado, reconhecia a intervenção divina nos acontecimentos de sua vida: “Posso dizer realmente que não morri por um milagre do Senhor, que me destinava a coisas melhores” . E a Ele manifestava sua gratidão: “Se eu ficasse de joelhos a vida inteira, não diria, nunca, o bastante, toda a minha gratidão ao bom Deus”.

Prova dessa proteção amorosa de Deus, que a acompanhou desde a infância, foi a preservação de alma e de corpo na qual se manteve, mesmo em meio às torturas, sem que jamais sua castidade fosse atingida. “Eu estive sempre no meio da lama, mas não me sujei. […] Nossa Senhora me protegeu, ainda que eu não A conhecesse . […] Em várias ocasiões me senti protegida por um ser superior”.

A mudança para a Itália

Em 1882, o general que a comprara teve de retornar à Turquia, seu país, e pôs à venda seus numerosos escravos Bakhita, fazendo jus a seu nome, logo despertou a simpatia do cônsul italiano Calixto Legnani, que se dispôs a adquiri-la. “Desta vez fui verdadeiramente afortunada, porque o novo patrão era bastante bom e começou a querer-me tanto bem”.

Embora o cônsul não pareça ter-se esforçado em iniciar nas verdades da Fé a jovem escrava, durante os anos em que esta viveu em sua casa, este período foi para ela a aurora do encontro com a Igreja. Como católico que era, Legnani tratou Bakhita com bondade. Ali não havia castigos, pancadas, nem mesmo repreensões, e ela pôde gozar da doçura característica das relações entre aqueles que procuram cumprir os mandamentos da caridade cristã.

Ante o avanço de uma revolução nacionalista no Sudão, Calixto Legnani teve de voltar para a Itália. A pedido de Bakhita, levou-a consigo . Porém, chegados a Gênova, o cônsul cedeu a jovem sudanesa a seus amigos, o casal Michieli. Assim, ela passou a morar na residência desta família, em Mirano, na região do Veneto, tendo por encargo especial o cuidado da filha, a pequena Mimina.

O encontro com seu verdadeiro Patrão e Senhor

Estando ali, Bakhita recebeu de um amável senhor, que se interessara por ela, um belo crucifixo de prata: “Explicou-me que Jesus Cristo, Filho de Deus, tinha morrido por nós. Eu não sabia quem fosse […]. Recordo que às escondidas o olhava e sentia uma coisa em mim que não sei explicar”. Pouco a pouco, a graça foi trabalhando a alma sensível da ex-escrava africana, abrindo-a para as realidades sobrenaturais que ela desconhecia.

Em sua Encíclica Spe Salvi, o Santo Padre Bento XVI assim descreve o milagre que se operou no interior de Bakhita: “Depois de ‘patrões’ tão terríveis que a tiveram como sua propriedade até agora, Bakhita acabou por conhecer um ‘patrão’ totalmente diferente – no dialeto veneziano que agora tinha aprendido, chamava ‘Paron’ ao Deus vivo, ao Deus de Jesus Cristo. Até então só tinha conhecido patrões que a desprezavam e maltratavam ou, na melhor das hipóteses, a consideravam uma escrava útil. Mas agora ouvia dizer que existe um ‘Paron’ acima de todos os patrões, o Senhor de todos os senhores, e que este Senhor é bom, a bondade em pessoa. Soube que este Senhor também a conhecia, tinha-a criado; mais ainda, amava-a. Também ela era amada, e precisamente pelo ‘Paron’ supremo, diante do qual todos os outros patrões não passam de miseráveis servos. Ela era conhecida, amada e esperada; mais ainda, este Patrão tinha enfrentado pessoalmente o destino de ser flagelado e agora estava à espera dela ‘à direita de Deus Pai'”.3

Uma inesperada decisão cheia de valentia

Mais sofrimentos ainda a aguardavam, embora de ordem muito diversa dos anteriormente suportados: Deus lhe pediria uma prova de sua entrega, de sua renúncia a tudo, em razão do amor a Ele, oferecida de livre e espontânea vontade.

Quando Bakhita, já instruída na Religião Católica pelas Irmãs Canossianas de Veneza, preparava-se para receber o Batismo, sua patroa quis levá- la de novo ao Sudão, onde a família Michieli resolvera fixar-se definitivamente . De caráter flexível e submisso, acostumada a se considerar propriedade de seus donos, revelou ela, naquela conjuntura, uma coragem até então desconhecida mesmo pelos seus mais próximos. Temendo que aquela volta pusesse em risco sua perseverança, negou-se a seguir sua senhora.

