Projeto Futuro e Vida em Moçambique

O “projeto futuro e vida” dos Arautos do Evangelho tem desenvolvido suas atividades apostólicas e culturais em estabelecimentos de ensino, no intuito de evangelizar a juventude, de acordo com o carisma da Congregação, e teve no dia 12 do corrente mês mais um programa em prol dos pequeninos.

Desta vez o colégio contemplado foi a Escola primária Maria Ana Mogas.

À hora marcada para  o início da atividade,  estavam os jovens  aglutinados no pátio escolar, enquanto escutavam atentamente ao Diác. Arão Mazive, EP, que lhes explicava o teor daquela apresentação.

Dado o toque de início do cortejo, contemplaram admirados a entrada da fanfarra, dedilhando a marcha inglesa “Príncipe da Dinamarca”.

Diversos números provenientes das mais variadas nacionalidades fizeram parte do “menu”.  Entre estes se destacou a música popular brasileira “luar do Sertão” e um pasodoble espanhol sem evidentemente deixar de lado as regionais. Foi surpreendente notar que embora distantes de muitos destas nações, alguns cânticos eram acompanhados com ligeiros balbucios à letra, tal como o Aleluia de Handel, ou com calorosos aplausos.

Demonstrações de solos de percussão deram seqüência ao programa. E por fim, retomando a palavra, o Diácono convidava a todos os que quisessem participar das aulas de música, xadrez ou artes marciais a se inscreverem. Esta iniciativa muito foi do agrado do Diretor da Escola que quis ele mesmo acompanhado pelo corpo docente não apenas fazer-se presente nessa apresentação mas também endereçar seus agradecimentos aos Arautos depois de a todos ter convidado a fortes aplausos.

 

Escravo dos africanos para sempre!

“Escravo dos africanos para sempre”, foi o programa de vida desse jovem missionário jesuíta que batizou mais de 300 mil negros escravos ao longo de 35 anos de labor apostólico: São Pedro Claver.

Daremos início a uma série de artigos sobre a admirável vida de um homem de Deus que decidiu fazer-se missionário especialmente para levar até Deus a raça africana, o jesuíta São Pedro Claver. Vemo-lo sempre representado em suas imagens com um jovem negro junto a si, mostrando-lhe um crucifixo para ser osculado, como símbolo de seu trabalho apostólico: levar os negros a abraçar a cruz de Cristo, e através Dele, receber todos os benefícios da fé católica, os melhores que possam existir.

Certo dia da segunda metade do ano do Senhor de 1610, as grandes e amareladas velas do galeão “São Pedro” eram recolhidas e suas âncoras tocavam o fundo de uma bela baía. A tripulação inteira abeirava-se do parapeito e contemplava com curiosidade e admiração acidade de Cartagena, na província da Nova Granada (atual Colômbia), que se apresentava deslumbrante diante dos seus olhos, com suas enormes muralhas de pedra branca brilhando sob o causticante sol tropical. O azul profundo do céu refletiase nas águas mansas e cálidas do porto, onde se balançava graciosamente um sem-número de embarcações de todo tipo e tamanho.

Dentre a pitoresca multidão de marinheiros e passageiros que se apressavam em desembarcar do galeão recém-chegado, destacavam- se singularmente as negras batinas de quatro religiosos: três sacerdotes e um noviço da ordem fundada, não havia muito tempo, por Inácio de Loyola: a Companhia de Jesus. Dos três presbíteros, a História não perpetuou os nomes. Religiosos desconhecidos, como centenas de milhares que imolaram suas vidas seguindo os passos do Mestre Divino, anônimos para os homens e filhos prediletos de Deus. O noviço, porém, de fisionomia austera, silencioso, um tanto retraído e quase passando despercebido, marcou com sua vida a história da América do Sul e brilhará para sempre no firmamento da Igreja: São Pedro Claver.

A aurora de uma vocação

Nascido em Verdú, pequena cidade espanhola da Catalunha, em 1580, Pedro Claver sentiu- se chamado para a vida religiosa desde tenra infância. Aos 22 anos de idade, bateu às portas do noviciado da Companhia de Jesus.

Dois anos mais tarde, a fim de completar os estudos de Filosofia, foi enviado por seus superiores ao Colégio de Montesion, na ilha de Maiorca. Deuse, então, um providencial encontro que marcaria de modo indelével a vida de Pedro e firmaria definitivamente sua vocação.

Nesse colégio habitava um venerável ancião, simples irmão coadjutor e porteiro da casa, que séculos depois seria canonizado e viria a ser uma das glórias da Ordem: Santo Alonso Rodríguez.

Desde o primeiro instante em que os límpidos olhos do santo porteiro penetraram o coração do noviço, discerniu o ancião a vocação do jovem e um profundo e sobrenatural relacionamento uniu então aquelas duas almas.

“O que devo fazer para amar verdadeiramente a Nosso Senhor Jesus Cristo?” – perguntava o estudante. E Santo Alonso não se contentava em dar um simples conselho, mas descortinava os ilimitados horizontes da generosidade e do holocausto: “Quantos que vivem ociosos na Europa, poderiam ser apóstolos na América! Não poderá o amor de Deus sulcar esses mares que a cobiça humana soube cruzar? Não valem também aquelas almas a vida de um Deus? Por que tu não recolhes o Sangue de Jesus Cristo?” As ardentes palavras do velho porteiro acenderam labaredas de zelo que acabariam por consumir o coração de Pedro Claver.

Nessa época, o irmão Alonso foi favorecido por Deus com uma mística visão: sentiu-se arrebatado até o Céu onde contemplou incontáveis tronos ocupados pelos bem-aventurados e, no meio deles, um trono vazio. Escutou uma voz que lhe dizia: “É este o lugar preparado para teu discípulo Pedro, como prêmio de suas muitas virtudes e pelas inúmeras almas que converterá nas Índias, com seus trabalhos e sofrimentos”. 

Missionário e sacerdote

No dia 23 de janeiro de 1610, o superior provincial, atendendo a seus pedidos, enviou-o como missionário à tão anelada América do Sul. E no final desse mesmo ano, após longa travessia, aportou na cidade de Cartagena, uma das mais importantes do Império Espanhol do além-mar.

