Comunidade Vilaregia

Os Arautos do Evangelho em Moçambique tiveram uma prazeirosa visita em sua casa: um sacerdote, uma religiosa e um casal da comunidade Vilaregia estiveram conhecendo mais de perto o trabalho de nossa Congregação na África, assistiram ao presépio de som, luz e movimento que já está em funcionamento e deram-nos a alegria de tomar uma refeição, onde pudemos conhecer melhor o trabalho deles em Maputo, satisfazer curiosidades, além de trocar idéias e experiências pastorais.

A Comunidade Vilaregia tem casas em diversos países africanos, inclusive com vocações sacerdotais dali provenientes, a em Maputo está localizada no bairro do Zimpeto, onde atendem a uma extensa paróquia, pelo trabalho pastoral de vários sacerdotes, irmãs e casais pertencentes ao movimento.

Expressamos aqui o nosso contentamento por tê-los recebido, e esperamos que seja a primeira de uma longa série de visitas.

Nas fotos pode-se ver a alegria de todos, após uma abençoada tarde

 de convívio fraterno.

A África, o mar e Deus

Aspecto tranquilo, suave, sereno, até mesmo tranquilizador; movimentos alegres e descontraídos, que atraem nossa atenção e distendem das preocupações; vagalhões intensos, ondas impetuosas, que se lançam sobre rochedos inamovíveis com uma violência tal que pensamos os desfarão.

Tudo isso vemos no mar, em qualquer parte em que estejamos. E contemplando-o, podemos sem dificuldade fazer analogias com os temperamentos de alguns conhecidos, os diversos estados de espírito da alma humana ou as várias situações da nossa vida. Mais ainda, nos elevamos a um patamar superior: admirar as qualidades eternas e infinitas de nosso Criador, refletidas nas águas, serenas ou violentas, do mar.

Há, contudo, peculiaridades do mar em cada região no qual este se apresenta. Vemos que o mar da África possui belezas próprias, por vezes difíceis de serem expressas; fáceis, porém, de serem admiradas: há nele um mistério no qual mescla-se a grandeza de um continente com um promissor futuro e os encantos da atraente e radiante África.

Quando pudermos, detenhamo-nos um pouco diante da baía de Maputo, ou da praia de Bilene, esqueçamos de nossos problemas diários e do corre-corre no qual vivemos, e contemplemos esse belo mar que Deus nos outorgou para admirarmos. Poderemos tirar daí numerosas lições, que encherão nossa alma de paz e de elevação.

O missionário: como dever ser ele?

Uma vocação esplêndida: levar o evangelho aos homens. Ser missionário. Na América, na África, em tantos lugares. Existirá, contudo, algumas regras que podem ajudá-lo em sua missão? Como deve ele fazer para seguir os passos de insígnes apóstolos, como São Francisco Xavier, e estar disposto até mesmo a derramar seu sangue, como os 40 mártires a caminho do Brasil? 

“Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer” (Jo 15, 5).

Esse ensinamento de Nosso Senhor Jesus Cristo, que encontramos no evangelho de São João, pode valer como introdução para nosso artigo: qual deve ser o perfil moral de um missionário? O que deve fazer para que seu apostolado seja profícuo? Qual é o segredo de seu sucesso?

Desde já podemos afirmar que será a absoluta necessidade de estar unido a Cristo, como os ramos à videira; e de segui-Lo como modelo e exemplo.

O saudoso Pontífice João Paulo II recorda este princípio para nossos dias, esquecidos de que a santidade é a verdadeira seiva do apostolado:

O chamamento à missão deriva por sua natureza da vocação à santidade. Todo missionário só o é autenticamente, se empenhar-se no caminho da santidade […] O renovado impulso para a missão ad gentes exige missionários santos. Não basta explorar com maior perspicácia as bases teológicas e bíblicas da fé, nem renovar os métodos pastorais, nem ainda organizar e coordenar melhor as forças eclesiais: é preciso suscitar um novo “ardor de santidade” entre os missionários[1]

A mentalidade hodierna, toda influenciada de pragmatismo e cientificismo, pode pressionar ao missionário de forma a  julgar fazer bem seu apostolado buscando artifícios meramente humanos. E é a respeito disso que o Papa adverte.

De outro lado, existiram almas que, ao longo da história da Igreja, deparando-se com as vicissitudes e necessidades do apostolado missionário, traçaram regras, em união com o espírito da Igreja, para auxiliar o missionário a compenetrar-se da importância de uma vida espiritual bem levada para evangelizar eficazmente aos demais.

Entre estes, encontramos um livro intitulado “A alma de todo apostolado”. Nele encontramos a afirmação do seu autor, Dom Jean Baptiste Chautard, de que as obras devem ser um trasbordamento da vida interior e do amor a Deus: “a alma do apóstolo é a primeira que deve ser inundada de luz e inflamada em amor, a fim de que, refletindo essa luz e esse calor, possa esclarecer e abrasar depois as outras almas”. [2]Diz ainda que “a vida ativa deve proceder da vida contemplativa, traduzida e continuada exteriormente, desligando-se dela o menos possível”[3]

Encontramos também exortações ao apóstolo que não se empenha em ter a plenitude da vida sobrenatural que deverá transmitir aos demais. O Cônego Guillard, discorrendo sobre o assunto, não teme em dizer que não pode fazer a outros amigos de Deus, se ele mesmo persiste em ser seu inimigo. A morte, diz ele, não pode dar a vida, nem o nada engendrar o ser: o escopo da evangelização “é sobrenatural: a salvação das almas; o seu fim é divino: levar os homens a Deus. Como do natural e do humano se fará o sobrenatural e o divino?”. [4]

Seria como ansiar levar a alguém uma mensagem da parte de Deus, tendo o envelope vazio. “Nesse caso-conclui o autor- não existe ação apostólica e nem existe apóstolo”[5]

O documento de Aparecida se refere a esse assunto nos seguintes termos:

O terceiro desafio se refere […] a uma vida espiritual intensa fundada na caridade pastoral, que se nutre na experiência pessoal com Deus. […] O sacerdote deve ser homem de oração, maduro na sua eleição de vida por Deus, fazer uso dos meios de perseverança, como o Sacramento da confissão, a devoção à Santíssima Virgem, a mortificação e a entrega apaixonada a sua missão pastoral.[6]

Podemos finalizar nosso pensamento em dizer que o único a que aspiram as almas é sentir o perfume da santidade em seus apóstolos. Então se deixarão atrair e influenciar.

Santos e santas. É do que a Igreja precisa para suas missões. Quando surgirem em seu seio almas generosas que se doem sem apego, sem dúvidas, sem titubeios, poderemos ter a segurança de que o céu de encherá, e as portas do inferno terão que ser fechadas, pois os apóstolos da Igreja não permitirão mais que os homens se percam eternamente.