As promessas de uma vida fácil, a perspectiva de rever sua pátria, a profunda afeição a Mimina e a gratidão a seus amos, nada disso pôde mudar sua decisão de dar-se a Jesus Cristo para sempre. Bakhita mostrara-se sempre dócil a seus superiores. Agora manifestava de outra forma essa virtude, obedecendo mais a Deus do que aos homens (cf. At 4, 19). “Era o Senhor que me infundia tanta firmeza, porque queria fazer-me toda sua”.

A entrega definitiva a Deus

Tendo saído vitoriosa dessa batalha, Bakhita foi batizada, crismada e recebeu a Eucaristia das mãos do Patriarca de Veneza, no dia 9 de janeiro de 1890. Foram-lhe postos os nomes de Josefina Margarida Afortunada . “Recebi o santo Batismo com uma alegria que só os Anjos poderiam descrever”, narraria mais tarde.

Pouco depois, querendo selar sua entrega a Deus de maneira irreversível, solicitou seu ingresso no Instituto das Filhas da Caridade, fundado por Santa Madalena de Canossa, a quem devia sua entrada na Igreja . Na festa da Imaculada Conceição, em 1896, após cumprir seu noviciado com exemplar fervor, Josefina pronunciou seus votos na Casa-Mãe do Instituto, em Verona.

A partir daí sua vida foi um constante ato de amor a Deus, um dar-se aos outros, sem restrições, nem reservas . Ora encarregada de funções humildes, como a cozinha ou a portaria, ora enviada em missão através da Itália, a santa sudanesa aceitava com verdadeira alegria tudo quanto lhe ordenavam, conquistando a simpatia daqueles que a rodeavam, sem se cansar de dizer: “Sede bons, amai o Senhor, rezai por aqueles que não O conhecem”.

Sobre o espírito missionário de Bakhita comenta Bento XVI em sua encíclica: “A libertação recebida através do encontro com o Deus de Jesus Cristo, sentia que devia estendê-la, tinha de ser dada também a outros, ao maior número possível de pessoas. A esperança, que nascera para ela e a ‘redimira’, não podia guardá-la para si; esta esperança devia chegar a muitos, chegar a todos”.4

Submissão até o fim

Por fim, após mais de 50 anos de frutuosa vida religiosa, durante os quais suas virtudes se acrisolaram no fogo da caridade, Bakhita sentiu a morte aproximar-se. Atacada por repetidas bronquites e pneumonias que foram minando sua saúde, suportou tudo com fortaleza de ânimo. Em suas últimas palavras, proferidas pouco antes de seu falecimento, deixou transparecer o gozo que lhe enchia a alma: “Quando uma pessoa ama tanto uma outra, deseja ardentemente ir para junto dela: por que, então, tanto medo da morte? A morte nos leva a Deus”.

Em 8 de fevereiro de 1947, a Irmã Josefina recebeu os últimos Sacramentos, acompanhando com atenção e piedade todas as orações. Avisada de que aquele dia era um sábado, seu semblante pareceu iluminar-se e exclamou com alegria: “Como estou contente! Nossa Senhora, Nossa Senhora!” . Foram estas suas últimas palavras antes de entregar serenamente sua alma e encontrar-se face a face com o “Paron”, que desde pequenina ansiava por conhecer.

Seu corpo, transladado para junto da igreja, foi objeto da veneração de numerosos fiéis, que durante três dias ali afluíram, desejosos de contemplar pela última vez a querida Madre Moretta, como era carinhosamente conhecida, que com tanta bondade os tratara sempre. Miraculosamente, seus membros conservaram- se flexíveis durante esse período, sendo possível mover seus braços para pôr sua mão sobre a cabeça das crianças.

Por este meio, Santa Josefina Bakhita revelava o grande segredo de sua santidade, refletido em seu próprio corpo. A via pela qual Deus a chamara fora a da submissão heroica à vontade divina e, para a posteridade, ela deixava um modelo a ser seguido. A humildade, a mansidão e a obediência transparecem em suas palavras, numa disposição verrdadeiramente sublime de sua alma: “Se encontrasse aqueles negreiros que me raptaram, e mesmo aqueles que me torturaram, ajoelhar-me-ia para beijar as suas mãos; porque, se isto não tivesse acontecido, eu não seria agora cristã e religiosa”.bakita-botton.jpg