Terminada sua formação teológica na casa de formação dos jesuítas na província da Nova Granada, recebeu finalmente o Sacramento da Ordem no dia 19 de março de 1616 e celebrou sua primeira Missa diante da imagem da Virgem dos Milagres a quem professaria sempre uma ardorosa e filial devoção. (Continua em próximo artigo…)

 (Revista Arautos do Evangelho, Set/2005, n. 45, p. 20 à 23)

 

Santa Missa e nova banda

Os Arautos em Moçambique estão tendo a alegria de ser visitados por diversas ordens religiosas: depois de terem honrado a casa com sua presença os Consolatos e os Vicentinos, um sacerdote franciliano, Pe Queilas, responsável pelo curso de Teologia da ordem em Moçambique,  celebrou a Missa dominical para os jovens que participam semanalmente de programas com os Arautos em sua casa instalada no bairro do Nkobe, na Matola.

A ordem dos Francilianos tem um carisma eminentemente missionário, e tem como padroeiro principal São Francisco de Sales. Muitas vocações dessa ordem, como o própiro Pe. Queilas, são provenientes da Índia.

Nessa Missa também a nova banda de jovens aspirantes a Arautos, que tem entre 12 e 15 anos, pela primeira vez animou a liturgia com seus alegres e -graças a Deus e ao esforço de seus professores- afinados sons.

A formação de um arauto em Moçambique

“Vinde após mim. Farei de vós pescadores de homens” (Mc 1, 17), disse Nosso Senhor Jesus Cristo a alguns pescadores à margem do mar da Galiléia. Tal foi a força dessas palavras que esses homens, na plenitude de sua idade e com suas carreiras profissionais bem estabelecidas, não duvidaram um segundo sequer: “no mesmo instante, deixaram as redes e seguiram-no”. (Mc 1, 18)

Assim se põe Nosso Senhor Jesus Cristo diante de cada religioso ou religiosa no momento de chamá-los a abandonar tudo “por amor do Reino dos céus” (Mt 19, 12).

Porém, não basta o chamado, e nem mesmo caminhar junto com Jesus Cristo; dos apóstolos, Ele quis mais: “Ele ensinava aos seus discípulos” (Mc 9, 31); “estes são os Doze que Jesus enviou em missão, após lhes ter dado instruções (Mt 10,3). Ou seja, a par da dedicação que ele pediu dos apóstolos, o Divino Mestre quis doutriná-los, transmitir-lhes a sua doutrina nova dotada de potência e autoridade, que maravilhava a todos que o escutavam (Cfr. Lc 4, 32).

Dessa forma Ele, Divino Fundador da Igreja, edificava no convívio e na formação dos apóstolos, essa instituição que atravessaria os séculos e milênios, até o fim do mundo.

Vemos então que para todo aquele que se entrega à vida religiosa, não será suficiente trabalhar muito, desdobrar-se em serviço ao próximo, mas o consagrado a Deus tem a obrigação de esmerar-se no estudo da doutrina Católica, pois como diz São Tomás de Aquino, o estudo é próprio ao estado religioso por três razões: a primeira delas, por favorecer, diretamente à contemplação, iluminando o entendimento. A segunda, porque aparta os obstáculos à contemplação, ou seja, os erros que são frequentes por parte daqueles que desconhecem as Escrituras. Em terceiro lugar, porque o estudo nos afasta da concupiscência da carne, e além do mais, é útil para adquirir a virtude da obediência (Suma Teológica, II-II, q. 188, a.5). Além do mais, afirma o Doutor Angélico que o estudo deve servir como via de santificação, nunca para adquirir a ciência com intuito de gloriar-se junto ao próximo, conforme suas palavras: “quando se almeja a ciência sem a caridade, esta incha e produz dissensões” (Suma Teológica, II-II, q. 188, a.5, ad. 2).

Esse é o método aplicado pelos Arautos do Evangelho em sua formação: dedicação, oração, serviço, mas muito estudo. Mesmo nas terras de missão. Em Moçambique, todos os Arautos, aspirantes ou consagrados, recebem diariamente intensos ensinamentos da doutrina da Igreja, bem como aulas de Filosofia, Teologia, Sagradas Escrituras entre outras matérias, para prepararem-se com perfeição ao serviço de Deus.

Nas fotos podemos presenciar uma dessas aulas. Um dos missionários vindo do Brasil após concluir seus estudos de Filosofia e Teologia, ministra aos membros da Congregação em Maputo uma aula sobre a Teologia da graça.

 

 

Apelo às missões!

Hoje escrevemos aos estimados visitantes de nosso blog para chamar-lhes a atenção acerca de algo muito importante: quantas vezes o senhor, a senhora ou você, jovem ou moça que lêem estes artigos, preocuparam-se pelas missões na África? Já rezaram ao menos uma Ave-Maria por aqueles homens e mulheres, sacerdotes, religiosos e religiosas que abandonaram sua pátria e sua famílias para levar os benefícios da Santa Igreja Católica, Apostólica e Romana a esses povos que ainda iniciam seu caminho rumo à conversão e à edificação de uma civilização Católica?

Bem, se já rezaram, agradecemos-lhe de coração e damos os nossos parabéns; se ainda não pensaram, ou não rezaram, terão hoje uma bela oportunidade, lendo o que se segue:

Um dos missionários dos Arautos do evangelho em Moçambique, proveniente do Brasil sempre teve muito apreço a um ensinamento teológico que afirma que Nosso Senhor Jesus Cristo teria padecido tudo quanto padeceu na Paixaõ para salvar uma alma somente, que necessitasse desse resgate. Por outro lado, Mons. João S. Clá Dias,EP, seu Fundador, na formação de seus filhos espirituais, em suas homilias e conversas, constantemente inculca a compenetração de como devem ter o máximo empenho pela salvação das almas, como vemos nesses seus comentários à parábola do bom pastor:

“É um aspecto fundamental a ser tratado na liturgia de hoje: as noventa e nove que perseveram; as nove que restaram. E isto para nós é fundamental uma vez que nossa vocação é de salvar tudo e o todo, tudo e todos. E, portanto, noventa e nove mais um. Nós queremos cem. Nove mais uma. Queremos dez. Queremos tudo! Nada de deixando as noventa e nove e as nove por si; quando nós voltamos tem sete, ou tem setenta. Não, nós queremos a que saiu, e mais todas que ficaram”.[1]

Talvez esse jovem arauto nunca tivesse compreendido bem esta oração, nem estas palavras de seu fundador, se não tivesse acontecido com ele o que aconteceu: após um longo período de auxílio pastoral em diversos lugares do Brasil, foi chamado pela voz da obediência a ir evangelizar, desta vez mais longe:na África!