[1] “Vocatio ad missionem suapte natura ex ipsa ad sanctitatem vocatione promanat. Quisque missionarius revera talis est modo si viae sese commendat sanctimoniae […] Novus hic impulsus in missionem ad gentes sanctos requirit missionarios Haud enim rationes pastorales renovare sufficit nec ordinare et componere melius ecclesiales copias neque accuratius fundamenta fidei biblica et theologica scrutari : opus potius est novum excitare « sanctitatis ardorem » inter  missionarios”. JOÃO PAULO II. Carta encíclica Redemptoris Misio, 7 Dez. 1990. In: AAS 83 (1991) p. 336 (Tradução do autor).

[2] CHAUTARD, Jean Baptiste. A alma de todo apostolado, São Paulo: Coleção F.T.D., 1962, p. 67.

[3] Loc. Cit, p. 66.

[4] «  Ici la fin est surnaturelle: le salut des âmes ; le but est divin : mener l’homme au Seigneur. Comment avec du naturel et de l’humain faire du surnaturel et du divin? » GUILLARD. Sainteté et apostolat. Quebec: Luçon, 1950. p. 154 (Tradução do autor)

[5] « Dans ce cas, il n’existe pas d’action apostolique et il n’existe pas d’apôtre ». Loc. Cit, p. 153. (Tradução do autor).

[6] DOCUMENTO CONCLUSIVO DE APARECIDA, n. 190. In: Documento conclusivo de Aparecida. 2 ed. Bogotá: San Pablo, 2007. p. 123.

Festival de coros na Paróquia Sagrada Família da Machava

O que seria das cerimônias litúrgicas sem a música? 

É uma pergunta de difícil resposta, e ainda mais difícil seria para um africano responder… povo alegre, festivo e vivaz, sabem viver os bons e maus momentos da vida com tanta alegria que até se põem a cantar. Nem se diga nas missas, em que muitas vezes o coro ultrapassa o número dos fiéis nos bancos da Igreja.


A Paróquia Sagrada Família da Machava quis aprimorar esse senso musical em suas comunidades, e para isso organizou seu primeiro encontro de corais no último domingo, dia 03 de novembro. Os coros das nove comunidades dessa paróquia, revestidos de belos e coloridos uniformes,  reuniram-se no intuito de colaborarem mutuamente para o progresso das músicas liturgicas.

O encontro iniciou-se com a apresentação de algumas músicas da banda dos Arautos do Evangelho, e a seguir cantou-se o Hino do Ano da fé, tocado pelos Arautos e cantado por representantes dos diversos coros da Paróquia. A seguir tiveram a apresentação de cada coral, o que foi um pequeno espetáculo de afinação e entusiasmo.

 

Que alegria proclamar a nossa fé!

 

Um dom mais precioso que o ouro ou qualquer riqueza: a fé. Para aqueles que a possuem, e reconhecem seu inestimável valor, sentem em si a alegria e a serenidade de que, pussuindo-a, nada lhes poderá fazer mal, pois esse é “seu repouso, sua rocha, seu refúgio, sua proteção e segurança”,como cantam tão belamente as Escrituras Sagradas.

Por ela,  milhares de pessoas chegaram ao absurdo –para os olhos humanos- de entregar a própria vida, para não perdê-la. E por ela, o que ainda existe de verdadeira alegria em nosso mundo, no qual grassam tantos males, ainda vive.

É por isso que ao vermos nas ruas uma procissão que passa, ou quando participamos de uma, nosso coração enche-se de contentamento. Estamos proclamando o maior tesouro que Deus nos deu, com o nosso batismo.

Vimos aqui em Moçambique, no dia 27 de outubro, uma dessas manifestações de fé e alegria: centenas de pessoas encheram as ruas da cidade de Maputo para comemorar o encerramento do ano da fé.Sua Excia. Revma. Dom João Carlos Hatoa Nunes, presidiu a procissão e a Missa. Muitas paróquias estiveram reunidas: Sagrada Família da Machava, Nossa Senhora do Livramento de T3, Nossa Senhora da Assunção da Liberdade, Santa Teresinha de Liqueleva, entre outras. E os Arautos do Evangelho, que animaram com sua banda a solenidade, puderam também participar desse júbilo.

Eles querem. Basta ajudá-los…

“Meu filho é desobediente”; “minha filha não gosta de estudar e vive fora de casa!”;”meus filhos nunca gostam de ir à Igreja nem ao catecismo…”; “como é difícil cuidar de criança…”; “meu filho, padre? minha filha, freira? Nunca vou ter essa alegria na família…”.

Essas são algumas das reclamações  que inúmeras vezes escutamos aqui, lá e acolá a respeito das crianças. 

Entretanto, precisaríamos nos fazer uma pergunta, franca e objetiva: o que fazemos para ajudá-las? Queremos obrigá-las a frequentar a Igreja, ou nos esforçamos para atrai-las e incutir nelas o gosto pela religião? “Uma gota de mel atrai mais abelhas que um barril de fel”, dizia São Francisco de Sales. As crianças são especiais, tem uma candura e um desinteresse que as tornam dignas de um trato diferente e mais cuidadoso que os pobres homens grandes, que muitas vezes mais pensam na terra que nas estrelas, mais no dinheiro que no céu…

Relatamos aqui uma feliz experiência que tiveram os Arautos em Moçambique: a pedido das Irmãs da Apresentação de Maria, expuseram a vida dos padroeiros das missões e da Infância Missionária, São Francisco Xavier e Santa Teresinha do Menino Jesus, para as crianças da Comunidade do Espírito Santo e de outras comunidades vizinhas, da Paróquia Nossa Senhora de Fátima do Laulane. 

Poderiam pensar, pelos preconceitos que já vimos acima, que seria difícil, mais ainda por ser uma terra em que a Igreja Católica não possui raízes tão profundas; que elas não prestariam atenção, fugiriam, dormiriam… mas foi bem o contrário. Uma outra qualidade das crianças é de possuirem  muito senso religioso e muita admiração pelo que lhes é superior. Antes mesmo de iniciar a exposição, o arauto foi instado fortemente por elas a explicar ponto por ponto, até os pormenores do seu hábito e de sua Congregação, até então desconhecidas por elas.

Ao discorrer sobre a vida do santo missionário jesuíta, foram projetadas diversas fotos, e os pequenos olhos brilhavam ao ouvir as façanhas do “gigante do oriente”: batismos incontáveis, viagens perigosas, povos e mais povos convertidos por ele, a generosidade de abandonar um lindo castelo e uma luxuosa vida para seguir a Jesus… 

Ao chegarmos na tocante e admirável vida da santa carmelita de Lisieux, que marcou o mundo com a sua santidade, tão marcadamente acentuada pelos grandes desejos e pela caridade, o entusiasmo não foi menor. Viram passar diante de si, em um audiovisual preparado pelos Arautos, a casa da santa, seus pais, a réplica em pedra e a narração do marcante encontro dela com Leão XIII, para rogar ao Papa permissão de entrar no Carmelo aos quinze anos, sua exemplar vida religiosa, sua bela morte. Foi-lhes inesquecível.