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1 Salvo indicação em contrário, todas as citações entre aspas pertencem a DAGNINO, Ir. Maria Luísa, Bakhita racconta la sua storia. Trad . Cecília Maríngolo, Canossiana. Roma: Città Nuova, 1989. p. 38 .
2 Cf. Suma Teológica, III, q. 66, a.11 .
3 BENTO XVI, Carta Encíclica Spe Salvi, 30/11/2007, n. 3 .
4 BENTO XVI, Carta Encíclica Spe Salvi, 30/11/2007, n. 3

( In Revista dos Arautos, Fev/2009, n. 86, p. 34 à 38 )

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Da pia batismal ao altar

Muitas vezes  tivemos oportunidade de assistir esse ou aquele batismo: filhos de parentes, amigos ou conhecidos, ou mesmo em uma missa em que estamos presentes é ministrado esse sacramento.

Contudo, quantas vezes não refletimos como é grande este acontecimento, quanto é ele um solene e grandioso início de uma vida divina, uma pequenina semente que é plantada, e sendo bem cuidada pode dar muitos frutos para a Igreja.

Tivemos em Moçambique um exemplo disso: o primeiro sacerdote moçambicano dos Arautos do Evangelho celebrou uma solene missa na Igreja da Sagrada Família da Machava. Linda coincidência: foi ali que o Pe. Arão Mazive, EP, fora, há mais de 30 anos, batizado. Agora ia ali para consagrar o pão e o vinho e celebrar o augusto Sacrifício da Missa.

Era impossível assistir a essa celebração sem deixar-se tomar por alguma emoção. Era uma semente que tornou-se grande árvore, e agora iria com seus ramos proteger seus irmãos, e de seus frutos daria alimento aos fiéis; era uma promessa que se relizara plenamente; era a concretização de tantas esperanças, de tantos desejos, de tantas aspirações. A África ganhou um novo pastor!

Isso nos move a pedirmos a Deus, pela intercessão onipotente e infalível de Maria, que sejamos fiéis a nosso batismo. O que terá Deus desejado, desde toda a eternidade, que fôssemos a partir do momento que as águas batismais foram sobre nós derramadas?

Quanta alegria daremos a Deus ao nos apresentar diante Dele no fim de nossas vidas tendo cumprido esse seu desejo.

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A alegria continua

A alegria por ter recebido o primeiro sacerdote moçambicano não terminou entre os Arautos de Moçambique. Mais um grande conjunto de famílias organizou, junto aos irmãos da Congregação, uma solene Missa com o Pe. Arão, que pôde nesta ocasião descrever as graças recebidas por ocasião de sua ordenação sacerdotal e fazer bem a todos os que o ouviam, pois ansiavam por essa ocasião.

Os Arautos aproveitaram a ocasião para realizar uma apresentação musical natalina, que deixou a todas as famílias muito contentes.

Bem podemos meditar um pouco a maravilha que fez Nosso Senhor Jesus Cristo instituindo o sacerdócio, que prolongará até o final dos tempos sua Divina Presença entre os homens, consagrando o pão e o vinho, conferindo o perdão aos pecados, sendo instrumento Dele para a santificação da humanidade.

 

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Momento há anos esperado!

A sede dos Arautos do Evangelho em Moçambique estava em um grande suspense: todos- famílias, jovens, arautos professos e noviços- estavam ansiosos, olhando os relógios, verificando se alguém chegava no portão de entrada, pois um momento há anos desejado estava por se cumprir dentro de poucos instantes:

Um arauto proveniente de Moçambique fora ordenado sacerdote no Brasil, onde se encontra a Basílica Menor e o Seminário Maior dos Arautos do Evangelho, junto a seu Fundador, Monsenhor João Scognamiglio Clá Dias, e dentro em pouco ia chegar para celebrar a primeira missa em sua terra Natal.

Para esta ocasião, foram convidadas as famílias amigas dos Arautos na África, e preparada uma apresentação musical e um lanche comemorativos da ocasião.

Sentia-se muita unção e alegria em cada parte desta abençoada tarde na qual foi celebrada a primeira missa por um sacerdote moçambicano em terras moçambicanas.

Os olhares dos jovens deixavam entrever a aspiração de serem eles, no futuro, outros sacerdotes arautos que poderão santificar sua pátria e nela plantar a semente da Palavra de Deus.

Também os pais destes consolavam-se em imaginar que um dia seus filhos poderão estar subindo ao altar do Senhor para celebrar o Santo Sacrifício.

Rezemos todos para que esse fruto tão esperado seja o primeiro de muitos para a nossa querida África.