Portanto, esse artigo tem como escopo levar àqueles que o lerem a voltarem seus olhos para esse continente para o qual Deus reserva um desígnio, promete um futuro promissor, cheio de bençãos, se almas houverem que rezem por ele, preocupem-se com ele, e por que não? Se lançem na gloriosa tarefa de evangelizá-lo. Assim como desejava São Francisco Xavier, conforme escrevia a seu pai espiritual, Santo Inácio, estando a evangelizar na Índia:

“Veio-me muitas vezes ao pensamento ir pela academias da Europa, paricularmente a de Paris, e por toda parte gritar como louco e sacudir aqueles que têm mais ciência do que caridade, clamando: ‘oh! Como é enorme o número dos que, excluídos do céu, por vossa culpa se precipitan nos infernos!’Quem dera que se dedicassem a essa obra com o mesmo interesse com que se dedicam às letras”[2].

Tão ardoroso foi o desejo do santo, tão convincente essa verdade por ele proclamada, que de fato, sua missiva chegou a ser reproduzida em diversas universidades da Europa, e com isso floresceram inúmeros evangelizadores para o auxílio do padroeiro das missões[3].

Se Nosso Senhor disse que “haverá maior júbilo no céu por um só pecador que se converte do que por noventa e nove justos que perseveram” (Lc 15, 7), qual não deve ser o empenho de todos os católicos em converter esses milhares de belas almas africanas, que esperam e anseiam a que venham pastores e mestres que as auxiliem e instruam?

As respostas para todas essas perguntas, deixaremos para o coração de cada leitor, que se julgar oportuno, poderá nos fazer partícipes delas…


 

[1]CLÁ DIAS, João Scognamiglio. Deus como que se inebria em salvar-nos. Não lhe ponhamos obstáculos. Homilia 5 Nov. 2009 (Arquivo ITTA-IFAT).

[2] XAVIER, Francisco. Carta a Santo Inácio de Loyola .In: Liturgia da Horas. São Paulo: Vozes, 1999. Vol. I, p. 1028.

[3] Cfr. DUFOUR, Xavier Léon. San Francisco Xavier- Itinerário místico del apóstol. Burgos: Mensajero, 1998. p. 44-45.

 

A música: instrumento de evangelização na África

A música conhecida basicamente como sendo a expressão de sentimentos através de sons, é das artes mais praticadas em todo o orbe.

Seu início se perde na antiguidade mas actualmente alcançou tal importância no quotidiano humano que bem pode se afirmar ser a vida do homen ritimada por ela. Adaptada a cada campo em que é aplicada dá o devido esplendor a todo tipo de evento.

A santa Igreja valeu-se também da música nas suas liturgias e cerimónias. De grande utilidade tem ela também sido para os Arautos do Evangelho, em África, nas suas atividades apostólicas.

 Atualmente com um contigente de vinte menbros, a Sede dos Arautos do Evangelho – no bairro Nkobe, Matola – tem acolhido vários jovens e adolescentes aspirantes para os quais não falta o ensino da música. Até mesmo seus familiares têm de lá se aproximado para participar duma Missa animada pelo grupo coral da mesma instituição.

Ora, o apostolado dos Arautos do Evangelho através da música não se circunscreve apenas em seus muros, mas tem atendido a várias solicitações pastorais como procissões, celebrações Eucarísticas, em eventos socias e até em colégios com o projeto Futuro e Vida.

O apreço pela música sacra para os Arautos do Evangelho não brota apenas do desejo de se habilitar numa arte de renome internacional, mas para atender o que o Salmista diz: “ louvai o Senhor com a cítara, na harpa de dez cordas salmodiai! Cantai-lhe um cântico novo!”(sl 32, 2.3).  Embora seja a música um dos veículos para o Apostolado dos Arautos, seu fim é algo que transcede a pura harmonia de sons. Tanto a banda quanto o coral visam levar a mensagem do Evangelho, o modo de viver segundo Nosso Senhor Jesus Cristo. Aliás, o grande Santo Agostinho comentando o trecho do salmo acima mencionado dizia: Cante o cântico novo não a língua mas a vida”.

 

Por Tiago Machaieie

Um vicentino na casa dos Arautos

Espalhados pelo mundo inteiro desde o século XVI, em que foram fundados, os filhos de São Vicente de Paulo têm como carisma atender aos mais necessitados da sociedade, levando-lhes ao mesmo tempo o conforto material e espiritual, aliviando assim os sofrimentos dos irmãos que sofrem, e dispondo suas almas para que bem atravessem as dificuldades, através dos sacramentos e da pregação.

Em Moçambique, possuem diversas comunidades localizadas em variadas províncias, nas quais fazem visitas semanais a hospitais e a presídios. Em Maputo, têm duas casas de formação em que os futuros vicentinos estudam filosofia e teologia, preparando-se dessa forma para o sacerdócio.

Porém não deixam de atender também aos seus amigos, visitando-os para levar a palavra de Deus. No Domingo dia 08 de setembro, o Revmo. Pe. Amine visitou a casa dos Arautos do Evangelho em Maputo, e ao celebrar a Eucaristia, fez um agradável e atraente sermão, no qual, com termos acessíveis aos jovens aspirantes dos Arautos, mostrava a enorme diferença que existe entre a sabedoria humana, que fia-se nos prazeres, na riqueza e na volúpia, e a sabedoria divina, que põe toda a sua segurança em Deus e na cruz de Cristo.

Originário da Eritréia, país vizinho da misteriosa e legendária Etiópia, que nos evoca a Rainha de Sabá, a qual empreendeu longa e penosa viagem para conhecer e admirar a sabedoria do Rei Salomão, o Revmo. Pe. Amine demonstrou que,  a par de um grande zelo pelas almas, sabe adaptar-se aos ouvintes que deve beneficiar, contentando-os e plantando em seus corações a semente do Evangelho.

Santa Bakhita, o anjo africano (Fim)

Então convertida ao Catolicismo, e desejosa de abraçar o estado religioso, Bakhita foi então aceita na congregação das Filhas da Caridade Canossianas, servas dos pobres e, depois de três anos de noviciado, no dia 08 de dezembro de 1896 pronunciou os votos de castidade pobreza e obediência. Depois da profissão religiosa, nossa Irmã Bakhita foi transferida para a cidade de Schio, em outra obra da Congregação, e lá permaneceu por 45 anos, onde passou a ser conhecida como a “Madre Morena”. Irmã Bakhita era atenciosa com todos, sem distinção, desde as crianças do colégio, seus pais, sacerdotes, com suas irmãs religiosas, etc., sempre levando a todos palavras de conforto, consolo e amor incondicional a Deus Pai. Em todas as funções que exerceu, sempre colocou seu coração doce e sincero: na Igreja, na Sacristia, na portaria ou na cozinha, era tudo para todos, com seu sorriso de anjo.