Prova disso é o testemunho dado por uma menina de doze anos que, ao ser chamada pelo expositor para dizer a todos qual fora a parte do audiovisual que mais gostara,  sem titubear, disse: “o dia em que ela afinal conseguiu entrar no convento”. Quem sabe se não foi o chamado pela vida religiosa despontando na jovem alma dela, ao ver o exemplo da santa?

Após encerrar esse programa, a avidez foi ainda maior pelas lembranças distribuídas pelos Arautos: um grande e bonito calendário de Nossa Senhora de Fátima.

Os arautos saíram de lá com uma lição aprendida: as crianças –mesmo as africanas, e elas até mais do que outros povos-, querem a santidade, querem a Deus, querem a Igreja. Basta ajudá-las…

 

 

Frades capuchinhos comemoram 50 anos de missão na África

Ndjamena – Chade (Quinta-feira, 24-10-2013, Gaudium Press) Os Frades Menores da Ordem dos Capuchinhos celebraram neste último domingo, 20, 75 anos de presença no Chade e na República Centro Africana.

O evento foi comemorado com a celebração de uma Santa Missa presidida pelo Bispo Dom Joachim Kouraleyo Tarounga, na Catedral da Diocese de Moundou (Chade), e concelebrada pelo Bispo capuchinho de Goré, Dom Rosario Pio Romolo.

Mais 40 sacerdotes participaram da celebração. A iniciativa foi precedida por uma semana de orações, Adoração ao Santíssimo Sacramento e conferências.

Presença dos Frades Menores Capuchinhos

O Padre Michel Guimbaud, frade capuchinho, chegou ao Chade em 1957. Na época, ele conheceu alguns dos fundadores da missão capuchinha naquele país e também na República Centro-Africana, sendo o grande responsável por desenvolver a história da presença dos Frades Menores Capuchinhos nos dois países africanos.

Atualmente, a ordem franciscana dos Capuchinhos está presente em oito dioceses: Berberati, Bossangoa e Bouar, na República Centro-Africana, e Moundou, Sarh, Doba, Lai e Goré, no Chade. (LMI)

Da redação de Gaudium Press, com informações Radio Vaticano

Conteúdo publicado em gaudiumpress.org, no link http://www.gaudiumpress.org/content/52129#ixzz2ij0tvtrI

O Verbo Divino na África

Os Arautos tiveram mais uma grata visita em sua sede: o Pe. Paulo, missionário do Verbo Divino há 14 anos em Moçambique, esteve celebrando a Santa Missa na casa da Congregação em Maputo.

Todos os jovens e até mesmo os irmãos da Congregação tiveram a atenção especialmente presa durante sua homilia, em que o sacerdote americano aproveitou de fatos ocorridos em sua longa experiência missionária para explicar a liturgia do dia. Até mesmo os leprosos curados por Nosso Senhor Jesus Cristo, relatados no Evangelho do dia, foram contemplados à luz dos leprosos do norte de Moçambique que o missionário cuidara durante vários anos. Um belo exemplo de abnegação pela Igreja!

Mais uma vez, foi uma excelente oportunidade de estreitar relações com uma Congregação de missonários que dedica sua vida para salvar almas na África.

Na África, o mais importante é pregar o amor de Deus

50 anos de missão na África: uma glória para um sacerdote. O O Padre Germán Arconada a atingiu, e conta um pouco de suas missões, suas alegrias e dificuldades. E conclui dizendo que neste continente, mais ainda do que construir ou doar, é importante “pregar o amor de Deus”

Madri – Espanha (Segunda-feira, 21-10-2013, Gaudium Press) O Padre Germán Arconada, originário de Carrion de los Condes, já pode ostentar uma grande ‘medalha’ para todos os que consideram a sua vida sacerdotal: 50 anos de missão na África. E como a grande maioria dos missionários nessas terras, teve sua vida em risco por mais de uma ocasião.

Ele era um jovem seminarista diocesano em Palência quando conheceu um missionário Africano, um Padre Branco. “Os Padres Brancos gostaram de mim porque eles estavam em comunidade, em grupos de dois ou três, e eu não queria ser padre sozinho. Além disso, a missão sempre me atraiu”, disse.

Aos 76 anos, ele já é capaz de fazer um balanço de sua vida, o que não significa que não continue em forte missão.

No continente negro muitas foram as obras promovidas pelo Padre Germain, escolas, pontes, poços, saneamento. Ele acrescentou que a África é “grata” para o missionário. “O Africano é feliz, as crianças são felizes”, afirmou.

Enquanto isso, aos seus 57 anos, foi até Jerusalém para fazer um retiro espiritual de acordo com o método de Santo Inácio, e ali percebeu que não era nada, que era vaidade. E, em uma confissão aceitou essa verdade “com lágrimas de alegria”.

“Fiquei impressionado com a paciência de Deus comigo, o quanto Ele me amou, me perdoou… então agora eu entendo que ainda preguemos o perdão, ninguém consegue realmente perdoar se não experimentou o perdão de Deus”.

Em outubro do mesmo ano retornou ao Burundi, quando eclodiu a guerra civil. O Padre Germán encontrava-se “em uma zona onde 700 tutsis foram massacrados. O rio trouxe corpos flutuando, decapitados, um após o outro. E eu pensei: que nós fizemos pontes, escolas, poços, mas não mudamos os corações através do amor de Deus. Continuou fazendo projetos, muitos, mas agora para mim o mais importante é a pregação do amor de Deus”.

Este último pensamento tem sido desde então diretriz em sua vida apostólica, e se reflete em sua pregação. No entanto, no meio da guerra foi comprometida a sua vida em várias ocasiões. Mas a Providência o tem preservado do martírio, para o benefício espiritual de muitos.