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Crianças carentes… de fé!

Fala-se muito de crianças carentes, pobres, sem condições. Realmente, quantas existem, e quantos beneméritos esforços se fazem para ampará-las materialmente.

Contudo, pouco ou nada comenta-se sobre as crianças carentes de fé. Quão numerosas são essas! E quantas vezes, são ao mesmo tempo carentes de uma e outra coisa. 

Que devemos nós fazer? Dar a fé e esquecer da matéria? Seríamos taxados de espiritualistas, não solidários, pois o homem não se alimenta de algo espiritual.  E se atendessemos às necessidades corporais, negligenciando o espírito? Seríamos recriminados pelo próprio Deus Nosso Senhor, que diz: “não temais os que matam o corpo e nada podem fazer contra a alma. Temei sim aquele que pode mandar a alma para o inferno” (Lc 12, 4);. E ainda: “De que serve ao homem ganhar o mundo inteiro se ele vier a perder a sua alma?” (Mt 16, 26)  (a fome ou a pobreza podem matar o corpo, mas não mandar ninguém para o inferno).  Excluir uma assistência e dar a outra é uma loucura, o que é necessário é atender ambas as coisas, pois o homem é feito de corpo e alma.

Os Arautos do Evangelho partilham desta idéia, e na África, continente tão necessitado, procuram fazer isso. Por exemplo,o dia 12 último, foi marcado para os Arautos do Evangelho de Moçambique, por uma atividade voltada às crianças carentes de sua circunvizinhança.

Já a campainha da portaria era acionada pelos pequenos, para um programa que teria início as 15:00, quando ainda os ponteiros do relógios indicavam o meio-dia…

Embora o convite tenha sido feito na véspera, por três duplas de Arautos que passavam de casa em casa imformando aos pais do mencionado programa, foi atendido com uma pontualidade pouco frequente em Moçambique, e até algumas das mães das crianças quiseram também participar.

A música foi a pioneira nestas atividades. Depois de ouvir com agrado e atenção algumas melodias de países do além mar, os infantes sentiram-se tomados de entusiasmo ao ouvirem a banda interpretando algumas canções infantis locais, que foram acompanhados com calorosos aplausos.

A oração precedida pela solene entrada da Imagem de Nossa Senhora Auxiliadora e por uma catequese do Pe. Arão Mazive, EP, ocuparam o segundo lugar nas atividades. Fazendo eco às palavras do Divino Mestre “Deixai vir a mim as criancinhas…”  o recém ordenado sacerdote exortava as crianças a sempre em seu dia a dia recorrer a Jesus pela intercessão de Maria, e para a alegria de todos,  deixou um presente muito especial: uma medalha milagrosa para cada um.

Após esse piedoso momento, foi servido um saboroso lanche e por fim, uma generosa distribuição de material escolar: cadernos, canetas, lápis, borrachas, entre outros, para o ano letivo que está prestes a começar…

Quem visse as fisionomias sorridentes das crianças retirando-se da casa dos Arautos nesse dia, e as cumprimentasse nos dias subsequentes, perceberia como é melhor fazer o bem não somente ao corpo, mas também a alma das crianças. Poderão ver ao menos pelas fotos.

 
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Ruandeses visitam os Arautos

 
Maputo, tal e qual as cidades capitais dos outros países, é uma cidade cosmopolita, ou seja, acolhe comunidades de outras nacionalidades, principalmente da África Austral.

Ocupando entre estas quase o primeiro lugar, estão  os Ruandeses que acabaram se instalando em Moçambique devido a  várias circunstâncias de seu país.

Sendo aquele de colonização francesa, portanto, com o idioma diferente ao de Moçambique, e o dialeto ainda mais diferente, leva-os a viver em círculos quase fechados.

Entretanto, a linguagem católica suplanta a social. Desse modo, foi realizada  pela comunidade Ruandesa uma visita à residência dos Arautos do Evangelho no Bairro Nkobe, na qual houve uma celebração Eucarística presidida pelo Pe. Arão EP, com o apoio de um tradutor na homilia. Essa Missa, cantada e participada de maneira a deixar notar a pluralidade de costumes na África Subsahariana, foi antecedida por uma apresentação do presépio e seguida de um momento de entretenimento no qual os gestos e a intuição falavam mais que as palavras.