        Irmã Bakhita, em sua infância na África, mesmo sem saber nada de Deus, pensava em seu coração inocente e puro, quando olhava a lua e as estrelas: “Quem será o patrão de todas estas coisas?”. Oh! Bakhita, Deus já estava te preparando para Ele! Bakhita sonhava com a conversão do povo africano e, no dia de sua profissão religiosa, rezou: “Ó Senhor, se eu pudesse voar lá longe, entre a minha gente e proclamar a todos, em voz alta, a tua bondade. Oh! Quantas almas eu poderia conquistar para Ti! Entre os primeiros, a minha mãe e o meu pai, os meus irmãos, a minha irmã ainda escrava… e todos, todos os pobres negros da África. Faça,  ó Jesus, que também eles te conheçam e te amem!”.

No ano de 1947 Bakhita adoeceu, já quase sem forças, em cadeira de rodas, passava horas em oração, em adoração e contemplação. Era o dia 08 de fevereiro de 1947, nossa Irmã Morena balbuciava: “Como estou contente! Nossa Senhora! Nossa Senhora!”. Depois de algum tempo, em seus últimos momentos, disse: “Vou devagarinho para a eternidade… Vou com duas malas: uma contém os meus pecados; a outra, bem mais pesada, contém os méritos infinitos de Jesus Cristo. Quando eu comparecer diante do Tribunal de Deus, cobrirei a minha mala feia com os méritos de Nossa Senhora. Depois abrirei a outra e apresentarei os méritos de Jesus Cristo. Direi ao Pai: ‘Agora julgai o que vedes’. Estou segura de que não serei rejeitada! Então me voltarei para São Pedro e lhe direi: ‘Pode fechar a porta porque eu fico!” Às 20 horas, irmã Bakhita entrega sua alma a Deus. O povo em grande multidão quer dar o último adeus à Madre Morena, sua fama de santidade se espalhou rapidamente e todos recorriam ao seu túmulo pedindo sua intercessão. Em 17 de maio de 1992 foi beatificada e, no dia 1 de outubro de 2000, foi elevada à honra dos altares, declarada “Santa” pelo Santo Padre, o Papa João Paulo II, sendo que o milagre que a levou a ser reconhecida como Santa, aconteceu em Santos, no Brasil. Santa Bakhita deve sempre inspirar sentimentos de confiança na Providência, doçura para com todos e alegria em servir. 

Em Moçambique, levando o evangelho através da rádio

Um verdadeiro católico não pode poupar meios e ocasiões para levar a mensagem de Nosso Senhor à humanidade; para isso deve utilizar inclusive dos meios de comunicação, transmitindo, de forma criativa e substanciosa, os ensinamentos da fé aos que os queiram receber.

Insere-se nesse contexto, o apostolado através da rádio, instrumento de notícas espalhado por todo o mundo e inclusive nas regiões mais afastadas e pobres. Tal é a sua importância que o grande Pontífice e Beato João Paulo II louvava, em sua homilia pelo cinquentenário da Rádio Vaticano, chamada “a Rádio do Papa”, os benefícios de uma rádio católica, dizendo-lhes:“vós bem sabeis que as ondas portadoras das vossas mensagens superam distâncias geográficas e fronteiras de toda a natureza, mas estais também conscientes que, além da mesma informação tão preciosa para aqueles que não tem outras fontes, e juntamente com a catequese, indispensável para tantos que não possuem outros recursos, existe a comunhão eclesial, à qual prestais serviço levando algo que não é vosso mas que vos é continuamente dado”. (Homilia na Capela Sistina, 12 de fevereiro de 1981)

Os Arautos do Evangelho, espalhados em todo o mundo, compreendem o valor dessas ondas evangelizadoras, e procuram transmiti-las. Em Moçambique, diariamente os missionários desta congregação proporcionam ao público de todo o país, pela mundialmente conhecida Rádio Maria um programa sobre Nossa Senhora, onde contam fatos da intercessão da Mãe de Deus aos homens, tratam sobre a doutrina e os dogmas referentes a Ela, e propagam, dessa forma, a devoção a Maria, tão querida do povo moçambicano.

Santa Bakhita, o anjo africano (Parte II)

A seguir, continuaremos com a narração da sacrificada e admirável vida de Santa Josefina Bakhita:

No ano de 1882, o general turco vendeu Bakhita ao agente consular Calisto Legnani que seria, para ela, seu anjo bom. Na casa do cônsul, Bakhita conheceu a serenidade, o afeto e os momentos de alegria, lembranças dos momentos felizes na casa dos pais. Em 1885 o sr. Calisto é obrigado a retornar à Itália; Bakhita pede para acompanhá-lo e obtêm consentimento. E assim partiram em companhia de um amigo, o sr. Augusto Michieli, a quem o cônsul presentearia em Gênova com a jovem africana.

Chegando na Itália com seu 7º “patrão”, o rico comerciante Michieli, foi para vila Zianino de Mirano Veneto onde Bakhita se tornou babá de Mimina, a filhinha do casal. Apesar de serem pessoas boas e honestas, não eram praticantes de religião. Como sempre, Deus tem seus caminhos e acabou colocando no caminho de Bakhita, o administrador dos Michieli, Iluminato Chechini. Iluminato era um homem muito religioso e logo se preocupou com a formação religiosa de Bakhita; e ao dar um crucifixo a ela, disse em seu coração: “Jesus, eu a confio a Ti”. Quando os Michieli tiveram de voltar para Suakin, na África, por motivos de negócios, Bakhita e a pequena Mimina ficaram aos cuidados das Irmãs Canossianas, em Veneza, e isto graças ao sr. Iluminato.

        Bakhita iniciou o catecumenato (catequese para receber os sacramentos iniciais), no Instituto das Irmãs. Ao final de nove meses, a sra. Maria Turina voltou à Itália para buscar sua filhinha Mimina e aquela que considerava sua escrava, pois retornariam à África. Naquele instante, Bakhita já toda apaixonada por Jesus, prestes a receber os sacramentos, recusa-se a voltar para a África, apesar do afeto que nutria pela família Michieli e principalmente pela pequena. Sentia em seu coração um desejo inexplicável de abraçar a fé e vivê-la para sempre. Apesar dos apelos e até ameaças da sra. Michieli, nossa jovem africana não cedeu em sua resolução. Bakhita estava livre, na Itália não havia escravidão. Sua patroa retornou à África com sua filha e Bakhita prosseguiu com sua catequese, feliz mesmo sabendo que seria a última chance de rever seus familiares na África. 