Ele é Padre ‘Branco’ (nome com o qual são conhecidos os Missionários da África fundados pelo Cardeal Lavigerie no século XIX ), mas com uma ironia inocente diz que os Padres Brancos estão se tornando “muito negros”: de seus 450 noviços, 95% são africanos. É a África “agradecida” que falava acima. Entretanto seu coração continua lembrando as vocações que se podem despertar no Ocidente, e a elas transmite um pensamento: “os africanos necessitam projetos de solidariedade, recursos, etc… mas o que necessitam realmente, o mais importante, é que eles preguem que Deus ama a todos nós”. (GPE/EPC)

Com informações da Religion en Libertad

Conteúdo publicado em gaudiumpress.org, no link http://www.gaudiumpress.org/content/52012#ixzz2iR9eyRvn

 

Evangelizando palmo a palmo as terras de Moçambique

A Igreja Católica tem uma força incrível, irresistível. Os maiores reinos e impérios que contra Ela se lançaram, os sábios mais instruídos que tentaram desmenti-La, as adversidades mais deslindáveis, as fúrias mais implacáveis, nada, absolutamente nada conseguiu vencê-la. Nenhum exército, nenhuma instituição, nenhum empreendimento humano resistiu ao passar dos séculos como a Igreja, pois  tem Ela sua segurança na promessa do próprio Deus: “As portas do inferno não irão derrotá-la” (Mt 16, 18)

Aesse respeito, ensina o Sumo Pontífice Leão XIII “a missão dos apóstolos não era de natureza que pudesse perecer com as pessoas dos apóstolos ou para desaparecer com o tempo, pois era uma missão pública e instituída para a salvacão do gênero humano. Jesus Cristo, com efeito, ordenou aos apóstolos que pregassem  ‘o Evangelho a todos os  povos’, ‘levassem seu nome diante dos povos e dos reis, e que o servissem de ‘testemunhas  até os confins da terra’”.[1]

E, recentemente, o Papa Francisco, no encerramento do 1º Congresso para a Nova Evangelização, organizado pela Arquidioecese de Manila, na Filipinas, exortava a que “jamais se cansem de levar a misericórdia do Pai aos pobres, aos doentes, aos abandonados, aos jovens e às famílias. Anunciem Jesus ao mundo da política, das empresas, da cultura, da ciência, da tecnologia e dos meios de comunicações sociais”.

Vemos assim como a Igreja, mesmo em meio a vicissitudes, tira de si mesmo um imenso dinamismo para levar o Evangelho a todas as partes

Prova disso é a evangelização levada pela Igreja a todos os povos e nações, sejam europeus, asiáticos, americanos, ou africanos. Em qual rincão do planeta o estandarte sacrossanto da Cruz não esteve fincado?

O amor ardente que tem a Igreja a leva a desejar evangelizar o globo terrestre, palmo a palmo, pois “o amor de Cristo a impele” (2 Cor 5, 14). Assim presenciamos na África, em Moçambique. Que nobre e generosa plêiade de missionários que renunciam a sua pátria natal, suas amizades e quantas outras coisas para vir semear a palavra de Deus nesta terra. A diário, vemos sacerdotes, religiosos e religiosas percorrendo a cidade, e pensamos: “eis aí um portador da luz de Cristo para os homens!”

Os Arautos do Evangelho procuram também fazer a sua parte, em tudo o que estiver a seu alcance. Mesmo no bairro em que residem. Formaram ali um Grupo de Oração, que podemos ver nas fotos, a quem deram o nome de Grupo de oração Santa Bakhita, grande santa sudanesa, exemplo para os povos africanos.

Esse grupo reúne-se semanalmente em uma das casas de seus membros, para rezar o terço e ler trechos da Sagrada Escritura, assim como de outras obras de piedade. Ali estão presentes também os irmãos Arautos, para acompanhar as famílias no encontro, e mensalmente elas recebem uma aula de formação ministrada por um dos arautos, na própria casa da Congregação.

Assim, pouco a pouco, mas com aquele ímpeto que conquistou o império romano, singrou mares e oceanos e fez estarrecer os grandes reis do Oriente, o “evangelho é anunciado” (Fl 1,18)

[1] Carta Encíclica Satis Cognitum, n. 15

Surpresa em Namaacha!

É tocante presenciar certas manifestações do espírito religioso do povo africano. Em Moçambique, temos muitas oportunidades de contemplá-lo. Por exemplo, a afamada paregrinação ao Santuário nacional de Nossa Senhora de Fátima em Namaacha. Duas vezes por ano, nos meses de maio e outubro, ocorre uma enorme afluência de peregrinos, que para lá se dirigem, muitas vezes caminhando por mais de um dia, de suas Paróquias ao Santurário, para louvar a augusta Mãe de Deus, que baixou à cova da Iria, no ano de 1907, para premunir os homens do grande abismo no qual estava a humanidade se atirando com seus pecados, sobretudo com a imoralidade e o abandono das práticas religiosas.

Ali passam os peregrinos dois dias, nos quais rezam a Via-Sacra, o terço tão pedido pela Virgem Santíssima em Fátima, rezam diante do Santíssimo Sacramento exposto, e participam das Missas celebradas pelo Arcebispo de Maputo ou o o Bispo auxiliar.

 

Nos dias 12 e 13 deste mês, as Legionárias de Maria realizaram a sua peregrinação, com o costumeiro programa, muito repleto de bençãos e piedade mariana. Tiveram, porém, uma surpresa: a banda dos Arautos do Evangelho que sempre anima este evento estava com um cosiderável reforço, de 15 jovens aspirantes, que com seu hábito característico, engrossaram as fileiras dos instrumentos, e deram assim, um ótimo exemplo para os jovens de alegria em servir a Deus e à sua Igreja.

Sua Excelência Revma., Dom Francisco Chimoio, O.F.M., como verdadeiro e dedicado pastor, acompanhou a toda a peregrinação, rezando com o povo a Via-Sacra, palmilhando o percurso da procissão, e celebrou as Missas em ambos os dias.

Os Arautos do Evangelho estiveram também presentes na peregrinação, não somente com a banda, mas também o Diác. Arão Mazive, EP, assistiu ao Arcebispo nestes dias.

 

 

 

As pedras preciosas que se encontram: Orionitas e Arautos


A Santa Igreja Católica é, como nos ensina o Apóstolo (Ef 4, 15 s.), um corpo místico, imenso, sublime, inigualável. Sua cabeça é o Verbo de Deus humanado. É Dele que emana a graça para os fiéis de todos os tempos e de todos os lugares, conforme ensina São João: “De sua plenitude recebemos graça sobre graça” (Jo 1,16)

É por isso que todos os seus membros de rejubilam ao estar juntos. As Congregações religiosas, grandes famílias de almas, se comprazem em encontrar-se, ver reluzir seus carismas ao relacionar-se, como se fossem várias pedras preciosas que fazem refletir a luz de várias formas e coloridos diferentes e tamisados.

Filhos de São Luis Orione e filhos de Monsenhor João Clá Dias: duas famílias diferentes, com carismas e métodos de evangelização diversos, que no entanto se encontraram, também em lugar tão misterioso e legendário: a África.

O Revmo. Pe. Cláudio, responsável pela formação dos Orionitas em Maputo, esteve celebrando a Eucaristia na casa dos Arautos, e convivendo com eles, trocava pensamentos e experiências com os membros dessa Congregação. Todos sentiram-se sobremaneira satisfeitos e alegres com a visita.