 

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Primeira Missa do Pe. Arão Mazive, E.P: como uma aurora…

O que terá sido a primeira Missa da história da Igreja? Aquele sacrossanto momento da instituição da Santíssima Eucaristia por Nosso Senhor Jesus Cristo, em que Ele, Verbo de Deus humanado, se entregava como alimento para os homens. A partir dali, inumeráveis –quase diríamos infinitas- missas seriam celebradas, renovando este seu único sacrifício.

Assistindo à primeira missa de um sacerdote recém-ordenado, esses pensamentos nos saltam à mente, e podemos assim vislumbrar um pouco esse fato.

Alguém que teve anos de preparação, estudos, oração, e que finalmente é ordenado “sacerdote eterno”. O vemos revestindo-se dos sagrados ornamentos para a celebração eucarística, depois subindo os degraus do presbitério, iniciando a missa, entoando o Gloria in excelsis Deo, até chegar ao ponto auge: a consagração do pão e do vinho.

Ele se recolhe, se inclina, diz as palavras, não sem demonstrar a emoção profunda do momento. O sacerdote tem esse poder, milagroso ao último grau, de fazer com que pelas suas palavras, Deus desça à terra, e se faça presente no altar.

É comovedor assistir essas cenas, que tantas coisas nos dizem à alma. Muito mais quando se trata do primeiro sacerdote chamado a uma vocação em um continente, imenso e vasto como o africano. Que mais dizer? É como uma aurora, em que contemplamos os primeiros fulgores do sol, entretanto sabemos que não irá parar ali, mas crescerá, iluminará mais e mais, até chegar a seu zênite do meio-dia.

Quando se dará o zênite desse novo sacerdote? Deus o sabe. Mas esse dia 14 de dezembro de 2013 ficou para a história dos Arautos do Evangelho da África. Muita coisa surgirá dele. Rezemos para que seja logo…

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Ordenado o primeiro sacerdote moçambicano dos Arautos do Evangelho

“As longas esperas prenunciam as grandes graças”, dizem os santos. Realmente, quanto mais tempo Deus demora em atender um pedido, mais será Ele generoso em no-lo conceder. De nossa parte, cabe desejar e rezar com mais fervor, sem desanimar.

Assim foi com o apostolado dos Arautos na África: há quantos anos foi plantada a semente, e quantas foram as orações para que seus frutos, que já não eram escassos, redundassem em um grande fruto, quase diríamos uma flor: um sacerdote arauto, filho de terras africanas.

E esse dia chegou, talvez como um presente de Natal antecipado para Moçambique e  para os Arautos do Evangelho. No último dia 12 de dezembro, solenidade de Nossa Senhora de Guadalupe, padroeira das Américas, foram ordenados 12 novos sacerdotes da Sociedade de Vida Apostólica Virgo Flos Carmeli, e dentre eles estava o Pe. Arão Otílio Gabriel Mazive, o mais antigo membro da comunidade na África.

A cerimônia teve lugar na Basílica Menor de Nossa Senhora do Rosário, situada no Seminário Maior dos Arautos do Evangelho em Caieiras, Brasil, e todos os presentes puderam presenciar o belíssimo rito, repleto de simbolos e significados, em que os Diáconos são configurados a Nosso Senhor Jesus Cristo, tornando-se capazes de operar “in persona Christi” os sacramentos.

O Bispo ordenante, Dom Benedito Beni dos Santos, Bispo emérito da diocese de Lorena, exortou diversas vezes aos neo-sacerdotes a que permanecessem fiéis ao ministério que receberiam, sublime dádiva que Deus lhes concedera para o bem da Igreja e dos fiéis católicos.

Peçamos nesse Natal ao Menino Jesus, a sua Santíssima Mãe e a São José por esse novo sacerdote, a fim de que seja suas mãos, agora ungidas com o santo óleo, possam atrair as benção do céu para nosso continente, celebrando missas, perdoando pecados, atendendo os enfermos, enfim, ateando o fogo do amor de Deus a todas as almas que lhe estão destinadas em sua missão.

 

 

 

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A você, que nos acompanha na África: Feliz e Santo Natal!

O ano de 2013 passou, quantos acontecimentos, quantas surpresas, quantas relizações, quantas alegrias. É verdade que muitas coisas preocupantes sucederam também, e para elas não podemos fechar os olhos. Mas o Natal chegou, o Menino Jesus nasceu do seio virginal de Maria. Estamos revivendo misticamente este grandioso acontecimento, e ele incide uma luz em tudo o que passou neste ano, e  até mesmo no vindouro ano 2014.