 No dia 09 de janeiro de 1890, Bakhita é batizada, crismada e recebe a Primeira Comunhão das mãos do Patriarca de Veneza. No batismo recebe o nome de Josefina Margarida Bakhita. Ela descreverá este dia como mais feliz de sua vida: sentir-se filha de Deus era-lhe uma emoção inigualável, assim como receber Jesus na Eucaristia. Bakhita nutria em seu coração o sublime desejo de se tornar religiosa: “uma Irmã Canossiana”. (continua no próximo artigo…)

 

Primeiro sacerdote mercedário de Moçambique

A Igreja Católica na África, em especial em Moçambique, teve uma grande alegria: ordenou-se, pela imposição das mãos de sua Excia. Revma. Dom João Carlos, Bispo auxiliar de Maputo, o primeiro sacerdote mercedário em Moçambique, Frei Pedro.

A cerimônia realizou-se na Paróquia Nossa Senhora do Livramento, aos cuidados da Congregação de Nossa Sehora das Mercês, em Maputo, e para ela acorreram inúmeros fiéis que lotaram a Igreja, desejosos de participar de tão bela e importante celebração.

Esteve presente na cerimônia o Provincial da Congregação na África, Fr. Alberto, bem como todos os sacerdotes mercedários em missão neste continente, dentre os quais muitos espanhóis e venezuelanos.

O Revdo. Diác. Arão Mazive, EP, esteve diaconando a solene cerimônia, na qual todos puderam sentir o zelo pastoral de Dom João Carlos, que quis ter um momento de conversa com o ordenando antes de que ele recebesse o tão elevado sacramento da ordem, como se pode ver pela foto.

Santa Bakhita, o anjo africano (parte I)

Continente querido e abençoado por Deus, a África tem em si maravilhas e riquezas de toda ordem, tanto materiais -admiremos suas encantadoras e misteriosas paisagens, suas magníficas águas, as pedras preciosas e não preciosas, que aqui abundam, enfim, quantas coisas- quanto espirituais:  alma admirativa, respeitosa, doce e afável, aguerrida e impetuosa, senso religioso inigualável, e poderíamos ainda acrescentar longos e variados elogios a esse esperançoso continente. 

Como um raríssimo e magnífico brilhante, reluz nesse povo uma mulher que levou ao zênite todos esses predicados morais, a quem poderíamos, sem exageros, conceder o epíteto de “anjo africano”: Santa Josefina Bakhita. Tão linda é a narração de sua vida, que decidimos publicar em nosso blog alguns artigos que a transcrevam. Esse será o primeiro, em que acompanharemos seu nascimento, sua infância e os cruéis padecimentos pelos quais teve que passar antes de encontrar a luz de sua vida: a Igreja Católica.

Nela podemos encontrar uma verdadeira estrela que despontou, resplandecendo no meio das trevas do paganismo e da escravidão!   Bakhita nasceu no Sudão, região de Darfur na África, no ano de 1869 e através de suas poucas informações sabemos que sua aldeia natal é Olgossa, cuja pronúncia é “algoz”, que em árabe significa “Dunas de Areia”. De família abastada, seu pai possuía terras, plantações e gado; ele era irmão do chefe da aldeia. Sua família era composta pelos pais e sete filhos, sendo muito unidos e afeiçoados. Muito embora a descrição dessa aurora de Bakhita deixa entrever um céu límpido, não tardará em ser coberto por nuvens de tribulações, como veremos adiante.

Embora a família da Bakhita tivesse uma conduta moralmente irrepreensível, de acordo com a lei natural, infelizmente os seus contemporâneos ainda não tinham sido beneficiados pelas benção da Igreja e da fé.

Vejamos o contexto histórico da época: em 1821 Mohamed Ali envia dois exércitos para conquistarem o Sudão. O objetivo político era de instaurar uma dinastia própria na região, e os obectivos práticos eram de saquear riquezas e capturar escravos a serem vendidos no mercado.

No ano de 1874, a irmã mais velha de Bakhita foi raptada. A dor dilacerou o coração daquela família tão unida e feliz. Não seria porém a última punhalada no coração de seus pais. “Bakhita,” (não foi o nome que recebera dos pais quando nasceu, no ano de 1876),aos 7 anos de idade, foi raptada e arrancada do seio de sua família. A pequena menina tomada de pavor, foi levada brutalmente por dois árabes e foram eles que impuseram o nome de “Bakhita”, que significa: “afortunada”.

A pequena escrava, depois de um mês de prisão, foi vendida a um mercador de escravos. Na ânsia de voltar para casa, Bakhita se arma de coragem e tenta fugir. Porém, foi capturada por um pastor e revendida a outro árabe, homem feroz e cruel, que, por sua vez, revendeu-a a outro mercador de escravos. Novamente ela é vendida a um general turco, cuja esposa era uma mulher terrivelmente má. Desejou marcar suas escravas e Bakhita estava entre elas. Chamou então um tatuador que, com uma navalha, ia marcando os corpos das meninas que se contorciam de dores. Bakhita recebeu no peito, no ventre e nos braços 114 cortes de navalha que eram esfregados com sal para que as marcas ficassem bem abertas. As jovens escravas foram jogadas sem tratamento e nenhum cuidado, durante um mês.  (Continua no próximo artigo…)

Um africano que quis ser santo: Pierre Toussaint

As recordações  de pessoas preeminentes  são múltiplas a nossa volta: os relatos de um herói que lutou e obteve a vitória em prol da sua pátria;  um intelectual que devota sua vida para instruir os seus contemporâneos, um poeta, ou um  historiógrafo que, gradualmente, edificam  seus próprios monumentos. Entretanto, há pessoas que, na suave e silenciosa acumulação de bons e grandiosos feitos, não calculados aos olhos dos homens, mas aos de Deus, a cada dia, somam de forma crescente as verdadeiras alegrias e  a  influência de tais homens é como um rio de águas cristalinas, que serpenteia  pelas bordas dos prados e campinas, fertilizando-os e assim, proporcionando-lhes  flores e mais flores! Desses  ocultos benfeitores, falaremos brevemente de um: Pierre Tousssaint.