O Bispo Auxiliar de Maputo visita a casa dos Arautos

“Eu sou o bom pastor. Conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas conhecem a mim” (Jo 10, 14)

O pastor: que singela imagem da qual quis o Deus humanado servir-se para demonstrar não somente seu amor, mas sua solicitude, seu desvelo, seu cuidado para com seus filhos. O pastor não é simplesmente um homem que cuida de seu rebanho para ganhar um ordenado. É muito mais do que isso: ele conhece cada uma de suas ovelhas, ele as protege das intempéries, dos ataques de animais ferozes, as guia, cuida de suas feridas, vai ao encalço daquela que se perde. Quase poderíamos dizer que é o pai delas.

E é assim que Nosso Senhor Jesus Cristo quis representar-se: como um pastor.  Devem essas palavras do evangelho nos encher de confiança, de ânimo na consideração do amor paternal, até maternal, que tem Ele por cada um de nós.

Entretanto, um espírito cético poderá questionar: “como isso se mostra concretamente? Se Jesus Cristo está no céu, como poderá cuidar de nós assim?”

Entre outras respostas que poderíamos dar a essa pobre alma, está a de que o Divino Fundador da Igreja Católica, antes de partir para junto do Pai, quis estabelecer representantes seus, desde o Vigário de Cristo na terra, o Sumo Pontífice, passando pelos bispos, até os sacerdotes, que são um prolongamento, uma longa manus do Supremo Pastor que é Ele mesmo.

E quando algum desses pastores deita seu afeto sobre uma ovelha, ou sobre um pequeno rebanho, podem estes sentir o que é o amor que Nosso Senhor Jesus Cristo tem por eles.

Tivemos uma grata e alegre prova disso no último sábado, dia 05 de outubro. Um de nossos mais estimados pastores, Dom João Carlos Hatoa Nunes, auxiliar episcopal do Arcebispo Dom Francisco Chimoio, O.F.M., no governo da arquidiocese e Maputo, visitou-nos, conhecendo, com muito cuidado, toda a casa dos Arautos do Evangelho em Moçambique, perguntando e interessando-se por seu trabalho, ouvindo nossa banda tocar, até tomando uma refeição com todos!

Poder-se-ia pensar que foi uma simples visita. Não é verdade, foi algo além. O pastor esteve com seu rebanho, abençoou-o, pudemos sentir em nós o que diz o salmo: “Como é preciosa a vossa bondade, ó Deus! À sombra de vossas asas se refugiam os filhos dos homens”. (Sl 35, 8). Se Deus tivesse asas, não as usaria para voar, mas para proteger os homens. Assim também fazem nossos pastores.

Nessa visita pudemos também conhecer mais de perto Dom João Carlos, seu profundo conhecimento da Igreja Católica em Moçambique, seus amplos desejos para com ela, sua clara e aguda visão das realidades eclesiais.

Temos certeza que essa visita será um grande sinal das graças do céu para nossas atividades na África, agradecemos de todo o coração a Sua Excelência, enquanto que prometemos nossas orações por sua pessoa e pelo imenso labor que exerce em nossa Arquidiocese.

Dom João Carlos inicia visita pastoral na Machava

 

Na terça-feira dia 01 de outubro, em que comemoramos a memória de Santa Teresinha do Menino Jesus, o Exmo. Dom João Carlos Hatoa Nunes, Bispo auxiliar de Maputo, deu início à visita pastoral na Paróquia da Sagrada Família, na região da Machava.

Foi recebido pelos fiéis da Sede paroquial com muito calor e afeto, abençoando a todos os que o aguardavam fora da Igreja e dirigindo-se à Santa Missa, na qual, com uma brilhante homilia, recordava que a visita pastoral procede do início da Igreja, quando já o apóstolo São Paulo visitava suas recém-fundadas comunidades para acompanhar seu desenvolvimento na fé.

Com espírito organizador e transparente, dizia ele que deixaria todo o seu pensamento sobre a visita pastoral em folhetos escritos, que ele próprio, com a dedicação própria de um excelente pastor, prepara.

Após a missa o Bispo reuniu-se com o conselho pastoral da Paróquia, e com uma magistral exposição, expôs aos presentes todo o itinerário da Igreja Católica em Moçambique, desde a colonização portuguesa até nossos dias, apresentando-lhes as diversas formas de pastoral implementadas pela Igreja local a fim de atender as necessidades do tempo.

 De maneira muito pastoral, pediu aos diversos representantes das comunidades e setores paroquiais que transmitissem quais as necessidades e dificuldades da Paróquia, a fim de que ele pudesse orientar a todos durante sua visita. Lembrando, porém, que a paróquia é um conjunto, e a solução dos problemas de uma comunidade poderá surgir em outras, sendo necessário um constante inter-relacionamento entre todos.

Explicava que ele, como Bispo, dá sempre a solução dos problemas debaixo de um prisma eclesial, inserindo a situação no espírito da Igreja e na vocação do fiel. Dando o exemplo do dízimo, dizia quanto pode-se estimular os paroquianos a contribuir com sua paróquia não para poder ver aquilo que fez contribuindo, mas oferecendo sua doação como oração e sacrifício a Deus, independentemente do que pensarão os outros ou do que farão com o dízimo.

Os Arautos do Evangelho, que com o sacerdote, o diácono e os irmãos da Congregação, têm auxiliado em diversas ocasiões e formas a Paróquia da Sagrada Família, também estiveram presentes tanto na missa quanto na reunião com Dom João Carlos.

O que pensam os Papas sobre a África? Pio XII

 “Esta é a vontade daquele que me enviou: que eu não perca nenhum daqueles que me deu,” (Jo 6,39), afirmou Nosso Senhor Jesus Cristo em sua  vida terrena.

Continuadores e Vigários do próprio Cristo, os Sumos pontífices ao longo de toda a história, em sua “solicitude por todas as igrejas” (2 Cor 11, 28) vigiaram, exortaram e mantiveram a fé nos lugares em que a semente do evangelho fora plantada.

E com não menos empenho, preocuparam pelos povos espalhados pela terra que precisavam ser beneficiados pela luz santíssima da Igreja Católica. Não é verdade que vemos São Pedro, o primeiro Papa, preocupar-se com o desenvolvimento da palavra de Deus nas primeiras comunidades cristãs? (Cfr. At 15, 7-28)

Com relação ao continente africano, muitos papas de nossos tempos e de tempos remotos preocuparam-se e ocuparam-se de diversas maneiras. Nosso blog sobre o trabalho dos Arautos em África apresentará, em alguns artigos, mostras dessa paternal solicitude. Hoje veremos a encíclica FIDEI DONUM, promulgada por Pio XII e destinada às missões na África, da qual retiraremos alguns importantes trechos que muito interessarão aos nossos leitores.