E o que se passou no mundo, passou-se, em ponto menor, aqui na África, aqui em Moçambique. O senhor, a senhora, que nos acompanhou neste ano, viram quantas coisas: desde a ordenação do primeiro diácono moçambicano dos Arautos do Evangelho, e que neste mês foi ordenado sacerdote; a formação de uma banda de jovens de Maputo, com seu radioso hábito de noviços; as abençoadas peregrinações em Namaacha. o grupo de oração Santa Bakhita, as missões marianas, o Bispo auxiliar de Maputo nos visitando…

Enfim, quantas coisas. São os Arautos que se desenvolvem, é a Igreja que cresce, é o Reino de Nossa Senhora que se aproxima, apesar da maldade dos homens. O que acontecerá no ano de 2014? Consagremo-lo ao Divino Menino, à sua Imaculada Mãe, a seu castíssimo pai São José. Peçamos-lhes que nos guardem, que nos façam zelosos filhos da Igreja e cumpridores dos mandamentos divinos. Assim poderemos estar, em meio a qualquer coisa que nos toque, no angélico convívio da gruta de Belém.

E a você, que rezou por nós, que nos acompanhou, que sustentou o nosso blog e nossas atividades, fazemos uma especial oração de agradecimento aos pés do presépio, e desejamos-lhes um enorme, caloroso e carinhoso FELIZ NATAL!

 

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O que seria das crianças?

Quantas vezes passamos por jardins, ou até mesmo ao cuidar dos nossos, vemos a seguinte situação: uma planta, ou um broto de árvore, que ao começar se desenvolver, pende para algum lado, e com isso corre o risco de ficar feio e até mesmo inutilizável. O que faz, então o jardineiro? Amarra junto a ela um apoio, que poderá ser até mesmo um pedaço de madeira, e assim o vegetal crescerá retilíneo e embelezará o jardim no qual está plantado.

O mesmo se passa, muitas vezes, (para não dizer a maioria) com os homens: quando nascem, necessitam de muitos cuidados. Mas quando começam a crescer, estes precisam multiplicar-se para que a criança ou o jovem não pendam para o lado dos vícios e do pecado.

E nessa fase, ditosas das crianças que possuam junto a si não só bons pais e bons professores, mas religiosas, dedicadas e piedosas, que esforçam-se por formá-las e encaminhá-las para a virtude e para a religião. Quantas nações foram prósperas enquanto tiveram grande número de religiosas educando as crianças, e que ao perderem esse tesouro, perderam também toda a moralidade e a segurança de seu país.

Assim o vemos em Moçambique, em uma grande quantidade. Inúmeras religiosas que para lá se dirigem, provenientes de todas as partes do mundo, para servir ali a Igreja, e especialmente para auxiliar aos jovens e às crianças. Quanta gratidão a essas irmãs! O que seria deles, se elas não existissem?

Tomemos por exemplo, as Irmãs Pilarinas que tem sede em Maputo. Elas estiveram na sede dos Arautos do Evangelho, levando consigo as crianças de que cuidam, para que pudessem assistir a um presépio de som, luz e movimento feito por nossa Congregação, e para rezar em nossa Capela. Além disso, çevaram uma bela lembrança: um calendário de 2014, com uma bonita foto de Nossa Senhora. As crianças gostaram muito, porém notava-se no semblante das generosas irmãs uma alegria ainda maior em poder fazer bem a essas pequeninas e inocentes almas.

Rezemos para que as vocações religiosas possam a cada dia florescer com mais vigor e quantidade, pois assim não só a juventude, mas toda a humanidade poderá salvar-se do abismo para o qual está rumando. Quanto medo, apreensão e incerteza pairam pela mente das pessoas atualmente. Se a vida religiosa fosse mais propagada e seguida, isso existiria?

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Comunidade Vilaregia

Os Arautos do Evangelho em Moçambique tiveram uma prazeirosa visita em sua casa: um sacerdote, uma religiosa e um casal da comunidade Vilaregia estiveram conhecendo mais de perto o trabalho de nossa Congregação na África, assistiram ao presépio de som, luz e movimento que já está em funcionamento e deram-nos a alegria de tomar uma refeição, onde pudemos conhecer melhor o trabalho deles em Maputo, satisfazer curiosidades, além de trocar idéias e experiências pastorais.

A Comunidade Vilaregia tem casas em diversos países africanos, inclusive com vocações sacerdotais dali provenientes, a em Maputo está localizada no bairro do Zimpeto, onde atendem a uma extensa paróquia, pelo trabalho pastoral de vários sacerdotes, irmãs e casais pertencentes ao movimento.