Pierre Toussaint nasceu em 1766 em São Marcos na Ilha de São Domingos, ou Haiti.

Entre os prósperos nobres da Ilha de São Domingos, figurava Jean Bérard du Pithon. Pierre Toussaint – um negro – era um dos escravos dessa família. Toussaint contava 21 anos de idade, quando os distúrbios da Revolução Francesa conduziram a família Bérard, na companhia de  Toussaint, a refugiar-se em Nova York (Estados Unidos).     A família Bérad conseguiu, primeiramente, viver dentro da sua dignidade, ou seja, no regime nobiliárquico, com a economia que trouxera consigo. Porém, no decorrer do tempo faltou-lhe o recurso de fonte rendária e caiu numa considerável perda de fortuna. Com isso, a família ficou reduzida a uma condição social muito abaixo da sua nobreza, e na ameaça de recorrer a serviços incompatíveis com sua nobre categoria para garantir a sua sobrevivência!

Foi nesse triste transe em que  Monsieur Bérard veio a falecer  – em 1791 – deixando a aristocrática Marie Elisabeth Roudanes, sua esposa, na viuvez. Ela teve que enfrentar, então, a penosa situação, ademais, em estado precário de sua saúde. Mas a providência divina a olhava misericordiosamente e estendeu-lhe a sua “Mão auxiliadora” – sensivelmente visível – na pessoa de seu querido e fiel escravo, o futuro Bem-aventurado Pierre Toussaint.

Toussaint tornou-se um cabeleireiro de renome, entre as senhoras da alta sociedade novayorquina, e com essa profissão, arrecadava significante fundo monetário, com o qual, poderia viver emancipado. Porém, quis continuar escravo e proteger a sua senhora. Muitas vezes Pierre retornava da sua actividade laboral e fazia os trabalhos inerentes a condição dum escravo. Patrocinava, ele mesmo, as despesas necessárias para uma boa festa de aniversário de sua senhora e punha-se a servir, de modo que, os presentes o reputavam como escravo, e imaginavam que dona Marie continuava nas boas condições econômicas de outrora!

Temos aqui um singular exemplo de alegria em servir aos que são superiores, como ensinou-nos Nosso Senhor Jesus Cristo no Evangelho: “Se alguém quer ser o primeiro, seja o último de todos e o servo de todos” (Mc 9,35). Contudo, nada disso seria possível se essa alma pequena mas tão grande não tivesse uma ardorosa vida de piedade, grande espírito sobrenatural e assiduidade à mesa da comunhão Eucarística -ele começava todos os seus dias com a a participação na Santa Missa-, características que podem notar-se em suas fotos, apesar de antigas e sem os atuais recursos fotográficos. Na primeira, o vemos já em sua ancianidade, após essas lutas descritas mas pronto a enfrentar as que ainda pudessem apresentar-se-lhe, sobretudo para alcançar a perfeição e a santidade; na segunda, ainda jovem, muito preservado do mal e brilhando de pureza e inocência, preparando-se para as batalhas que viriam. Assim, Pierre Toussaint, o africano que se fez santo, nas agruras da escravidão, auferiu as delícias da bem-aventurança!

Pierre Toussaint foi declarado Venerável pelo Sumo Pontífice João Paulo II no ano de 1996, e seu  processo de beatificação já está em andamento.

Extraído do livro Memoir of pierre Toussaint, escrito por Hannah Sawyer Lee

 

A imagem peregrina na África do Sul

Nossa senhora, em seu inspirado cântico do Magnificat (Lc  1, 46) predisse que todas as geraçãos a proclamariam Bem Aventurada, tantas foram as maravilhas realizadas por Deus em sua pessoa.

Para aqueles que são chamados a servir a Igreja nas missões, é verdadeiramente tocante presenciar o cumprimento dessas palavras da Santíssima Virgem. Não há país, rincão, cidade, casa, poderíamos até mesmo dizer pessoa em que a Virgem Maria passe e não deixe seu suave perfume de bondade e paz. Isso presenciam os Arautos diariamente.

Uma das formas através das quais os Arautos do Evangelho promovem a evangelização tão insistentemente pedida pelos Papas para o mundo de hoje, é a propagação da devoção a Maria. E seus resultados sempre são excelentes, pois certo é que dito trabalho muito  agrada a Deus, que quis fazer-Se filho Dela.

No domingo 25 de agosto, estiveram os missionários na paróquia São Hulberto, em Alexandria, bairro de Johannesburg, na África do Sul. A pedido do pároco, o Revmo. Pe. Ronald Cairns, O.M.I., levaram eles a imagem peregrina do Imaculado Coração de Maria, a fim de ali realizarem a cerimônia de coroação de Nossa Senhora em duas missas dominicais, das 8:00 hs e das 10:30 hs.

Assim foi feito, com toda a pompa: orquestra, incenso,inúmeros coroinhas que circundavam o altar, e a assistência do Revdo. Diác. Arão Mazive, EP, à missa. Não deixou de impressionar aos missionários que viajaram 8 hs de Moçambique a Johannesburg a devoção e a piedade dos fiéis em ambas as missas, igualmente repletas de tal forma que muitas pessoas estavam fora da Igreja.

O padre celebrante consagrou toda a sua paróquia, jovens, famílias e atividades, ao Sapiencial e Imaculado Coração de Maria, e no sermão exortou a seus fiéis que buscassem crescer na devoção à Mãe de Deus, e pela intercessão Dela, procurassem, conforme as palavras do evangelho do dia, a “entrar pela porta estreita dos sofrimentos, do cumprimento à Lei de Deus e dos deveres, que nos leva ao céu”, e a“fugir da porta larga que nos conduz ao inferno: os prazeres ilícitos, a imoralidade, o esquecimento e relaxamento na prática da religião e dos mandamentos”.

Após a Santa Missa, todos os fiéis aproximaram-se da imagem para venerá-la e fazer seus pedidos Àquela que é a Medianeira Universal de todas as graças. Têm eles a certeza de que, se Deus quis servir-se de Maria para a Encarnação de seu Filho, e, por conseguinte, para a salvação do mundo pela sua Paixão, é também através Dela que impetrarão dos céus aquilo de que precisam para a salvação de suas almas.