Diz ele que “têm os fiéis, na verdade, por que se gloriar e alegrar à vista dos salutares progressos feitos, nestes últimos decênios, pela Igreja na África. Apenas elevado à cátedra de Pedro, assegurávamos: ‘…não pouparemos esforço algum para que… a cruz, na qual está a salvação e a vida, lance sua sombra sobre as mais longínquas plagas do mundo’; por esse motivo, cuidamos com todas as forças em estender também a essa terra a causa do evangelho”. Quanta generosidade vemos nesse Sucessor de São Pedro, e nos enche a alma de alegria pelos belos efeitos produzidos na África pelos seus esforços.

Dá ele concretos exemplos desses efeitos:  “as circunscrições eclesiásticas ali estabelecidas em grande número; o notável aumento de católicos que, dia a dia, se manifesta; e especialmente a hierarquia eclesiástica por nós constituída, em não poucos lugares, e vários sacerdotes africanos já elevados à dignidade episcopal, conforme a ‘mais alta meta’ do trabalho missionário, que requer que ‘a Igreja nos outros povos seja estabelecida com firmeza, e lhes seja concedida sua hierarquia própria, escolhida dentre os indígenas’.

Louva ele os missionários, chamados por ele de “exército dos arautos do evangelho – sacerdotes, religiosos e religiosas, catequistas, auxiliares leigos”, que levando adiante sua meta de levar a esses povos o Sangue infinitamente precioso de Jesus Cristo “não sem infinitos trabalhos suportados e sofrimentos tolerados, cuja violência, desconhecida dos homens, é unicamente conhecida de Deus, conseguiu obter essa profusão de frutos salutares. A todos e a cada um felicitamos vivamente, e manifestamos aqui nossa gratidão, pois a Igreja tem, abundantemente, motivos de gloriar-se santamente de seus missionários que, na África ou noutros lugares, cumprem sua missão”.

Contudo, diz ele que isso não basta. O verdadeiro pastor que arde de zelo pelas almas sempre quer mais:

“Os magníficos resultados dos trabalhos missionários, por nós lembrados, não devem, entretanto, levar ninguém a esquecer-se de que ‘o que ainda resta a fazer nesse domínio pede enorme trabalho e inúmeros operários’. Pois, embora haja quem julgue, erradamente, que a ação missionária, uma vez bem constituída a hierarquia, possa logo ser considerada concluída e quase perfeita, no entanto, a ‘solicitude por todas as igrejas” daquele continente nos preocupa e angustia extremamente’.

Quais eram as preocupações desse venerável Pontífice? Veremos em um próximo artigo…

 

 

O desabrochar da Igreja Católica em Moçambique

       Tudo teve sua gênese de modo tão incipiente, qual um grão de mostarda! E ninguém, naqueles remotos tempos em que a primeira semente do Cristianismo fora lançada no solo moçambicano, poderia suspeitar o seu desenvolvimento e  a sua máxima expansão nos instantes atuais.

         Corria o ano da graça de 1498 em que os intrépidos portugueses: o navegador  Vasco da Gama, acompanhado por alguns frades e capelães, que seguiam nas naus singrando  os mares em busca das terras firmes da Índia, e entre as intempéries e as incertezas que, em diversas ocasiões foram  os seus companheiros, escrevia Deus sem sinuosidade o destino da Igreja de Moçambique nos seus primórdios, tendo como seu marco inaugural a celebração Eucarística, em Latim, no dia 11 de Março do ano acima referido, na Ilha de São Jorge, junto à Ilha de Moçambique. Não consta que a evangelização propriamente dita começasse imediatamente a seguir à celebração da primeira Missa, porém, estava lançada a primeira semente…

      Em Goa, o jesuíta Pe. Gonçalo da Silveira, depois de ouvir falar de contatos feitos com a corte do Monomotapa e com o rei de Tonga, em Inhambane, ofereceu-se para trabalhar em Moçambique. Aos dias 5 de Fevereiro de 1560, juntamente com os companheiros Pe. André Fernandes e Irmão André da Costa, chegaram a Moçambique. Aqui foram batizadas cerca de 300 pessoas.

       Em 1577 chegaram à Ilha de Moçambique, vindos de Goa, os Dominicanos. Construíram na Ilha um convento e, a partir daqui, alargaram a sua ação até Sofala, Sena e Tete. Os Dominicanos iam, também, rezar a Missa à Cabeceira, lugar de terra firme em frente da Ilha de Moçambique, onde ainda hoje se pode apreciar um templo em estilo indo-português. Por seu turno, em 1607, o Monomotapa Gasse Lucere – monarca de Moçambique na época – na sequência de um tratado de amizade, pedia missionários ao rei de Portugal para evangelizarem as suas terras. Desta feita registou-se um tal fluxo de graças que culminou nos dias actuais: com a Igreja alicerçada em todo Moçambique! Como corolário disso, pode-se dizer que, está instaurada a civilização, posto que a Igreja é a detentora do bem, do belo e da verdade, e onde Ela se faz presente, comunica o bom odor de Jesus Cristo que é o real sentido da vida. Como agradecer a Portugal pelo indescritível tesouro que nos deixaram: A Igreja!

 

 

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Santa Teresinha: na África?

“Eu pensava que havia nascido para a glória, e procurava um meio de chegar a ela quando o Bom Deus me inspirou os sentimentos que escrevo [na minha biografia].

Ele me fez compreender também que a minha glória, para mim, não apareceria aos olhos dos mortais, que ela consistiria em tornar-me uma grande santa! Esse desejo poderia parecer temerário, considerando quanto eu era [então] fraca e imperfeita, e quanto ainda o sou, após sete anos de vida religiosa.

Apesar disso sinto sempre a mesma confiança audaciosa de tornar-me uma grande santa, pois não conto com meus méritos, já que não os tenho; espero, porém, n’Aquele que é a Virtude, e a própria Santidade”

(Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face, História de uma alma)

Que belas palavras de Santa Teresinha! Que desejos sublimes e ousados! Vemos que Deus não deixou de atendê-los, e mais ainda do que ela esperava, porque não apenas atingiu ela a grande santidade que almejava, mas Deus lha deu em abundância a glória para a qual se sentia chamada.

Nós, missionários em África, nos surpeendemos quanto uma humilde e desconhecida freira de um convento do interior da França possa ser tão venerada em um lugar tão distante, e tão diferente do que ela viveu. Aqui, quantas paróquias e comunidades vemos dedicadas a ela, quantas pessoas lhe rogam graças e favores.

Até mesmo as crianças querem conhecer sua vida e suas virtudes. Mostra disso é que recentemente, os Arautos do Evangelho receberam um pedido de preparar um audiovisual a respeito de sua vida para mostrar a crianças de várias paróquias de Maputo, como a Paróquia da Sagrada Família, na Machava, e a Paróquia de Nossa Senhora do Rosário, no Laulane, onde a catequese está aos cuidados das irmãs Pilarinas, valorosa Congregação que tem obtido muitíssimos frutos para a evangelização em terras africanas.