Expressamos aqui o nosso contentamento por tê-los recebido, e esperamos que seja a primeira de uma longa série de visitas.

Nas fotos pode-se ver a alegria de todos, após uma abençoada tarde

 de convívio fraterno.

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A África, o mar e Deus

Aspecto tranquilo, suave, sereno, até mesmo tranquilizador; movimentos alegres e descontraídos, que atraem nossa atenção e distendem das preocupações; vagalhões intensos, ondas impetuosas, que se lançam sobre rochedos inamovíveis com uma violência tal que pensamos os desfarão.

Tudo isso vemos no mar, em qualquer parte em que estejamos. E contemplando-o, podemos sem dificuldade fazer analogias com os temperamentos de alguns conhecidos, os diversos estados de espírito da alma humana ou as várias situações da nossa vida. Mais ainda, nos elevamos a um patamar superior: admirar as qualidades eternas e infinitas de nosso Criador, refletidas nas águas, serenas ou violentas, do mar.

Há, contudo, peculiaridades do mar em cada região no qual este se apresenta. Vemos que o mar da África possui belezas próprias, por vezes difíceis de serem expressas; fáceis, porém, de serem admiradas: há nele um mistério no qual mescla-se a grandeza de um continente com um promissor futuro e os encantos da atraente e radiante África.

Quando pudermos, detenhamo-nos um pouco diante da baía de Maputo, ou da praia de Bilene, esqueçamos de nossos problemas diários e do corre-corre no qual vivemos, e contemplemos esse belo mar que Deus nos outorgou para admirarmos. Poderemos tirar daí numerosas lições, que encherão nossa alma de paz e de elevação.

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Evangelizando as comunidades de Moçambique

Ao estudarmos o organismo humano, vemos algo que só poderia ter sido excogitado por Deus: é ele constituído por células, que agrupando-se em várias formas e conjuntos, resultam no harmonioso palácio onde habita a alma humana, o corpo, com todos os seus orgãos, membros e articulações.

Também ocorre isso na Igreja. Esse imenso corpo que se estende por todas as vastidões da terra, e conta atualmente com nada mais nem menos que 1 bilhão e 200 milhões de adeptos, forma pequenos organismos e conjuntos que dão a sua vida. Entre outras, podemos nomear as comunidades, nome pelo qual já nos Atos dos Apóstolos vemos os pequenos núcelos da Igreja serem nomeados.

Não é pequena a importância desses pequenos orgãos no rebanho de Cristo, por isso o clero e os missionários sabem quanto devem se esforçar para solidificá-los.

Os Arautos do Evangelho tem a feliz oportunidade de colaborar com esse trabalho em Moçambique, percorrendo diversas comunidades da Paróquia Sagrada Família da Machava, na qual está situada sua residência, bem como em outras comunidades. Nas fotos podemos ver o Diác. Arão Mazive, EP, em meio à sorridente  comunidade São José Matola Gare, após uma celebração da Palavra por ele realizada, fazendo o sermão na crescente e promissora comunidade São Pedro e São Paulo, e ainda distribuindo a comunhão na comunidade São Vicente, da mesma Paróquia.

 

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O missionário: como dever ser ele?

Uma vocação esplêndida: levar o evangelho aos homens. Ser missionário. Na América, na África, em tantos lugares. Existirá, contudo, algumas regras que podem ajudá-lo em sua missão? Como deve ele fazer para seguir os passos de insígnes apóstolos, como São Francisco Xavier, e estar disposto até mesmo a derramar seu sangue, como os 40 mártires a caminho do Brasil? 

“Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer” (Jo 15, 5).

Esse ensinamento de Nosso Senhor Jesus Cristo, que encontramos no evangelho de São João, pode valer como introdução para nosso artigo: qual deve ser o perfil moral de um missionário? O que deve fazer para que seu apostolado seja profícuo? Qual é o segredo de seu sucesso?

Desde já podemos afirmar que será a absoluta necessidade de estar unido a Cristo, como os ramos à videira; e de segui-Lo como modelo e exemplo.

O saudoso Pontífice João Paulo II recorda este princípio para nossos dias, esquecidos de que a santidade é a verdadeira seiva do apostolado:

O chamamento à missão deriva por sua natureza da vocação à santidade. Todo missionário só o é autenticamente, se empenhar-se no caminho da santidade […] O renovado impulso para a missão ad gentes exige missionários santos. Não basta explorar com maior perspicácia as bases teológicas e bíblicas da fé, nem renovar os métodos pastorais, nem ainda organizar e coordenar melhor as forças eclesiais: é preciso suscitar um novo “ardor de santidade” entre os missionários[1]

A mentalidade hodierna, toda influenciada de pragmatismo e cientificismo, pode pressionar ao missionário de forma a  julgar fazer bem seu apostolado buscando artifícios meramente humanos. E é a respeito disso que o Papa adverte.