Afinal, “quem honra a Mãe, honra o Filho”, diz o ditado. E se alguém tiver dúvida disso, abra o evangelho e ali encontrará a resposta para suas interrogações: “Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo… encontraste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-se-á Filho do Altíssimo,” (Lc 1, 28) Ou ainda: “Isabel ficou cheia do Espírito Santo e exclamou em alta voz: Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor?”(Lc 1, 41)

Sejamos devotos de Maria, e não estaremos nos afastando de Jesus, mas muito pelo contrário, unindo-nos mais a Ele e honrando-O com mais perfeição.

Visita aos portugueses na África do Sul

No último domingo 25 de agosto, os Arautos de Moçambique estiveram na Paróquia Santo Antonio, em que se reúne a colônia portuguesa residente na África do Sul, a fim de participar da procissão do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo.

Como em sua terra natal -a Ilha da Madeira- comemora-se esta solene data, por um especial privilégio, não  junto com a Igreja Universal, mas no último domingo de agosto, época em que as condições climáticas são mais propícias a essa augusta procissão, a dita comunidade assim o faz em Johannesburg, capital da África do Sul.

É encantador ver logo ao chegar, o costumeiro zelo lusitano pelas coisas da fé, demonstrado nos belos tapetes de pétalas, nos enfeites que cobriam todo o pátio externo da Igreja,bem como no cuidadoso e impecável arranjo de flores e tecidos que ornamentavam o interior do recinto sagrado.

O Diác. Arão Mazive, EP, assitiu no altar ao Revmo. pároco, Pe. Lemos, e os Arautos do Evangelho participaram  com sua orquestra, assim como seus cooperadores sul-africanos, da procissão que percorreu o pátio da Igreja, no qual via-se senhores e senhoras de respeitável idade, jovens e crianças da gloriosa península louvando e adorando ao Divino Redentor que fez-se alimento para nossa salvação.

Pôde-se contemplar o quanto essa nação, tão brilhante pelas navegações que fizeram a Igreja católica difundir-se pelo novo mundo, na América, na África e mesmo nas Índias, guarda ainda o vigor e o viço dessa mesma fé em si, cumprindo dessa forma o que a Santíssima Virgem prometeu em Fátima:

“Portugal consevará a fé!”

Moçambique celebra a Assunção de Maria

No último domingo, dia 18 de agosto, a Paróquia Nossa Senhora da Assunção, no bairro da Liberdade, da cidade de Maputo, celebrou belamente a solenidade da Assunção da Bem Aventurada Virgem Maria aos céus. Centenas de fiéis lotaram a Matriz paroquial para, na Santa Missa celebrada pelo Pe. Filimone e concelebrada pelo Pároco, o  Pe. Fábio, louvar esse singular privilégio que Deus concedeu à sua dileta Mãe, de subir em corpo e alma  aos céus.

O Diác. Arão Mazive, EP, foi convidado a diaconar esta solene Missa, no fim da qual o Revmo. Pároco pediu que dirigisse à comunidade algumas palavras, por ter sido muitos anos catequista nesta Paróquia, bem como prestado diversos auxílios pastorais, como visitas a enfermos e implantação da Pastoral do dízimo, juntamente a outros arautos de Maputo, no período em que a Congregação tinha instalada nessa Paróquia sua residência. Apesar de estar agora situada em outra região da cidade, a congregação continua a ajudar esta paróquia tocando nas procissões, nas missas para enfermos, entre outras atividades.

Dessa forma, o Revmo. Pe. Fábio quis também apresentar a toda a comunidade o Neo- Diácono, primeiro moçambicano dos Arautos do Evangelho a ser ordenado. Todos ansiavam por este momento, entre os quais muitos cooperadores dos Arautos do Evangelho,e fizeram uma longa fila para cumprimentar pessoalmente o reverendo visitante.

O dogma da Assunção de Maria aos céus foi proclamado pelo Papa Pio XII, através da Constituição Apostólica Munificentissimus Deus, do dia 1º de Novembro de 1950, no qual declara que “depois de termos dirigido a Deus repetidas súplicas, e de termos invocado a paz do Espírito de verdade, para glória de Deus onipotente que à virgem Maria concedeu a sua especial benevolência, para honra do seu Filho, Rei imortal dos séculos e triunfador do pecado e da morte, para aumento da glória da sua augusta mãe, e para gozo e júbilo de toda a Igreja, com a autoridade de nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados apóstolos s. Pedro e s. Paulo e com a nossa, pronunciamos, declaramos e definimos ser dogma divinamente revelado que: a imaculada Mãe de Deus, a sempre virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial”.

 

A Virgem Maria vai às casas de Moçambique

Imaginemos que, na casa de uma família em Moçambique, em um belo e ensolarado dia esposo, esposa e filhos, estivessem lendo algo, ou preparando uma refeição, conversando prazeirosamente, ou rezando alguma oração, quando ouvissem batidas fortes e incessantes na porta. “Será alguém precisando de ajuda?”, ou “haverá alguém tentando entrar na casa” poderiam pensar.

Mas, quando atendessem ao tempestuoso visitante, receberiam uma notícia bem diferente: “olhe, acabam de mandar avisar-lhe que a Rainha da Inglaterra acaba de descer em Moçambique e está vindo a sua casa. Chegará daqui a duas horas”

Não precisamos esforçar muito nossa imaginação para conceber a correria que começaria nessa residência moçambicana, país onde o povo possui um inato e enorme senso de hierarquia e admiração. Arrumação, limpeza, algo para oferecer a Sua Majestade…

Contudo, algo mais belo tem acontecido nestas terras. Muitas famílias tem recebido uma visita que leva consigo a presença e o símbolo de alguém que é maior qua a própria rainha da Inglaterra: a Rainha dos anjos, a Virgem Maria.

Estas famílias tem solicitado aos missionários Arautos que levem a Imagem do Imaculado Coração de Maria em suas casas, pois querem ter a alegria e o supremo bem-estar de passar uma tarde com a Mãe de Deus. Tem elas a oportunidade de cantar, rezar o terço e reunir todos os parentes e vizinhos, em um momento de intensa devoção e confiança naquela que é a Medianeira de todas as graças, como se pode comprovar nas fotos.

Esperamos que Nossa Senhora possa continuar a visitar ainda muitas casas de seus filhos moçambicanos, amparando-os e sustentando-os naquilo que eles tem de mais precioso:
sua fé.

Qual é o melhor modo de aproveitar as férias?

As férias são uma ocasião intensamente desejadas por qualquer pessoa que tenhas atingido a idade da razão, pois alguém nestas condições, deverá estar ocupado -e muitas vezes arduamente ocupado- com estudos, se ainda é jovem; com o trabalho, se já alcançou a idade madura. E tanto uns quanto outros anelam um período de repouso, para descansar de suas fadigas e preparar-se para as novas.