Vemos nas fotos as inúmeras crianças que, silenciosas e admirativas, prestam atenção no audiovisual. Após este, todas fizeram em conjunto uma oração à Santa carmelita, com um solene propósito de procurar imitá-la em todas as circunstâncias da vida, da escola, na família na Igreja. 

Sim Santa Teresinha. sua glória e sua santidade chegaram até a África!

Escravo dos africanos para sempre! – III

Concluimos hoje a descrição da vida de São Pedro Claver, santo dedicado ao apostolado com os africanos que aportavam nas américas.

Queira Deus que essas linhas possam ter inspirado muitos de nossos leitores a rezar por este povo, e mesmo os estimulado a auxiliá-lo materialmente ou, por que não? pessoalmente.

Reflexos de um imenso amor

Sua ardente e inextinguível sede de almas era apenas o transbordamento visível das labaredas interiores que consumiam a alma deste discípulo de Cristo. Significativos indícios levantam um tanto o véu que cobriu durante sua vida o altíssimo grau de união com Deus que ele havia atingido.

“Todo o tempo livre de confessar, catequizar e instruir os negros, dedicava- o à oração”, narra uma testemunha. Repousava diariamente apenas três horas, e passava o resto da noite de joelhos em sua cela ou diante do Santíssimo Sacramento, em profunda oração, muitas vezes acompanhada de místicos arroubos. Grande adorador de Jesus-Hóstia, preparava-se todos os dias durante uma hora antes de celebrar o Sacrifício do Altar, e permanecia em ação de graças meia hora após a Missa, não permitindo que ninguém o interrompesse nesses períodos.

Ilimitada também era sua devoção a Nossa Senhora. Rezava o Rosário completo todos os dias, ajoelhado ou andando pelas ruas da cidade, e não deixava passar nenhuma festa d’Ela sem organizar solenes celebrações, com música instrumental e coral.

Longo calvário

Aquele varão, que tinha passado a vida fazendo o bem, que tantas dores havia aliviado e tantas angústias consolado, teve de padecer, como seu Divino Modelo, indizíveis tormentos físicos e morais antes de ser acolhido na glória celeste.

Após 35 anos de intensíssimo labor apostólico e 70 de idade, caiu gravemente enfermo. Pouco a pouco foram-se paralisando as extremidades de seus membros, e um forte tremor agitava continuamente seu corpo extenuado. Tornou-se “uma espécie de estátua da penitência com as honras de pessoa”, relata uma testemunha.

Os últimos quatros anos de existência terrena, ele os passou imobilizado na enfermaria do convento. E, por incrível que pareça, este homem que havia sido a alma da cidade, o pai dos pobres e o consolador de todas as desventuras, foi completamente olvidado por todos e submergido no esquecimento e no abandono.

Passava os dias, os meses e os anos em silenciosa meditação, contemplando da janela da enfermaria a imensidade do mar e escutando a São Pedro Claver - Igreja de São Nicolau - Estrasburgo.jpgmelodia das ondas que se rompiam contra as muralhas da cidade. A sós com a dor e com Deus, aguardava o momento do supremo encontro.

Um jovem escravo fora designado pelo superior da casa para cuidar do doente. Entretanto, esse que deveria ser enfermeiro não passava de bruto algoz. Comia a melhor parte dos alimentos destinados ao paralítico e “um dia o deixava sem bebida, outro sem pão, muitos sem comida”, segundo conta uma testemunha da época. Também “o martirizava quando o vestia, governando-o com brutalidade, torcendo-lhe os braços, batendo nele e tratando-o com tanta crueldade como desprezo”. Porém, nunca seus lábios proferiram a menor queixa. “Mais merecem minhas culpas”, exclamava às vezes.

Glória já nesta terra: “Morreu o santo!”

Certo dia de agosto de 1654, disse Claver a um irmão de hábito: “Isto se acaba. Deverei morrer num dia dedicado à Virgem”. Na manhã de 6 de setembro, à custa de um imenso esforço, fez- se conduzir até a igreja do convento e quis comungar pela última vez. Quase se arrastando, aproximou-se da imagem de Nossa Senhora dos Milagres, diante da qual havia celebrado a sua primeira Missa. Ao passar pela sacristia, disse a um irmão: “Morro. Vou morrer. Posso fazer algo por vossa reverência na outra vida?” No dia seguinte, perdeu a fala e recebeu a Unção dos Enfermos.

Sucedeu, então, algo de extraordinário e sobrenatural. A cidade de Cartagena pareceu acordar de uma longa letargia e por todos os lados corria a voz: “Morreu o santo!” E uma multidão incontenível dirigiu-se para o colégio dos jesuítas, onde agonizava Pedro Claver. Todos queriam oscular suas mãos e seus pés, tocar nele rosários e medalhas. Distintas senhoras e pobres negras, nobres, capitães, meninos e escravos desfilaram nesse dia diante do santo, que jazia sem sentidos em seu leito de dor. Só às 9 horas da noite os padres conseguiram fechar as portas e assim conter aquela piedosa avalanche.

E assim, entre 1h e 2h da madrugada de 8 de setembro, festa da Natividade de Maria, com grande suavidade e paz, o escravo dos escravos adormeceu no Senhor. 

(Revista Arautos do Evangelho, Set/2005, n. 45, p. 20 à 23) Por Pe. Pedro Morazzani Arráiz, EP

O secretário do Arcebispo de Maputo visita os Arautos

Se conhece certas imagens de Nosso Senhor, de Nossa Senhora ou mesmo de santos que tem uma pitoresca peculiaridade: ficam a uma altura difícil de ser alcançada pelos fiéis, assim, quando querem tocá-la para demonstrar sua veneração através de ósculos ou ao rezar com uma das mãos sobre a imagem, não conseguem fazê-lo.

Então, para facilitar o contato da imagem com o povo, faz-se pender uma longa e bela fita das mãos daquela, e dessa forma podem os fiéis estar próximos do objeto de sua devoção.

Assim acontecem com certas autoridades: estão, não por própria culpa, mas por razão de sua função e de seus encargos, em uma altura por vezes inacessível a seus súditos. Então tem pessoas que são como as fitas das imagens, representam a si junto ao povo.

E aqueles que são governados, não se ressentem com isso, antes, admirados pela elevação de seu governante, encantam-se também com seus desdobramentos nesse ou naquele seu embaixador. Admirável harmonia entre superiores e inferiores, que caracteriza um sadio e cristão relacionamento de uns com outros.

O Arcebispo de Maputo, Dom Francisco Chimoio, O.F.M., com uma extensa arquidiocese em terra de missão, infelizmente não pode visitar seu rebanho quanto gostaria. Então manda suas “fitas”, como o Revmo. Pe. Jonasse, secretário pessoal de sua excelência.