De outro lado, existiram almas que, ao longo da história da Igreja, deparando-se com as vicissitudes e necessidades do apostolado missionário, traçaram regras, em união com o espírito da Igreja, para auxiliar o missionário a compenetrar-se da importância de uma vida espiritual bem levada para evangelizar eficazmente aos demais.

Entre estes, encontramos um livro intitulado “A alma de todo apostolado”. Nele encontramos a afirmação do seu autor, Dom Jean Baptiste Chautard, de que as obras devem ser um trasbordamento da vida interior e do amor a Deus: “a alma do apóstolo é a primeira que deve ser inundada de luz e inflamada em amor, a fim de que, refletindo essa luz e esse calor, possa esclarecer e abrasar depois as outras almas”. [2]Diz ainda que “a vida ativa deve proceder da vida contemplativa, traduzida e continuada exteriormente, desligando-se dela o menos possível”[3]

Encontramos também exortações ao apóstolo que não se empenha em ter a plenitude da vida sobrenatural que deverá transmitir aos demais. O Cônego Guillard, discorrendo sobre o assunto, não teme em dizer que não pode fazer a outros amigos de Deus, se ele mesmo persiste em ser seu inimigo. A morte, diz ele, não pode dar a vida, nem o nada engendrar o ser: o escopo da evangelização “é sobrenatural: a salvação das almas; o seu fim é divino: levar os homens a Deus. Como do natural e do humano se fará o sobrenatural e o divino?”. [4]

Seria como ansiar levar a alguém uma mensagem da parte de Deus, tendo o envelope vazio. “Nesse caso-conclui o autor- não existe ação apostólica e nem existe apóstolo”[5]

O documento de Aparecida se refere a esse assunto nos seguintes termos:

O terceiro desafio se refere […] a uma vida espiritual intensa fundada na caridade pastoral, que se nutre na experiência pessoal com Deus. […] O sacerdote deve ser homem de oração, maduro na sua eleição de vida por Deus, fazer uso dos meios de perseverança, como o Sacramento da confissão, a devoção à Santíssima Virgem, a mortificação e a entrega apaixonada a sua missão pastoral.[6]

Podemos finalizar nosso pensamento em dizer que o único a que aspiram as almas é sentir o perfume da santidade em seus apóstolos. Então se deixarão atrair e influenciar.

Santos e santas. É do que a Igreja precisa para suas missões. Quando surgirem em seu seio almas generosas que se doem sem apego, sem dúvidas, sem titubeios, poderemos ter a segurança de que o céu de encherá, e as portas do inferno terão que ser fechadas, pois os apóstolos da Igreja não permitirão mais que os homens se percam eternamente.


[1] “Vocatio ad missionem suapte natura ex ipsa ad sanctitatem vocatione promanat. Quisque missionarius revera talis est modo si viae sese commendat sanctimoniae […] Novus hic impulsus in missionem ad gentes sanctos requirit missionarios Haud enim rationes pastorales renovare sufficit nec ordinare et componere melius ecclesiales copias neque accuratius fundamenta fidei biblica et theologica scrutari : opus potius est novum excitare « sanctitatis ardorem » inter  missionarios”. JOÃO PAULO II. Carta encíclica Redemptoris Misio, 7 Dez. 1990. In: AAS 83 (1991) p. 336 (Tradução do autor).

[2] CHAUTARD, Jean Baptiste. A alma de todo apostolado, São Paulo: Coleção F.T.D., 1962, p. 67.

[3] Loc. Cit, p. 66.

[4] «  Ici la fin est surnaturelle: le salut des âmes ; le but est divin : mener l’homme au Seigneur. Comment avec du naturel et de l’humain faire du surnaturel et du divin? » GUILLARD. Sainteté et apostolat. Quebec: Luçon, 1950. p. 154 (Tradução do autor)

[5] « Dans ce cas, il n’existe pas d’action apostolique et il n’existe pas d’apôtre ». Loc. Cit, p. 153. (Tradução do autor).

[6] DOCUMENTO CONCLUSIVO DE APARECIDA, n. 190. In: Documento conclusivo de Aparecida. 2 ed. Bogotá: San Pablo, 2007. p. 123.

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