Contudo, qual será o melhor meio para desfrutar as férias? Será uma viagem? Ou permanecer em casa, descansando despreocupadamente? Ou talvez em diversos passeios com os amigos?


Há uma maneira superior de aproveitar esse agradável interstício das atividades: os vinte jovens aspirantes a Arautos do Evangelho em Moçambique deram um belo exemplo de como fazê-lo: pediram a suas famílias para passar suas férias com os Arautos, de que maneira?

Em um ambiente intensamente religioso, em que durante o dia, tiveram Missas, adoração ao Santíssimo Sacramento, oração da Liturgia das horas e do Rosário em conjunto, aula de música e diversas reuniões sobre o “Tratado da Verdadeira Devoação à Santíssima Virgem”, um estupendo livro de São Luis Maria Grignion de Montfort, em que iniciaram sua preparação para a Consagração a Nossa Senhora.


No enceramento desse programa o Revmo. Pe. Wagner Morato, EP, celebrou a Santa Missa na qual os jovens receberam com alegria o tão esperado livro, o qual deverão ler antes de concretizar a consagração à Santíssima Virgem.

Fica para os jovens da África -e porque não de todo o mundo?- uma importante pergunta: Qual é o melhor modo de aproveitar as férias?

 

Apresentação do Hino do ano da fé com o Arcebiso de Maputo

Os Arautos do Evangelho estiveram com sua Excia. Revma. Dom Francisco Chimoio, OFM Cap. para apresentarem o Hino do Ano da Fé em um concurso de canto organizado pela Arquidiocese, por ocasião do Ano da Fé. Segue a notícia, da Agência Católica Gaudium Press

Maputo – Moçambique (Segunda-feira, 12-08-2013, Gaudium Press) No último sábado, 10, Dom Francisco Chimoio, Arcebispo de Maputo, esteve presente no salão de eventos da igreja Santa Ana da Munhana, para dar início ao Concurso de Música Sacra promovido pela Comissão de Liturgia arquidiocesana, tendo como coordenador o Padre Hercílio Munhique que também é cerimoniário da Arquidiocese.

Religiosos e representantes de conjuntos musicais de várias paróquias encheram o recinto. O evento faz parte da programação das comemorações pelo Ano da Fé. A sessão teve início com a apresentação dos Arautos do Evangelho, com Casa na capital moçambicana, que executaram o hino comemorativo ao Ano da Fé.


Dom Francisco, dirigiu-se aos presentes comentando a importância da virtude da fé em nossas vidas. Citou como exemplo, os patriarcas do Antigo Testamento, que eram homens de Fé. Concluiu afirmando que essa vida é uma passagem. E todos nós devemos estar preparados para o encontro com o Pai

Em continuação um grupo de atores representou uma peça narrando a história de um jovem afastado da religião e que acometido por uma doença grave e sendo curado, voltou a participar de sua comunidade. O objetivo dessa iniciativa é unir os jovens, para que possam externar suas capacidades artísticas musicais e contribuírem para o decoro da música litúrgica.

Por Bento C. Mungano

Conteúdo publicado em gaudiumpress.org, no link http://www.gaudiumpress.org/content/49658-Arcebispo-de-Maputo-prestigia-Concurso-de-Musica-Sacra-em-Mocambique#ixzz2bpncJckG
Autoriza-se a sua publicação desde que se cite a fonte.

Junto com as famílias

Faz parte do carisma dos Arautos do Evangelho um esmerada e cuidadosa evangelização da juventude, pois afinal, são eles o futuro da nação e da Igreja. Assim também, em Moçambique, muitos jovens participam de programas organizados pela Congregação, em que participam de reuniões sobre a vida dos santos ou doutrina católica, recebem formação musical e são instruídos em uma fervorosa vida de piedade e prática dos sacramentos.

Contudo, não apenas eles se beneficiam dessa formação. Como bons filhos, querem transmiti-la a seus pais, muitas vezes entusiasmando-os para a oração e a vida sacramental.

Por essa razão, os Arautos preparam com frequência programas em que pais e filhos juntos, podem assimilar as maravilhas da Igreja Católica e desfrutar de um alegre convívio.
No mês de julho, além da Santa Missa celebrada pelo Revmo. Pe. Wagner Morato , EP, assistiram a uma encenação teatral da conversão de Afonso Ratisbonne, um obstinado incrédulo que converteu-se graças a uma boa amizade que lhe fez usar uma medalha milagrosa e sobretudo, a uma aparição da própria Santíssima Virgem, que segundo as palavras do convertido, “não me disse nada, mas eu entendi tudo! Entendi como ela é boa!”

A fé se expande na África

Por expresso desejo do seu fundador, Monsenhor João Clá S. Dias, os Arautos do Evangelho tem desdobrado o seu apostolado em vários países da África, entre eles: Moçambique, Camarões, Ruanda, África do Sul, Namíbia.  

Com muita razão a África foi intitulada pelo Papa Bento XVI “o continente da esperança”. De fato, um povo com traços alegres e sorridentes, muito hospitaleiro, cheio de bondade. Tal nação está amplamente preparada pela Providência com dotes para receber e abraçar a fé Católica, toda ela pervadida da bondade e doçura evangélicas.

E é o que se tem passado, e os Arautos do Evangelho são testemunhas disso.

Tomemos apenas as crianças: realizou-se uma breve missão mariana nas casas do bairro Nkobe, onde está instalada a academia desta Congregação, para convidá-las para uma programação por ocasião do dia das crianças em Moçambique.

Já de início, os missionários eram abordados pelos pequenos fiéis perguntando o que era aquilo, se ia acontecer alguma coisa na “casa de Maria”, como chamam eles a academia. Por fim, pais, mães, enfim toda a família estava ao redor do Oratório de Nossa Senhora rezando à Mãe de Deus.

E qual não foi a surpresa para os próprios Arautos quando, no dia seguinte, viram chegar as crianças, mas com um pequeno pormenor: é que elas não paravam de chegar! Tanta foi a afluência que a programação contou com o número de 250 que assistiram a uma apresentação musical, coroação da imagem de Nossa Senhora de Fátima, em que o Revdo. Diác. Arão Gabriel Mazive aproveitou para instrui-las, com uma pequena catequese, e por fim, participaram de uma distribuição de rosários e um lanche.

Tudo isso demonstra que a fé está se expandindo – e muito- na África