Esteve ele na sede dos Arautos do Evangelho para celebrar a Santa Missa, assitir a uma pequena apresentação musical dos mais jovens que preparam-se para tocar na peregrinação nacional no Santuário de Namaacha, e que pediram desse o seu parecer sobre a nova banda, e conviver com os irmãos Arautos em um lanche preparado especialmente para essa ocasião.

No final da visita, todos saíram muito satisfeitos: os Arautos, que puderam estar com esse sacerdote cheio de zelo pelas almas e de carinho fraterno, e além disso receber, através do tão estimado secretário, calorosos cumprimentos do Senhor Arcebispo, junto com uma promessa de visita em breve; os jovens instrumentistas, que foram aprovados pelo Pe. Jonasse; e o próprio sacerdote, que pôde fazer bem a alma desses seus irmãos. A alegria e o bem-estar católico esteve presente nessa tarde, da qual todos ficaram com saudades.

 

Novo blog acadêmico dos Arautos do Evangelho

Acaba de ser criado um novo, maior e mais atualizado blog acadêmico dos Arautos do Evangelho, onde pode-se encontrar toda sorte de matérias para aqueles que desejam aprofundar-se na Doutrina Católica.

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Escravo dos africanos para sempre! – II

Damos sequência a impressionante vida de São Pedro Claver, missionário jesuíta que dedicou toda sua vida à evangelização dos negros africanos, trabalhando ardorosamente para retirá-los das trevas do paganismo e introduzir na alma deles a luz da Santa Igreja Católica, elevando-os pelos sacramentos à sublime e inigualável condição de filhos de Deus e templos da Santíssima Trindade.

Esperamos que nossos leitores apreciem esse belo exemplo, mas sobretudo auxiliem, com suas orações e seu apoio, às missões nas terras africanas.

O campo de batalha

A cidade de Cartagena constituía, nessa época, um dos pontos principais de comércio entre a Europa e o novo continente, e juntamente com Veracruz, no México, eram os dois únicos portos autorizados para a introdução de escravos africanos na América Espanhola. Calcula-se que cerca de dez mil escravos chegavam anualmente a esta cidade, trazidos por mercadores, geralmente portugueses e ingleses, que se dedicavam a este vil e cruel comércio.

Esses pobres seres, arrancados das costas da África, onde viviam no paganismo e na barbárie, eram trazidos no fundo dos porões dos navios para serem vendidos como simples objetos e finalmente destinados ao trabalho nas minas e nas fazendas onde, depois de haver vivido sem esperança, morriam miseravelmente sem o auxílio da religião.

Converter esses milhares de infelizes cativos e lhes abrir as portas do Céu, foi a missão à qual Pedro Claver consagrou toda a sua existência.

Assim, quando chegou o grandioso e esperado momento de emitir os votos solenes, pelos quais se comprometia a ser obediente, casto e pobre até a morte, assinou o documento com a fórmula que doravante seria a síntese de sua vida: Petrus Claver, æthiopum semper servus. – “Pedro Claver, escravo dos africanos para sempre”. Tinha 42 anos de idade.

O escravo dos escravos

Quando um navio carregado de escravos chegava ao porto, o Padre Claver acorria imediatamente numa pequena embarcação, levando consigo uma grande provisão de biscoitos, frutas, doces e aguardente.

Aqueles seres embrutecidos por uma vida selvagem e exaustos pela viagem realizada em condições desumanas, olhavam-no com temor e desconfiança. Mas ele os saudava com alegria e por meio de seus auxiliares e intérpretes negros – tinha mais de dez – dizia-lhes: “Não temais! Estou aqui para vos ajudar, para aliviar vossas dores e doenças.” E muitas outras frases consoladoras. Porém, mais que as palavras, falavam suas ações: antes de mais nada, batizava as crianças moribundas; depois recebia em seus braços os enfermos, distribuía a todos bebidas e alimentos e fazia- se servo daqueles desventurados.

Árdua catequese

Levando em sua mão direita um bastão encimado por uma cruz e um belo crucifixo de bronze pendurado no pescoço, saía Pedro Claver todos os dias para catequizar os escravos. Calores extenuantes, chuvas torrenciais, críticas e incompreensões até dos próprios irmãos de vocação, nada arrefecia sua caridade.

Com freqüência batia nos pórticos senhoriais da cidade pedindo doces, presentes, roupas, dinheiro e almas decididas que o auxiliassem em seu duro apostolado. E não poucas vezes nobres capitães, cavaleiros e senhoras ricas e piedosas o seguiam até as míseras moradias dos escravos.

Entrando nesses lugares, seu primeiro cuidado dirigia-se sempre aos doentes. Lavava-lhes o rosto, curava suas feridas e chagas e repartia comida aos mais necessitados. Apaziguadas as penalidades do corpo, reunia então a todos em torno de um improvisado altar, os homens de um lado e as mulheres de outro, e iniciava a catequese que ele sabia colocar maravilhosamente ao alcance da curta inteligência dos escravos. Pendurava à vista de todos uma tela pintada com a figura de Nosso Senhor crucificado, com uma grande fonte de sangue correndo de seu lado ferido; aos pés da Cruz, um sacerdote batizava com o Sangue Divino vários negros, os quais apareciam belos e brilhantes; mais abaixo, um demônio tentava devorar alguns negros que ainda não haviam sido batizados.

Dizia-lhes, então, que deveriam esquecer todas as superstições e ritos que praticavam nas tribos e lugares de origem, e lhes repetia isso muitas vezes.

Depois lhes ensinava a fazer o sinal -da- cruz e lhes explicava paulatinamente os principais mistérios da nossa Fé: Unidade e Trindade de Deus, Encarnação do Verbo, Paixão de Jesus, mediação de Maria, Céu e inferno.

Pedro Claver compreendia bem que aquelas mentalidades rudes não podiam assimilar idéias abstratas sem a ajuda de muitas imagens e figuras. Por isso lhes mostrava estampas nas quais estavam pintadas cenas da vida de Nosso Senhor e de Nossa Senhora, representações do Paraíso e do inferno.

Batizou mais de 300 mil escravos

Após inúmeras jornadas de árdua evangelização, batizava-os finalmente. Para celebrar este Sacramento utilizava uma jarra e uma bacia de fina porcelana chinesa, e queria que os escravos estivessem limpos. Introduzia seu crucifixo de bronze na água, abençoava-a e dizia que agora aquele líquido era santo, e que após serem lavadas nessa água suas almas se tornariam mais refulgentes que o sol. Calcula-se que ao longo de sua vida São Pedro Claver batizou mais de 300 mil escravos. Aos domingos, percorria ruas e estradas da região chamando-os à santa Missa e ao sacramento da Penitência. Dias havia que passava a noite inteira confessando os pobres escravos. (Continua em próximo artigo…)

Por Pe. Pedro Morazzani Arráiz, EP (Revista Arautos do Evangelho, Set/2005, n. 45, p. 20 à 23).